27 de outubro de 2004

AMÉRICO " O Homem Idoso " Relato duma vivência

Estava sentado em frente da casa, nos degraus de madeira da escada antiga.

Era idoso,entre os 70 e 80 anos , e tinha o olhar fixo num ponto qualquer da rua em frente, com árvores enormes, rigorosamente alinhadas de ambos os lados.

Já caiam algumas folhas amareladas pelo frio da noite que, as começara a arrancar do verde abundante , que ainda tingia as que resistiam aos ares frios que a noite trazia, já anunciando o Inverno.

Era Setembro,o outono chegara.

O sol descia devagar, embora quente, já não tinha a intensidade das semanas anteriores.

Não havia carros na rua , e o olhar triste do homem idoso lá continuava parado,absorto nos seus pensamentos,nas suas recordacões , decerto do tempo que passara tão depressa,nas mudanças que aconteciam tão inesperadas e imprevistas.
A boina não cobria totalmente os cabelos brancos e curtos , nem a face magra marcada pela vida óbviamente de camponês.
Mãos calejadas e braços secos do duro trabalho do campo.
O seu aspecto, embora sombrio era benevolente,embora triste era gentil,embora parado era nobre.

Via-o ali com frequência e nem sabia se seria ou não português, mas o aspecto não enganava,como não enganavam as roupas,como não enganava a boina.
Decidi falar-lhe naquela tarde.

Parei em frente da porta da cerca de madeira, que circundava o espaço, onde a relva verde crescia. Estava cortada e limpa entre as escadas onde o homem se sentava e o passeio de cimento do outro lado da cerca .

"Boa tarde senhor", disse-lhe;

O levantar do rosto quase antes de acabar a frase, refletiu um brilho repentino, que num instante deu vida aos olhos.

Um sorriso cansado que naquele momento , alegrou seu rosto de sulcos profundos, que marcavam a passagem inexorável do tempo, tornavam desnecessária a pergunta que iria seguir-se, mas que, mesmo assim perguntei:

- O senhor é português ?

Respondeu afirmativamente, e na sua voz notava-se a alegria de ter alguém com quem falar,de preencher a tarde vazia e interminável e FALAR. Arrancar a mordaça que a vida lhe implantara,ainda que por instantes.

Perguntei se estava bem,se gostava de estar ali,se gostava do Canadá.

Disse que sim,que estava bem,o problema era estar só,seu filho e nora estavam no trabalho, seus netos na escola e ele ali , estava sózinho, sem nada que fazer o dia inteiro,sem ter com quem falar,todos os vizinhos falavam outras linguas.

Tive pena do homem e decidi ficar a fazer-lhe companhia e a conversar da vida, da sua,e sentir ao mesmo tempo , o drama de quem é arrancado ás suas raizes já na curva descendente da vida,quando a esperança de construir mais coisas já não existe,quando o sentimento de sentir o mundo a girar em seu redor já se perdeu,quando o fim já se torna bem visivel no horizonte e não há forma possivel de o trasnformar ou alterar a sua direcção.

Perguntei-lhe se se lembrava da terra, se ainda lá tinha família ou amigos,se pensava voltar...que tinha deixado na sua aldeia que mais se lembrava.

Respondeu que família nao tinha, sua companheira já partira havia 4 anos,seus amigos quase todos também ... mas que gostaria de voltar, tinha umas saudades imensas de sua horta...e ao falar na horta, os seus olhos brilharam mais,com uma lágrima que se soltou enquanto a voz ficou por momentos presa em palavras que não saíam.

Ficou calado por momentos,vergado pelo peso da emoção que não conseguia esconder,pela lágrima que teimava em não sumir de seus olhos.

Senti seu drama com ele , naquela lágrima furtiva,naquele olhar iluminado pela lembrança , mas ao mesmo tempo toldado pela saudade da terra, sua companheira e sua mãe, seu mundo e sua missão, sua raiz e sua referência.

Disse-me que tinha a horta mais bem cuidada das redondezas, nem uma erva,nem uma pedra se via na terra sempre limpa. Laranjeiras e pessegueiros, pereiras e macieiras sempre davam os melhores frutos de entre todas as da redondeza.

Falava entusiasmado do milho e do feijão,do tomate e das couves, como se cada palavra que dizia fosse mais uma semente que plantasse,mais uma alface que colhesse.Vivia as palavras,alternando nelas a alegria e a tristeza que a lembranças traziam em cada frase e em cada gesto que fazia.

Falou...falou...soltou na minha presençaa os seus pensamentos acumulados,as suas angústias e desejos,as suas lembranças e pesadelos.

