À MULHER DESTRUÍDA ...
Em cada mulher destruída
há um universo a nascer ...
Tu
Que recebes resignada
em silêncio
e aceitas
toda a ignomínia excretada
desta urbe iluminada
que te procura
na esquina
da vida errante ...
para te possuir
da noite ... à madrugada!
Tu
Que transformas as trevas
em vil clarão boreal
todo o Eros
que te envolve
e que cobres
frustrada
a frustração sensual
do ego que renasce
na escuridão
da noite longa
da tua alma
violada
Tu
Que deslizas velozmente
sem norte
e bamboleias
tens em ti mesma
gerada
- Em gestação constante
a força da criação
o gene virgem -
instante
que destruirá
para sempre
a tua sorte
danada
Tu
Ó universo vaginal
que pariste
para criar vida
porque te afundas
perdida ...
para prazer
do homem solto.
Tu
Ó ente - matriz, ó mãe
ó sentidos, ó corpo, ó noite,
ó prazer, ó morte instante
dos Outros
que te procuram
- servo cio -
porque não voas
mais alto
da terra verme
Liberta-te
desse mundo envolvente
Liberta
O mundo da noite
escreve nas tuas
brancas asas
o amor de toda a gente
...e voa até ao Nascente !!
Fernando Monteiro
Março/81
27 de novembro de 2005
24 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
Do Féretro que Levo na Vida,
ao Ovni da minha Esperança.
A Ti ó Hélida, dorida:
Numa noite calada,
dos meus sonhos distantes,
Teci teu corpo...
na miragem do meu nenúfar.
Poisei tímido,
no teu gineceu errante,
E vibrante ...
Derramei em êxtase,
na minha Hélida, dorida,
abatida e sem esperança,
... o último espasmo do meu corpo...
Já caía o amanhecer!
Fernando Monteiro
Fev/81
22 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
NO TEU CORPO QUENTE
Regressei ao horizonte
no teu corpo quente
Penetrei o meu ser
no teu ser ansioso
És o tudo ... sou o tudo ...
És o nada, também
Toquei no teto - universo ...
e encontrei-me em ti
Já posso partir
para o horizonte
Para o meu gene perdido
que sou eu
Tive o tudo
tenho o nada
Sou o só .... o regressado
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Fernando Monteiro
Dez/80
Regressei ao horizonte
no teu corpo quente
Penetrei o meu ser
no teu ser ansioso
És o tudo ... sou o tudo ...
És o nada, também
Toquei no teto - universo ...
e encontrei-me em ti
Já posso partir
para o horizonte
Para o meu gene perdido
que sou eu
Tive o tudo
tenho o nada
Sou o só .... o regressado
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Fernando Monteiro
Dez/80
20 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA Poemas do Livro " MAR BRANCO "
Fotografia de Ana Loura
QUERO SER EU,MESMO O NADA !
Quero viver
Quero ser eu
Quero ser
o que vai vir da nascente
Quero viver
para me atingir no tempo
Quero ser eu
mesmo o nada, o eu ausente.
Quero plasmar
o meu querer a esmo
E viver
Nas asas de mim mesmo !
FERNANDO MONTEIRO
QUERO SER EU,MESMO O NADA !
Quero viver
Quero ser eu
Quero ser
o que vai vir da nascente
Quero viver
para me atingir no tempo
Quero ser eu
mesmo o nada, o eu ausente.
Quero plasmar
o meu querer a esmo
E viver
Nas asas de mim mesmo !
FERNANDO MONTEIRO
11 de novembro de 2005
VITOR CINTRA poema * DEDICAÇÃO *
DEDICAÇÃO
Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p’la emoção.
Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-los a teu lado.
E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sofrimentos;
Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.
Vítor Cintra “ Contrastes “
Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p’la emoção.
Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-los a teu lado.
E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sofrimentos;
Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.
Vítor Cintra “ Contrastes “
3 de novembro de 2005
Do Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
SAUDADE
Há tanto que não ouço a voz da fonte,
Naquele canto triste e prolongado,
Ecoar pelas ravinas do valado,
Perder-se nas distâncias do horizonte ! …
Há quanto já não vejo aquele monte,
Donde a minha infância, descuidado,
Via espalhar-se o Sol, em tom doirado,
Nas águas do ribeiro, além da ponte ! …
Veste de luto a minha mocidade
A roxa e melancólica saudade
Desse ditoso tempo em que vivia …
Ai, tão distante que me sinto agora
De tudo que sinto e vi outrora,
Quando era alegre e a vida me sorria …
25 de outubro de 2005
Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
(Desconheço o Autor)
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
(Desconheço o Autor)
22 de outubro de 2005
José Carlos ARY DOS SANTOS " Poeta Castrado "
Poeta castrado não!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
15 de outubro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT " MO(nu)MENTO
Natural da ilha do PICO – AÇORES
Poeta e Jornalista.
Autor do Livro “ DESERTO DE TODAS AS CHUVAS” estando prevista para breve a publicação de novo livro.
Autor do cd
Um apaixonado pela poesia, faz parte do trio de recital " PIANO , POETAS e TROVADORES ".
Formado pela pianista Carla Seixas de Lisboa, o cantor Manuel Francisco Costa e pelo próprio SIDÒNIO BETTENCOURT.
Apresentador do programa na ANTENA 1 - RDP Açores
“ ATLÂNTIDA” é um programa de TV que apresenta na RTP-Açores, RTP-Internacional e RTP-Madeira.

MO(nú)MENTO
arde a saliva branca sobre a luz .escura madrugada do desejo
trazes o corpo da letra. a letra do corpo da notícia e no corpo a letra que entoa a melancolia
trazes o nome do corpo que danças e não te cansas desse teu nome com cheiro a mar
trazes . trazes e vagueio sobre brasas como aventureiro acostado ao muro ocioso da festa
na agonia das amarras
sabes a norte a sul a canal .chuvisco de mar oeste . sabes a poncha caipirinha savana e nos olhos
corre-te o mel dos sargaços . dormência do rosto molhado nas samarras
velas de cal branca e pedra negra. dentro. azeite dos caldeiros na humidade quente da pele
degrau a degrau a rebentação da maré. concerto de murmúrio dos lábios. o monumento
memorial. porta do caneiro de pé. homens de marfim e silêncio de mármore.jazigo vertical
baleeiras e baleeiros heróis com nome a navegar
percorre em ti renasce em mim a ponta do cais nascente. a carreira o lajido a corrente
a ligeira brisa ofegante . a torrente . o odor o perfume e o amor a dor que o poeta longe
deveras sente
não sei se diga vigia varanda tribuna da ilha
celebração.
não sei se diga cálice de um deus por nós
condenação
em cada cais o porto onde estarei em ti tu em mim sedentos
na margem sul a montanha a sós
santuário ao sabor da rosa dos ventos
Sidónio Bettencourt
13 de outubro de 2005
....Viver Como eu Sei...Américo Silva
VIVER COMO EU SEI
Uma manhã de sol... de vento... ruidosa..
que agita com violência os ramos das árvores
que o suportam angustiadas ... indefesas... impassíveis
que o sentem e aceitam... que o vivem sem queixume
São como nós, que também não podemos sair do caminho
que a vida nos escolheu... plenas de angustias...
de medos... de noites de tormenta, de pensamentos apavorados
à espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.
E viver é isto... um momento de angustia... de incerteza
um momento de dor... um momento de alegria...
um momento de esperança... um momento de luz
um momento de prazer... um momento de revolta...
Sair da estrada e entrar nela de novo...
é achar o nosso destino e aprender a guarda-lo
é escolher na corrida vertiginosa da caminhada
os momentos que vale a pena guardar
Aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
é sentir a qualquer hora do dia ou da noite
que aconteça o que acontecer... haja o que houver
há sempre alguém que mesmo distante, caminha a nosso lado
Na noite tenebrosa...no sol radiante...no frio do medo
no calor da esperança... num amanhã mais calmo e tranquilo
na lagoa das águas serenas, na areia da praia deserta
no encanto do monte verdejante, no silencio dum carro parado
No planalto duma montanha escura... silenciosa... tranquila
no caminhar pelas ruas desertas duma cidade plena de vida
de ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
nas horas mortas da madrugada voando ao encontro da luz
Viver é isto... descobrir... encontrar e perder... sentir e correr...
ao encontro do destino... de nada... de tudo...
Américo Silva
( Setembro 2003 )
Uma manhã de sol... de vento... ruidosa..
que agita com violência os ramos das árvores
que o suportam angustiadas ... indefesas... impassíveis
que o sentem e aceitam... que o vivem sem queixume
São como nós, que também não podemos sair do caminho
que a vida nos escolheu... plenas de angustias...
de medos... de noites de tormenta, de pensamentos apavorados
à espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.
E viver é isto... um momento de angustia... de incerteza
um momento de dor... um momento de alegria...
um momento de esperança... um momento de luz
um momento de prazer... um momento de revolta...
Sair da estrada e entrar nela de novo...
é achar o nosso destino e aprender a guarda-lo
é escolher na corrida vertiginosa da caminhada
os momentos que vale a pena guardar
Aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
é sentir a qualquer hora do dia ou da noite
que aconteça o que acontecer... haja o que houver
há sempre alguém que mesmo distante, caminha a nosso lado
Na noite tenebrosa...no sol radiante...no frio do medo
no calor da esperança... num amanhã mais calmo e tranquilo
na lagoa das águas serenas, na areia da praia deserta
no encanto do monte verdejante, no silencio dum carro parado
No planalto duma montanha escura... silenciosa... tranquila
no caminhar pelas ruas desertas duma cidade plena de vida
de ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
nas horas mortas da madrugada voando ao encontro da luz
Viver é isto... descobrir... encontrar e perder... sentir e correr...
ao encontro do destino... de nada... de tudo...
Américo Silva
( Setembro 2003 )
7 de outubro de 2005
Rose Arouck " EU e o MAR "
Querendo atirar em tuas águas revoltas todos os meus medos
E me deparo comigo em degredo
Pretendendo insinuar minha alma
Em tua vastidão, que acomoda
Os meus olhos num azul brilhante e profundo
Fazendo-me esquecer as maldades do mundo.
Envolvo-me pelas carícias de teus braços de algas;
Mergulho, em frêmito pacífico... tu me acalmas,
E deixo fluir de meu peito as incertezas
Boiadas às distantes correntezas
Que dilaceram-me como o despertar de um vulcão.
Subo em dupla com as tuas maresias
Para incluir em minhas têmporas as fantasias,
Que não permitem a minha vida naufragar.
Agora estamos sós, e, contemplamos o silêncio,
Que elocubra os deslizes do que penso,
Para em seguida, os sagarços transformar
Em atobás, que inundam petulantes
Meu poema, que soberbo nesse instante
Luta feroz para não se afogar, afogar...
afogar... no ar... no ar ...no ar.
22 de setembro de 2005
Nilzeth Alcântara ** EXISTE **



Este Poema " EXISTE " da minha querida amiga NILZETH, teve o mérito de eleger o ALMA DE POETA como um "Blog Destaque" no DOCE VENENO.
Obrigada amiga, só um coração apaixonado como o teu, seria capaz transmitir tanto sentimento nas palavras, merecedoras de tamanho reconhecimento.
EXISTE
Existe pessoa que cheira amor
Que trás vontade de Paixão;
Existe amor que cheira vida,
E vida que anda na contra-mão.
Existe pessoa que cheira saudade,
Trazendo a vontade de nunca esquecer...
Existe saudade que dói na lembrança;
E trás a certeza de nunca morrer.
Existe morte que ocorre em vida;
Por não cicatrizar a ferida aberta na emoção...
Mas, existe emoção que se faz viva;
Que envolve e acalenta o choro do coração.
Existe coração que sofre
Mesmo sem saber por quê
E segue buscando em cada face
A falta que sente de você.
Existe tudo e todos
De forma que não sei dizer;
E nesta agonia eu sigo triste
Sem rumo e sem amanhecer.
Existe amanhecer sem luz,
Existe noite sem luar
Existe treva e escuridão
Existem sonhos sem se concretizar.
Só porque Existem!
Nilzeth, 16/09/2005
18 de setembro de 2005
Eugénio Neves " AFASTAMENTO "
Terá sido assim mesmo em meus sonhos...
Essa foto espelha bem o que me vai no pensamento.
Ao ver-te de costas voltadas, percorri o único caminho que meu coração conhecia...
AFASTAMENTO
Amar-te?
Sei que te amei,
Compreender-te?
Não consegui.
O desejo maior que a vontade
Ficou a enorme saudade
Na hora que te perdi,
Voltas agora ao mesmo lugar
Onde meu coração chora de dor,
Reflectes entre o partir e ficar...
Será que te vais entregar,
Alimentando nosso amor?
Eugénio Neves
Essa foto espelha bem o que me vai no pensamento.
Ao ver-te de costas voltadas, percorri o único caminho que meu coração conhecia...
AFASTAMENTO
Amar-te?
Sei que te amei,
Compreender-te?
Não consegui.
O desejo maior que a vontade
Ficou a enorme saudade
Na hora que te perdi,
Voltas agora ao mesmo lugar
Onde meu coração chora de dor,
Reflectes entre o partir e ficar...
Será que te vais entregar,
Alimentando nosso amor?
Eugénio Neves
16 de setembro de 2005
DEIXOU A SUA INSPIRAÇÃO A " ANA TERESA CRUZ VALENTE "
Lindo e inspirado poema recebido da Ana Teresa , amiga do blog Teresoca à Descoberta do Novo Mundo Tecnológico
.....A net tem destas coisas, presentear-nos com o carinho e amizade de pessoas tão distântes e no entanto tão presentes.
Beijo com carinho , amiguinha.
À DESCOBERTA DO AMOR ...
Não, não foi à beira mar que te descobri,
Mas foi lá que senti pela primeira vez.
O toque quente das tuas mãos no meu corpo,
Foi lá que pela primeira vez sentimos
Que algo de estranho se passava connosco!
Amor?
Não. Nunca poderá haver amor entre nós!
Porquê? Perguntaste-me!
Porque a terra nos separa
E, a água não tem força para nos unir!
E agora perguntas tu? Que fazemos nós?
Conformamo-nos com a terra?
Ou damos força ao mar?
Não sei! Tenho medo de navegar,
Mas desejo cavalgar!
E por isso não será nem a terra, nem o mar,
Que me fará esquecer o que passámos,
Mas será o tempo que decidirá
Se é Amor ou se é apenas Saudade!
Ana Teresa Cruz Valente
.....A net tem destas coisas, presentear-nos com o carinho e amizade de pessoas tão distântes e no entanto tão presentes.
Beijo com carinho , amiguinha.
À DESCOBERTA DO AMOR ...
Não, não foi à beira mar que te descobri,
Mas foi lá que senti pela primeira vez.
O toque quente das tuas mãos no meu corpo,
Foi lá que pela primeira vez sentimos
Que algo de estranho se passava connosco!
Amor?
Não. Nunca poderá haver amor entre nós!
Porquê? Perguntaste-me!
Porque a terra nos separa
E, a água não tem força para nos unir!
E agora perguntas tu? Que fazemos nós?
Conformamo-nos com a terra?
Ou damos força ao mar?
