30 de novembro de 2008

" UMA CHAMA NÃO CHAMA A MESMA CHAMA " poema de E.M.de Melo e Castro




Uma chama não chama a mesma chama
há uma outra chama que se chama
em cada chama que chama pela chama
que a chama no chamar se incendeia.

Um nome não nome o mesmo nome
Um outro nome nome que nomeia
em cada nome o meio pelo nome
que o nome no nome se incendeia.

Uma chama um nome a mesma chama
há um outro nome que se chama
em cada nome o chama pelo nome
que a chama no nome se incendeia

Um nome uma chama o mesmo nome
há uma outra chama que nomeia
em caa chama o nome que se chama
o nome que se chama se incendeia.

E.M de Melo e Castro

26 de novembro de 2008

* OLHOS TRISTES *poema de Vitor Cintra




Olhos tristes, senhora,
Os vossos. Tristes de mais,
Olhos de dor, de quem chora.
Senhora, porque chorais?


Se essa tristeza, que mora
Nos olhos, nos dá sinais
Da mágoa, que vos devora
E, a medo, mal disfarçais,
Mostrai-nos então, se agora,
Dos olhos, porque me olhais,
Se vai a tristeza embora,
Ou quedam tristes, iguais.

VITOR CINTRA

do livro " MURMÚRIOS "

19 de novembro de 2008

"Quando me Amei de Verdade " de Kim McMillen & Alison McMillen





Quando me amei de verdade,
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,
na hora certa.
Então pude relaxar.

Quando me amei de verdade,
pude perceber que o
sofrimento emocional é um sinal
de que estou indo contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade,
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar alguma coisa
ou alguém que ainda não está preparado
- inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e - qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoismo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!

Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.



Trechos do livro "Quando me Amei de Verdade " de Kim McMillen & Alison McMillen

16 de novembro de 2008

MÃE de Almada Negreiros





Mãe!

Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro,encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!


ALMADA NEGREIROS

12 de novembro de 2008

Espero-te Sem Te Esperar de MARIA JOÃO L.









Sei como pode ser difícil o outro lado da viagem
Onde reinam tuas imensas razões,
E onde habitam as minhas profundas emoções.
Percorremos a Terra, caminhando em labirintos de cores e cheiros diferentes.
Será que a melodia que nos uniu, pode ser poderosa e vencer a tua multidão ?
Mas eu não quero conquistar ninguém...
Mas, também não quero nada que te possa magoar,
Se os ANJOS me revelassem, que nosso abraço nasceu para ser apenas sonhado,
Eu guardava-te para sempre escondido no meu coração.
Sempre deixei que fosses tu a comandar este amor...
Tens uma vida lindamente merecida e esculpida de razões...
Sei compreender
Aprendi tanto de amor a doer
Sei continuar a sonhar...

E neste sentir maior assim espero-te sempre sem te esperar ...




Maria João L.


(Texto que me foi enviado e que achei muito bonito, partilho-o aqui)

10 de novembro de 2008

ÁRVORE poema de Kóstas Karyotákis ( Grécia)

ÁRVORE


Com rosto indiferente e ar de pouco caso,
saúdo as madrugas, os ocasos.

Árvore, hei-de olhar, com mirada isenta,
o céu azul ou a fúria da tormenta.

A vida, digo, é féretro no qual
dor,
alegria do homem têm o seu final

5 de novembro de 2008

SOLIDÃO de Afonso Henriques







Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.



AFONSO HENRIQUES