Falou-me horrorizado do mato e das silvas que decerto já tomaram conta da terra, da horta sempre tão bem cuidada,do poço que também devia estar cheio de silvas,das árvores que se calhar nunca mais haviam sido podadas e cavadas.

Havia amargura e desespero na sua voz,carinho e inquietação , como se a horta fosse seu ente mais querido neste mundo.

Fiquei a olhar,a escutar, e a sentir o drama deste homem simples que se contentava com tão pouco na vida.Senti a sua tristeza mas também a sua energia.

Fiquei fascinado e maravilhado pela imagem deste homem , que em plena sociedade de consumo,de conforto e de vida fácil,continuava fiel e inalterado na sua essência e nas suas referências.

Também minha voz ficou presa na garganta...em palavras de conforto que nunca dariam a este homem o conforto que precisava...

Vislumbrei também com clareza um drama e um dilema, que todos os dias se repete por quem um dia partiu carregado de sonhos, mas sem a noção do impacto que esse passo viria a ter um dia na sua vida e caminhada e na dos outros à sua volta, do efeito e das consequências.Um drama que todos os dias se repete em todo o mundo, num movimento constante de massas , quantas vezes trágicamente e desumanamente exploradas, e fiquei feliz porque pelo menos isso o homem não sofria.Tinha conforto e carinho,atenção e respeito. Era tratado com dignidade e o cuidado que merecia,situação que nem sempre se verifica nas famílias emigrantes que trazem seus pais para junto de si.Nem todos nós portugueses cuidamos de nossos familiares como devemos...muitos deles são mal cuidados e desprezados em Portugal e nas comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo.

Fiquei , não sei quanto tempo, e quando fui embora o senhor ainda tinha coisas por dizer,experiências para dividir. Pediu-me para voltar e conversar com ele. Pediu também desculpa se tinha sido massador.
Respondi que não...que tive imenso prazer em estar ali com ele, e prometi que voltaria.

O Inverno entretanto chegou,a relva ficou coberta de neve branca, e as escadas sempre vazias quando eu lá passava.

Não vi mais o homem idoso...a árvore secando lentamente fora do seu habitat, mas a imagem ficou nas palavras,no olhar,na descrição carinhosa e intensa da sua HORTA.
Ficou também na minha mente e consciência , mais um momento da vida de alguém,que eu adoptei também e transformei num momento meu, numa imagem que decerto não quero viver.

Nao vi mais o homem idoso,mas não o ter visto nada muda, continuam a existir por esse mundo milhares de portugueses idosos, sentados em escadas olhando a vida passar,caindo lentamente sem esperançaa de voltar um dia à terra que os viu nascer.

Triste...a face oculta do emigrante de vivendas bonitas,de carros novos, de grandeza vazia.

Triste, mas real e autêntico,neste mundo de dramas escondidos,de imagens falsas,de realidades perturbadoras, que raramente vêm à superficie.

Não perguntei o nome do senhor...nem precisei...!

Seu nome é decerto o meu... o teu ...o nosso!

AMÉRICO

24 de outubro de 2004

* AMOR PLATÓNICO * Legião Urbana

AMOR PLATÓNICO


Eu sou apenas alguém
ou até mesmo ninguém
talvez alguém invisível
que a admira a distância
sem a menor esperança
de um dia tornar-me visível
e você?
Você é o motivo
do meu amanhecer
e a minha angustia
ao anoitecer
você é o brinquedo caro
e eu a criança pobre
o menino solitário que quer ter o que não pode
dono de um amor sublime
mas culpado por quere-la
como quem a olha na vitrine
mas jamais poderá te-la
eu sei de todas as suas tristezas
e alegrias
mas você nada sabe
nem da minha fraqueza
nem da minha covardia
nem sequer que eu existo
é como um filme banal
entre o figurante e a atriz principal
meu papel era irrelevante
para contracenar
no final
no final
no final...

16 de outubro de 2004

Vitor Cintra " Depois... "

DEPOIS...

Se, cada vez que a fizesse,
A jura fosse cumprida,
Talvez jamais sucedesse
Sentir-se tão deprimida.

Depois do tempo do sonho,
Ante a crueza da vida,
Não há futuro risonho
P'ra quem viveu iludida.

Os olhos contam mágoa
- Às vezes tão rasos de água,
Que fazem crer que é sentida -

E a dor, que gera o desgosto,
_ Muito maior que o suposto -
P'la inocência perdida.

Vitor Cintra " Relances "

1 de outubro de 2004

AMÉRICO " O Primeiro Passo Sério na Vida "

Não chegamos onde estamos por mero acaso,não brotamos do vento,nem do mar nem do ar.

