Em espuma envolvidas,
um dançar
morno e dolente,
as ondas enrolam,
batidas,
as vidas de tanta agente.
Em barcos,
segredos
e medos
embarcam pela madrugada.
Nos rostos,
curtidos de sol e de sal
vai escrita
a luta da vida.
E no horizonte,
onde a ténue luz
do amanhecer ,
acasala, fogosa,
com o mar,
num amar
delirante,
os barcos rasgam mar adiante,
em busca de pão,
arrancando às ondas
seus filhos paridos,
em loucos bramidos.
Na costa,
alheias
à luta do mar alto
as ondas vêm beijar
pés descalços
que aguardam
em sobressalto
o regresso dos barcos.
Numa cadência infinita,
como em longa procissão,
abraçam esperanças
que brincam à beira de água
como crianças
e depois,
umas atrás das outras,
eternamente em cadeia,
as ondas deixam o mar
para vir morrer na areia.
Mitó Carreiro
28 de abril de 2004
19 de março de 2004
José Maria Lopes de Araújo - Poema " Remos Partidos "
Na crista das ondas, voguei
Na barca da minha vida...
Tinha largos horizontes,
Mesmo de esperança perdida....
Depois, a brisa soprava....
E a barca, lenta, seguia....
Vagarosa navegava,
E incerta, lá ia, lá ia,
E nas ondas balançava...
Mesmo de remos partidos,
Ao sabor do mar corria...
E assim, lá foi seguindo,
E os anos foram passando....
Noites de luar sorrindo,
Noites de Inverno chorando!...
E a barca da vida lá ia,
Lentamente navegando...
Quebrado o leme, rota a vela,
Remos partidos.....lá ia ela,
Baloiçando, baloiçando,
Levando a minha alegria!
Vida sem norte e sem rumo!
Sem forças para navegar,
Trago meus remos partidos,
Ando à deriva no mar,
Num mar de sonhos perdidos
Que jamais pude encontrar!...
Trago meus remos partidos,
E mais não posso avançar.
E por isso ando cantando,
Com vontade de chorar!
Remos partidos
São meus poemas....
Poemas caídos,
Na crista das vagas,
Vogando sozinhos,
Perdidos no mar!....
Na barca da minha vida...
Tinha largos horizontes,
Mesmo de esperança perdida....
Depois, a brisa soprava....
E a barca, lenta, seguia....
Vagarosa navegava,
E incerta, lá ia, lá ia,
E nas ondas balançava...
Mesmo de remos partidos,
Ao sabor do mar corria...
E assim, lá foi seguindo,
E os anos foram passando....
Noites de luar sorrindo,
Noites de Inverno chorando!...
E a barca da vida lá ia,
Lentamente navegando...
Quebrado o leme, rota a vela,
Remos partidos.....lá ia ela,
Baloiçando, baloiçando,
Levando a minha alegria!
Vida sem norte e sem rumo!
Sem forças para navegar,
Trago meus remos partidos,
Ando à deriva no mar,
Num mar de sonhos perdidos
Que jamais pude encontrar!...
Trago meus remos partidos,
E mais não posso avançar.
E por isso ando cantando,
Com vontade de chorar!
Remos partidos
São meus poemas....
Poemas caídos,
Na crista das vagas,
Vogando sozinhos,
Perdidos no mar!....
16 de março de 2004
Bluebird - Esta noite
Esta noite
Vou ser pássaro,
Vou voar
Todo teu corpo,
Minhas asas são de aço
Tua pele de ferro e fogo
Por isso vê
( que pena só ser em sonhos)
Esta noite vou ser vento…
E pousar no teu cabelo
Vou ser mais que o pensamento
Tu a força ,só segredo
(Seras sempre o meu mais lindo sonho)
Bluebird
2001.02.01
Vou ser pássaro,
Vou voar
Todo teu corpo,
Minhas asas são de aço
Tua pele de ferro e fogo
Por isso vê
( que pena só ser em sonhos)
Esta noite vou ser vento…
E pousar no teu cabelo
Vou ser mais que o pensamento
Tu a força ,só segredo
(Seras sempre o meu mais lindo sonho)
Bluebird
2001.02.01
13 de março de 2004
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO - Poema " Desalento"
DESALENTO
Deixem-me caminhar, sem rumo certo,
E sem o norte que eu, em vão, busquei!...
