21 de janeiro de 2009

SONETO CV de ......William Shakespeare





Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.



William Shakespeare

* CHAMADA * poema de Vitor Cintra









CHAMADA


Sinto minha alma afobada
Por trilhas, cheias de nós,
Sem perceber a chamada
Feita, por almas tão sós
Como a minha alma isolada.

Solto as amarras do tempo
E o pensamento, veloz,
Corre ao sabor do momento,
Quando o momento dá voz
Ao meu veloz pensamento.


VITOR CINTRA

Do livro " Murmúrios "

20 de janeiro de 2009

E DE REPENTE É NOITE poema de Salvatore Quasimodo ( Itália )






E DE REPENTE É NOITE


Cada um está só sobre o coração da terra
Trespassado por um raio de sol:
E de repente é noite.


SALVATORE QUASIMODO

18 de janeiro de 2009

Silêncios poema de ÂNGELO GOMES






Os meus silêncios são cruéis e duros,
Nas trevas dos dias que me ensombram,
Nas noites em branco que me tombam,
Nas lágrimas, nos vales e nos muros

Será que sabes ler-me sem me ler?
Será que no teu peito ainda existo?
Ou fui sublinhado em mero risco
Daqueles sem expressão e sem se ver?

Que raros são os momentos de paixão...
Que emergem de caudais de solidão
E se fecham em silêncios de ternura...

Segue os trilhos dos minutos que viveste
Pergunta a ti própria se cresceste...
Abre as portas aos riachos da censura


Ângelo Gomes


Publicado no Recanto das Letras em 03/09/2006
Código do texto: T232092

15 de janeiro de 2009

" FUMO " poema de Florbela Espanca





Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...



Florbela Espanca

13 de janeiro de 2009

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDICULAS de Álvaro de Campos








Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

11 de janeiro de 2009

* AMIGOS * de Paulo Sant'Ana






Neste dia de Aniversário do meu amigo e POETA " VITOR CINTRA ", dos Blogs Um Poema de Vez em Quando e A poesia de VITOR CINTRA, dedico-lhe este texto, com votos de um feliz aniversário.

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Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!


Paulo Sant'Ana


PAULO SANT'ANA

9 de janeiro de 2009

HÁ CERTAS HORAS de William Shakespeare





Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...

Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:

Acho que você está errado, mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:

Sou seu amor! E estou Aqui!


William shakespeare

7 de janeiro de 2009

" ESTE PERFUME"de Salvador Novo (México)









Este perfume intenso de tua carne
não é nada mais do que o mundo que deslocam e movem os globos azuis dos teus olhos.

E a terra e os rios azuis das veias que aprisionam os teus braços.

Há todas as laranjas redondas em teu beijo de angústia
sacrificado à beira de um horto em que a vida se suspendeu por todos os séculos da minha.

Que distante era o ar infinito que encheu nossos peitos.

Arranquei-te da terra pelas raízes ébrias de tuas mãos
e bebi-te todo, oh fruto perfeito e delicioso!

Já sempre quando o sol apalpe a minha carne
sentirei o rude contacto da tua
nascida na frescura de uma alva inesperada,
nutrida na carícia de teus rios claros e puros como o teu abraço,
volta doce no vento que nas tardes
vem das montanhas para o teu hálito,
madura no sol dos teus dezoito anos,
cálida para mim que a esperava.





Tradução de: José Bento

6 de janeiro de 2009

* ROMÂNTICOS * de Vander Lee






Românticos são poucos,
Românticos são loucos, desvairados
Que querem ser o outro,
Que pensam que o outro,
É o paraíso.

Românticos são lindos,
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas,
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção.

3 de janeiro de 2009

Kalinas * Alucinação *

Dançando,
Rodopiamos pelo salão antigo.
Revestido a ébano,
Candelabros de velas acesas,
Exalam perfume,
E nos embriagam.

Enquanto rodopiamos,
Rocei a minha perna na tua,
Enquanto me inebriava,
Com o nosso odor.

Cheiramo-nos;
Roçamos nossos ventres,
Desinquietos.

Sentimos;
Em suor,
Aquele percurso
Que ondeia nossos corpos.

Roçamos nossos ventres,
Excitados,
Molhados,
Desejosos de paixão.

Olhei de novo o salão,

Fiquei a dançar sozinho.
Agarrado ao vácuo…
Em depressão,
Que não arde,
Nem queima
Só arde com a paixão
Da tua entrega.
Com a passagem,
Do meu desejo,
No teu desejo.




Kalinas
2004

Minha amiga Rosa, do blog " AZORIANA "

Azoriana Blog
sugeriu-me o poema e imagem que mais gostei de publicar.

Aqui o deixo de novo.
Obrigada ROSA ......beijo grande amiga.

2 de janeiro de 2009

Bluebird "Folha de Papel "

Te pinto nua,

Como uma flor,

Virada ao sol

Querendo abrir

As suas pétalas.

Com um sorriso,

Virado ao tempo,

Querendo se abrir

A todo a momento...

Minha bola de cristal.


Bluebird