A nossa caminhada foi uma jornada repetida ao longo de todos os dias que vivemos, de todos os momentos que passamos, bons e maus, e foram eles juntamente com as pessoas com quem nos cruzamos que nos fizeram o que somos, que são a nossa história.

A minha é igual a tantas outras, com mais baixos do que altos,com mais trevas do que luz, mas é essencialmente uma história dum menino pobre, nascido duma família humilde mas orgulhosa, numa época difícil, numa aldeia pequena, entre duas montanhas, onde o vento norte sopra frio e forte.

É a história de alguém que ousou desafiar o mundo, olhar em frente e nunca deixar o sonho morrer, a adversidade vence-lo.

É a historia da determinacão, da teimosia, do firmar dos pés no chão e da alma no horizonte distante e correr ao seu encontro indiferente as dificuldades,as barreiras sociais e físicas, ao remar contra a maré no mar revolto da vida…

Vou abrir-me contigo, despir o meu intimo, abrir a minha alma. Vou abri-la para ti, mas para mim também.

Não me lembro de ter nascido, mas sei o dia em que foi, a hora também não sei, mas deve ter sido de noite.

A memória mais antiga que tenho é a das minhas primas a pentearem-me constantantemente,acho que tinha longos cabelos louros e para elas devia ser uma espécie de boneca com quem elas brincavam.
Creio que a parte do meu temperamento dócil e suave devo a elas,a outra a meus irmãos mais velhos que eram uns duros, única forma de sobreviver com alguma dignidade numa época de brigões e onde os fracos não tinham hipóteses.

Lembro-me também do meu baptismo na dura subida da vida, da primeira vez que subi a montanha sózinho cuidando das ovelhas .

A vida era difícil, cruel, e todos tinham que contribuir com a sua parte no esquema social da casa humilde. Todos tinham de trabalhar.

Ainda não andava na escola quando subi pela primeira vez à montanha sózinho e foi difícil …muito difícil.

A montanha era íngreme, as pernas pequenas,o peito também, para aguentar todo o oxigénio necessário para correr atrás das ovelhas que não me ligavam nenhuma .

Tinha medo,frio e fome, mas também a determinacão e o orgulho de fazer a minha parte, de contribuir para aliviar um pouco as dificuldades imensas, sobretudo , as da minha mãe.

Foi penosa a subida, mas finalmente cheguei lá acima e quando olhei para baixo senti- me o rei do mundo, e esqueci rápidamente do frio , do medo e da fome.

A paisagem era avassaladora.

Amontoados de casas semeadas pela imensa vastidão a meus pés, metidas no verde da floresta de pinheiros, eucaliptos e oliveiras, muitas oliveiras espalhadas a perder de vista, até onde a vista podia alcançar.

Foi aí, e nesse momento que os olhos e a alma do menino nasceram para o sonho, para o desejo determinado de alcançar e ultrapassar o horizonte distante.

Foi ai também, que a caminhada do menino na vida se começou a desenhar sózinho...sempre sózinho,e ainda continuo sózinho e orgulhoso como sempre,das minhas raizes,da minha estrutura, da minha natureza.

E foi assim que tudo começou,naquela tarde de Outono chuvosa e fria,de chuva miudinha, de vento forte do norte,de nuvens deslizando velozmente no céu, ora cinzento , ora azul cintilante no momento seguinte.

Aquela montanha tornou-se nesse dia, uma referência fundamental na minha vida.Um lugar de culto para a minha alma.Um marco fundamental na minha estrutura .

Foi minha aventura em menino,foi meu abrigo em adolescente,foi meu horizonte e minha meta em cidadão dum mundo enquanto viajava e conhecia outros mundos e outras gentes,outras paragens,outras realidades.Jamais deixou de estar comigo,e nunca mais vai deixar de estar.

Ás 7:15h da manhã de hoje,estava lá sentindo na pele a humidade que se levantava da terra ontem ressequida,hoje saciada pela chuva que caiu de noite.

É um local fabuloso,o miradouro priveligiado do Ribatejo, teras de ir lá um dia,ou uma noite.É sempre lindo!

Sabes,somos na vida a primeira coisa que fizemos,o que veio depois tornou-se sómente o enriquecer dessa primeira experiência, mais um degrau,mais uma etapa,mais um passo na direccão do horizonte cintilante do destino.

E o destino é feito todos os dias,em cada episódio que nos acontece,em cada projecto que começamos,em cada momento que se inventa,num sorriso e numa lágrima,numa ilusão e num desgosto,numa vitória e numa derrota.

É feito em cada flor que desponta,em cada fruto que amadurece,em cada tempestade que chega em cada jardim que floresce.