Não sei! Tenho medo de navegar,
Mas desejo cavalgar!
E por isso não será nem a terra, nem o mar,
Que me fará esquecer o que passámos,
Mas será o tempo que decidirá
Se é Amor ou se é apenas Saudade!
Ana Teresa Cruz Valente
14 de setembro de 2005
DEIXOU A SUA INSPIRAÇÃO A "ALEX "

Agradeço à Alex do Blog
o inspirado texto que me presenteou, conforme pedido no post anterior.
Beijo para ti
***********************************
No momento em que pisei a areia soube que iria reconhecer-te.
Estavas sentado à beira mar e olhavas o mar como quem procura a paz, uma tranquilidade já há muito merecida.
Naquela manhã o céu enublado fez do mar o nosso mundo.
Olhar-te nos olhos.
Ver-te pela primeira vez.
Olhaste-me também e bastou um segundo,
Entenderes por fim as palavras que te deixei.
As que nem sequer te escrevi.
Ninguém me fez sorrir assim
Percebes agora a necessidade que tenho de ti?
Parámos o tempo o quanto pudémos.
Prolongámos um sentir, um desejo de mutuo conhecimento.
Por favor, não me tires este momento.
Ficámos retidos, num silêncio perfeito.
Ficámos horas juntos nessa manhã.
Meu Deus, eu já sabia que iria ser assim.
Levantei-me e segurei os passos ainda inseguros.
Saí da praia com a certeza que não voltaria a sentir-te assim.
De costas voltadas,
o vento no rosto.
Alguma vez amaste alguém assim?
5 de setembro de 2005
Eugénio Neves * TEU NOME *
Sempre que digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugénio Neves
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugénio Neves
O TEU NOME
Sempre que digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugenio
Sempre que digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugenio
31 de agosto de 2005
VITOR CINTRA " ÀS VEZES "
Às vezes choro.
Às vezes canto.
Outras namoro
‘squecendo o pranto.
Às vezes sinto,
Às vezes não.
Outras desminto
O coração.
Às vezes sonho.
Às vezes faço.
Outras, suponho,
Só embaraço.
Às vezes trago,
Às vezes levo.
Outras apago.
Quando me atrevo.
Às vezes vejo,
Ás vezes não,
Outras desejo
Não ter razão.
Às vezes calo,
Ás vezes digo.
Outras só falo
Se for comigo
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
Às vezes canto.
Outras namoro
‘squecendo o pranto.
Às vezes sinto,
Às vezes não.
Outras desminto
O coração.
Às vezes sonho.
Às vezes faço.
Outras, suponho,
Só embaraço.
Às vezes trago,
Às vezes levo.
Outras apago.
Quando me atrevo.
Às vezes vejo,
Ás vezes não,
Outras desejo
Não ter razão.
Às vezes calo,
Ás vezes digo.
Outras só falo
Se for comigo
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
27 de agosto de 2005
O AMOR NÃO TEM IDADE

Quem nunca ouviu esta frase?
Nem me lembro da primeira vez que a ouvi, e a partir dai tenho constatado quanta realidade a mesma contém.
Na verdade, ninguém pode ter a certeza dos sentimentos do outro, e talvez nem se consiga ter a certeza absoluta dos nossos.
Um dia ouvi ou li algo parecido a isto :
Posso dizer que te amo e não amar, posso falar que te quero e não querer, posso inventar palavras que te agradam e nem as sentir, mas uma coisa nunca poderei fazer, é olhar-te nos olhos, dizer que te amo, e tu não te aperceberes da verdade através desse olhar, porque os olhos não mentem, são o espelho que reflecte a alma.
Acabei de ouvir meu filho cantar junto com o som deste fado de Amália " Nem ás Paredes Confesso " , e o pensamento voou para o momento em que o vi chorar, quando a rapariga que ele amava lhe disse, olhando-o nos olhos que já não o amava mais.
Julgo que os jovens têm outra capacidade de encarar esses factos com mais naturalidade do que nós, os pais.
Isto levaria a tecer outras considerações, tais como o desgaste nas relações e o reencontro com outro amor, especialmente a partir de determinada idade.
Agora, aqui para nós, como vamos em questão de amores?
Ainda o confessamos olhando nos olhos, ou será que nem ás paredes o confesso?
Fica um beijo
24 de agosto de 2005
Isabel *** A Música do Meu Sentir ***
Cada música que gostamos, nos tocou de algum modo, em especial.
Marcou um tempo, um momento, um lugar , o amor, uma etapa e tantos outros momentos mais.
A música mais antiga que me lembro, é do Nat King Cole, quando meu pai as assobiava, enquanto aos domingos, os dois passeávamos, teria eu uns 6 anos.
Mais tarde, era eu estudante , Roberto Carlos, Elvis Presley e outros , enchiam de sonhos as cabeças e os corações dos jovens da época de 70, onde cada letra das canções pareciam ter sido escritas por mim, ou para mim.
Depois, veio a fase em que trabalhei na rádio e aí, felizmente tive oportunidade de ouvir belíssima música, criar os meus próprios programas de rádio.
As opções eram muitíssimas, foram os melhores anos da música, Dire Straits , Otis Reding, Credence Clearwater Revival , Roy Orbison, Jimi Hendrix, Tom Jones, Frank Sinatra e tantos outros, que é dificil enumerar aqui.
Por outro lado, foi também nessa altura , o meu primeiro contacto com a música de Intervenção e a Poesia. A poesia declamada por João Vilarett, por Eunice Nuños, os serões em casa de Amália com Vinicius, Ary dos Santos, etc,. Existiam nessa estação de rádio Clube Asas do Atlântico, na minha ilha de S. Maria, as bobines gravadas com as peças teatrais do grande Poeta Micaelense, que viveu durante muitos anos nesta ilha, José Maria Lopes de Araújo.
Nessa altura a Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, vivia um grande momento da sua história, note-se que a TV Açoriana, só uns anos depois apareceu, daí que o único meio de divulgação cultural nos Açores, era principalmente feito através das Estações Emissoras de rádio especialmente a RDP em S.Miguel, Rádio Clube de Angra na ilha Terceira e o Asas, vulgarmente conhecido, aqui em S. Maria.
Com saudade recordo, o primeiro disco que ofereci ao meu namorado, há 30 anos atrás.
Esqueci por completo do título e do nome do cantor, ( não do namorado….) mas a música, essa, continua no nosso interior,no nosso ouvido, no nosso coração, fazendo parte duma história de vida .
Um destes dias certamente, a voltarei a ouvir talvez no Rádio Clube Português, quem sabe..., numa viagem entre Cascais /Lisboa, depois de algum jantar romântico pela Marina de Cascais…….quiçá uma oportunidade a não perder.
Os ABBA e Demis Roussos, eram grande êxito no ano em que nasceu minha primeira filha.
Norah Jones-
As músicas que quis ouvir na Ala Magna, de mão dada, fingindo que a Norah só contava para mim.
Rui Veloso “ Primeiro Beijo “
Não sei porquê, mas faz-me lembrar um casal de namorados num banco de Jardim, porventura , imagino algum casal algures num banco de jardim, no Campo Grande ou Campo Pequeno…nem sei.
Ouvi esta música ao vivo no Nordeste, da Ilha de S. Miguel, no ano passado, e voei em pensamento.
Ás vezes gostaria de ser gaivota...voar entre terra e mar...
Júlio Iglésias -
Ao vivo , onde cada música me fez navegar num turbilhão de sonhos, numa belíssima noite de luar, num campo de futebol em Ponta Delgada.....Júlio....o luar, o som, a voz, e EU.
Há a música Cubana, linda.... que um dia recebi por e-mail, e há aquela outra, que partilhei numa programação, exclusiva para mim, via Internet....momentos únicos.
A música da Guitarra Portuguesa, com acordeão, grandes êxitos de Amália, ouvida no silêncio da noite , depois de uma noite de fados no Bairro Alto.
No passado dia 15, meu presente de aniversário, um concerto dos Delfins.
Miguel Ângelo cantou (só para mim….), as músicas que tantas e tantas vezes recebi, em forma de poema, como se fossem poemas originais, feitos para mim.
Há tanta e tanta música , que me faz divagar, e em cada uma lembrar e relembrar um momento, aquele que é meu, e aquele outro momento partilhado, e não mais olvidado.
Há por fim a música do meu telemóvel, aquela que toca, quando chamas por mim, e que me diz pela voz do Bob Marley “ Don’t Worry…Be Happy”.
Há a música que os anjos tocam em harpas, todas as vezes que me sinto feliz.
E há somente a MÚSICA……, aquela que é feita de palavras, e que tão bem soa, aos nossos ouvidos.
Isabel
18 de agosto de 2005
Vinicius de Moraes * Soneto do Amor Total *
SONETO DO AMOR TOTAL
Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude
Vinicius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude
Vinicius de Moraes
17 de agosto de 2005
Nilzeth Alcântara ** COMO DIZER ... **
COMO DIZER...
O sol queima na pele, outro dia chegou…
Pousa calada na parede, uma borboleta negra.
Inerte, observo a tua foto congelada na tela das recordações...
Quadro de um passado ainda tão presente.
Vivas, suas lembranças permeiam, num pensamento sem som.
Ah! Como dói perder o sonho que foste um dia;
O desejo que se esvaiu por não te encontrar...
Como arrancar aqui de dentro, esta coisa que contradiz...
Como sublimar no sentimento, este fracasso sem dores.
Como te dizer, AMO-TE!
Como esconder que no coração,
Encontra-se calado o aroma do nosso amor, nossa paixão;
O sabor do beijo que não sentimos
O afago das mãos que não vivemos,
A loucura do amor que não fizemos.
Fecho os olhos…
Retrato num sonho a tua imagem,
Que surge a brincar de ciranda na amarelinha riscada;
Anjo tão sublime beijando-me a cada anoitecer.
Como romper esta dor...
Dor, que mata e destrói.
Como afastar você da minha vida,
Se mesmo negando, é tu a luz que necessito para viver.
Anjo! Diz-me apenas o que posso fazer.
Nilzeth Alcântara
O sol queima na pele, outro dia chegou…
Pousa calada na parede, uma borboleta negra.
Inerte, observo a tua foto congelada na tela das recordações...
Quadro de um passado ainda tão presente.
Vivas, suas lembranças permeiam, num pensamento sem som.
Ah! Como dói perder o sonho que foste um dia;
O desejo que se esvaiu por não te encontrar...
Como arrancar aqui de dentro, esta coisa que contradiz...
Como sublimar no sentimento, este fracasso sem dores.
Como te dizer, AMO-TE!
Como esconder que no coração,
Encontra-se calado o aroma do nosso amor, nossa paixão;
O sabor do beijo que não sentimos
O afago das mãos que não vivemos,
A loucura do amor que não fizemos.
Fecho os olhos…
Retrato num sonho a tua imagem,
Que surge a brincar de ciranda na amarelinha riscada;
Anjo tão sublime beijando-me a cada anoitecer.
Como romper esta dor...
Dor, que mata e destrói.
Como afastar você da minha vida,
Se mesmo negando, é tu a luz que necessito para viver.
Anjo! Diz-me apenas o que posso fazer.
Nilzeth Alcântara
13 de agosto de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema *** SEGREDOS ***
Visite também o blog onde se encontram publicados poemas deste Poeta Açoriano,
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
REMOS PARTIDOS
SEGREDOS
Trago em meu peito segredos,
Tantos segredos guardados...
Segredos doutros segredos,
Que nunca foram contados.
A fonte diz-me segredos;
Segredos me diz o mar,
Quando bate nos rochedos,
A luz triste do luar!...
Segredos conta-me o vento,
Se o ouço à noite, a gemer;
Segredos do seu tormento
Que só eu posso entender.
Diz-me segredos o cardo,
O tôjo, a rosa, o jasmim...
Ai, quantos segredos guardo,
Para sempre, dentro de mim!
E quando o sol, de mansinho,
Vai perder-se no poente,
Segredos me diz, baixinho,
Da sua mágoa pungente ...
E a noite diz-me também
Segredos da solidão,
Que só eu, e mais ninguém,
Pode ter no coração.
Um segredo só existe
De que eu sei o encanto:
- A razão porque sou triste ...
- Porque choro quando canto.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro de Poemas
" NOITE DE ALMA "
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
SEGREDOS
Trago em meu peito segredos,
Tantos segredos guardados...
Segredos doutros segredos,
Que nunca foram contados.
A fonte diz-me segredos;
Segredos me diz o mar,
Quando bate nos rochedos,
A luz triste do luar!...
Segredos conta-me o vento,
Se o ouço à noite, a gemer;
Segredos do seu tormento
Que só eu posso entender.
Diz-me segredos o cardo,
O tôjo, a rosa, o jasmim...
Ai, quantos segredos guardo,
Para sempre, dentro de mim!
E quando o sol, de mansinho,
Vai perder-se no poente,
Segredos me diz, baixinho,
Da sua mágoa pungente ...
E a noite diz-me também
Segredos da solidão,
Que só eu, e mais ninguém,
Pode ter no coração.
Um segredo só existe
De que eu sei o encanto:
- A razão porque sou triste ...
- Porque choro quando canto.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro de Poemas
" NOITE DE ALMA "
5 de agosto de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema ~~ NO MEIO DO MAR ~~
NO MEIO DO MAR
Nasci nas ondas que beijam
As encostas dum vulcão…
E quando à noite adormeço
A minha terra é o berço
Que embala meu coração!
Por tecto só tenho nuvens
Meu horizonte é o mar…
Se tivesse asas, um dia,
Certamente que partia
Para nunca mais voltar.
………………..
Querer partir e não ter
Um chão para caminhar
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro de poemas " HORAS CONTADAS " 1992
Nasci nas ondas que beijam
As encostas dum vulcão…
E quando à noite adormeço
A minha terra é o berço
Que embala meu coração!
Por tecto só tenho nuvens
Meu horizonte é o mar…
Se tivesse asas, um dia,
Certamente que partia
Para nunca mais voltar.
………………..
Querer partir e não ter
Um chão para caminhar
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro de poemas " HORAS CONTADAS " 1992
8 de julho de 2005
ÂNGELO GOMES * O Teu Corpo *
O TEU CORPO...
Deixa-me acordar, sorrir, esbracejar
Em cada alvorada de sonos inquietos
Pensamentos lentos, lista de afectos
Tua voz sentir, acto de inventar
Desenho o teu corpo enquanto desperto
De suave tecido em mãos de ternura
Que beijo e rebeijo com tanta doçura
E amo e possuo como se estivesses perto
Que venham sóis, chuvas ou tormentas
Que toquem os sinos abordando rebates
Que caiam ferros, pedras, alicates
Que as bocas estejam secas e sedentas
Oh... como adoro o teu corpo de frescura
Razão das razões... toque de magia
Que invade o meu, deixando nostalgia
Saudade intensa, retrospectiva pura
Corpos colados, invasão das mentes
Selados em lençóis ou calmas areias
Torcendo, mexendo, como centopeias
Acabando molhados, sôfregos, ardentes
Adoro o teu corpo de sonho e desejo...
Suporte de um todo que vejo e revejo.
