30 de novembro de 2007

O BEIJO poema da Grécia- Poeta anónimo

Um rapaz beijou-me ontem à tarde
E o seu beijo era um vinho perfumado
Tão longamente bebi nesses lábios o vinho do amor
que ainda agora me sinto embriagado.


Trad: Jorge Sousa Braga

24 de novembro de 2007

Daniel Gonçalves do livro
* O AFECTO DAS PALAVRAS *

Se precisares de mim estou sob o teu ventre
trazendo da terra a água para o teu coração

quero que respires como a nossa ameixieira
e como ela te ergas sobre o rosto da manhã

quero que ouças o meu sangue dentro de ti
como um relógio marcando o pulso da sede

e que nesse sopro de música saibas o amor
e nem uma palavra te atravesse a respiração



DANIEL GONÇALVES
ilha de S. Maria - Açores

22 de novembro de 2007

Coisas de Chat

Recebido por e-mail



Oi, quer teclar?
Podemos tentar...
De onde você é? Quantos anos? O que faz? Do que gosta?
Nossa... quanta pergunta!
Tudo bem, eu exagerei, acho que lhe assustei.
Aí eu conversei com ele... um dia, dois dias... um ano...
Um verão... um outono...
Era pela manhã no começo... depois viramos tudo pro avesso
Era de tarde... de noite... de madrugada,
Não tinha mais hora marcada.
Eu corria pro computador e quando não o encontrava...
Ai que dor!
Eu gostava das suas palavras...
Até daquela risada que eu não podia ouvir,
Mas que o meu coração podia sentir.
Oieeeeee... tava te esperando!!!
Oi amor... eu tava trabalhando
Escrevi uma coisinha pra você, quer ver?
Claro, pode mandar, eu sei que vou gostar.
" Quando amanhece o dia e você não vem,
O meu sol não brilha e eu choro pela falta da sua companhia."
Ah... que lindo... tô aqui lhe sentindo!
Como o amor virtual... não tem igual
A gente diz tudo que pensa, tudo que precisa,
Tudo que é permitido e até o que é proibido.
Ele é bonito, ela é maravilhosa,
Ele é sensual, ela é gostosa.
Ele é inteligente, ela tem um jeitinho carente
Ele é alegre, ela é ciumenta, ele anima, ela movimenta.
Amor... eu tô com saudade
Eu também, tô até com vontade...
Hum...então vamu lá... tô pronta pra começar!
Era sexo virtual toda hora
E era gostoso... virava uma história.
Era fantasia misturada com alegria
Mas também rolava amor...
E quando acabava, restava um gostinho de dor.
É que não tinha em seguida o aconchego
Nem o cigarro...
Clicava-se num botão
E apagava-se a emoção.
Mas amanhecia o dia... e de novo,
Nos fazíamos companhia.
É, esse danado de amor virtual viciiiiia!
A gente fica dependente daquele carinho
Daquele ninho
Daquele amor eletrônico
Daquele carinho astronômico.
Oi Amor!
Oi meu bem...
Hummmm...
O que você tem? Tô sentindo uma tristezazinha...
É ... tô na minha
Vontade de lhe tocar... de lhe ver e de lhe beijar
...E nessa hora era uma chateação.
Porque eu o tinha, mas ele não era meu,
Eu era dele, mas ele não me tinha...
Ô coisa complicadinha.
Era um amor virtual, mas era real...
Todo dia de manhã o meu sorriso se iluminava
Antes de tomar café eu já conectava
E quando puxava meus mails
Nem queria saber de quem veio
Ia direto na listinha do correio
Procurando o seu e-mail...
Até que saltava aos meus olhos
*sempreseu@hotmail.com*
Meu amor, hoje vou demorar a aparecer,
Tô com trabalho até morrer...
Mas prometo... não vou lhe esquecer.
Daquelas palavras eu me alimentava
Eu as comia, eu as bebia, eu as sonhava.
Escrevia um, dois, três... dez mails por dia
Era uma agonia.
O assunto não terminava
Mas se eu quisesse dava pra resumir
E em bem poucas palavras...
Eu o amava!
A gente tinha uma afinidade
Uma sintonia, um amor tão grande.
Uma eterna energia...
Fazíamos planos... vivíamos de sonhos.
Tinha hora que parecia
Que tudo ia ser verdade... que bobagem.
Um dia ele me falou:
Lindinha, tenho tanto medo de perder o seu amor
De você se afastar
De me fazer perceber que tudo acabou...
Eu respondi:
Benzinho, não tem mais solução
Sem você não vivo mais,
Portanto pode ficar em paz, não vou me afastar... com isso pode contar.
Era tão bom saber que ele tinha essa preocupação,
Porque eu todo dia pensava:Ai meu Deus, e se ele arruma uma namorada?
Minha vida estaria acabada!
Bonequinha, esse fim de semana vou viajar, uns amigos vou encontrar
Ah, eu queria estar lá...
Adoraria lhe levar!
Aí nesse fim de semana eu ficava amargurada
Até chorava...Uma saudade, uma solidão
Um medo... uma insatisfação...
Navegava em sites de poesias
Fazia umas rimas e sofria.
Entrava em sites de horóscopos
Mapa astral, anjos e o escambal
Tudo pra ver se aquela nossa relação era normal.
E quando finalmente chegava segunda-feira
Eu esquecia toda aquela besteira.
Amorzinhoooooooooooo!!!!!
Que saudade... nem valeu a pena a viagem,
Longe de você é desse jeito...
Nada fica perfeito.
Aí nesse dia comecei a pensar...
Que coisa estranha...
Onde nessa história é o meu lugar?
Pois se vivemos sempre longe
Se nem nos conhecemos...
Por quê tanto sofremos?
Acho que ele pensou igual,
Começamos a nos afastar
Sem nada dizer
Sem nada reclamar
sempre seu...
Acabou sendo uma ilusão que morreu...
Mas ainda hoje eu me lembro dele
Com saudade... com carinho e com amizade.
É , foi assim... ele passou por mim
E eu fui atrás... e foi bom demais.
E você? Já viveu isso? Ou não?
Fala a verdade... abre seu coração!