É feito em cada descoberta que fizemos,em cada encontro imprevisto que nos aparece pela frente..

Américo

20 de setembro de 2004

FERNANDO BIZARRO - Poema - * Para uma Pérola no Atlântico *

Tanto Mar
Tanta dor
Tanta lágrima
Para brotar
Tantos Sonhos
Tanto Amor
Que ainda tens
Para ofertar


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Para "Alma de Poeta ", a propósito do Poema: Há uma Lágrima Escondida

Colocado por Fernando B. às 11:17 PM
http://lusomerlin.blogspot.com

28 de agosto de 2004

AMÉRICO " Liberdade de Sentir "

LIBERDADE... de sentir

Gostei dessa voz que é a tua voz... de menina
Gostei deste mar que brilha na noite silenciosa
Gostei deste som que corre os nossos sentidos
Mexe na nossa pele,vagueia na nossa mente


Que é tambem um pouco do teu mundo
Um pouco dos teus sonhos adormecidos
Um pouco das tuas esperanças inquietas
Um pouco de ti presa nas nuvens da ilusão


Gostei desta ilha escura,adormecida
Destas gaivotas sulcando o céu suavemente...
Do luar escondido nas nuvens a bater na água
E a deixa-la prateada...reluzente..misteriosa...


Gostei desta música viva e profunda
Deste tom estridente e surdo...
Desta imagem exótica que nos traz
Mistério,ilusão,energia,paixão,sonho...VIDA


Gostei de calar a noite com este poema
De acordar a madrugada com estas palavras
De esperar o sol com meus sonhos
De correr na vida atrás do destino....




Junho 2004
Americo.

26 de agosto de 2004

AMÉRICO * Hortênsia Azul...Hortênsia Lilás *


* HORTÊNSIA AZUL, HORTÊNSIA LILÁS *


Alo Mulher Açoriana....

Do nevoeiro subindo lentamente as escostas verdes
Das colinas da tua Ilha encantada
Nas manhãs de sol de Outono ou Verão,Primavera ou Inverno

Alo Mulher Açoriana
...

Das lagoas quietas e dos vulcões adormecidos
Da Caloura silenciosa...quente...vibrante...molhada
Das Furnas a cheirar a enxofre....
No centro de montanhas vestidas de verde...
Dos enormes pedregulhos emergindo do mar dos Mosteiros.
Da Lagoa do Fogo bela e silenciosa...

Alo Mulher Açoriana....
Do mar cinzento com os barcos de velas brancas,
Sulcando o horizonte distante
Das noites de chuva miudinha e de vento soprando forte
Das hortênsias que se agitam na beira da estrada molhada
Do silêncio que se deita sobre a tua ilha adormecida
Escondendo a alma apaixonate dum povo humilde e orgulhoso.

Alo Mulher Açoriana...

Do vapor que se desprende da terra...
Do vento que sopra forte...das gentes que correm apressadas
Das crianças brincando nas ruas...dos velhos sentados nos muros...
Da vida que não pára...dos sonhos que não morrem,

Alo Mulher Açoriana...

Duma cidade que encanta...numa baia de águas calmas
De monumentos revestidos de história...
Das muralhas negras,silenciosas...inquietas...vigilantes
Das palmeiras que se agitam no sol de Verão
Ou no vento forte...do norte
Nas tempestades de Inverno,nas noites mornas e calmas
Das luzes que se reflectem nas águas suaves da baia...

Alo Mulher Açoriana....

Repara só...nesta música...nesta imagem...neste som
Que vibra e se espalha...que acaricia e agita...
Que é o espelho do sangue que te corre nas veias
Do sonho que vagueia na tua mente...da paixão que te aquece a alma
São as tuas montanhas...é o teu mar....são as tuas ondas
É a tua caloura...é um tronco branco sempre balouçando
Nas suas águas...
Vai lá ver...ainda lá anda decerto...
Talvez pequeno...talves sózinho...abandonado pelas gaivotas
Suas companheiras das manhãs de chuva...das tardes de sol...
Olha só, Mulher Açoriana o que sai da alma
Quando a gente gosta de alguma coisa....
Eu gosto da tua ilha e das tuas hortênsias
E não custa nada...mesmo nada!

AMÉRICO...

15 Abril 2004

16 de agosto de 2004

ANIVERSÁRIO " Meus Poemas "

Tens algo de especial
Ao qual nada se compara...
É algo que não parou no tempo
E que está em constante mudança...
É aquele toque festivo que adicionas
A uma festa ou reunião de amigos...
São as palavras de apoio e os pensamentos que partilhas,
É a alegria que transmites
Em tudo o que fazes.
É algo de especial em ti
Que te distingue de outras pessoas.
Vem do interior do teu coração e
Estende-se pela felicidade que
Traz aos que te rodeiam,
Pela tua forma simples de estar.