Ângelo Gomes – 18 de Outubro de 2004
Deixa-me acordar, sorrir, esbracejar
Em cada alvorada de sonos inquietos
Pensamentos lentos, lista de afectos
Tua voz sentir, acto de inventar
Desenho o teu corpo enquanto desperto
De suave tecido em mãos de ternura
Que beijo e rebeijo com tanta doçura
E amo e possuo como se estivesses perto
Que venham sóis, chuvas ou tormentas
Que toquem os sinos abordando rebates
Que caiam ferros, pedras, alicates
Que as bocas estejam secas e sedentas
Oh... como adoro o teu corpo de frescura
Razão das razões... toque de magia
Que invade o meu, deixando nostalgia
Saudade intensa, retrospectiva pura
Corpos colados, invasão das mentes
Selados em lençóis ou calmas areias
Torcendo, mexendo, como centopeias
Acabando molhados, sôfregos, ardentes
Adoro o teu corpo de sonho e desejo...
Suporte de um todo que vejo e revejo.
Ângelo Gomes – 18 de Outubro de 2004
6 de julho de 2005
Florbela Espanca " A Nossa Casa "
A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho...que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro -- tão bom! -- dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho...que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro -- tão bom! -- dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...
26 de junho de 2005
Astrolábios "Volupias de Luar"
Tenho saudades do teu sorriso,
Da tua carne, da tua alma,
Lembro-te com a alma triste,
Revejo-te na noite calma.
Se eu fosse, sombras da sombra,
Levantar-te-ia numa onda,
De volupias e sombra,
Num sonho de aventura.
O nosso espírito adora a lua,
Sobrevoa qualquer mar,
Pelo ar místico flutua,
Neste esplêndido luar.
Ao raiar da manhã estás comigo,
Só de noite o teu corpo,
Não o tenho no meu abrigo.
“Astrolábios "
Da tua carne, da tua alma,
Lembro-te com a alma triste,
Revejo-te na noite calma.
Se eu fosse, sombras da sombra,
Levantar-te-ia numa onda,
De volupias e sombra,
Num sonho de aventura.
O nosso espírito adora a lua,
Sobrevoa qualquer mar,
Pelo ar místico flutua,
Neste esplêndido luar.
Ao raiar da manhã estás comigo,
Só de noite o teu corpo,
Não o tenho no meu abrigo.
“Astrolábios "
20 de junho de 2005
Nilzeth Alcântara " Sonhar "
SONHAR
Sonhar! É dizer à ilusão que você existe.
É buscar no impossível, a essência de tudo o que representas para mim...
Arrancando das cinzas, a tua imagem viva e o teu sorriso sincero.
É vestir de rendas a vontade que sinto de estar em você.
Sonhar! É viver a loucura da tua loucura.
Querendo pingos de chuva, cascatas de prazer.
É pedir ao vento, para dizer ao tempo para me levar;
Levar-me aos teus braços, para no teu abraço, eu me aconchegar.
Sonhar! É contar estrelas, criar arco-íris;
É banhar o meu corpo no mar do teu;
Saciar minha boca na fome de tua boca;
É sentir anoitecer, mesmo que neste instante ainda seja meio dia.
Sonhar!
É amar... Viver... Pertencer ... Te adorar.
É fundir o ontem no hoje, e não ter medo do amanhã;
É vencer, tremer chorar...
É acima de tudo acreditar que somente você, é capaz de me fazer sonhar.
Sonhar!
Nilzeth Alcântara
19/06/2005
Sonhar! É dizer à ilusão que você existe.
É buscar no impossível, a essência de tudo o que representas para mim...
Arrancando das cinzas, a tua imagem viva e o teu sorriso sincero.
É vestir de rendas a vontade que sinto de estar em você.
Sonhar! É viver a loucura da tua loucura.
Querendo pingos de chuva, cascatas de prazer.
É pedir ao vento, para dizer ao tempo para me levar;
Levar-me aos teus braços, para no teu abraço, eu me aconchegar.
Sonhar! É contar estrelas, criar arco-íris;
É banhar o meu corpo no mar do teu;
Saciar minha boca na fome de tua boca;
É sentir anoitecer, mesmo que neste instante ainda seja meio dia.
Sonhar!
É amar... Viver... Pertencer ... Te adorar.
É fundir o ontem no hoje, e não ter medo do amanhã;
É vencer, tremer chorar...
É acima de tudo acreditar que somente você, é capaz de me fazer sonhar.
Sonhar!
Nilzeth Alcântara
19/06/2005
19 de junho de 2005
PAULO COELHO " Encerrando um Ciclo "
ENCERRANDO UM CICLO - Paulo Coelho (O Globo - 22/08/04)
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar.
Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são
adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si
mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser
quem era, e se transforme em quem é.
PAULO COELHO
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar.
Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são
adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si
mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser
quem era, e se transforme em quem é.
PAULO COELHO
14 de junho de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO ** Ao Cair da Noite **
AO CAIR DA NOITE
Senta-te aqui … aqui, junto de mim.
Vem-me dizer o que a tua alma sente …
Que eu quero ouvir, embora tristemente,
A mágoa atroz que te amargura assim ! …
Quero saber ... minha Alma de Poeta
É um convento enorme de ilusões
E nele os prantos são as orações
Que adoçam bem o meu viver de asceta !
José Maria Lopes de Araújo “ Noite de Alma “
Senta-te aqui … aqui, junto de mim.
Vem-me dizer o que a tua alma sente …
Que eu quero ouvir, embora tristemente,
A mágoa atroz que te amargura assim ! …
Quero saber ... minha Alma de Poeta
É um convento enorme de ilusões
E nele os prantos são as orações
Que adoçam bem o meu viver de asceta !
José Maria Lopes de Araújo “ Noite de Alma “
8 de junho de 2005
Florbela Espanca "AMAR"
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar
Florbela Espanca
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar
Florbela Espanca
4 de junho de 2005
Sou CONCHA* ...
Sou naufraga no oceano dos teus afagos,
Onde me afogo no mar dos teus braços.
Sou coral de mil cores e flor de muitos odores.
Sou mulher de muitos amores...
Sou Concha* ...
Sou Pérola de colecionadores,
Sou gaivota voando livre,
Neste céu e mar só meu,
Quem serei eu afinal?!
Se por sinal, esta sou EU !
Isabel C.
Onde me afogo no mar dos teus braços.
Sou coral de mil cores e flor de muitos odores.
Sou mulher de muitos amores...
Sou Concha* ...
Sou Pérola de colecionadores,
Sou gaivota voando livre,
Neste céu e mar só meu,
Quem serei eu afinal?!
Se por sinal, esta sou EU !
Isabel C.
26 de maio de 2005
AMÈRICO *** Palavras São Caminhos ...***
Palavras São Caminhos...
São a voz da alma
liberta ou inquieta ,
São a imagem do sonho exótico
impossível ou louco....
São mares e são rios,
São remos e faróis.
São noites que não acabam
recordações que não morrem
São luzes que se acendem,
São luzes que se apagam
Palavras são sons..
De portas que se fecham
De lágrimas silenciosas
De angustias escondidas
De gritos de alegria...
De gritos de revolta
De noites por dormir,
De madrugadas esperando o sol
De vozes que se foram
De vozes que chegaram
Palavras são imagens...
De searas ondulantes
De abraços por sentir...
De fogueiras a arder..
De rios por navegar...
De florestas por descobrir
De sentimentos por desvendar
De medos por destruir...
De segredos por dividir...
Palavras são encontros...
Num cais desconhecido
Numa praia misteriosa
Numa montanha deserta
Numa cidade cinzenta
Num deserto sem areia
Numa rua sem ninguém
Num vulcão adormecido
Numa estrada sem destino...
Palavras são destinos...
Que se encontram
Porque existem...
Porque se procuram
Porque se necessitam
São beijos desejados
Ânsias incontroladas.
São saudade...são amor..
São descobertas...
São VIDA
Américo
São a voz da alma
liberta ou inquieta ,
São a imagem do sonho exótico
impossível ou louco....
São mares e são rios,
São remos e faróis.
São noites que não acabam
recordações que não morrem
São luzes que se acendem,
São luzes que se apagam
Palavras são sons..
De portas que se fecham
De lágrimas silenciosas
De angustias escondidas
De gritos de alegria...
De gritos de revolta
De noites por dormir,
De madrugadas esperando o sol
De vozes que se foram
De vozes que chegaram
Palavras são imagens...
De searas ondulantes
De abraços por sentir...
De fogueiras a arder..
De rios por navegar...
De florestas por descobrir
De sentimentos por desvendar
De medos por destruir...
De segredos por dividir...
Palavras são encontros...
Num cais desconhecido
Numa praia misteriosa
Numa montanha deserta
Numa cidade cinzenta
Num deserto sem areia
Numa rua sem ninguém
Num vulcão adormecido
Numa estrada sem destino...
Palavras são destinos...
Que se encontram
Porque existem...
Porque se procuram
Porque se necessitam
São beijos desejados
Ânsias incontroladas.
São saudade...são amor..
São descobertas...
São VIDA
Américo
1 de maio de 2005
Lúcio Neves Poema de Amor
Ah visão imaculada
Que me surges por entre os lençóis
E me deleitas o olhar,
Me pões aos teus pés
No chão a suplicar.
És manhã fria de gelar
Final e todas as orações
Água de todas as monções.
Afoga-me no teu bolinar
Pede-me mais em suplicio
Faz-me gemer e gritar
Oh anjo!
Que de mil penas
Nenhuma pena tens de mim
Tu que te sentas no trono de marfim
Rainha de toda a minha razão...
Regente deste sangrento coração.
És vida!
E que de tanto amor te dar
Minha alma anda perdida!!!
Lúcio Neves
Que me surges por entre os lençóis
E me deleitas o olhar,
Me pões aos teus pés
No chão a suplicar.
És manhã fria de gelar
Final e todas as orações
Água de todas as monções.
Afoga-me no teu bolinar
Pede-me mais em suplicio
Faz-me gemer e gritar
Oh anjo!
Que de mil penas
Nenhuma pena tens de mim
Tu que te sentas no trono de marfim
Rainha de toda a minha razão...
Regente deste sangrento coração.
És vida!
E que de tanto amor te dar
Minha alma anda perdida!!!
Lúcio Neves
26 de abril de 2005
Florbela Espanca
Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.
Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.
Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
17 de abril de 2005
VITOR CINTRA " Egoísmo "
EGOÍSMO
Sou pedra implantada à beira mar,
Sofrendo as investidas da maré,
Sentindo, lentamente, esboroar
A terra firme que me tem de pé.
Viver, a vida toda, em solidão,
Ter gente à volta mas vivendo só,
É ter, do mundo, toda uma visão
De tronco morto, que caiu no pó.
Gritar ao mundo, raiva, desespero,
Calando mortes, lágrimas e dor,
É grito tolo, grito de egoísmo;
É como ter, apenas, o que quero
Sem ter terra firma de amor
Que evite a queda certa no abismo.
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
Sou pedra implantada à beira mar,
Sofrendo as investidas da maré,
Sentindo, lentamente, esboroar
A terra firme que me tem de pé.
Viver, a vida toda, em solidão,
Ter gente à volta mas vivendo só,
É ter, do mundo, toda uma visão
De tronco morto, que caiu no pó.
Gritar ao mundo, raiva, desespero,
Calando mortes, lágrimas e dor,
É grito tolo, grito de egoísmo;
É como ter, apenas, o que quero
Sem ter terra firma de amor
Que evite a queda certa no abismo.
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
8 de abril de 2005
AMÉRICO *** Quero ***
QUERO...
Ser teu ombro, teu colo, teu amigo
Sentir-te, nos momentos alegres e tristes
Ser tua luz, na mais escura das noites
Ser teu sol no mais brilhante dos dias.
Quero...
Ser tua força, teu espaço, teu horizonte
Quando mais nada existir na tua frente
Quando todos os outros se esgotarem
Um momento antes do desespero...
Quero...
Olhar contigo o dia nascer e o sol pôr-se
Sentir o ruído das ondas, o sopro do vento
Sentir o calor do teu corpo...no brilho
Do teu olhar, na emoção da tua voz...
Quero...
Deixar minhas mãos mexer na tua pele
Despertar os teus sentidos, acordar-te...
Fazer da menina... mulher romântica...louca
Num gesto atrevido, numa palavra sensual
Quero...
Correr contigo ao encontro da noite....
Libertar-te de todos os pesos...
Despir a tua roupa, acariciar teus cabelos
Teus seios, tuas costas… tuas coxas...
Quero...
Entrar na cama contigo, deitar-te, beijar-te
Estender-te na minha frente...abraçar-te
Com jeito...minha boca no teu ouvido…
Mãos nos teus seios, numa carícia suave...
Quero...
Ouvir o vento, a chuva, os ruídos da noite...
Libertar nossas almas e deixá-las correr
Libertar nossas mentes e deixa-las voar
Libertar nossos sonhos de deixa-los viver.
Quero...
Voltar-te para mim, beijar-te na boca
Sentir teus seios em meu peito...
Teu corpo mexendo ajustando-se ao meu
Teus braços puxando, apertando, tocando
Quero...
Quando a madrugada chegar....
Olhar em teus lábios um sorriso
Em teus olhos um brilho cintilante
Na tua voz um obrigado á vida
Quero...
Américo
Ser teu ombro, teu colo, teu amigo
Sentir-te, nos momentos alegres e tristes
Ser tua luz, na mais escura das noites
Ser teu sol no mais brilhante dos dias.
Quero...
Ser tua força, teu espaço, teu horizonte
Quando mais nada existir na tua frente
Quando todos os outros se esgotarem
Um momento antes do desespero...
Quero...
Olhar contigo o dia nascer e o sol pôr-se
Sentir o ruído das ondas, o sopro do vento
Sentir o calor do teu corpo...no brilho
Do teu olhar, na emoção da tua voz...
Quero...
Deixar minhas mãos mexer na tua pele
Despertar os teus sentidos, acordar-te...
Fazer da menina... mulher romântica...louca
Num gesto atrevido, numa palavra sensual
Quero...
Correr contigo ao encontro da noite....
Libertar-te de todos os pesos...
Despir a tua roupa, acariciar teus cabelos
Teus seios, tuas costas… tuas coxas...
Quero...
Entrar na cama contigo, deitar-te, beijar-te
Estender-te na minha frente...abraçar-te
Com jeito...minha boca no teu ouvido…
Mãos nos teus seios, numa carícia suave...
Quero...
Ouvir o vento, a chuva, os ruídos da noite...
Libertar nossas almas e deixá-las correr
Libertar nossas mentes e deixa-las voar
Libertar nossos sonhos de deixa-los viver.
Quero...
Voltar-te para mim, beijar-te na boca
Sentir teus seios em meu peito...
Teu corpo mexendo ajustando-se ao meu
Teus braços puxando, apertando, tocando
Quero...
Quando a madrugada chegar....
Olhar em teus lábios um sorriso
Em teus olhos um brilho cintilante
Na tua voz um obrigado á vida
Quero...
