23 de março de 2017

Carta a um grande amor 24-01-2014




Quantas vezes te disse, amor, que gostaria de pintar numa tela, o recorte da tua boca?!


Recordo o nosso ultimo encontro, aquele que marcou o fim do nosso caminho.

Naquele sábado,  enquanto eu tomava um banho quente entraste, usando a chave que te dei.
Já te esperava. Sabia que vinhas, e queria estar relaxada para ti.

Foste entrando para o nosso quarto. Tiras-te a roupa e, com o teu corpo nu e perfumado que me inebria os sentidos, esperavas por mim deitado.

Saí do banho  rapidamente, envolvendo-me numa toalha,  deixando no soalho as marcas dos pés molhados, corri para ti.

Fingias que dormias e parecias um anjo.

Ri-me, achando graça à tua brincadeira, e entre beijos e pingos de água, entrei na cama e enrosquei-me nos teus braços e no teu corpo quente que me acolheu com um abraço.
Naquele momento, e nos que se seguiram, foste apenas meu.

 O mundo estava dentro do nosso quarto, naquelas quatro paredes onde eras senhor de mim e, do nosso desprendido amor.

Agora, que a noite voa alta, estou aqui pensando em ti.

Tu que  dormes noutra cama, ao lado de um  ex-amor, que jaz moribundo lado a lado, teimosamente cativos, numa guerra não declarada, numa luta invisível, em que um é dominado e outro dominador.
Penso,  no quanto custa sentir, esta  dor de não te ver.
No quanto me custa sentir, a tua presença na ausência.
Não ver os teus olhos da cor dos meus.
Não tomar as tuas mãos entre as minhas e afagar os meus dedos por entre os caracóis do teu cabelo de fios prateados.
O quanto me custa, não ler as tuas mensagens carinhosas que durante anos me acordavam com um bom dia, tornando presente a tua forçada ausência  na minha vida.
Sinto, a simples falta, de olhar esse teu peculiar sinal, na face esquerda do teu rosto, que me apetece  sempre cobrir de beijos.
Sinto saudades,  do toque  suave dos meus dedos, percorrendo a tua pele macia e ver o arrepio que em ti provoca.
Sinto saudades, do calor que em mim provocas e  da tua boca, meu amor, sempre a tua boca que me fascina.
Sinto saudades daquele beijo, onde nossas línguas brincando se reconheciam naqueles  " Beijos dos Nossos", que sabíamos serem únicos.

Não quero guardar do passado, do nosso passado, mágoas ou tristeza. Apenas quero guardar de ti o amor que contigo descobri, esquecer o que não vale a pena recordar.

Quero recordar apenas,  todos os nossos momentos, aqueles que passámos como se fossemos os  últimos amantes apaixonados desta Lisboa que amo, desta cidade feiticeira, que me tomou sua, tal como tua, sempre fui meu amor.

Que bem me saberia o gosto de um beijo na cara, na testa, na bochecha, na mão, apenas um beijo teu, era o que eu mais queria agora.

É difícil esquecer quando se viveu um grande amor.


Dorme bem meu anjo

24 Jan 2014

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