21 de agosto de 2006
Cecilia Meireles " JARDIM COM FLORES "
Quem me compra um jardim
com flores?
borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro a hera,
Uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é o meu leilão!)
[Cecília Meireles in Leilão de Jardim]
15 de março de 2006
" Dá um Abraço? " Autoria de Macedo Junior ( TrovadorPR )
De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade... sei lá...
Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço...
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge, devagarinho,
da magia da união dos corpos,
das auras... sei lá.
Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas a dizer:
- Estou aqui!
Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,
afirmando: - Estou com você!.
Lembrar da transfusão de forças,
ou até da suavidade do momento... sei lá...
Então,pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia, abraço força,abraço união,
abraço suavidade,abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça, abraço verdade,
abraço cumplicidade?
Mas o que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energias, que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...
Só sei que agora deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços.
Que sirva de colo, afastando toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima de alegria,
e acalme o coração...
Um abraço que traduza a amizade,
o amor e a emoção....
E para um abraço assim ,
Só consegui pensar em você!
Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o por quê,
dessa minha vontade.
Pois então:
Dá logo este abraço!
Poema da autoria do Poeta MACEDO JUNIOR ( TrovadorPR)
11 de março de 2006
Vinicius de Moraes " Para Viver um Grande Amor "
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
20 de fevereiro de 2006
Sophia de Mello Breyner Andreson " Pudesse Eu "
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes
Sophia de Mello Breyner Andreson
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes
Sophia de Mello Breyner Andreson
15 de fevereiro de 2006
ÁLVARO DE CAMPOS « O Que Há em Mim é Sobretudo Cansaço »»
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro de Campos
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro de Campos
7 de fevereiro de 2006
Ninita
PICASSO DE UMA VIDA
Pó, vento, sol e água de África, assim sou eu uma mistura, Pó fui e nele me tornarei, Vento que balbucia incoerências, Sol que brilha para quem amo, Água de lágrimas que purificam.
Dessa paisagem marcante e gritante, delineada a fogo na minha alma, ficaram em mim marcas indestrutíveis, e tal como na guerreira africana, vive em mim, a coragem, a perseverança e o amor.
A coragem para continuar a lutar quando tudo desmorona ao meu redor, quando nada parece dar certo, quando a luz enfraquece, quando o calor desaparece, quando o carinho se transforma em frieza, quando a esperança dá lugar a um vazio.
A perseverança para mesmo em altura de desgaste e de decepções, de lutas desiguais , de injustiças, escolher não desistir.
O amor, pela terra, pela família, pelos amigos, por tudo o que me rodeia, sentimento forte em mim, muitas vezes escondido debaixo de uma aparente serenidade e controle. Amo sem artifícios, sem calculismo, sem temer sofrer de cada vez que perco nessa guerra de sentimentos.
Num bater descompassado este coração ilumina-se ainda ao imaginar o enlace com outro igual, emociona-se ainda num toque fortuito, numa troca de olhares, numa cumplicidade silenciosa, e quantas vezes ferido de morte por ter acreditado naquilo que não passou de ilusão, reacende-se e dessas cinzas surge novo amor que vem trazer novas sensações e um novo alento até à próxima queda.
Emoções tão diversas sacodem este corpo e esta mente, do riso vou às lágrimas sem conseguir separá-los, sem perceber onde um começa e o outro acaba, da alegria parto para a tristeza numa fronteira aberta entre as duas, dum mundo pintado em aguarela ou óleo, passo para um sketch a carvão, naquilo a que chamo o picasso da minha vida.
Quero ser a musa dos meus poemas, a inspiração dos meus quadros, a personagem dos meus livros, a actriz dos meus filmes, a fonte dos meus devaneios, mas principalmente quero ser Eu.
Ninita 24/06/05
25 de janeiro de 2006
Desejo de Você poema de Isabel C.
Quero ver de novo,
No brilho de seus olhos,
Toda a intensidade do desejo
Que seu olhar contém.
Quero sentir,
Num toque de seda,
Suas quentes e doces mãos
Em busca do meu ser, trazendo a sede
Que saciará
A fome desse amor.
Quero seus dedos percorrendo meu corpo .
Quero meus seios colados em você.
Quero sentir seu corpo tremendo de desejo,
Quero sentir de novo seu beijo,
Sua boca molhada, fremente colada
Quero ter você junto a mim.
Quero sua língua brincando na minha,
Num beijo melado e molhado
Que me faz desejar e sonhar com você.