POEMA ANIVERSÁRIO

Quando foi mesmo...
Que de tuas mãos nasceram flores, florestas?
Quando foi que ,
De tuas mãos nasceram cores ou sons de orquestras?
Quando foi que,
De teus olhos nasceram pedras?
Será que foi ontem ou sempre?
Quando foi mesmo ,
Que você nasceu da semente!

Acho que sei....
Foi no primeiro riso amigo....
Foi no seu primeiro pranto só,
Enquanto nos seus olhos nascia um rio,
Terminante de dó!


Madame Sorriso *****

14 de agosto de 2004

VITOR CINTRA " Poente "

POENTE

A tarde finda,
Num pôr-de-sol
Que brilha ainda.
A alma,
Onde a saudade impera,
Desespera.
Presente,
Um rol
De marcas e sinais,
Dos quais
A nostalgia
Se evidencia,
Se sente.
Na tarde calma,
Enquanto o sol se perde
Num mar, que ferve,
Avermelando o céu,
Aumenta a dor
Do amor,
Que se perdeu.


Vitor Cintra do livro " Contrastes "

9 de agosto de 2004

Nilzeth Alcântara ***** LOUCURA *****

LOUCURA

Buscando a loucura,
Aprendi que ela é o elo mais forte ligando o coração à razão.
Que mostra verdades sempre escondidas
No ser de quem a possui.

Enquanto Louca, posso te pedir amor.

Posso dizer que te amo.
Posso dizer que sou sua.

Posso sonhar o teu sonho e suportar as tuas mentiras.

Enquanto Louca, posso entender a tua frieza.
E a distância dos nossos sentimentos.

Que hora existe e que só vc não quer dizer.
Posso até ver no teu olhar ausente, como não aprendeste a me amar.

Só na Loucura encontro motivos necessários;
Para te fazer notar que sou mulher, amante, brisa;
E até o momento que precisas, para viver.

Mas..... como Louca.... ah!
Como te fazer entender.
Serei mesmo uma Louca???



Nilzeth Alcântara

30 de julho de 2004

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO " Inquietude "

INQUIETUDE

Que julgas tu? Que pensas de ti mesmo,
Se és átomo que segue para o nada?
A vida é esta triste caminhada
Que fazemos, em vão, sem norte, a esmo!

Que pensas tu da vida, se o amanhã
É tão incerto, como o próprio vento?
Surja embora a ventura, num momento,
Se apaga como a estrela da manhã!

Tão pouco vale o mundo de paixões
Que se geram de loucas fantasias...
Tudo se esfuma e esvai, nos breves dias,
A que se prendem nossas ilusões!

Abre os teus braços, abre, e beija e abraça
Os pobres que encontrares no caminho,
Que ficarão mais ricos de carinho,
Mais cheios de ventura, Amor e Graça!....

Vamos lutando pela vida fora...
Abre os teus braços, abre e vem comigo,
Fazer de cada Ser um novo amigo
E dar a cada norte nova aurora.

Estende as tuas mãos aos que, a teu lado
Caminham, sem destino e sem esperança...
Que o desespero, quanto mais avança,
Mais agiganta a mágoa do passado!

A vida é isto apenas. Tudo o mais
Não passará de sonhos, de ilusões...
Olha o terror, no ferro das prisões...
Olha a amargura e a dor nos hospitais!

E aquele que ali vai, braços em cruz,
Sobre o peito, deitado num caixão,
Também sentiu vibrar o coração,
Por tantas podridões! Jesus, Jesus,

Se a vida que nos deste tem por fim
Ser vivida com a mística beleza,
Por que razão a vestes de tristeza?
Porque nos deixas Tu viver assim?...


José Maria Lopes de Araújo do livro “ Remos Partidos “

20 de julho de 2004

VICTORINO NEMÉSIO - Poemas

A Concha

A minha casa é concha.Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés,a sonhos e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda,vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro,e escadarias
Frágeis,cobertas de hera,on bronze falso!
Lareira aberta ao vento,as salas frias.

A minha casa...Mas é outra história:
Sou eu ao vento e à chuva,aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

_______________________________________________________________


O recorte de um cão,na areia,ao luar,
Seu passo imprime
O cuidado miúdo e honesto de passar.

Mas que tristeza oprime
Tanto cão que vai uivar a tanta eira?
Que longo e liso,o fio da noite!
-E amar,esperar desta maneira!

