21 de setembro de 2006

Carta ao meu Marido ..... de Isabel C.

Por coincidência ou destino, este texto foi publicado em 21 de Setembro de 2006.
No dia 21 de Setembro de 2009, foi decretado o nosso divórcio.

A vida tem destas coisas.

Isabel C.


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Esperavas-me deitado quase adormecido.

Quando me deitei, abriste os olhos e olhaste-me dizendo:
- Gosto tanto desse teu cheirinho a bebé.

Essa tua capacidade de ainda notar o meu cheiro, e dizeres o quanto te agrada, deixa-me feliz.

Chamares-me pelo meu diminuitivo nos momentos de entrega, reafirmando os teus sentimentos de amor para comigo, é fazeres-me recuar no tempo, esse tempo ido, que tento insistentemente encontrar, como se alguma vez o tivesse perdido.

Amor, não vive sem sexo, mas sexo vive sem amor.
É cada vez mais comum encontrar alguém disposto a curtir, a viver o momento.
Dificil é, encontrar alguém que continue querendo continuar a preservar aquele que foi o seu primeiro amor.

Fico a analisar, todas as provações que temos passado juntos, e a capacidade que fomos encontrando também, de as contornar com mais ou menos feridas, que acabam cicatrizando com o tempo.

Então, se após todos esses momentos bons ou maus, continuamos como rocha firme nos mesmos intentos, uma certeza existe :

És, e continuo eu sendo, a pessoa com quem queremos continuar partilhando os melhores e piores momentos,pois que aquilo que nos une, continua falando mais forte, do que aquilo que nos separa.

Não sei se o amor se foi,se ainda se acabará indo, sei que por vezes só damos o real valor, áquilo que perdemos.

Sei também, que é muito bom adormecer enrolada no teu corpo,sentir as tuas pernas dentro das minhas ou o contrário, adormecer de mãos dadas com o teu beijo de boa noite, e acordar com o teu primeiro beijo matinal.

Ainda continuamos passeando de mão dada, ainda nos beijamos pela rua, ainda me chamas de tua menina , e sobretudo, ainda continuas dizendo o quanto me amas e me adoras.

Conseguirei eu transmitir-te do mesmo modo, toda essa segurança, esse amor que recebo, e nem sei se dou.

Ás vezes ausento-me de mim, e vejo que me segues com o olhar, com medo que me perca.

Tenho consciencia de que as nossas arestas estão limadas.
De que nos conhecemos, sabendo que cada um de nós é ao mesmo tempo um ser livre.

De que ainda, e principalmente , somos um do outro.

Tudo isso continua sendo muito importante para continuarmos nesta caminhada, aquela que um dia escolhemos.

Não seremos porventura as mais belas flores dum jardim, mas somos ainda as mesmas que um dia o sentimento amor colheu e uniu.







Isabel C.

7 de setembro de 2006

Inscrição na Areia.... Cecília Meireles



O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma.



Cecília Meireles