Américo
4 de abril de 2005
VITOR CINTRA * Sensualidade "
SENSUALIDADE
Caiu a noite! E o marulhar das ondas,
Embala em sonhos um amor distante,
Que tu desejas, com ardor e ânsia;
Mas nesse arquejo de paixão, que rondas,
Nem o negrume da saudade errante
Encurta o tempo, longo, da distância.
Sentindo o sonho vir, tornado alento,
Enfeitiçar-te, num desejo atroz,
Agigantado nesse marulhar,
Transpões a noite, pondo o pensamento
Na fantasia, da avidez feroz,
Dum outro amante, que te saiba amar.
Vítor Cintra “ Momentos “
Caiu a noite! E o marulhar das ondas,
Embala em sonhos um amor distante,
Que tu desejas, com ardor e ânsia;
Mas nesse arquejo de paixão, que rondas,
Nem o negrume da saudade errante
Encurta o tempo, longo, da distância.
Sentindo o sonho vir, tornado alento,
Enfeitiçar-te, num desejo atroz,
Agigantado nesse marulhar,
Transpões a noite, pondo o pensamento
Na fantasia, da avidez feroz,
Dum outro amante, que te saiba amar.
Vítor Cintra “ Momentos “
29 de março de 2005
"PERDIDAMENTE" Florbela Espanca
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
19 de março de 2005
10 de março de 2005
EUGÈNIO ANDRADE * As Palavras *
AS PALAVRAS
São como um cristal
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Barcos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são de luz
E são noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
As recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade, Coração do Dia
São como um cristal
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Barcos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são de luz
E são noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
As recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade, Coração do Dia
8 de março de 2005
VITOR CINTRA ****** ELAS *****
ELAS
São elas que nos fazem ficar tontos
Dizendo agora " sim " e logo " não ".
São elas que nos marcam os encontros
E lançam, por capricho, a confusão.
São elas que nos fazem, sem respeito,
Olhinhos, simulando a indiferença.
São elas que procuram, num trejeito,
Mostrar-se, quando impõem a presença.
São elas que provocam, com perícia,
Com arte, com requebros de malícia,
Os sonhos, que se fingem nas novelas.
São elas que se tornam, na essência,
O doce e amargor duma existência
Que não se sentiriam longe delas.
Vitor Cintra " Momentos "
São elas que nos fazem ficar tontos
Dizendo agora " sim " e logo " não ".
São elas que nos marcam os encontros
E lançam, por capricho, a confusão.
São elas que nos fazem, sem respeito,
Olhinhos, simulando a indiferença.
São elas que procuram, num trejeito,
Mostrar-se, quando impõem a presença.
São elas que provocam, com perícia,
Com arte, com requebros de malícia,
Os sonhos, que se fingem nas novelas.
São elas que se tornam, na essência,
O doce e amargor duma existência
Que não se sentiriam longe delas.
Vitor Cintra " Momentos "
3 de março de 2005
Só para Dizer Que te Amo
Só para dizer, que te amo,
Escalo montanhas ...
Para chegar ao topo
do teu coração.
Só para dizer, que te amo,
Percorro com os pés descalços
O rio gelado
que percorre as veias,
E atinge, o teu coração.
Só para dizer te amo
Peço ao sol que brilhe...
Só para ti.
Só para dizer te amo,
Choro a saudade da tua ausência
E peço que voltes depressa,
Sómente para dizer
que....TE AMO!
Isabel Valente
Escalo montanhas ...
Para chegar ao topo
do teu coração.
Só para dizer, que te amo,
Percorro com os pés descalços
O rio gelado
que percorre as veias,
E atinge, o teu coração.
Só para dizer te amo
Peço ao sol que brilhe...
Só para ti.
Só para dizer te amo,
Choro a saudade da tua ausência
E peço que voltes depressa,
Sómente para dizer
que....TE AMO!
Isabel Valente
27 de fevereiro de 2005
Vitor Cintra " SONHO "
SONHO
Chegaste ...
de repente e sem aviso !
O delírio, num sorriso,
chamando.
Corpo e alma e tudo em mim
vibrando,
no vislumbre do ensejo,
numa ânsia, num desejo,
de ti.
Ilusão que me sorri!
Contraste
doutros dias, maus, sem fim.
Vitor Cintra " Momentos "
Chegaste ...
de repente e sem aviso !
O delírio, num sorriso,
chamando.
Corpo e alma e tudo em mim
vibrando,
no vislumbre do ensejo,
numa ânsia, num desejo,
de ti.
Ilusão que me sorri!
Contraste
doutros dias, maus, sem fim.
Vitor Cintra " Momentos "
15 de fevereiro de 2005
Duma amiga que a net me presenteou, aqui fica um poema que amávelmente me enviou.
Um beijo para ti Céu
Saudade
Não posso viver sem ti
Não quero viver sem ti.
Dizem-me que sou forte
Que a vida continua...
Mas eles não sabem
Que nós éramos um,
E se éramos um,
Como separar uma parte?
Não Gi!
Eles não entendem, não sabem,
Porque não se amam como nós.
Eu sei que não queres que eu chore
Não posso suster as lágrimas
Lágrimas de amor, saudade,
Tristeza por não te ter comigo.
Sofro muito e sei que tu não queres.
Mas tu conheces-me,
Tu sabes que não sou tão forte assim.
Como é difícil passar sem as tuas mãos,
O teu carinho,
A tua loucura por mim.
Gi, olha por mim.
Ouve-me, ajuda-me,
Espera-me.
Maria do Céu Câncio
1999.09.25
Um beijo para ti Céu
Saudade
Não posso viver sem ti
Não quero viver sem ti.
Dizem-me que sou forte
Que a vida continua...
Mas eles não sabem
Que nós éramos um,
E se éramos um,
Como separar uma parte?
Não Gi!
Eles não entendem, não sabem,
Porque não se amam como nós.
Eu sei que não queres que eu chore
Não posso suster as lágrimas
Lágrimas de amor, saudade,
Tristeza por não te ter comigo.
Sofro muito e sei que tu não queres.
Mas tu conheces-me,
Tu sabes que não sou tão forte assim.
Como é difícil passar sem as tuas mãos,
O teu carinho,
A tua loucura por mim.
Gi, olha por mim.
Ouve-me, ajuda-me,
Espera-me.
Maria do Céu Câncio
1999.09.25
13 de fevereiro de 2005
Miguel Torga " Súplica "
* SÚPLICA *
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada
Miguel Torga
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada
Miguel Torga
8 de fevereiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO *** Amor Supremo ***
*** AMOR SUPREMO ***
Amei o vento, em doida correria,
Por noites de medonha tempestade …
Amei …Amei a minha mocidade …
Escura noite, em vez de claro dia.
E quis manhãs alegres, radiosas,
Manhãs cheias de sol, cheias de luz;
E amei até a minha própria Cruz,
Feita de dor e lágrimas saudosas!
Amei o mar e a onda enraivecida
Que vai perder a sua própria vida,
Contra o rochedo velho, secular …
Amei enfim, a Natureza inteira …
Mas, das paixões é esta, esta a primeira,
Pois, como a ti, eu nunca soube amar!
José Maria Lopes de Araújo do livro de poemas “ Cinzas Quentes “
Amei o vento, em doida correria,
Por noites de medonha tempestade …
Amei …Amei a minha mocidade …
Escura noite, em vez de claro dia.
E quis manhãs alegres, radiosas,
Manhãs cheias de sol, cheias de luz;
E amei até a minha própria Cruz,
Feita de dor e lágrimas saudosas!
Amei o mar e a onda enraivecida
Que vai perder a sua própria vida,
Contra o rochedo velho, secular …
Amei enfim, a Natureza inteira …
Mas, das paixões é esta, esta a primeira,
Pois, como a ti, eu nunca soube amar!
José Maria Lopes de Araújo do livro de poemas “ Cinzas Quentes “
30 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema ** AMOR **
AMOR
No vasto mar, no céu ou na montanha,
Na serra ou no planalto adormecido,
Eu vejo-o a vaguear tonto e perdido,
O louco amor ….essa figura estranha !
Amor, irmão da noite ….amor tristeza,
Amor escuridão …tédio …pavor …
Nostálgica visão de sonhador …
Amor inquieto e feito de incerteza !
Amor em labareda … Amor em chama…
Amor que aquece a alma regelada …
Que chora e ri, e canta, e geme , e clama
Em vão! … Amor que é tudo ! Amor que é nada ! …
Quando sofro, alivio a minha dor,
Chorando; e quanto é bom chorar assim …
Com lágrimas dizendo, como em mim,
Crepita e arde o fogo dum Amor !
José Maria Lopes de Araújo
do livro de poemas “ Noite de Alma “
No vasto mar, no céu ou na montanha,
Na serra ou no planalto adormecido,
Eu vejo-o a vaguear tonto e perdido,
O louco amor ….essa figura estranha !
Amor, irmão da noite ….amor tristeza,
Amor escuridão …tédio …pavor …
Nostálgica visão de sonhador …
Amor inquieto e feito de incerteza !
Amor em labareda … Amor em chama…
Amor que aquece a alma regelada …
Que chora e ri, e canta, e geme , e clama
Em vão! … Amor que é tudo ! Amor que é nada ! …
Quando sofro, alivio a minha dor,
Chorando; e quanto é bom chorar assim …
Com lágrimas dizendo, como em mim,
Crepita e arde o fogo dum Amor !
José Maria Lopes de Araújo
do livro de poemas “ Noite de Alma “
28 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO poema ** Paisagem **
PAISAGEM
Trinados de passarinhos,
Sombras frescas, perfumadas,
Pastagens, fontes e ninhos
E nascentes encantadas!
Por solitários caminhos,
Em alegres madrugadas,
Trabalhadores e velhinhos
Passam com suas enxadas.
Na aldeia, só finda a vida
Quando o sino duma ermida
Dobrando toca Trindades.
Quando vai o sol morrendo
E vem a noite descendo
Num crescendo de saudades!
José Maria Lopes de Araújo " Noite de Alma "
Trinados de passarinhos,
Sombras frescas, perfumadas,
Pastagens, fontes e ninhos
E nascentes encantadas!
Por solitários caminhos,
Em alegres madrugadas,
Trabalhadores e velhinhos
Passam com suas enxadas.
Na aldeia, só finda a vida
Quando o sino duma ermida
Dobrando toca Trindades.
Quando vai o sol morrendo
E vem a noite descendo
Num crescendo de saudades!
José Maria Lopes de Araújo " Noite de Alma "
25 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO poema " Outono da Vida "
OUTONO DA VIDA
No doloroso rescaldo das labaredas
Que queimaram meus sonhos, minhas esperanças,
Vem a misteriosa voz do longe
Gritar mensagens íntimas, poemas singulares,
Em cantares do meu sentir...
Presidiário do Mar,
Meu desumano carcereiro,
Sentindo-me cada vez mais só,
Abafado no silêncio esmagador
Desta insular solidão,
Da minha amarga dor,
Saí de mim próprio, em louca evasão...
Queria gritar, bem alto,
De modo que todo mundo ouvisse,
O verbo amar ... o verbo amar,
Em noites de luar,
Ou manhãs de frio vendaval.
Que loucura a minha ...
Quero receber as gotas de mágoa
Das horas distantes do meu viver ...
Estou no Outono da vida ...
Quando as folhas ressequidas rodopiam
E a brisa chora como violino gemebundo ! ...
Há palavras que não entendo
Na minha solidão:
O ontem, o hoje, o amanhã
E aquilo que vive, cá dentro,
Cá dentro, no coração ...
O silêncio das coisas,
O sal das lágrimas,
Os sorrisos tristes,
As esperanças diluídas ,
As chuvas, que são tormentos,
Batendo nas janelas,
Caindo dos beirais,
Em dolorosos momentos ! ...
Canto louco ... Canto louco ...
Pensamento ... Pensamento
Aonde vais? ... Aonde vais ?
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro " Outono da Vida "
No doloroso rescaldo das labaredas
Que queimaram meus sonhos, minhas esperanças,
Vem a misteriosa voz do longe
Gritar mensagens íntimas, poemas singulares,
Em cantares do meu sentir...
Presidiário do Mar,
Meu desumano carcereiro,
Sentindo-me cada vez mais só,
Abafado no silêncio esmagador
Desta insular solidão,
Da minha amarga dor,
Saí de mim próprio, em louca evasão...
Queria gritar, bem alto,
De modo que todo mundo ouvisse,
O verbo amar ... o verbo amar,
Em noites de luar,
Ou manhãs de frio vendaval.
Que loucura a minha ...
Quero receber as gotas de mágoa
Das horas distantes do meu viver ...
Estou no Outono da vida ...
Quando as folhas ressequidas rodopiam
E a brisa chora como violino gemebundo ! ...
Há palavras que não entendo
Na minha solidão:
O ontem, o hoje, o amanhã
E aquilo que vive, cá dentro,
Cá dentro, no coração ...
O silêncio das coisas,
O sal das lágrimas,
Os sorrisos tristes,
As esperanças diluídas ,
As chuvas, que são tormentos,
Batendo nas janelas,
Caindo dos beirais,
Em dolorosos momentos ! ...
Canto louco ... Canto louco ...
Pensamento ... Pensamento
Aonde vais? ... Aonde vais ?
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro " Outono da Vida "
24 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO ** Ilha de Santa Maria **
ILHA DE SANTA MARIA
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?!...
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar !
Tenho saudades de ti,
Dos teus vales, dos teus montes ...
Foi por ti que me perdi,
Ouvindo o canto das fontes ...
... E dos grilos, ao luar,
Nas noites quentes de estio,
Da brisa que vem do mar,
No Inverno , cinzento e frio.
Se, na tua soledade,
Te debruças sobre o mar,
Mais cresce em mim a saudade
De te ver e te abraçar ! ...
Ó minha Santa Maria,
Ilha tão abandonada ...
Rainha fizeram-te um dia ...
Hoje, escrava, não tens nada ! ...
Onde estão as velas brancas
Dos teus moinhos de vento,
Que a brisa punha a girar,
Em constante movimento ?
E o moleiro já cansado,
Subindo a colina, tinha
No velho rosto, enrugado,
Sulcos fundos de farinha ! ...
E na tarde, quando o sino
Dobrava, ao longe, Trindades,
Marcava no meu destino,
Um destino de saudades ! ...
Tuas santas tradições,
Em Maio, mês de Maria,
No Terço e nas orações
Que, nas aldeias. de dia,
O povo ia rezando
Mesmo ao sair das igrejas,
Para casa, caminhando ...
Bendita, bendita sejas,
Santa Maria, ilha Santa ...
Que tudo e tudo aceitas,
Mesmo de esperanças perdidas ...
Mesmo de esperanças desfeitas ! ...
Ilha de Santa Maria !
Ó minha terra adoptiva !
Nunca mais te esquecerei,
Por muito e muito que viva.
. . . . . . . . . . . . . . .
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar ! ...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do livro " Remos Partidos " 1983
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?!...
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar !
Tenho saudades de ti,
Dos teus vales, dos teus montes ...
Foi por ti que me perdi,
Ouvindo o canto das fontes ...
... E dos grilos, ao luar,
Nas noites quentes de estio,
Da brisa que vem do mar,
No Inverno , cinzento e frio.
