16 de maio de 2017

Ilha de Santa Maria




ILHA DE SANTA MARIA



No presente momento , Isis poderia afirmar sem nenhuma dúvida que gostava muito daquele pequeno rochedo ilhéu, banhado pelo mar Atlântico aquela que é sua ilha.
Santa Maria, a terra onde nasceu e a primeira ilha açoriana a ser descoberta, no arquipélago das nove ilhas dos Açores.

A ilha de  Santa Maria, é uma ilha feiticeira. Quem  de lá sai, fica dela cativa para sempre.
É rodeada pelas suas lindas baías e praias de areia branca todas dignas de um bilhete postal.
O Barreiro da Faneca é um característico e pequeno deserto de terra árida vermelha, único por aquelas paragens.

A singularidade da sua culinária típica, onde o sabor das carnes tenras e suculentas é mais evidenciado nos animais que pastoreiam livres  à solta.

O peixe fresco das mais variadas qualidades, que vai à mesa  ainda cheirando a mar.
É a ilha dos nabos da terra, únicos no mundo. Possivelmente uma variedade de nabo bravo que foi sendo cultivado pelos nativos da ilha e que se manteve até à actualidade na sua forma primitiva, cuja especialidade culinária delicia todos os que conhecem o seu característico e único sabor e aroma.

Com noventa e sete quilómetros quadrados de ilha amarela pintalgada pelas giestas que vão desaparecendo sem que lhes notem a falta, pelo hábito adquirido de tanto as ver sem contemplar.

Imaginar neste preciso instante aquela ilha é vê-la envolta na  visão nostálgica e saudosa de quem a trás dentro de si, cujo formato nos faz lembrar um pano oval, feito de renda amarela como as suas giestas, cuja bordadura, um fino linho branco, tão branco como a espuma das ondas que a beijam.

Todas as suas características particulares fazem da ilha um torrão de doçura que flutua no azul das águas límpidas do oceano, única e preciosa como uma pérola rara, guardada no melhor de cada filho da terra; nos seus corações - onde aí permanece até que as saudades se renovem, no dia que lá voltam, como se recolhessem aos braços da amada mãe, sempre abertos para os acolher.

Apesar das suas belezas naturais, para quem  lá vive, transforma-se numa ilha monótona e triste durante a maior parte do ano, quando os jovens saem de casa para irem estudar noutras paragens. Nessa altura, fica mais acentuada a sua desertificação e a falta de actividades culturais que envolvam e cativem os  residentes.

O semblante carregado e cansado da maioria dos seus pouco mais de cinco mil habitantes, é uma característica comum a quem anseia libertar o espírito em si mesmo enclausurado.
Todos, salvo raras excepções, anseiam por uma oportunidade de sair daquele presídio ilhéu, de se libertarem das amarras invisíveis que os prendem à ilha, como se fossem muralhas intransponíveis.

Existe o cansaço natural, depois de tantas vezes repetido o mesmo percurso, os mesmos trilhos, os mesmos sítios.

É uma ilha pequena, cujo percurso inevitavelmente termina no mar, seja qual for o ponto cardeal que se opte seguir.

Mas de novo quando de lá saem, esgotados de tanto isolamento, da rotina em câmara lenta que lhes aumenta a ansiedade e o tédio, anseiam  rumar para outras paragens onde possam viver a vida num palpitar pungente dos outros lugares.

Depois de lavadas as vistas num banho de outros mundos e outras paragens, onde a vida gira em velocidade cruzeiro, depois de respirados outros ares, percorridos outros lugares, chega inevitavelmente o dia em que novamente bate a saudade e a nostalgia na ânsia de  regressar  aos braços daquela terra amada.

Aquela pequena ilha em forma de ovo, onde Cristóvão Colombo, pisou terra firme no seu regresso da descoberta da América, pulsa forte no peito dos seus filhos, nos seus nostálgicos corações.
A saudade o contrai e é essa mesma saudade que os leva a fechar os olhos e relembrar todos os seus recantos exuberantes e silenciosos, tal como terá sido  o silêncio sentido no Jardim do Éden.

Da janela aberta da sua casa em Lisboa, Isis transforma na sua mente o som do movimento do intenso trânsito, no marulhar das ondas que no seu vaivém vão rebentando nas praias  ou nas rochas da sua saudosa ilha distante.

Quando os filhos da terra a ela regressam , revisitam os lugares que antes olhavam sem ver, e neles redescobrem outros novos encantos, novos prazeres e cheiros até ali esquecidos.

Até dos passeios repetitivos e das mesmas caras que por vezes conhecem sem lhes saber o nome, sentem saudades.

E de novo lá estão elas, nos mesmos sítios, à mesma hora e nos mesmos locais, tal como dantes.

Ultrapassada a saudade, absorvidos pelo cansaço da  rotina, como antes sempre igual, que  se cola à  pele, como o cotão negro da poluição dos grandes meios, invadindo-lhes  a pele e a alma, dão por si a imaginar uma ponte que possa ligar todas as ilhas açorianas entre si e o Continente, para que de lá possam fugir e de novo regressar sempre que a saudade apertar.

Assim é o pulsar da gentes daquela ilha encantada, no seu doce presídio ilhéu.

IsaC

2017 

Sem comentários:

Enviar um comentário