Deixem-me só, que só, vivo mais perto
Do Bem que loucamente abandonei!
Não quero ouvir lamentos. Meu deserto
De mágoa e de tormento eu o criei...
Ergui barreiras, em caminho aberto,
E o próprio chão, que percorri, manchei....
Que importa seja a dor do meu arrimo,
Se, só com ela, atingirei o cimo
Do Gólgota que Deus me destinou!
Não me condenem! Deixem-me viver,
Entregue à minha mágoa, ao meu sofrer,
Que eu vivo bem assim, tal como sou!....
Deixem-me caminhar, sem rumo certo,
E sem o norte que eu, em vão, busquei!...
Deixem-me só, que só, vivo mais perto
Do Bem que loucamente abandonei!
Não quero ouvir lamentos. Meu deserto
De mágoa e de tormento eu o criei...
Ergui barreiras, em caminho aberto,
E o próprio chão, que percorri, manchei....
Que importa seja a dor do meu arrimo,
Se, só com ela, atingirei o cimo
Do Gólgota que Deus me destinou!
Não me condenem! Deixem-me viver,
Entregue à minha mágoa, ao meu sofrer,
Que eu vivo bem assim, tal como sou!....
11 de março de 2004
Fernando Monteiro da Câmara Pereira - Poema " Á Mulher de Branco "
Á MULHER DE BRANCO
Mulher – sonho
de casaco branco…
que passas veloz,
altiva
no ecran da minha vida
o teu corpo,
a tua imagem
restam sempre em mim presente!
Mulher-desejo
de casaco branco…
que fazes brotar de amor
p’lo tempo do além fora
como em tempo
o sol nascente
me fez nascer outrora!
Mulher – distante
de casaco branco…
que passas em sonho,
triste
no meu corpo todo ardente
não fujas tão de repente
da minha alma
sempre só!
Mulher-fumo
de casaco branco…
pára em mim
toda a nascente
seja longo o teu percurso
faz brotar
o teu amor
no delta do meu poente!
Mulher – nada
De casaco branco…
Que rasgas o meu horizonte
Sem de mim ter feito eco
Não fujas
Lá para o distante
Não deixes meu ser ausente…
Oh instante angustiado
Ficarei sozinho na dor
Por te ter querido amar
Em meu longo sonho distante!
Ficarei sozinho na dor
Em sonho, desejo e fumo…
Mar.81
Mulher – sonho
de casaco branco…
que passas veloz,
altiva
no ecran da minha vida
o teu corpo,
a tua imagem
restam sempre em mim presente!
Mulher-desejo
de casaco branco…
que fazes brotar de amor
p’lo tempo do além fora
como em tempo
o sol nascente
me fez nascer outrora!
Mulher – distante
de casaco branco…
que passas em sonho,
triste
no meu corpo todo ardente
não fujas tão de repente
da minha alma
sempre só!
Mulher-fumo
de casaco branco…
pára em mim
toda a nascente
seja longo o teu percurso
faz brotar
o teu amor
no delta do meu poente!
Mulher – nada
De casaco branco…
Que rasgas o meu horizonte
Sem de mim ter feito eco
Não fujas
Lá para o distante
Não deixes meu ser ausente…
Oh instante angustiado
Ficarei sozinho na dor
Por te ter querido amar
Em meu longo sonho distante!
Ficarei sozinho na dor
Em sonho, desejo e fumo…
Mar.81
29 de fevereiro de 2004
KALINAS - " Porque Gosto de Ti"
Porque gosto de ti?
Porquê?
Porque te quero e te desejo!
