12 de setembro de 2014

Eu Quero, Eu Quero.... Sylvia Plath



De boca aberta, o deus recém-nascido
imenso, calvo, embora com cabeça de criança,
gritou pela teta da mãe.
Os vulcões secos calaram e cuspiram,

a areia esfolou o lábio sem leite.
Gritou então pelo sangue paterno
que agitou a vesta, o tubarão e o lobo
e veio engendrar o bico do ganso.

De olhosa secos, o inveterado patriarca
ergueu seus homens de pele e osso:
farpas sobre a coroa de fio dourado,
espinhos nas hastes sangrentas da rosa.

Silvya Plath ( 1932-1963)
Tradução de Maria de Lourdes Guimarães

Livro "A Rosa do Mundo"