Quero urgência, aqui e agora,
Nesta noite fria,
Com você se enroscando
Em meu corpo ardente, sedento de suas mãos,
Sua língua percorrendo meu corpo nu
Desejoso de receber a seiva desse amor.
Te desejo como nunca,
Vem...
Vamo-nos amar.
Como o sol, ama a lua,
Como a areia ama o mar,
Como a noite ama o brilho das estrelas,
E eu....amo você.
Num amor que é eterno,
O meu amor,
O teu amor
O nosso amor.
Eu quero você....
Amor!
Isabel C.
No brilho de seus olhos,
Toda a intensidade do desejo
Que seu olhar contém.
Quero sentir,
Num toque de seda,
Suas quentes e doces mãos
Em busca do meu ser, trazendo a sede
Que saciará
A fome desse amor.
Quero seus dedos percorrendo meu corpo .
Quero meus seios colados em você.
Quero sentir seu corpo tremendo de desejo,
Quero sentir de novo seu beijo,
Sua boca molhada, fremente colada
Quero ter você junto a mim.
Quero sua língua brincando na minha,
Num beijo melado e molhado
Que me faz desejar e sonhar com você.
Quero urgência, aqui e agora,
Nesta noite fria,
Com você se enroscando
Em meu corpo ardente, sedento de suas mãos,
Sua língua percorrendo meu corpo nu
Desejoso de receber a seiva desse amor.
Te desejo como nunca,
Vem...
Vamo-nos amar.
Como o sol, ama a lua,
Como a areia ama o mar,
Como a noite ama o brilho das estrelas,
E eu....amo você.
Num amor que é eterno,
O meu amor,
O teu amor
O nosso amor.
Eu quero você....
Amor!
Isabel C.
Mário de Sá Carneiro " Quase"
QUASE
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
............................................................
............................................................
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
////////////////
Não sendo habitual, vou fazer uma excepção , com este poema e esta música, para dedicar ás pessoas que me são muito especiais, e cujas datas próximas, as fazem estar ainda mais presentes no meu pensamento.
////////////////
25 Janeiro - A alguém que já não se encontra entre nós,sendo este o dia do seu aniversário . O POETA " José Maria Lopes de Araújo " poeta que viveu na minha ilha e que admiro a obra deixada.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
............................................................
............................................................
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
////////////////
Não sendo habitual, vou fazer uma excepção , com este poema e esta música, para dedicar ás pessoas que me são muito especiais, e cujas datas próximas, as fazem estar ainda mais presentes no meu pensamento.
////////////////
25 Janeiro - A alguém que já não se encontra entre nós,sendo este o dia do seu aniversário . O POETA " José Maria Lopes de Araújo " poeta que viveu na minha ilha e que admiro a obra deixada.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
21 de janeiro de 2006
AMÉRICO * Terás de Vir à Minha Cabana *
Se queres ouvir a fogueira a arder
o vento a soprar na rua
a chuva a bater no telhado
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres ouvir uma canção no ouvido
sentir um beijo na nuca
uma carícia nos seios erectos
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres ver o vento a mexer as folhas
o silencio no escuro profundo da noite
sentir a voz do tempo que passou
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres acordar com o sol no olhar
olhar pela janela o orvalho da lua
nas pétalas molhadas das flores abertas
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres libertar a alma e deixa-la voar
libertar o corpo e deixa-lo sentir
soltar a mente e deixa-la sonhar
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres sentir o universo num momento
o vulcão que acorda, a lava que corre
na cama que te espera...
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres ouvir cada palavra que te escrevo
em cada gota de agua que te molha
em cada sorriso quente que soltas
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
16 de janeiro de 2006
Camilo Castelo Branco " OS AMIGOS "
Amigos, cento e dez, ou talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!
Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia
Que, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quasi rotos.
Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego não nos pode ver.
- Que cento e nove impávidos marotos!
Camilo Castelo Branco
Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!
Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia
Que, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quasi rotos.
Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego não nos pode ver.
- Que cento e nove impávidos marotos!
Camilo Castelo Branco
13 de janeiro de 2006
António de Medeiros Pereira
Ser pobre é possuir
Riquezas e não as dar!
É ter peito e não sentir
Um coração a palpitar!
É ter boca e não sorrir;
Ter olhos e não olhar.
É ter força e não agir;
É ter mando e não mandar ...
É ter fome e não comer;
É ter sede e não beber,
Na ânsia de não gastar ...
É ter vida e não viver;
É ter seiva e fenecer;
É ter alma e não amar! ...
António de Medeiros PereiraStª. Maria - Açores
Riquezas e não as dar!