Se, na tua soledade,
Te debruças sobre o mar,
Mais cresce em mim a saudade
De te ver e te abraçar ! ...
Ó minha Santa Maria,
Ilha tão abandonada ...
Rainha fizeram-te um dia ...
Hoje, escrava, não tens nada ! ...
Onde estão as velas brancas
Dos teus moinhos de vento,
Que a brisa punha a girar,
Em constante movimento ?
E o moleiro já cansado,
Subindo a colina, tinha
No velho rosto, enrugado,
Sulcos fundos de farinha ! ...
E na tarde, quando o sino
Dobrava, ao longe, Trindades,
Marcava no meu destino,
Um destino de saudades ! ...
Tuas santas tradições,
Em Maio, mês de Maria,
No Terço e nas orações
Que, nas aldeias. de dia,
O povo ia rezando
Mesmo ao sair das igrejas,
Para casa, caminhando ...
Bendita, bendita sejas,
Santa Maria, ilha Santa ...
Que tudo e tudo aceitas,
Mesmo de esperanças perdidas ...
Mesmo de esperanças desfeitas ! ...
Ilha de Santa Maria !
Ó minha terra adoptiva !
Nunca mais te esquecerei,
Por muito e muito que viva.
. . . . . . . . . . . . . . .
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar ! ...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do livro " Remos Partidos " 1983
23 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO " Tempo...Idade...Distância "
TEMPO….IDADE … . DISTÂNCIA
Tempo? Não! …
Para o amor
O tempo não vale …
O tempo só conta na dor,
O tempo só conta no mal! …
Para amar
O tempo não sabe contar !
Idade? – Não! …
Para amar não há idade …
Nunca envelhece o coração
Que amar ! …
Que o amor não sabe contar ! …
Distância? – Não ! …
Para amar não há distância,
Nem tempo, nem idade …
Que idade, tempo e distância,
Tudo transforma a saudade !
Distância ? – Não ! …
Galga tudo o pensamento;
De tal maneira
Que num momento
Corre o mundo,
E até vive a vida inteira
Num segundo!
Distância? – Não! …
Não há distância para amar,
Que o amor não sabe contar ! …
José Maria Lopes de Araújo " Cinzas Quentes "
22 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Amargo Anseio * do Livro " Noite de Alma " Publicado em 1964
O meu Agradecimento ao filho do Poeta " LOPES DE ARAÚJO ",que amávelmente me ofereceu alguns livros, edições esgotadas, e que reconhecidamente aqui agradeço.
O poema abaixo , foi publicado no seu primeiro livro " NOITE DE ALMA " no ano de 1964.
O Poeta José Maria Lopes de Araújo, completaria no próximo dia 25 de Janeiro o seu 86º. aniversário.
Tratando-se de uma pessoa a quem dedico enorme admiração, tanto como poeta como pela obra feita em vida , em prol dos desfavorecidos meus conterrâneos ,tendo desenvolvido um meritório trabalho na " Sopa do Pobre " ,tal como o efectuado na área da Cultura, da Poesia entre outros.
Foi enorme a sua dedicação a esta ilha à qual dedicou uma importante parte da sua vida tendo-lhe chamado " A MINHA TERRA ADOPTIVA ".
Lembro do excelente Professor que foi.
Na área da cultura, levou à cena algumas importantes peças de Teatro Revista músicado , da quais destaco " ESTÁS-TE CONSOLANDO" por neste ano que decorre, se comemorar o seu 50º aniversário.
Na Estação de Rádio desta Ilha " Clube Asas do Atlântico " local onde colaborei, e onde o Poeta deu o seu valioso contributo, tanto como Administrador bem como animador Cultural nos " Diálogos Radiofónicos ", foram muitas as vezes que me deliciei a ouvir as bobines gravadas com as peças de Teatro Revista representadas na nossa velha casa de Cinema do Aeroporto de S.Maria, bem como o "Teatro Radiofónico " bem ao estilo dos Parodiantes de Lisboa, entre outras variantes.
Espero que a Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, volte de novo a nos presentear agora, altura do aniversário do Poeta, e ao mesmo tempo pela comemoração do 50º. aniversário da Peça de Revista " ESTAS-TE CONSOLANDO " com a emissão radiofónica dessas gravações.
O Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO a tudo se entregou com grande paixão pela minha ilha e pelos Marienses.
Por todos os momentos de prazer que me proporciona ao ler os seus poemas, pelos momentos inesquecíveis que passei ouvindo os seus " Diálogos " e pela saudade que deixou em todos nós ilhéus da ilha de S.Maria- AÇORES , aqui deixarei diáriamente alguns poemas, numa modesta lembrança de aniversário ao Humanista, Poeta , Animador Cultural e Professor JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO.
Fica a saudade e a eterna lembrança.
Isabel
***************************
AMARGO ANSEIO
É meu talvez ... Quem sabe se é o meu,
O amor que tu na terra procuraste?
O sonho doce e lindo que sonhaste,
Na vida que a tua alma não viveu?
Trarei em mim o vento que varreu
As brancas ilusões que alimentaste?
Sei lá ... mulher, se sou quem desejaste...
Quem sabe, amor, quem sabe se sou eu?
Almas irmãs na negra desventura,
Vivendo a mesma noite, longa, escura,
Trilhando a mesma senda de poetas ! ...
Quem olha a nossa dor ? Quem compreende
Este amargor que o mundo não entende,
Constante anseio de intangíveis metas?! ...
José Maria Lopes de Araújo " NOITE DE ALMA "
O poema abaixo , foi publicado no seu primeiro livro " NOITE DE ALMA " no ano de 1964.
O Poeta José Maria Lopes de Araújo, completaria no próximo dia 25 de Janeiro o seu 86º. aniversário.
Tratando-se de uma pessoa a quem dedico enorme admiração, tanto como poeta como pela obra feita em vida , em prol dos desfavorecidos meus conterrâneos ,tendo desenvolvido um meritório trabalho na " Sopa do Pobre " ,tal como o efectuado na área da Cultura, da Poesia entre outros.
Foi enorme a sua dedicação a esta ilha à qual dedicou uma importante parte da sua vida tendo-lhe chamado " A MINHA TERRA ADOPTIVA ".
Lembro do excelente Professor que foi.
Na área da cultura, levou à cena algumas importantes peças de Teatro Revista músicado , da quais destaco " ESTÁS-TE CONSOLANDO" por neste ano que decorre, se comemorar o seu 50º aniversário.
Na Estação de Rádio desta Ilha " Clube Asas do Atlântico " local onde colaborei, e onde o Poeta deu o seu valioso contributo, tanto como Administrador bem como animador Cultural nos " Diálogos Radiofónicos ", foram muitas as vezes que me deliciei a ouvir as bobines gravadas com as peças de Teatro Revista representadas na nossa velha casa de Cinema do Aeroporto de S.Maria, bem como o "Teatro Radiofónico " bem ao estilo dos Parodiantes de Lisboa, entre outras variantes.
Espero que a Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, volte de novo a nos presentear agora, altura do aniversário do Poeta, e ao mesmo tempo pela comemoração do 50º. aniversário da Peça de Revista " ESTAS-TE CONSOLANDO " com a emissão radiofónica dessas gravações.
O Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO a tudo se entregou com grande paixão pela minha ilha e pelos Marienses.
Por todos os momentos de prazer que me proporciona ao ler os seus poemas, pelos momentos inesquecíveis que passei ouvindo os seus " Diálogos " e pela saudade que deixou em todos nós ilhéus da ilha de S.Maria- AÇORES , aqui deixarei diáriamente alguns poemas, numa modesta lembrança de aniversário ao Humanista, Poeta , Animador Cultural e Professor JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO.
Fica a saudade e a eterna lembrança.
Isabel
***************************
AMARGO ANSEIO
É meu talvez ... Quem sabe se é o meu,
O amor que tu na terra procuraste?
O sonho doce e lindo que sonhaste,
Na vida que a tua alma não viveu?
Trarei em mim o vento que varreu
As brancas ilusões que alimentaste?
Sei lá ... mulher, se sou quem desejaste...
Quem sabe, amor, quem sabe se sou eu?
Almas irmãs na negra desventura,
Vivendo a mesma noite, longa, escura,
Trilhando a mesma senda de poetas ! ...
Quem olha a nossa dor ? Quem compreende
Este amargor que o mundo não entende,
Constante anseio de intangíveis metas?! ...
José Maria Lopes de Araújo " NOITE DE ALMA "
14 de janeiro de 2005
JOSÉ RÉGIO " Cântico Negro "
** Cântico Negro **
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
11 de janeiro de 2005
VITOR CINTRA - " Crescer "
CRESCER
Ontem mesmo fui criança;
Fiz a ‘scola,
Joguei bola;
É bem viva esta lembrança.
E, num sonho deslumbrante,
O futuro
Vi seguro,
Quis ser homem, um gigante.
Ao tornar-me adolescente
Tive esp’rança
Na mudança;
Do futuro fiz presente,
Vi a vida muito cedo;
Vivi longe,
Como monge;
Fiz a guerra e tive medo.
Só então fiquei adulto;
Noutro mundo,
Mais fecundo,
Fiz-me um homem, não um vulto.
Vivi sempre a liberdade
Com respeito,
P’lo direito.
Só não tive mocidade.
Vitor Cintra
4 de janeiro de 2005
VITOR CINTRA poema " Dói "
DÓI
Quero-te tanto que dói !
Mas, nesta dor miudinha,
Profunda, doce, daninha,
Há um encanto d’esperança.
Nela tu és, por lembrança
Dos tempos da mocidade,
O mito da f’licidade,
Que o meu desejo destrói.
Por cada mulher que vejo,
Sinto ternura e desejo.
E todas as que conheço
Acho bonitas, confesso.
Mas sinto, porque te quero,
A dor do meu desespero.
Aquelas, com quem cruzei,
Só possui, nunca usei.
Não fiz batota com elas,
Nem fiz promessas balelas.
Dei, nessas posses, carinho.
Não quis vivê-las sózinho.
Mas esta dor, que corrói
A mente, como a vontade,
Resulta da intensidade
Do teu fascínio. Enquanto
Minha alma cede ao encanto,
Meu corpo grita bem alto,
Sentidos em sobressalto:
Quero-te tanto que dói.
Vitor Cintra - “ Contrastes “
Quero-te tanto que dói !
Mas, nesta dor miudinha,
Profunda, doce, daninha,
Há um encanto d’esperança.
Nela tu és, por lembrança
Dos tempos da mocidade,
O mito da f’licidade,
Que o meu desejo destrói.
Por cada mulher que vejo,
Sinto ternura e desejo.
E todas as que conheço
Acho bonitas, confesso.
Mas sinto, porque te quero,
A dor do meu desespero.
Aquelas, com quem cruzei,
Só possui, nunca usei.
Não fiz batota com elas,
Nem fiz promessas balelas.
Dei, nessas posses, carinho.
Não quis vivê-las sózinho.
Mas esta dor, que corrói
A mente, como a vontade,
Resulta da intensidade
Do teu fascínio. Enquanto
Minha alma cede ao encanto,
Meu corpo grita bem alto,
Sentidos em sobressalto:
Quero-te tanto que dói.
Vitor Cintra - “ Contrastes “
4 de dezembro de 2004
Américo poema " Palavras Para Quê? "
PALAVRAS PARA QUÊ?
Palavras para quê, se os olhos as dizem fechados?
Palavras para quê, se os lábios as dizem calados..?
Palavras para quê, se as mãos as dizem quietas....?
Num encontro gostoso, sem pensar demasiado,
Numa loucura expontânea, que surge inesperada,
Como uma chama que alastra na erva ressequida,
Na roupa que cai no chão, no corpo que fica a ver-se.
Num momento...num gesto, um abraço...um beijo de pé,
Uma cama que espera,um abraço mais forte....um suspiro,
Dois corpos que se juntam.... eterno ritual de prazer e paixão
Num gemido suave... mais outro e muitos mais...
Na procura do que somos, de onde viemos, para onde vamos
Nos olhos abertos, nos lábios a falar,no toque das mãos...
Num obrigado na voz, no brilho silencioso dos olhos incrédulos
Num espaço solitário,no tempo que acabou sem começar
Nma viagem fascinante, numa miragem exótica...
Da vida,do agora,do tempo que passou e se esfumou
Do amanhã que queremos viver hoje,enquanto sentimos
No calor da chama que consome a erva ressequida...
Do sangue correndo nas veias,do sonho a fervilhar na mente
Do horizonte correndo vertiginoso ao nosso encontro.
Palavras para quê se os olhos as dizem fechados?
Palavras para quê se os lábios as dizem calados...?
Palavras para quê se as mãos as dizem quietas......?
...
Américo , 28 de Julho 2004
Palavras para quê, se os olhos as dizem fechados?
Palavras para quê, se os lábios as dizem calados..?
Palavras para quê, se as mãos as dizem quietas....?
Num encontro gostoso, sem pensar demasiado,
Numa loucura expontânea, que surge inesperada,
Como uma chama que alastra na erva ressequida,
Na roupa que cai no chão, no corpo que fica a ver-se.
Num momento...num gesto, um abraço...um beijo de pé,
Uma cama que espera,um abraço mais forte....um suspiro,
Dois corpos que se juntam.... eterno ritual de prazer e paixão
Num gemido suave... mais outro e muitos mais...
Na procura do que somos, de onde viemos, para onde vamos
Nos olhos abertos, nos lábios a falar,no toque das mãos...
Num obrigado na voz, no brilho silencioso dos olhos incrédulos
Num espaço solitário,no tempo que acabou sem começar
Nma viagem fascinante, numa miragem exótica...
Da vida,do agora,do tempo que passou e se esfumou
Do amanhã que queremos viver hoje,enquanto sentimos
No calor da chama que consome a erva ressequida...
Do sangue correndo nas veias,do sonho a fervilhar na mente
Do horizonte correndo vertiginoso ao nosso encontro.
Palavras para quê se os olhos as dizem fechados?
Palavras para quê se os lábios as dizem calados...?
Palavras para quê se as mãos as dizem quietas......?
...
Américo , 28 de Julho 2004
2 de dezembro de 2004
Cecci ** Anjo **
Tarde, bem tarde, noite bem alta
E eu estou ainda pensando em você...
Dorme meu anjinho, dorme assim tão linda
Que o dia não tarde a chegar.
Durma que eu estou perto,
Mesmo estando longe
O meu coração e minha alma também
Sempre ao seu lado estão....Meu bem...
Cecci
E eu estou ainda pensando em você...
Dorme meu anjinho, dorme assim tão linda
Que o dia não tarde a chegar.
Durma que eu estou perto,
Mesmo estando longe
O meu coração e minha alma também
Sempre ao seu lado estão....Meu bem...
Cecci
25 de novembro de 2004
Primeiro Encontro
“ A vida é de facto feita de momentos, que a marcam e a definem que a temperam e agitam, que lhe dão cor e direcção” .
Esperava, de pé, na calçada do passeio, na beira da marginal, duma cidade à beira mar.
Nas suas costas o oceano, na sua frente um estádio de futebol.
Esperava por alguém que havia conhecido na net...
Um encontro igual a muitos outros milhões que diáriamente acontecem por esse mundo, das mais variadas formas, envolvendo pessoas tão diferentes e tão diversas que jamais aconteceriam duma forma convencional.