Numa cidade deserta
(Talvez outra,ou Nínive)
Encontrei um anel,uma oferta,
Da vértebra de um cão,
Para uma mulher que já não vive.

Mas tudo isso foi em vão,
E até nem sei se esse osso tivem




VICTORINO NEMÉSIO

15 de julho de 2004

Principe " Em maresia "

Enrolados num beijo,
Surdo e doce,
Ficamos parados,
Pregados,
Imóveis....
O tempo pára.
Nada existe,
E só o nosso amor,
Subsiste.

Para a semana,
Presta atençao ao mar...
Vai á praia,
Escuta o vento,
Numa brisa de maresia.

Vais sentir um beijo,
Salgado...
O meu.

Como,
Uma vaga que lambe,
A areia fina da praia
Numa noite de luar...
Sob um céu estrelado...

Ao longe,
Ouve o sussurrar do mar
E dois corpos nus
Se envolvem
Em maresia
Atirando pedras no mar.

Em cada rosto que se vai criar,
Vejo o teu rosto formar,
E tu voltando
Pra eu te amar.



Principe

13 de julho de 2004

PRINCIPE " Principio e Fim "

A tua ausência,
Ainda que,
Por breves instantes,
Assalta a minha saudade.

Nas nuvens,
Que veem daí,
Escrevem teu nome.

As ondas ,
Na praia ,
Sussurram o teu nome.

No mar...
Os golfinhos,
Falam- me de ti,

Apaixonados
Pela tua doçura
Pela tua sensualidade,
Por ti.

Que bom seria sentir ,
O calor do teu colo,
A doçura do teu embalo,
O aconchego do teu peito.

No Início....
És a minha musa inspiradora .

No fim...
Anseio que sejas...
O meu porto de abrigo.

Que uma vaga serena te embale
Princesa!


PRINCIPE

23 de junho de 2004

VITOR CINTRA " Renúncia "

RENÚNCIA


Num instante, cruzado o olhar,
Um desejo sublime surgia.
Eras tu! Era a vida a chegar!
E contigo um fulgor de alegria.

O destino, por mero capricho,
Ao manter-nos distantes, sabia
Transformar sentimentos em lixo
E a beleza de amar, sem valia.

Em momentos difíceis da vida,
Confundimos amor com carência,
Descobrindo já tarde, querida,
O dilema de ter consciência.

O destino traiu-nos, amor;
Acenou-nos de longe e fugiu,
Sem recatos, vergonha, pudor,
Como um sonho que é belo mas frio.


Vitor Cintra " Momentos"

9 de junho de 2004

Voando...Sempre a Voar ...poema de ....FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA

VOANDO...SEMPRE A VOAR

Quem me suspense da dor
no ar vazio
envolvido
de ternura
e de amor
a tanta altura do mar?

Quem estou sendo
afinal
se consigo suspender-me

no sempre tempo
perdido
voando...sempre a voar?

Voando sempre a voar
Da minha mente
fiz asas
do meu corpo
o dia zero
que nunca mais
quis parar !

Então quem sou afinal
se consegui
suspender-me
naquele tempo perdido
voando
sempre a voar
até ao mundo abraçar?

_ Consegui meter nos meus sonhos
o todo
em tempo limite
do nada ao infinito
e voando, voei voei
até minh'alma prenhar
para o vazio
de amor encher....

DEZ.80

16 de maio de 2004

* Para Quê? * poema de JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO " Porquê? "

PARA QUÊ?

Saí de mim em busca de ventura,
Daquele bem que em vão idealizei
Minha esperança fez-se mais escura
Quando sem nada, nada, a mim voltei.

De tudo que me inquieta e me tortura
Do quanto eu cegamente acreditei,
Apenas se mantém impune e pura
Esta paixão que sempre te doei!

E pergunto a mim mesmo para quê
Se tenta crer no quanto se não vê,
Se dentro em nós não arde, não aquece,

A labareda ardente de um amor
Capaz de transformar a própria dor
Em alegria que jamais perece?!

Lopes de Araújo " Horas Contadas

11 de maio de 2004

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO poema " FIM "

FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa
E eu quero por força ir de burro!



Mário de Sá-Carneiro

8 de maio de 2004

ANTÓNIO ALEIXO - " Quadras "

De te ver fiquei repeso,
Em vez de ganhar perdi;
Quis prender-te, fiquei preso,
E não sei se te prendi.


A comerçar pelo «urso»
De Coimbra, a estudantada,
Só quando se acaba o curso,
Sabe que não sabe nada.


Alheio ao significado,
Diz o povo, e com razão,
Quando ouve um grande aldrabão:
_ Dava um bom advogado.


Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência,
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência!