É ter peito e não sentir
Um coração a palpitar!
É ter boca e não sorrir;
Ter olhos e não olhar.
É ter força e não agir;
É ter mando e não mandar ...
É ter fome e não comer;
É ter sede e não beber,
Na ânsia de não gastar ...
É ter vida e não viver;
É ter seiva e fenecer;
É ter alma e não amar! ...
António de Medeiros PereiraStª. Maria - Açores
3 de janeiro de 2006
Florbela Espanca " Poetas "
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca
- in Trocando Olhares
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca
- in Trocando Olhares
30 de dezembro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "
DA NOITE DE NATAL
Gelada rua em que deste vida à saudade.
Nem as pedras da casa onde despimos a família deserta e o desassossego das nossas consumições espalhadas nas poças de água e mágoa, levadas pelo vento oeste.
Nem as folhas secas em São Francisco, caindo uma a uma, entre os barcos do peixe que o Inverno varou, medrosos e recolhidos no abraço da cruz.
Há luzes no cruzeiro, cintilantes. Fazem lembrar faróis da América.
Aquela que nos repartiu a urgência do regresso.
E assim ficamos à espera na pequenez do compromisso.
Na ânsia de te encontrar, perdi o sabor do rosto.
Está escura a noite e pesarosos os sinos que me chamam no teu regaço. Para o abrigo da tua manta cor de anjo e de mistério.
A missa do galo é na Silveira. Este ano é assim.
Longe das nossas promessas.
Longe dos nossos pecados.
Inventaram um novo roteiro para recolhermos mais cedo na madrugada do menino.
Cada um com o seu menino.
Nem aqui, tão perto, o nosso beijar entre a manjedoura desfeita, a terra suada no mar revolto.
O meu menino, levado para dentro do calor da ilha negra, mais cedo que as manhãs de neblina baleeira.
Tão puro e tão breve.
O meu menino:
Há quanto tempo não te sinto as mãos no degelo do corpo?
E agora há um rasgo de solidão amarga, persistente e duradoira.
Chorar é matar a sede, e hoje estou com muita sede.
Tanta noite sem ti , e logo esta, de lembranças.
SIDÓNIO BETTENCOURT
do livro “ Deserto de Todas as Chuvas “
19 de dezembro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO Poema * Natal Que Volta *
NATAL QUE NÃO VOLTA...
Antigamente,
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
*****
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …
*******
Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …
******
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia e nua
De ventura
A minha vida ! …
*******
E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro
" Cinzas Quentes "
Antigamente,
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
*****
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …
*******
Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …
******
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia e nua
De ventura
A minha vida ! …
*******
E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro
" Cinzas Quentes "
16 de dezembro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
DESPEDIDA
Fria a tarde e distante da beira praia num soluço de olhar fugidio entre o mar, céu e a nudez a fervilhar.
Fria tarde esta, que não te sente os lábios e o fogo do teu corpo, quando te deixo sem regresso.
Fria solidão, quando os teus braços se soltam do murmúrio.
Fria e triste monotonia, e o Outono sem o brilho dos teus olhos, nos cabelos revoltos e revoltados, destes dedos que acendo.
Ventre de dança, no corpo que animas e onde revejo os lugares escondidos do desejo.
Quando agora partir, só tu me deixas ficar, e na boca cair uma lágrima de sede a cantar Bethânia, rolando no eco da minha voz, desafinada e rouca " Onde Estará o Meu Amor?"
O amor.
Sim, o amor.
Quem o conforta, quem o aquece, quem o derrete?
Fria tarde de tristeza funda.
Sidónio Bettencourt "Deserto de Todas as Chuvas "
Fria a tarde e distante da beira praia num soluço de olhar fugidio entre o mar, céu e a nudez a fervilhar.
Fria tarde esta, que não te sente os lábios e o fogo do teu corpo, quando te deixo sem regresso.
Fria solidão, quando os teus braços se soltam do murmúrio.
Fria e triste monotonia, e o Outono sem o brilho dos teus olhos, nos cabelos revoltos e revoltados, destes dedos que acendo.
Ventre de dança, no corpo que animas e onde revejo os lugares escondidos do desejo.
Quando agora partir, só tu me deixas ficar, e na boca cair uma lágrima de sede a cantar Bethânia, rolando no eco da minha voz, desafinada e rouca " Onde Estará o Meu Amor?"
O amor.
Sim, o amor.
Quem o conforta, quem o aquece, quem o derrete?
Fria tarde de tristeza funda.