Era alta, esbelta, cabelo curto alourado de menina de colégio dos anos 60...ou 70, camisola de gola alta branca, com um casaco de cabedal por cima...calças de lycra azuis.
Foi ali que os nossos olhares se cruzaram pela primeira vez.
Atravessou decidida a estrada ao meu encontro.
Trazia nos olhos um brilhozinho estranho, no rosto um sorriso aberto e trocista a que a covinha na face dava relevo.
Na voz clara e bem timbrada, um nervosismo dissimulado na saudação "Olá ...".
No andar, um ar lascivo de fêmea envolto na inocência maravilhosa de menina.
Ela é isto mesmo, no carácter, na forma de sentir a vida, na forma de a analisar, na forma de a viver.
É uma mulher vibrante. É uma menina inocente.
Saí do carro ao seu encontro... o nosso primeiro contacto aconteceu ali mesmo, de pé, encostados à porta do carro.
Um aperto de mão, a dela tremia ligeiramente, a minha não sei...um beijo na face.
Saíram palavras nervosas, momentâneas, pela necessidade nata de falar, de dar som ao encontro.
Acho que estávamos ambos nervosos e ambos também tentando mostrar a maior naturalidade do mundo.
Eu já havia conhecido outras mulheres da net... encontros formais, daqueles que a gente sabe no primeiro instante que será o primeiro e o último, que só se alongam um pouco por delicadeza.
Neste caso a sensação, o impacto, foi outro, acho que ambos tivemos a sensação e a certeza que seria o primeiro entre muitos ao longo do tempo.
Deu a volta ao carro e entrou. Sentou-se e olhou-me séria.
Não entendi o olhar e pensei que estivesse a estudar-me, a pensar se teria ou não feito mal ao entrar no carro.
Parecia tranquila ao mesmo tempo,como se já me conhecesse há muito tempo.
Eu tinha nas minhas mãos uma flor em cristal que lhe havia trazido. Desembrulhei nervoso e dei-lha.
Pegou-lhe com as mãos, dedos longos e finos de mulher e olhou-a muito séria e o brilhozinho nos olhos acentuou-se.
Levantou os olhos para mim, parecia emocionada, mas pensei que esse olhar poderia igualmente ser de desilusão.
Disse-me: - “É linda ...sabes, o ramo de flores do meu casamento era de tulipas”.
Soube nesse momento que aquela flor feita em cristal era uma tulipa, vermelha.
Não percebia muito de flores, dos seus nomes. Só sabia do cheiro delas e de cores.
Gostei de ouvir aquilo, mas pensei igualmente que poderia estar a tentar ser delicada.
Ficámos calados e sérios por momentos e um beijo rolou...na boca...em silêncio, cuidadoso, delicado, nervoso.
Na rua, na frente do carro, uma senhora fina com um cão pela trela "copiava " a cena com um ar severo de reprovação, ou inveja.
Deixou-me intranquilo e tenso. Falámos, dizendo nada. Acho que esperando que o raio da mulher saísse dali...mas ela não saía.
Ficámos algum tempo, esperando não sei o quê; talvez que a mulher saísse, o que ela não fez.
Decidimos finalmente sair dali. O hotel não era alternativa por razões óbvias. Fomos embora sem destino nem direcção até que apareceu um parque de estacionamento onde entramos.
Comprei o bilhete ao que ela se opôs, achava que não era necessário.
Entrámos no parque. Paramos na sombra dum enorme paredão. Olhamos, não havia ninguém por ali. Aproveitamos e beijamo-nos de novo. Desta vez um beijo mais longo, descontraído, intenso.
Minhas mãos mexeram, no corpo, na pele, nos seios por cima da roupa. Tiraram a medida e gostaram. O prazer do toque excitou-me. Não aquela excitação primária do macho conquistando a fêmea, mas aquele tipo de sensação que funciona no corpo, na mente, na alma, como uma onda de ar morno num dia frio de inverno.
Não como se estivesse a explorar, mas sim como se estivesse a levar ao íntimo desta mulher um pouco do meu íntimo. Não como se estivesse a roubar, mas sim como se estivesse a oferecer.
Intímamente comecei a ficar tranquilo, deslumbrado, estupefacto com a entrega incondicional desta mulher que mal me conhecia.
Não entendia muito bem a situação nem fiz grande esforço para a entender.
Estava bem, feliz, tranquilo e sentia-a na mesma situação.
Minhas mãos ficaram mais ousadas, atrevidas, possessivas.
Procuraram a pele por debaixo da roupa.
Era lisa, macia, suave, quente.
Subiram.
Encontraram os seio, duros, belos. Nem grandes nem pequenos.
A minha medida. Das minhas mãos, do meu cérebro, do meu sonho.
Resistiu muito pouco ou nada.
Seu corpo respondeu ao meu toque. Deixou-se " banhar "pela onda que a arrastava para a profundeza do sentir, do gostar, da felicidade, da vida.
Ficámos ali algum tempo... saboreando o gosto da pele, o prazer da vida como ela se projecta na nossa frente.
Saímos do carro encostados. Perguntei-lhe o que procurava da vida, o que queria dela.
A resposta chegou depois de pensar um pouco..."Viver...sómente viver"...Entendi muito bem o desejo implícito na resposta: de ter acesso ao que nunca tivera, de procurar viver o que nunca vivera...de procurar sentir...o que nunca sentira.Saimos dali sem destino nem direcção,por entre carros que regressavam a casa,ao encontro da noite que corria vertiginosamente ao nosso encontro,brincando,falando,mexendo,quando o trânsito ficava retido,até que chegamos a outra praia já noite.
...E vivemos,sentimos tivemos acesso a tudo isso nas traseiras dum quiosque à beira mar, na noite escura e ventosa...na mesa dum restaurante junto a uma lareira apagada numa conversa amena e calma... na noite de chuva miudinha...no quarto do hotel onde a menina foi mulher e a mulher foi menina.
Deixei-a sózinha nessa noite e hoje sei, que quando a deixei ela já era uma pessoa importantíssima na minha vida...o principio do hoje havia começado nessas horas em que estivemos juntos e marcaram definitivamente o curso de nossas vidas.
Foi um momento,daqueles ficam na mente,na alma,na pele,para sempre. Foi um entre muitos que aconteceram ao longo dum ano, porventura mais intensos, porventura mais angustiados, porventura mais dramáticos.
Vivi...vivemos...pedaços de vida,pedaços de tempo,que decerto marcaram uma imagem que ficou como referência,pelo menos numa caminhada... Na Minha.
Aventura? Leviandade? Insensatez? Loucura?...não sei. Mas vida, sei que foi.Certamente...no mais alto nivel fisico,emocional,espiritual...
Autor Anónimo
Esperava, de pé, na calçada do passeio, na beira da marginal, duma cidade à beira mar.
Nas suas costas o oceano, na sua frente um estádio de futebol.
Esperava por alguém que havia conhecido na net...
Um encontro igual a muitos outros milhões que diáriamente acontecem por esse mundo, das mais variadas formas, envolvendo pessoas tão diferentes e tão diversas que jamais aconteceriam duma forma convencional.
Era alta, esbelta, cabelo curto alourado de menina de colégio dos anos 60...ou 70, camisola de gola alta branca, com um casaco de cabedal por cima...calças de lycra azuis.
Foi ali que os nossos olhares se cruzaram pela primeira vez.
Atravessou decidida a estrada ao meu encontro.
Trazia nos olhos um brilhozinho estranho, no rosto um sorriso aberto e trocista a que a covinha na face dava relevo.
Na voz clara e bem timbrada, um nervosismo dissimulado na saudação "Olá ...".
No andar, um ar lascivo de fêmea envolto na inocência maravilhosa de menina.
Ela é isto mesmo, no carácter, na forma de sentir a vida, na forma de a analisar, na forma de a viver.
É uma mulher vibrante. É uma menina inocente.
Saí do carro ao seu encontro... o nosso primeiro contacto aconteceu ali mesmo, de pé, encostados à porta do carro.
Um aperto de mão, a dela tremia ligeiramente, a minha não sei...um beijo na face.
Saíram palavras nervosas, momentâneas, pela necessidade nata de falar, de dar som ao encontro.
Acho que estávamos ambos nervosos e ambos também tentando mostrar a maior naturalidade do mundo.
Eu já havia conhecido outras mulheres da net... encontros formais, daqueles que a gente sabe no primeiro instante que será o primeiro e o último, que só se alongam um pouco por delicadeza.
Neste caso a sensação, o impacto, foi outro, acho que ambos tivemos a sensação e a certeza que seria o primeiro entre muitos ao longo do tempo.
Deu a volta ao carro e entrou. Sentou-se e olhou-me séria.
Não entendi o olhar e pensei que estivesse a estudar-me, a pensar se teria ou não feito mal ao entrar no carro.
Parecia tranquila ao mesmo tempo,como se já me conhecesse há muito tempo.
Eu tinha nas minhas mãos uma flor em cristal que lhe havia trazido. Desembrulhei nervoso e dei-lha.
Pegou-lhe com as mãos, dedos longos e finos de mulher e olhou-a muito séria e o brilhozinho nos olhos acentuou-se.
Levantou os olhos para mim, parecia emocionada, mas pensei que esse olhar poderia igualmente ser de desilusão.
Disse-me: - “É linda ...sabes, o ramo de flores do meu casamento era de tulipas”.
Soube nesse momento que aquela flor feita em cristal era uma tulipa, vermelha.
Não percebia muito de flores, dos seus nomes. Só sabia do cheiro delas e de cores.
Gostei de ouvir aquilo, mas pensei igualmente que poderia estar a tentar ser delicada.
Ficámos calados e sérios por momentos e um beijo rolou...na boca...em silêncio, cuidadoso, delicado, nervoso.
Na rua, na frente do carro, uma senhora fina com um cão pela trela "copiava " a cena com um ar severo de reprovação, ou inveja.
Deixou-me intranquilo e tenso. Falámos, dizendo nada. Acho que esperando que o raio da mulher saísse dali...mas ela não saía.
Ficámos algum tempo, esperando não sei o quê; talvez que a mulher saísse, o que ela não fez.
Decidimos finalmente sair dali. O hotel não era alternativa por razões óbvias. Fomos embora sem destino nem direcção até que apareceu um parque de estacionamento onde entramos.
Comprei o bilhete ao que ela se opôs, achava que não era necessário.
Entrámos no parque. Paramos na sombra dum enorme paredão. Olhamos, não havia ninguém por ali. Aproveitamos e beijamo-nos de novo. Desta vez um beijo mais longo, descontraído, intenso.
Minhas mãos mexeram, no corpo, na pele, nos seios por cima da roupa. Tiraram a medida e gostaram. O prazer do toque excitou-me. Não aquela excitação primária do macho conquistando a fêmea, mas aquele tipo de sensação que funciona no corpo, na mente, na alma, como uma onda de ar morno num dia frio de inverno.
Não como se estivesse a explorar, mas sim como se estivesse a levar ao íntimo desta mulher um pouco do meu íntimo. Não como se estivesse a roubar, mas sim como se estivesse a oferecer.
Intímamente comecei a ficar tranquilo, deslumbrado, estupefacto com a entrega incondicional desta mulher que mal me conhecia.
Não entendia muito bem a situação nem fiz grande esforço para a entender.
Estava bem, feliz, tranquilo e sentia-a na mesma situação.
Minhas mãos ficaram mais ousadas, atrevidas, possessivas.
Procuraram a pele por debaixo da roupa.
Era lisa, macia, suave, quente.
Subiram.
Encontraram os seio, duros, belos. Nem grandes nem pequenos.
A minha medida. Das minhas mãos, do meu cérebro, do meu sonho.
Resistiu muito pouco ou nada.
Seu corpo respondeu ao meu toque. Deixou-se " banhar "pela onda que a arrastava para a profundeza do sentir, do gostar, da felicidade, da vida.
Ficámos ali algum tempo... saboreando o gosto da pele, o prazer da vida como ela se projecta na nossa frente.
Saímos do carro encostados. Perguntei-lhe o que procurava da vida, o que queria dela.
A resposta chegou depois de pensar um pouco..."Viver...sómente viver"...Entendi muito bem o desejo implícito na resposta: de ter acesso ao que nunca tivera, de procurar viver o que nunca vivera...de procurar sentir...o que nunca sentira.Saimos dali sem destino nem direcção,por entre carros que regressavam a casa,ao encontro da noite que corria vertiginosamente ao nosso encontro,brincando,falando,mexendo,quando o trânsito ficava retido,até que chegamos a outra praia já noite.
...E vivemos,sentimos tivemos acesso a tudo isso nas traseiras dum quiosque à beira mar, na noite escura e ventosa...na mesa dum restaurante junto a uma lareira apagada numa conversa amena e calma... na noite de chuva miudinha...no quarto do hotel onde a menina foi mulher e a mulher foi menina.
Deixei-a sózinha nessa noite e hoje sei, que quando a deixei ela já era uma pessoa importantíssima na minha vida...o principio do hoje havia começado nessas horas em que estivemos juntos e marcaram definitivamente o curso de nossas vidas.
Foi um momento,daqueles ficam na mente,na alma,na pele,para sempre. Foi um entre muitos que aconteceram ao longo dum ano, porventura mais intensos, porventura mais angustiados, porventura mais dramáticos.
Vivi...vivemos...pedaços de vida,pedaços de tempo,que decerto marcaram uma imagem que ficou como referência,pelo menos numa caminhada... Na Minha.
Aventura? Leviandade? Insensatez? Loucura?...não sei. Mas vida, sei que foi.Certamente...no mais alto nivel fisico,emocional,espiritual...
Autor Anónimo
24 de novembro de 2004
Antoine de Saint Exupéry
Cada um que passa em nossa vida passa sózinho...
Porque cada pessoa é única para nós,
e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida passa sózinho,
mas não vai só...
Levam um pouco de nós mesmos
e nos deixam um pouco de si mesmos.
Há os que levam muito,
mas não há os que não levam nada.
Há os que deixam muito,
mas não há os que não deixam nada.
Esta é a mais bela realidade da vida...
A prova tremenda de que cada um é importante
e que ninguém se aproxima do outro por acaso...
Saint Exupery
Porque cada pessoa é única para nós,
e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida passa sózinho,
mas não vai só...
Levam um pouco de nós mesmos
e nos deixam um pouco de si mesmos.
Há os que levam muito,
mas não há os que não levam nada.
Há os que deixam muito,
mas não há os que não deixam nada.
Esta é a mais bela realidade da vida...
A prova tremenda de que cada um é importante
e que ninguém se aproxima do outro por acaso...
Saint Exupery
20 de novembro de 2004
Fernando Pessoa " Liberdade "
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
12 de novembro de 2004
Florbela Espanca " O Meu Desejo "
O MEU DESEJO
Vejo-te só a ti no azul dos céus,
Olhando a nuvem de oiro que flutua...
Ó minha perfeição que criou Deus
E que num dia lindo me fez sua!
Nos vultos que diviso pela rua,
Que cruzam os seus passos com os meus...
Minha boca tem fome só da tua!
Meus olhos têm sede só dos teus!
