28 de abril de 2008

APETECE-ME poema de Ângelo Gomes






APETECE-ME, beber na tua boca, o veneno que mata os meus desejos
Presos nas amarras do pensamento,
Que nem o vento
Soube levar a paragens longínquas…

APETECE-ME. Mordiscar os dedos dos teus cabelos,
Que nem torturados,
Confessam pecados……………

APETECE-ME, atravessar os rios do teu corpo,
Que nem leito preguiçoso,
Bebendo gota a gota em descarada timidez,
o suor da tua nudez……..

APETECE-ME, arrancar pedaços de ti,
que nem pétalas de pálidas flores,
que por amores
têm apenas a maldade
de encobrir a falsa virgindade……….

APETECE-ME, rasgar as tuas entranhas
E roubar-te o grito do prazer,
Que nem loucuras tamanhas
Fizeram orgasmos assim,
E por fim,

APETECE-ME, violar o teu abraço,
Para no meu cansaço
Saborear o mel
Que escorre da tua pele,

Arrepiado….
Saciado…….
APETECE-TE????
Diz…..
APETECE-ME, sim……
APETECE-ME SER FELIZ……….




Ângelo Gomes

16 de abril de 2008

O TEU OLHAR poema de Ângelo Gomes





Que é feito do olhar que me tirava das trevas?
Que é feito da doçura que me curava tédios?
Que é feito dos prédios alicerçados em ti….
Que é feito de mim… que é feito do sorriso,
Do cristal, das margens do rio que chora e não ri?

Que falta me fazem os teus olhos de seda !…
Que nostalgia, que vácuo, que varanda sem horizontes...
Que fontes secas, que vida sem forma nem conteúdo !...
Que Entrudo de máscaras que disfarçam as mágoas….
Que fráguas, que colinas íngremes, que montes !...

O teu olhar !... a suavidade cremosa das tuas palavras …
Que travas … que lavas como quem descobre pepitas de ouro …
Que colocas a soro na convalescença dos tempos !....
O teu olhar !... a tua intensa vontade de viver …
Que é feito da generosidade que te eleva como ser?



Ângelo Gomes

3 de abril de 2008

DESDE QUE EU O VI... poema da Alemanha , de Albert Von Chamisso

Desde que eu o vi,
Cega julgo estar;
Só a ele vejo,
Olha pra onde olhar;
Com a sua imagem
Sonho em pleno dia,
Vem das trevas, sobe,
Clara de harmonia.
Sem ele tudo é
Sem luz e sem cor,
Já não me apetece
Coas irmãs brincar;
Agora só quero
No quarto chorar;
Desde que eu o vi,
Cega julgo estar.




Trad: João Barrento