27 de fevereiro de 2005

Vitor Cintra " SONHO "

SONHO

Chegaste ...
de repente e sem aviso !
O delírio, num sorriso,
chamando.
Corpo e alma e tudo em mim
vibrando,
no vislumbre do ensejo,
numa ânsia, num desejo,
de ti.
Ilusão que me sorri!
Contraste
doutros dias, maus, sem fim.

Vitor Cintra " Momentos "

15 de fevereiro de 2005

Duma amiga que a net me presenteou, aqui fica um poema que amávelmente me enviou.
Um beijo para ti Céu




Saudade



Não posso viver sem ti
Não quero viver sem ti.
Dizem-me que sou forte
Que a vida continua...
Mas eles não sabem
Que nós éramos um,
E se éramos um,
Como separar uma parte?

Não Gi!
Eles não entendem, não sabem,
Porque não se amam como nós.
Eu sei que não queres que eu chore
Não posso suster as lágrimas
Lágrimas de amor, saudade,
Tristeza por não te ter comigo.

Sofro muito e sei que tu não queres.
Mas tu conheces-me,
Tu sabes que não sou tão forte assim.
Como é difícil passar sem as tuas mãos,
O teu carinho,
A tua loucura por mim.
Gi, olha por mim.
Ouve-me, ajuda-me,
Espera-me.

Maria do Céu Câncio
1999.09.25

13 de fevereiro de 2005

Miguel Torga " Súplica "

* SÚPLICA *

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.


Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada



Miguel Torga

8 de fevereiro de 2005

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO *** Amor Supremo ***

*** AMOR SUPREMO ***

Amei o vento, em doida correria,
Por noites de medonha tempestade …
Amei …Amei a minha mocidade …
Escura noite, em vez de claro dia.

E quis manhãs alegres, radiosas,
Manhãs cheias de sol, cheias de luz;
E amei até a minha própria Cruz,
Feita de dor e lágrimas saudosas!

Amei o mar e a onda enraivecida
Que vai perder a sua própria vida,
Contra o rochedo velho, secular …

Amei enfim, a Natureza inteira …
Mas, das paixões é esta, esta a primeira,
Pois, como a ti, eu nunca soube amar!


José Maria Lopes de Araújo do livro de poemas “ Cinzas Quentes “