Sombra da tua sombra, doce e calma,
Sou a grande quimera da tua alma
E, sem viver, ando a viver contigo...
Deixa-me andar assim no teu caminho
Por toda a vida, amor, devagarinho,
Até a Morte me levar consigo.
Vejo-te só a ti no azul dos céus,
Olhando a nuvem de oiro que flutua...
Ó minha perfeição que criou Deus
E que num dia lindo me fez sua!
Nos vultos que diviso pela rua,
Que cruzam os seus passos com os meus...
Minha boca tem fome só da tua!
Meus olhos têm sede só dos teus!
Sombra da tua sombra, doce e calma,
Sou a grande quimera da tua alma
E, sem viver, ando a viver contigo...
Deixa-me andar assim no teu caminho
Por toda a vida, amor, devagarinho,
Até a Morte me levar consigo.
27 de outubro de 2004
AMÉRICO " O Homem Idoso " Relato duma vivência
Estava sentado em frente da casa, nos degraus de madeira da escada antiga.
Era idoso,entre os 70 e 80 anos , e tinha o olhar fixo num ponto qualquer da rua em frente, com árvores enormes, rigorosamente alinhadas de ambos os lados.
Já caiam algumas folhas amareladas pelo frio da noite que, as começara a arrancar do verde abundante , que ainda tingia as que resistiam aos ares frios que a noite trazia, já anunciando o Inverno.
Era Setembro,o outono chegara.
O sol descia devagar, embora quente, já não tinha a intensidade das semanas anteriores.
Não havia carros na rua , e o olhar triste do homem idoso lá continuava parado,absorto nos seus pensamentos,nas suas recordacões , decerto do tempo que passara tão depressa,nas mudanças que aconteciam tão inesperadas e imprevistas.
A boina não cobria totalmente os cabelos brancos e curtos , nem a face magra marcada pela vida óbviamente de camponês.
Mãos calejadas e braços secos do duro trabalho do campo.
O seu aspecto, embora sombrio era benevolente,embora triste era gentil,embora parado era nobre.
Via-o ali com frequência e nem sabia se seria ou não português, mas o aspecto não enganava,como não enganavam as roupas,como não enganava a boina.
Decidi falar-lhe naquela tarde.
Parei em frente da porta da cerca de madeira, que circundava o espaço, onde a relva verde crescia. Estava cortada e limpa entre as escadas onde o homem se sentava e o passeio de cimento do outro lado da cerca .
"Boa tarde senhor", disse-lhe;
O levantar do rosto quase antes de acabar a frase, refletiu um brilho repentino, que num instante deu vida aos olhos.
Um sorriso cansado que naquele momento , alegrou seu rosto de sulcos profundos, que marcavam a passagem inexorável do tempo, tornavam desnecessária a pergunta que iria seguir-se, mas que, mesmo assim perguntei:
- O senhor é português ?
Respondeu afirmativamente, e na sua voz notava-se a alegria de ter alguém com quem falar,de preencher a tarde vazia e interminável e FALAR. Arrancar a mordaça que a vida lhe implantara,ainda que por instantes.
Perguntei se estava bem,se gostava de estar ali,se gostava do Canadá.
Disse que sim,que estava bem,o problema era estar só,seu filho e nora estavam no trabalho, seus netos na escola e ele ali , estava sózinho, sem nada que fazer o dia inteiro,sem ter com quem falar,todos os vizinhos falavam outras linguas.
Tive pena do homem e decidi ficar a fazer-lhe companhia e a conversar da vida, da sua,e sentir ao mesmo tempo , o drama de quem é arrancado ás suas raizes já na curva descendente da vida,quando a esperança de construir mais coisas já não existe,quando o sentimento de sentir o mundo a girar em seu redor já se perdeu,quando o fim já se torna bem visivel no horizonte e não há forma possivel de o trasnformar ou alterar a sua direcção.
Perguntei-lhe se se lembrava da terra, se ainda lá tinha família ou amigos,se pensava voltar...que tinha deixado na sua aldeia que mais se lembrava.
Respondeu que família nao tinha, sua companheira já partira havia 4 anos,seus amigos quase todos também ... mas que gostaria de voltar, tinha umas saudades imensas de sua horta...e ao falar na horta, os seus olhos brilharam mais,com uma lágrima que se soltou enquanto a voz ficou por momentos presa em palavras que não saíam.
Ficou calado por momentos,vergado pelo peso da emoção que não conseguia esconder,pela lágrima que teimava em não sumir de seus olhos.
Senti seu drama com ele , naquela lágrima furtiva,naquele olhar iluminado pela lembrança , mas ao mesmo tempo toldado pela saudade da terra, sua companheira e sua mãe, seu mundo e sua missão, sua raiz e sua referência.
Disse-me que tinha a horta mais bem cuidada das redondezas, nem uma erva,nem uma pedra se via na terra sempre limpa. Laranjeiras e pessegueiros, pereiras e macieiras sempre davam os melhores frutos de entre todas as da redondeza.
Falava entusiasmado do milho e do feijão,do tomate e das couves, como se cada palavra que dizia fosse mais uma semente que plantasse,mais uma alface que colhesse.Vivia as palavras,alternando nelas a alegria e a tristeza que a lembranças traziam em cada frase e em cada gesto que fazia.
Falou...falou...soltou na minha presençaa os seus pensamentos acumulados,as suas angústias e desejos,as suas lembranças e pesadelos.
Falou-me horrorizado do mato e das silvas que decerto já tomaram conta da terra, da horta sempre tão bem cuidada,do poço que também devia estar cheio de silvas,das árvores que se calhar nunca mais haviam sido podadas e cavadas.
Havia amargura e desespero na sua voz,carinho e inquietação , como se a horta fosse seu ente mais querido neste mundo.
Fiquei a olhar,a escutar, e a sentir o drama deste homem simples que se contentava com tão pouco na vida.Senti a sua tristeza mas também a sua energia.
Fiquei fascinado e maravilhado pela imagem deste homem , que em plena sociedade de consumo,de conforto e de vida fácil,continuava fiel e inalterado na sua essência e nas suas referências.
Também minha voz ficou presa na garganta...em palavras de conforto que nunca dariam a este homem o conforto que precisava...
Vislumbrei também com clareza um drama e um dilema, que todos os dias se repete por quem um dia partiu carregado de sonhos, mas sem a noção do impacto que esse passo viria a ter um dia na sua vida e caminhada e na dos outros à sua volta, do efeito e das consequências.Um drama que todos os dias se repete em todo o mundo, num movimento constante de massas , quantas vezes trágicamente e desumanamente exploradas, e fiquei feliz porque pelo menos isso o homem não sofria.Tinha conforto e carinho,atenção e respeito. Era tratado com dignidade e o cuidado que merecia,situação que nem sempre se verifica nas famílias emigrantes que trazem seus pais para junto de si.Nem todos nós portugueses cuidamos de nossos familiares como devemos...muitos deles são mal cuidados e desprezados em Portugal e nas comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo.
Fiquei , não sei quanto tempo, e quando fui embora o senhor ainda tinha coisas por dizer,experiências para dividir. Pediu-me para voltar e conversar com ele. Pediu também desculpa se tinha sido massador.
Respondi que não...que tive imenso prazer em estar ali com ele, e prometi que voltaria.
O Inverno entretanto chegou,a relva ficou coberta de neve branca, e as escadas sempre vazias quando eu lá passava.
Não vi mais o homem idoso...a árvore secando lentamente fora do seu habitat, mas a imagem ficou nas palavras,no olhar,na descrição carinhosa e intensa da sua HORTA.
Ficou também na minha mente e consciência , mais um momento da vida de alguém,que eu adoptei também e transformei num momento meu, numa imagem que decerto não quero viver.
Nao vi mais o homem idoso,mas não o ter visto nada muda, continuam a existir por esse mundo milhares de portugueses idosos, sentados em escadas olhando a vida passar,caindo lentamente sem esperançaa de voltar um dia à terra que os viu nascer.
Triste...a face oculta do emigrante de vivendas bonitas,de carros novos, de grandeza vazia.
Triste, mas real e autêntico,neste mundo de dramas escondidos,de imagens falsas,de realidades perturbadoras, que raramente vêm à superficie.
Não perguntei o nome do senhor...nem precisei...!
Seu nome é decerto o meu... o teu ...o nosso!
AMÉRICO
Era idoso,entre os 70 e 80 anos , e tinha o olhar fixo num ponto qualquer da rua em frente, com árvores enormes, rigorosamente alinhadas de ambos os lados.
Já caiam algumas folhas amareladas pelo frio da noite que, as começara a arrancar do verde abundante , que ainda tingia as que resistiam aos ares frios que a noite trazia, já anunciando o Inverno.
Era Setembro,o outono chegara.
O sol descia devagar, embora quente, já não tinha a intensidade das semanas anteriores.
Não havia carros na rua , e o olhar triste do homem idoso lá continuava parado,absorto nos seus pensamentos,nas suas recordacões , decerto do tempo que passara tão depressa,nas mudanças que aconteciam tão inesperadas e imprevistas.
A boina não cobria totalmente os cabelos brancos e curtos , nem a face magra marcada pela vida óbviamente de camponês.
Mãos calejadas e braços secos do duro trabalho do campo.
O seu aspecto, embora sombrio era benevolente,embora triste era gentil,embora parado era nobre.
Via-o ali com frequência e nem sabia se seria ou não português, mas o aspecto não enganava,como não enganavam as roupas,como não enganava a boina.
Decidi falar-lhe naquela tarde.
Parei em frente da porta da cerca de madeira, que circundava o espaço, onde a relva verde crescia. Estava cortada e limpa entre as escadas onde o homem se sentava e o passeio de cimento do outro lado da cerca .
"Boa tarde senhor", disse-lhe;
O levantar do rosto quase antes de acabar a frase, refletiu um brilho repentino, que num instante deu vida aos olhos.
Um sorriso cansado que naquele momento , alegrou seu rosto de sulcos profundos, que marcavam a passagem inexorável do tempo, tornavam desnecessária a pergunta que iria seguir-se, mas que, mesmo assim perguntei:
- O senhor é português ?
Respondeu afirmativamente, e na sua voz notava-se a alegria de ter alguém com quem falar,de preencher a tarde vazia e interminável e FALAR. Arrancar a mordaça que a vida lhe implantara,ainda que por instantes.
Perguntei se estava bem,se gostava de estar ali,se gostava do Canadá.
Disse que sim,que estava bem,o problema era estar só,seu filho e nora estavam no trabalho, seus netos na escola e ele ali , estava sózinho, sem nada que fazer o dia inteiro,sem ter com quem falar,todos os vizinhos falavam outras linguas.
Tive pena do homem e decidi ficar a fazer-lhe companhia e a conversar da vida, da sua,e sentir ao mesmo tempo , o drama de quem é arrancado ás suas raizes já na curva descendente da vida,quando a esperança de construir mais coisas já não existe,quando o sentimento de sentir o mundo a girar em seu redor já se perdeu,quando o fim já se torna bem visivel no horizonte e não há forma possivel de o trasnformar ou alterar a sua direcção.
Perguntei-lhe se se lembrava da terra, se ainda lá tinha família ou amigos,se pensava voltar...que tinha deixado na sua aldeia que mais se lembrava.
Respondeu que família nao tinha, sua companheira já partira havia 4 anos,seus amigos quase todos também ... mas que gostaria de voltar, tinha umas saudades imensas de sua horta...e ao falar na horta, os seus olhos brilharam mais,com uma lágrima que se soltou enquanto a voz ficou por momentos presa em palavras que não saíam.
Ficou calado por momentos,vergado pelo peso da emoção que não conseguia esconder,pela lágrima que teimava em não sumir de seus olhos.
Senti seu drama com ele , naquela lágrima furtiva,naquele olhar iluminado pela lembrança , mas ao mesmo tempo toldado pela saudade da terra, sua companheira e sua mãe, seu mundo e sua missão, sua raiz e sua referência.
Disse-me que tinha a horta mais bem cuidada das redondezas, nem uma erva,nem uma pedra se via na terra sempre limpa. Laranjeiras e pessegueiros, pereiras e macieiras sempre davam os melhores frutos de entre todas as da redondeza.
Falava entusiasmado do milho e do feijão,do tomate e das couves, como se cada palavra que dizia fosse mais uma semente que plantasse,mais uma alface que colhesse.Vivia as palavras,alternando nelas a alegria e a tristeza que a lembranças traziam em cada frase e em cada gesto que fazia.
Falou...falou...soltou na minha presençaa os seus pensamentos acumulados,as suas angústias e desejos,as suas lembranças e pesadelos.
Falou-me horrorizado do mato e das silvas que decerto já tomaram conta da terra, da horta sempre tão bem cuidada,do poço que também devia estar cheio de silvas,das árvores que se calhar nunca mais haviam sido podadas e cavadas.
Havia amargura e desespero na sua voz,carinho e inquietação , como se a horta fosse seu ente mais querido neste mundo.
Fiquei a olhar,a escutar, e a sentir o drama deste homem simples que se contentava com tão pouco na vida.Senti a sua tristeza mas também a sua energia.
Fiquei fascinado e maravilhado pela imagem deste homem , que em plena sociedade de consumo,de conforto e de vida fácil,continuava fiel e inalterado na sua essência e nas suas referências.
Também minha voz ficou presa na garganta...em palavras de conforto que nunca dariam a este homem o conforto que precisava...
Vislumbrei também com clareza um drama e um dilema, que todos os dias se repete por quem um dia partiu carregado de sonhos, mas sem a noção do impacto que esse passo viria a ter um dia na sua vida e caminhada e na dos outros à sua volta, do efeito e das consequências.Um drama que todos os dias se repete em todo o mundo, num movimento constante de massas , quantas vezes trágicamente e desumanamente exploradas, e fiquei feliz porque pelo menos isso o homem não sofria.Tinha conforto e carinho,atenção e respeito. Era tratado com dignidade e o cuidado que merecia,situação que nem sempre se verifica nas famílias emigrantes que trazem seus pais para junto de si.Nem todos nós portugueses cuidamos de nossos familiares como devemos...muitos deles são mal cuidados e desprezados em Portugal e nas comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo.
Fiquei , não sei quanto tempo, e quando fui embora o senhor ainda tinha coisas por dizer,experiências para dividir. Pediu-me para voltar e conversar com ele. Pediu também desculpa se tinha sido massador.
Respondi que não...que tive imenso prazer em estar ali com ele, e prometi que voltaria.
O Inverno entretanto chegou,a relva ficou coberta de neve branca, e as escadas sempre vazias quando eu lá passava.
Não vi mais o homem idoso...a árvore secando lentamente fora do seu habitat, mas a imagem ficou nas palavras,no olhar,na descrição carinhosa e intensa da sua HORTA.
Ficou também na minha mente e consciência , mais um momento da vida de alguém,que eu adoptei também e transformei num momento meu, numa imagem que decerto não quero viver.
Nao vi mais o homem idoso,mas não o ter visto nada muda, continuam a existir por esse mundo milhares de portugueses idosos, sentados em escadas olhando a vida passar,caindo lentamente sem esperançaa de voltar um dia à terra que os viu nascer.