Muito…!
Porque, te ofereço flores,
Porque, te transformo numa flor…
Perfumada e bela,
Cheia de cores,
Porque, és a flor mais bonita
Deste meu jardim,
A mais bela e vistosa,
A mais virtuosa…
A que me dá mais prazer,
Aquela que quero cheirar
E olhar…
Roçar nas tuas pétalas
Deixar o meu pólen,
Nos teus estigmas,
Polinizar-te,
Com o meu sémen
Criar…
Viver…
E depois morrer!
KALINAS
Porquê?
Porque te quero e te desejo!
Muito…!
Porque, te ofereço flores,
Porque, te transformo numa flor…
Perfumada e bela,
Cheia de cores,
Porque, és a flor mais bonita
Deste meu jardim,
A mais bela e vistosa,
A mais virtuosa…
A que me dá mais prazer,
Aquela que quero cheirar
E olhar…
Roçar nas tuas pétalas
Deixar o meu pólen,
Nos teus estigmas,
Polinizar-te,
Com o meu sémen
Criar…
Viver…
E depois morrer!
KALINAS
21 de fevereiro de 2004
KALINAS * Alucinação*
Dançando,
Rodopiamos pelo salão antigo.
Revestido a ébano,
Candelabros de velas acesas,
Exalam perfume,
E nos embriagam.
Enquanto rodopiamos,
Rocei a minha perna na tua,
Enquanto me inebriava,
Com o nosso odor.
Cheiramo-nos;
Roçamos nossos ventres,
Desinquietos.
Sentimos;
Em suor,
Aquele percurso
Que ondeia nossos corpos.
Roçamos nossos ventres,
Excitados,
Molhados,
Desejosos de paixão.
Olhei de novo o salão,
Fiquei a dançar sozinho.
Agarrado ao vácuo…
Em depressão,
Que não arde,
Nem queima
Só arde com a paixão
Da tua entrega.
Com a passagem,
Do meu desejo,
No teu desejo.
Kalinas
Rodopiamos pelo salão antigo.
Revestido a ébano,
Candelabros de velas acesas,
Exalam perfume,
E nos embriagam.
Enquanto rodopiamos,
Rocei a minha perna na tua,
Enquanto me inebriava,
Com o nosso odor.
Cheiramo-nos;
Roçamos nossos ventres,
Desinquietos.
Sentimos;
Em suor,
Aquele percurso
Que ondeia nossos corpos.
Roçamos nossos ventres,
Excitados,
Molhados,
Desejosos de paixão.
Olhei de novo o salão,
Fiquei a dançar sozinho.
Agarrado ao vácuo…
Em depressão,
Que não arde,
Nem queima
Só arde com a paixão
Da tua entrega.
Com a passagem,
Do meu desejo,
No teu desejo.
Kalinas
16 de fevereiro de 2004
* RETORNO *JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
Longe, lá longe no horizonte
O Sol surgiu ardente, claro e quente,
Enquanto iam chamando, toda a gente
O mar calmo, a nascente e até a fonte.
Nos planaltos, e desde o vale ao monte,
Sopra uma aragem leve, leve e quente,
A acariciar os rostos, docemente,
Como a brisa, ao longo duma ponte.
Não há grilos cantando, nos caminhos,
E o alegre chilrear dos passarinhos
Calou-se nas ravinas dos valados…
A noite desce lenta, e hora a hora
Volta o silêncio que é mais triste agora
E me leva ao tormento do passado!
José Maria Lopes de Araújo
O Sol surgiu ardente, claro e quente,
Enquanto iam chamando, toda a gente
O mar calmo, a nascente e até a fonte.
Nos planaltos, e desde o vale ao monte,
Sopra uma aragem leve, leve e quente,
A acariciar os rostos, docemente,
Como a brisa, ao longo duma ponte.
Não há grilos cantando, nos caminhos,
E o alegre chilrear dos passarinhos
Calou-se nas ravinas dos valados…
A noite desce lenta, e hora a hora
Volta o silêncio que é mais triste agora
E me leva ao tormento do passado!