Foste beijar o menino,
Quando, afinal eu vi bem
Que beijaste o pequenino
Porque gostavas da mãe.


Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei,
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.


Para não fazeres ofensas
E teres dias felizes,
Não digas tudo o que pensas,
Mas pensa tudo o que dizes.


Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
Que não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.


António Aleixo

28 de abril de 2004

" ONDAS " poema de Mitó Carreiro

Em espuma envolvidas,
um dançar
morno e dolente,
as ondas enrolam,
batidas,
as vidas de tanta agente.
Em barcos,
segredos
e medos
embarcam pela madrugada.
Nos rostos,
curtidos de sol e de sal
vai escrita
a luta da vida.
E no horizonte,
onde a ténue luz
do amanhecer ,
acasala, fogosa,
com o mar,
num amar
delirante,
os barcos rasgam mar adiante,
em busca de pão,
arrancando às ondas
seus filhos paridos,
em loucos bramidos.
Na costa,
alheias
à luta do mar alto
as ondas vêm beijar
pés descalços
que aguardam
em sobressalto
o regresso dos barcos.
Numa cadência infinita,
como em longa procissão,
abraçam esperanças
que brincam à beira de água
como crianças
e depois,
umas atrás das outras,
eternamente em cadeia,
as ondas deixam o mar
para vir morrer na areia.



Mitó Carreiro

19 de março de 2004

José Maria Lopes de Araújo - Poema " Remos Partidos "

Na crista das ondas, voguei
Na barca da minha vida...
Tinha largos horizontes,
Mesmo de esperança perdida....

Depois, a brisa soprava....
E a barca, lenta, seguia....
Vagarosa navegava,
E incerta, lá ia, lá ia,
E nas ondas balançava...
Mesmo de remos partidos,
Ao sabor do mar corria...

E assim, lá foi seguindo,
E os anos foram passando....
Noites de luar sorrindo,
Noites de Inverno chorando!...

E a barca da vida lá ia,
Lentamente navegando...
Quebrado o leme, rota a vela,
Remos partidos.....lá ia ela,
Baloiçando, baloiçando,
Levando a minha alegria!

Vida sem norte e sem rumo!
Sem forças para navegar,
Trago meus remos partidos,
Ando à deriva no mar,
Num mar de sonhos perdidos
Que jamais pude encontrar!...

Trago meus remos partidos,
E mais não posso avançar.
E por isso ando cantando,
Com vontade de chorar!

Remos partidos
São meus poemas....
Poemas caídos,
Na crista das vagas,
Vogando sozinhos,
Perdidos no mar!....

16 de março de 2004

Bluebird - Esta noite

Esta noite
Vou ser pássaro,
Vou voar
Todo teu corpo,
Minhas asas são de aço
Tua pele de ferro e fogo
Por isso vê


( que pena só ser em sonhos)

Esta noite vou ser vento…
E pousar no teu cabelo
Vou ser mais que o pensamento
Tu a força ,só segredo


(Seras sempre o meu mais lindo sonho)

Bluebird

2001.02.01

13 de março de 2004

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO - Poema " Desalento"

DESALENTO

Deixem-me caminhar, sem rumo certo,
E sem o norte que eu, em vão, busquei!...
Deixem-me só, que só, vivo mais perto
Do Bem que loucamente abandonei!

Não quero ouvir lamentos. Meu deserto
De mágoa e de tormento eu o criei...
Ergui barreiras, em caminho aberto,
E o próprio chão, que percorri, manchei....

Que importa seja a dor do meu arrimo,
Se, só com ela, atingirei o cimo
Do Gólgota que Deus me destinou!

Não me condenem! Deixem-me viver,
Entregue à minha mágoa, ao meu sofrer,
Que eu vivo bem assim, tal como sou!....

11 de março de 2004

Fernando Monteiro da Câmara Pereira - Poema " Á Mulher de Branco "

Á MULHER DE BRANCO

Mulher – sonho
de casaco branco…
que passas veloz,
altiva
no ecran da minha vida
o teu corpo,
a tua imagem
restam sempre em mim presente!

Mulher-desejo
de casaco branco…
que fazes brotar de amor
p’lo tempo do além fora
como em tempo
o sol nascente
me fez nascer outrora!

Mulher – distante
de casaco branco…
que passas em sonho,
triste
no meu corpo todo ardente
não fujas tão de repente
da minha alma
sempre só!

Mulher-fumo
de casaco branco…
pára em mim
toda a nascente
seja longo o teu percurso
faz brotar
o teu amor
no delta do meu poente!

