29 de fevereiro de 2004

KALINAS - " Porque Gosto de Ti"

Porque gosto de ti?
Porquê?
Porque te quero e te desejo!
Muito…!
Porque, te ofereço flores,
Porque, te transformo numa flor…
Perfumada e bela,
Cheia de cores,
Porque, és a flor mais bonita
Deste meu jardim,
A mais bela e vistosa,
A mais virtuosa…
A que me dá mais prazer,
Aquela que quero cheirar
E olhar…
Roçar nas tuas pétalas
Deixar o meu pólen,
Nos teus estigmas,
Polinizar-te,
Com o meu sémen
Criar…
Viver…
E depois morrer!


KALINAS

21 de fevereiro de 2004

KALINAS * Alucinação*

Dançando,
Rodopiamos pelo salão antigo.
Revestido a ébano,
Candelabros de velas acesas,
Exalam perfume,
E nos embriagam.

Enquanto rodopiamos,
Rocei a minha perna na tua,
Enquanto me inebriava,
Com o nosso odor.

Cheiramo-nos;
Roçamos nossos ventres,
Desinquietos.

Sentimos;
Em suor,
Aquele percurso
Que ondeia nossos corpos.

Roçamos nossos ventres,
Excitados,
Molhados,
Desejosos de paixão.

Olhei de novo o salão,

Fiquei a dançar sozinho.
Agarrado ao vácuo…
Em depressão,
Que não arde,
Nem queima
Só arde com a paixão
Da tua entrega.
Com a passagem,
Do meu desejo,
No teu desejo.


Kalinas

16 de fevereiro de 2004

* RETORNO *JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

Longe, lá longe no horizonte
O Sol surgiu ardente, claro e quente,
Enquanto iam chamando, toda a gente
O mar calmo, a nascente e até a fonte.

Nos planaltos, e desde o vale ao monte,
Sopra uma aragem leve, leve e quente,
A acariciar os rostos, docemente,
Como a brisa, ao longo duma ponte.

Não há grilos cantando, nos caminhos,
E o alegre chilrear dos passarinhos
Calou-se nas ravinas dos valados…

A noite desce lenta, e hora a hora
Volta o silêncio que é mais triste agora
E me leva ao tormento do passado!


José Maria Lopes de Araújo

13 de fevereiro de 2004

LAMENTO - desconheço o autor

Lamento que o abraço
Não passasse de duas linhas;
Lamento que o encontro
Não tivesse acontecido;
Lamento dizer que lamento
E lamento o sucedido;
Lamento...

Lamento que o "Barco"
Tomasse outro rumo, por força do destino;
Lamento que as asas do tempo
O tivessem deixado voar;
Lamento que a distância aumentasse
Com a ausência do azul do mar;
Lamento...

Lamento...
Que a distância de mim;
Lamento...
Lamento o FIM.

8 de fevereiro de 2004

FERNANDO SABINO - Poema " De Tudo Ficaram Três Coisas "

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar e
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar
Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança,
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir!



FERNANDO SABINO
do livro

"Encontro Marcado"


NOTA: Fica a correcção do verdadeiro autor deste belo poema " FERNANDO SABINO "