Recebido por E-mail

20 de novembro de 2007

ENTRE SER E PERECER poema de * Ahmad Chamlu* do Livro Rosa do Mundo

Entre ser e perecer recitávamos uma fábula,
Tão leve ao vento como uma pluma-parábola;
No seu sentido jazia todo o nosso viver.
Voaram com ele a pluma e a fábula.


Trad: Kurt Scharf

14 de novembro de 2007

SELO DE AMOR poema de GUEVARA ( séc.XV)




Aquelas noites penosas
meditando em bem amar-vos,
com palavras dolorosas
eu jurei nunca deixar-vos:
estando neste dulçor
de agradável pensamento,
eu não tendo mal de amor
selei este vencimento.
Eu selei em vós vencer-me,
não me vencer por errores,
e selei, selei perder-me
por vossos lindos amores:
e selei obras iguais
ao meu viver,
e selei que nunca mais,
nem dos males, me arrepender.
E selei sempre seguir-vos,
pelo não, não ser queixoso,
e selei, meu bem, servir-vos,
de bom grado, o mais gracioso:
e selei a morte e a vida
sendo contente e loução,
selei que a minha ferida
merecesse a vossa mão.
E selei suplícios faltos
do peso que não venceu,
e selei suspiros altos
para o vosso servo eu:
e selei triste tormento,
tormento que me atormenta
e selei viver contento
se de tudo sois contenta.


Tradução de José Bento

7 de novembro de 2007

LÁGRIMA DE PRETA poema de António Gedeão






Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima para a analisar.


Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.


Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.




António Gedeão

3 de novembro de 2007

SUPREMO ENLEIO poema de Florbela Espanca





Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!


Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!


Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás-de ver-me, beijar-me em todas elas,
Masmo na boca da que for mais linda!


E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás-de encontrar ainda ...



FLORBELA ESPANCA