31 de dezembro de 2009

Insinceridade....pema de Vasco Graça Moura

















Quis-nos aos dois enlaçados
meu amor ao lusco-fusco
mas sem saber o que busco:
há poentes desolados
e o vento às vezes é brusco



Nem o cheiro a maresia
 rebate nas marés
na costa de lés a lés
mais tempo nos duraria
do que a espuma a nossos pés

A vida no sol-poente
fica assim num triste enleio
entre melindre e receio
de que a sombra se acrescente
e nós perdidos no meio

Sem perdão e sem disfarce,
sem deixar uma pegada
por sobre a areia molhada,
a ver o dia apagar-se
e a noite feita de nada



Por isso afinal não quero
ir contigo ao lusco-fusco,
meu amor, nem é sincero
fingir eu que assim te espero,
sem saber bem o que busco.




Vasco Graça Moura
 
 "Antologia dos Sessenta Anos"

18 de dezembro de 2009

Natal...... poema de.... José Maria Lopes de Araújo



















NATAL


III



Volta Menino, volta …
Volta ao meu coração ,
Com a Paz, com a Alegria
Que em meu peito havia então !


É que eles esqueceram
Que vieste a este Mundo,
Sofrer torturas e dores,
Não pela riqueza dos nobres,
Mas pela miséria dos pobres
E pelos mais pecadores!


Volta Menino, volta,
Volta ao meu coração,
Com a chama de alegria,
Com a paz do Teu Perdão!


JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

12 de dezembro de 2009

Sem Deus, Sem Vós e Sem Mim.... de Jorge Manrique ( Espanha 1440-1479)





















Sou quem livre me senti,
eu quem pudera olvidar-vos,
eu sou o que por amar-vos
estou, desde que vos vi,
sem Deus, sem vós e sem mim.

Sem Deus porque a vós adoro,
sem vós, pois não me quereis;
sem mim, pois se diz em coro
que me tendes e tereis.
Por isso triste, nasci,
pois poderia olvidar-vos
eu sou o que por amar-vos
estou, desde que vos vi,
sem Deus, sem vós e sem mim.



Tradução de : José Bento

do Livro " A Rosa dos Ventos "

4 de dezembro de 2009

A Essência da Mulher.... poema de.... Ciro di Verbena



















Toda mulher esconde dentro da alma,
Um lago azul, tranqüilo e transparente
E sob as águas de aparente calma
Guarda um vulcão de lava incandescente!...

Às vezes, uma luz se nos acalma
Nascendo-lhe do olhar, triste e carente,
E ao transformar-se em dor, nos causa trauma
Qual lava de um vulcão queimando a gente!

Toda mulher é a essência da beleza,
Tem a voracidade da tigresa
No fogo da paixão quando na cama!


É desse lago de águas cristalinas
Que a essência da mulher, luz que fascina,
Vem saciar a sede de quem ama!


CIRO DI VERBENA