Mulher – nada
De casaco branco…
Que rasgas o meu horizonte
Sem de mim ter feito eco
Não fujas
Lá para o distante
Não deixes meu ser ausente…

Oh instante angustiado
Ficarei sozinho na dor
Por te ter querido amar
Em meu longo sonho distante!

Ficarei sozinho na dor
Em sonho, desejo e fumo…

Mar.81

29 de fevereiro de 2004

KALINAS - " Porque Gosto de Ti"

Porque gosto de ti?
Porquê?
Porque te quero e te desejo!
Muito…!
Porque, te ofereço flores,
Porque, te transformo numa flor…
Perfumada e bela,
Cheia de cores,
Porque, és a flor mais bonita
Deste meu jardim,
A mais bela e vistosa,
A mais virtuosa…
A que me dá mais prazer,
Aquela que quero cheirar
E olhar…
Roçar nas tuas pétalas
Deixar o meu pólen,
Nos teus estigmas,
Polinizar-te,
Com o meu sémen
Criar…
Viver…
E depois morrer!


KALINAS

21 de fevereiro de 2004

KALINAS * Alucinação*

Dançando,
Rodopiamos pelo salão antigo.
Revestido a ébano,
Candelabros de velas acesas,
Exalam perfume,
E nos embriagam.

Enquanto rodopiamos,
Rocei a minha perna na tua,
Enquanto me inebriava,
Com o nosso odor.

Cheiramo-nos;
Roçamos nossos ventres,
Desinquietos.

Sentimos;
Em suor,
Aquele percurso
Que ondeia nossos corpos.

Roçamos nossos ventres,
Excitados,
Molhados,
Desejosos de paixão.

Olhei de novo o salão,

Fiquei a dançar sozinho.
Agarrado ao vácuo…
Em depressão,
Que não arde,
Nem queima
Só arde com a paixão
Da tua entrega.
Com a passagem,
Do meu desejo,
No teu desejo.


Kalinas

16 de fevereiro de 2004

* RETORNO *JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

Longe, lá longe no horizonte
O Sol surgiu ardente, claro e quente,
Enquanto iam chamando, toda a gente
O mar calmo, a nascente e até a fonte.

Nos planaltos, e desde o vale ao monte,
Sopra uma aragem leve, leve e quente,
A acariciar os rostos, docemente,
Como a brisa, ao longo duma ponte.

Não há grilos cantando, nos caminhos,
E o alegre chilrear dos passarinhos
Calou-se nas ravinas dos valados…

A noite desce lenta, e hora a hora
Volta o silêncio que é mais triste agora
E me leva ao tormento do passado!


José Maria Lopes de Araújo

13 de fevereiro de 2004

LAMENTO - desconheço o autor

Lamento que o abraço
Não passasse de duas linhas;
Lamento que o encontro
Não tivesse acontecido;
Lamento dizer que lamento
E lamento o sucedido;
Lamento...

Lamento que o "Barco"
Tomasse outro rumo, por força do destino;
Lamento que as asas do tempo
O tivessem deixado voar;
Lamento que a distância aumentasse
Com a ausência do azul do mar;
Lamento...

Lamento...
Que a distância de mim;
Lamento...
Lamento o FIM.

8 de fevereiro de 2004

FERNANDO SABINO - Poema " De Tudo Ficaram Três Coisas "

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar e
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar
Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança,
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir!



FERNANDO SABINO
do livro

"Encontro Marcado"


NOTA: Fica a correcção do verdadeiro autor deste belo poema " FERNANDO SABINO "

29 de janeiro de 2004

AÇORES.... poema de ...VITOR CINTRA do Livro " Relances "

** AÇORES **

Nove ilhas de beleza deslumbrante,
Surgidas do profundo mar imenso,
Que o mundo conheceu porque o Infante
Tornou o nevoeiro menos denso.

Encostas de mosaicos verdejantes
Elevam-se, rumando ao infinito,
Hortênsias, feitas sebe, são constantes,
Tornando o colorido mais bonito.

Ali, onde gigantes residiram,
Os cumes das montanhas que explodiram,
Tornados em lagoas de beleza,

Relembram aos herdeiros dos atlantes
Que até já os primeiros navegantes
Sabiam respeitar a Natureza.



(Vítor Cintra, em RELANCES)

15 de janeiro de 2004

BLUEBIRD " BERÇO DE PÉTALAS "

** Poema para uma Concha **


Em um berço de pétalas,
me fizeste deitar
E entre carícias apaixonadas
E o perfume das violetas,
Conheci o amor,
E enquanto brincavas comigo e as flores,
Com tanta graça e sensulidade,
Descobri que és a mulher...
Que fugiu dos meus sonhos,
E se tornou realidade

...Quem me dera !!



Bluebird