Triste...a face oculta do emigrante de vivendas bonitas,de carros novos, de grandeza vazia.
Triste, mas real e autêntico,neste mundo de dramas escondidos,de imagens falsas,de realidades perturbadoras, que raramente vêm à superficie.
Não perguntei o nome do senhor...nem precisei...!
Seu nome é decerto o meu... o teu ...o nosso!
AMÉRICO
24 de outubro de 2004
* AMOR PLATÓNICO * Legião Urbana
AMOR PLATÓNICO
Eu sou apenas alguém
ou até mesmo ninguém
talvez alguém invisível
que a admira a distância
sem a menor esperança
de um dia tornar-me visível
e você?
Você é o motivo
do meu amanhecer
e a minha angustia
ao anoitecer
você é o brinquedo caro
e eu a criança pobre
o menino solitário que quer ter o que não pode
dono de um amor sublime
mas culpado por quere-la
como quem a olha na vitrine
mas jamais poderá te-la
eu sei de todas as suas tristezas
e alegrias
mas você nada sabe
nem da minha fraqueza
nem da minha covardia
nem sequer que eu existo
é como um filme banal
entre o figurante e a atriz principal
meu papel era irrelevante
para contracenar
no final
no final
no final...
Eu sou apenas alguém
ou até mesmo ninguém
talvez alguém invisível
que a admira a distância
sem a menor esperança
de um dia tornar-me visível
e você?
Você é o motivo
do meu amanhecer
e a minha angustia
ao anoitecer
você é o brinquedo caro
e eu a criança pobre
o menino solitário que quer ter o que não pode
dono de um amor sublime
mas culpado por quere-la
como quem a olha na vitrine
mas jamais poderá te-la
eu sei de todas as suas tristezas
e alegrias
mas você nada sabe
nem da minha fraqueza
nem da minha covardia
nem sequer que eu existo
é como um filme banal
entre o figurante e a atriz principal
meu papel era irrelevante
para contracenar
no final
no final
no final...
16 de outubro de 2004
Vitor Cintra " Depois... "
DEPOIS...
Se, cada vez que a fizesse,
A jura fosse cumprida,
Talvez jamais sucedesse
Sentir-se tão deprimida.
Depois do tempo do sonho,
Ante a crueza da vida,
Não há futuro risonho
P'ra quem viveu iludida.
Os olhos contam mágoa
- Às vezes tão rasos de água,
Que fazem crer que é sentida -
E a dor, que gera o desgosto,
_ Muito maior que o suposto -
P'la inocência perdida.
Vitor Cintra " Relances "
Se, cada vez que a fizesse,
A jura fosse cumprida,
Talvez jamais sucedesse
Sentir-se tão deprimida.
Depois do tempo do sonho,
Ante a crueza da vida,
Não há futuro risonho
P'ra quem viveu iludida.
Os olhos contam mágoa
- Às vezes tão rasos de água,
Que fazem crer que é sentida -
E a dor, que gera o desgosto,
_ Muito maior que o suposto -
P'la inocência perdida.
Vitor Cintra " Relances "
1 de outubro de 2004
AMÉRICO " O Primeiro Passo Sério na Vida "
Não chegamos onde estamos por mero acaso,não brotamos do vento,nem do mar nem do ar.
A nossa caminhada foi uma jornada repetida ao longo de todos os dias que vivemos, de todos os momentos que passamos, bons e maus, e foram eles juntamente com as pessoas com quem nos cruzamos que nos fizeram o que somos, que são a nossa história.
A minha é igual a tantas outras, com mais baixos do que altos,com mais trevas do que luz, mas é essencialmente uma história dum menino pobre, nascido duma família humilde mas orgulhosa, numa época difícil, numa aldeia pequena, entre duas montanhas, onde o vento norte sopra frio e forte.
É a história de alguém que ousou desafiar o mundo, olhar em frente e nunca deixar o sonho morrer, a adversidade vence-lo.
É a historia da determinacão, da teimosia, do firmar dos pés no chão e da alma no horizonte distante e correr ao seu encontro indiferente as dificuldades,as barreiras sociais e físicas, ao remar contra a maré no mar revolto da vida…
Vou abrir-me contigo, despir o meu intimo, abrir a minha alma. Vou abri-la para ti, mas para mim também.
Não me lembro de ter nascido, mas sei o dia em que foi, a hora também não sei, mas deve ter sido de noite.
A memória mais antiga que tenho é a das minhas primas a pentearem-me constantantemente,acho que tinha longos cabelos louros e para elas devia ser uma espécie de boneca com quem elas brincavam.
Creio que a parte do meu temperamento dócil e suave devo a elas,a outra a meus irmãos mais velhos que eram uns duros, única forma de sobreviver com alguma dignidade numa época de brigões e onde os fracos não tinham hipóteses.
Lembro-me também do meu baptismo na dura subida da vida, da primeira vez que subi a montanha sózinho cuidando das ovelhas .
A vida era difícil, cruel, e todos tinham que contribuir com a sua parte no esquema social da casa humilde. Todos tinham de trabalhar.
Ainda não andava na escola quando subi pela primeira vez à montanha sózinho e foi difícil …muito difícil.
A montanha era íngreme, as pernas pequenas,o peito também, para aguentar todo o oxigénio necessário para correr atrás das ovelhas que não me ligavam nenhuma .
Tinha medo,frio e fome, mas também a determinacão e o orgulho de fazer a minha parte, de contribuir para aliviar um pouco as dificuldades imensas, sobretudo , as da minha mãe.
Foi penosa a subida, mas finalmente cheguei lá acima e quando olhei para baixo senti- me o rei do mundo, e esqueci rápidamente do frio , do medo e da fome.
A paisagem era avassaladora.
Amontoados de casas semeadas pela imensa vastidão a meus pés, metidas no verde da floresta de pinheiros, eucaliptos e oliveiras, muitas oliveiras espalhadas a perder de vista, até onde a vista podia alcançar.
Foi aí, e nesse momento que os olhos e a alma do menino nasceram para o sonho, para o desejo determinado de alcançar e ultrapassar o horizonte distante.
Foi ai também, que a caminhada do menino na vida se começou a desenhar sózinho...sempre sózinho,e ainda continuo sózinho e orgulhoso como sempre,das minhas raizes,da minha estrutura, da minha natureza.
E foi assim que tudo começou,naquela tarde de Outono chuvosa e fria,de chuva miudinha, de vento forte do norte,de nuvens deslizando velozmente no céu, ora cinzento , ora azul cintilante no momento seguinte.
Aquela montanha tornou-se nesse dia, uma referência fundamental na minha vida.Um lugar de culto para a minha alma.Um marco fundamental na minha estrutura .
Foi minha aventura em menino,foi meu abrigo em adolescente,foi meu horizonte e minha meta em cidadão dum mundo enquanto viajava e conhecia outros mundos e outras gentes,outras paragens,outras realidades.Jamais deixou de estar comigo,e nunca mais vai deixar de estar.
Ás 7:15h da manhã de hoje,estava lá sentindo na pele a humidade que se levantava da terra ontem ressequida,hoje saciada pela chuva que caiu de noite.
É um local fabuloso,o miradouro priveligiado do Ribatejo, teras de ir lá um dia,ou uma noite.É sempre lindo!
Sabes,somos na vida a primeira coisa que fizemos,o que veio depois tornou-se sómente o enriquecer dessa primeira experiência, mais um degrau,mais uma etapa,mais um passo na direccão do horizonte cintilante do destino.
E o destino é feito todos os dias,em cada episódio que nos acontece,em cada projecto que começamos,em cada momento que se inventa,num sorriso e numa lágrima,numa ilusão e num desgosto,numa vitória e numa derrota.
É feito em cada flor que desponta,em cada fruto que amadurece,em cada tempestade que chega em cada jardim que floresce.
É feito em cada descoberta que fizemos,em cada encontro imprevisto que nos aparece pela frente..
Américo
A nossa caminhada foi uma jornada repetida ao longo de todos os dias que vivemos, de todos os momentos que passamos, bons e maus, e foram eles juntamente com as pessoas com quem nos cruzamos que nos fizeram o que somos, que são a nossa história.
A minha é igual a tantas outras, com mais baixos do que altos,com mais trevas do que luz, mas é essencialmente uma história dum menino pobre, nascido duma família humilde mas orgulhosa, numa época difícil, numa aldeia pequena, entre duas montanhas, onde o vento norte sopra frio e forte.
É a história de alguém que ousou desafiar o mundo, olhar em frente e nunca deixar o sonho morrer, a adversidade vence-lo.
É a historia da determinacão, da teimosia, do firmar dos pés no chão e da alma no horizonte distante e correr ao seu encontro indiferente as dificuldades,as barreiras sociais e físicas, ao remar contra a maré no mar revolto da vida…
Vou abrir-me contigo, despir o meu intimo, abrir a minha alma. Vou abri-la para ti, mas para mim também.
Não me lembro de ter nascido, mas sei o dia em que foi, a hora também não sei, mas deve ter sido de noite.
A memória mais antiga que tenho é a das minhas primas a pentearem-me constantantemente,acho que tinha longos cabelos louros e para elas devia ser uma espécie de boneca com quem elas brincavam.
Creio que a parte do meu temperamento dócil e suave devo a elas,a outra a meus irmãos mais velhos que eram uns duros, única forma de sobreviver com alguma dignidade numa época de brigões e onde os fracos não tinham hipóteses.
Lembro-me também do meu baptismo na dura subida da vida, da primeira vez que subi a montanha sózinho cuidando das ovelhas .
A vida era difícil, cruel, e todos tinham que contribuir com a sua parte no esquema social da casa humilde. Todos tinham de trabalhar.
Ainda não andava na escola quando subi pela primeira vez à montanha sózinho e foi difícil …muito difícil.
A montanha era íngreme, as pernas pequenas,o peito também, para aguentar todo o oxigénio necessário para correr atrás das ovelhas que não me ligavam nenhuma .
Tinha medo,frio e fome, mas também a determinacão e o orgulho de fazer a minha parte, de contribuir para aliviar um pouco as dificuldades imensas, sobretudo , as da minha mãe.
Foi penosa a subida, mas finalmente cheguei lá acima e quando olhei para baixo senti- me o rei do mundo, e esqueci rápidamente do frio , do medo e da fome.
A paisagem era avassaladora.
Amontoados de casas semeadas pela imensa vastidão a meus pés, metidas no verde da floresta de pinheiros, eucaliptos e oliveiras, muitas oliveiras espalhadas a perder de vista, até onde a vista podia alcançar.
Foi aí, e nesse momento que os olhos e a alma do menino nasceram para o sonho, para o desejo determinado de alcançar e ultrapassar o horizonte distante.
Foi ai também, que a caminhada do menino na vida se começou a desenhar sózinho...sempre sózinho,e ainda continuo sózinho e orgulhoso como sempre,das minhas raizes,da minha estrutura, da minha natureza.
E foi assim que tudo começou,naquela tarde de Outono chuvosa e fria,de chuva miudinha, de vento forte do norte,de nuvens deslizando velozmente no céu, ora cinzento , ora azul cintilante no momento seguinte.
Aquela montanha tornou-se nesse dia, uma referência fundamental na minha vida.Um lugar de culto para a minha alma.Um marco fundamental na minha estrutura .
Foi minha aventura em menino,foi meu abrigo em adolescente,foi meu horizonte e minha meta em cidadão dum mundo enquanto viajava e conhecia outros mundos e outras gentes,outras paragens,outras realidades.Jamais deixou de estar comigo,e nunca mais vai deixar de estar.
Ás 7:15h da manhã de hoje,estava lá sentindo na pele a humidade que se levantava da terra ontem ressequida,hoje saciada pela chuva que caiu de noite.
É um local fabuloso,o miradouro priveligiado do Ribatejo, teras de ir lá um dia,ou uma noite.É sempre lindo!
Sabes,somos na vida a primeira coisa que fizemos,o que veio depois tornou-se sómente o enriquecer dessa primeira experiência, mais um degrau,mais uma etapa,mais um passo na direccão do horizonte cintilante do destino.
E o destino é feito todos os dias,em cada episódio que nos acontece,em cada projecto que começamos,em cada momento que se inventa,num sorriso e numa lágrima,numa ilusão e num desgosto,numa vitória e numa derrota.
É feito em cada flor que desponta,em cada fruto que amadurece,em cada tempestade que chega em cada jardim que floresce.
É feito em cada descoberta que fizemos,em cada encontro imprevisto que nos aparece pela frente..
Américo
20 de setembro de 2004
FERNANDO BIZARRO - Poema - * Para uma Pérola no Atlântico *
Tanto Mar
Tanta dor
Tanta lágrima
Para brotar
Tantos Sonhos
Tanto Amor
Que ainda tens
Para ofertar
--------------------------------------------------------------------------------
Para "Alma de Poeta ", a propósito do Poema: Há uma Lágrima Escondida
Colocado por Fernando B. às 11:17 PM
http://lusomerlin.blogspot.com
Tanta dor
Tanta lágrima
Para brotar
Tantos Sonhos
Tanto Amor
Que ainda tens
Para ofertar
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Para "Alma de Poeta ", a propósito do Poema: Há uma Lágrima Escondida
Colocado por Fernando B. às 11:17 PM
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28 de agosto de 2004
AMÉRICO " Liberdade de Sentir "
LIBERDADE... de sentir
Gostei dessa voz que é a tua voz... de menina
Gostei deste mar que brilha na noite silenciosa
Gostei deste som que corre os nossos sentidos
Mexe na nossa pele,vagueia na nossa mente
Que é tambem um pouco do teu mundo
Um pouco dos teus sonhos adormecidos
Um pouco das tuas esperanças inquietas
Um pouco de ti presa nas nuvens da ilusão
Gostei desta ilha escura,adormecida
Destas gaivotas sulcando o céu suavemente...
Do luar escondido nas nuvens a bater na água
E a deixa-la prateada...reluzente..misteriosa...
Gostei desta música viva e profunda
Deste tom estridente e surdo...
Desta imagem exótica que nos traz
Mistério,ilusão,energia,paixão,sonho...VIDA
Gostei de calar a noite com este poema
De acordar a madrugada com estas palavras
De esperar o sol com meus sonhos
De correr na vida atrás do destino....
Junho 2004
Americo.
Gostei dessa voz que é a tua voz... de menina
Gostei deste mar que brilha na noite silenciosa
Gostei deste som que corre os nossos sentidos
Mexe na nossa pele,vagueia na nossa mente
Que é tambem um pouco do teu mundo
Um pouco dos teus sonhos adormecidos
Um pouco das tuas esperanças inquietas
Um pouco de ti presa nas nuvens da ilusão
Gostei desta ilha escura,adormecida
Destas gaivotas sulcando o céu suavemente...
Do luar escondido nas nuvens a bater na água
E a deixa-la prateada...reluzente..misteriosa...
Gostei desta música viva e profunda
Deste tom estridente e surdo...
Desta imagem exótica que nos traz
Mistério,ilusão,energia,paixão,sonho...VIDA
Gostei de calar a noite com este poema
De acordar a madrugada com estas palavras
De esperar o sol com meus sonhos
De correr na vida atrás do destino....
Junho 2004
Americo.
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