José Maria Lopes de Araújo
13 de fevereiro de 2004
LAMENTO - desconheço o autor
Lamento que o abraço
Não passasse de duas linhas;
Lamento que o encontro
Não tivesse acontecido;
Lamento dizer que lamento
E lamento o sucedido;
Lamento...
Lamento que o "Barco"
Tomasse outro rumo, por força do destino;
Lamento que as asas do tempo
O tivessem deixado voar;
Lamento que a distância aumentasse
Com a ausência do azul do mar;
Lamento...
Lamento...
Que a distância de mim;
Lamento...
Lamento o FIM.
Não passasse de duas linhas;
Lamento que o encontro
Não tivesse acontecido;
Lamento dizer que lamento
E lamento o sucedido;
Lamento...
Lamento que o "Barco"
Tomasse outro rumo, por força do destino;
Lamento que as asas do tempo
O tivessem deixado voar;
Lamento que a distância aumentasse
Com a ausência do azul do mar;
Lamento...
Lamento...
Que a distância de mim;
Lamento...
Lamento o FIM.
8 de fevereiro de 2004
FERNANDO SABINO - Poema " De Tudo Ficaram Três Coisas "
De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar e
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar
Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança,
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir!
FERNANDO SABINO
do livro
"Encontro Marcado"
NOTA: Fica a correcção do verdadeiro autor deste belo poema " FERNANDO SABINO "
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar e
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar
Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança,
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir!
FERNANDO SABINO
do livro
"Encontro Marcado"
NOTA: Fica a correcção do verdadeiro autor deste belo poema " FERNANDO SABINO "
29 de janeiro de 2004
AÇORES.... poema de ...VITOR CINTRA do Livro " Relances "
** AÇORES **
Nove ilhas de beleza deslumbrante,
Surgidas do profundo mar imenso,
Que o mundo conheceu porque o Infante
Tornou o nevoeiro menos denso.
Encostas de mosaicos verdejantes
Elevam-se, rumando ao infinito,
Hortênsias, feitas sebe, são constantes,
Tornando o colorido mais bonito.
Ali, onde gigantes residiram,
Os cumes das montanhas que explodiram,
Tornados em lagoas de beleza,
Relembram aos herdeiros dos atlantes
Que até já os primeiros navegantes
Sabiam respeitar a Natureza.
(Vítor Cintra, em RELANCES)
Nove ilhas de beleza deslumbrante,
Surgidas do profundo mar imenso,
Que o mundo conheceu porque o Infante
Tornou o nevoeiro menos denso.
Encostas de mosaicos verdejantes
Elevam-se, rumando ao infinito,
Hortênsias, feitas sebe, são constantes,
Tornando o colorido mais bonito.
Ali, onde gigantes residiram,
Os cumes das montanhas que explodiram,
Tornados em lagoas de beleza,
Relembram aos herdeiros dos atlantes
Que até já os primeiros navegantes
Sabiam respeitar a Natureza.
(Vítor Cintra, em RELANCES)
15 de janeiro de 2004
BLUEBIRD " BERÇO DE PÉTALAS "
** Poema para uma Concha **
Em um berço de pétalas,
me fizeste deitar
E entre carícias apaixonadas
E o perfume das violetas,
Conheci o amor,
E enquanto brincavas comigo e as flores,
Com tanta graça e sensulidade,
Descobri que és a mulher...
Que fugiu dos meus sonhos,
E se tornou realidade
...Quem me dera !!
Bluebird
Em um berço de pétalas,
me fizeste deitar
E entre carícias apaixonadas
E o perfume das violetas,
Conheci o amor,
E enquanto brincavas comigo e as flores,
Com tanta graça e sensulidade,
Descobri que és a mulher...
Que fugiu dos meus sonhos,
E se tornou realidade
...Quem me dera !!
Bluebird
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