Sidónio Bettencourt "Deserto de Todas as Chuvas "
10 de dezembro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT do livro * Deserto de Todas as Chuvas *
CARTA REGISTADA
…Havia o infinito e o mar sobre nós, com sol nublado, e dei-te uma pedra negra que rolou do coração, para dentro do ano novo.
Estavas de óculos cor-de-pedra, sentada no ano velho, como se eu tivesse regressado das lavadias brancas, com o teu véu cansado de noiva.
Havia namorados que namoravam, e nós no percurso, sem nos vermos, a olhar um para o outro.
Sabias a doce de mel salgado, e eu, a sal de abelha.
Dizia amor e tu amora, silvestre.
E a terra fria da mornaça de Janeiro, prescrevia o sonho a lacre de sangue fino e frio e pingos de coração, breve e magoado.
Preenchemos então o desejo, que bebi dos teus silêncios.
Deixaste-me tocar, nas tuas mãos secretas, leves e sem anéis brancos, ainda puras de tanto dar e receber.
As tuas mãos de concha, dos filhos a crescerem.
As tuas mãos esguias, das notas soltas do piano triste e adormecido.
As tuas mãos quentes, dos recantos íntimos do nosso corpo, em sabor e desvario.
As tuas mãos, que fizeram o calor do colo frio, da nossa dor no canal.
As tuas, e as minhas mãos.
Feridas.
Tomámos então, com estrangeiros, como amigos estrangeiros, um café chique da cidade em hotel da noite, das noites que gostaria de viver intensamente contigo,
e dei-te uma pedra da cor dos teus olhos pretos, do mar que me deixas, branco de mais de tantas ondas, para poder cantar outra vida …
SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "
Poeta da Ilha do Pico - Açores
…Havia o infinito e o mar sobre nós, com sol nublado, e dei-te uma pedra negra que rolou do coração, para dentro do ano novo.
Estavas de óculos cor-de-pedra, sentada no ano velho, como se eu tivesse regressado das lavadias brancas, com o teu véu cansado de noiva.
Havia namorados que namoravam, e nós no percurso, sem nos vermos, a olhar um para o outro.
Sabias a doce de mel salgado, e eu, a sal de abelha.
Dizia amor e tu amora, silvestre.
E a terra fria da mornaça de Janeiro, prescrevia o sonho a lacre de sangue fino e frio e pingos de coração, breve e magoado.
Preenchemos então o desejo, que bebi dos teus silêncios.
Deixaste-me tocar, nas tuas mãos secretas, leves e sem anéis brancos, ainda puras de tanto dar e receber.
As tuas mãos de concha, dos filhos a crescerem.
As tuas mãos esguias, das notas soltas do piano triste e adormecido.
As tuas mãos quentes, dos recantos íntimos do nosso corpo, em sabor e desvario.
As tuas mãos, que fizeram o calor do colo frio, da nossa dor no canal.
As tuas, e as minhas mãos.
Feridas.
Tomámos então, com estrangeiros, como amigos estrangeiros, um café chique da cidade em hotel da noite, das noites que gostaria de viver intensamente contigo,
e dei-te uma pedra da cor dos teus olhos pretos, do mar que me deixas, branco de mais de tantas ondas, para poder cantar outra vida …
SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "
Poeta da Ilha do Pico - Açores
7 de dezembro de 2005
OCEANO
Fecho os olhos e ainda te vejo,
Como esquecer aquele momento,
Em que teu corpo, visitou minhas entranhas,
Tua consciência, encontrou minha essência,
Teu suor, se misturou em minha saliva,
Meu coração, em tuas mãos.
Como esquecer,
Cada palavra dita,
Cada gesto, de carinho ardente.
Teu olhar fitando, o meu enxergar.
Teu beijo, seduzindo minha boca.
Teu querer,
Dominando, o meu ser.
Na vida,
Mergulhamos nas emoções, e sentimentos,
E com eles, partimos em grandes empreitadas.
E é isso, que nos faz gente,
Seres de alma, espírito e coração.
Com você, aprendi a estar e ser plena,
Com coragem suficiente, para mostrar a minha parte mais fraca,
Que dela dependo, que dela também preciso.
Como é preciso extravasar
Todo esse amor que muitas vezes, ficamos contendo,
Amor calado.
Nada é mais quente,
Que um abraço envolvido por carícias.
Nada é mais profundo, que um beijo apaixonado.
Nada é tão doce quanto o sorriso de teu rosto,
Nada é tão pleno quanto a forma que me senti amada.
Prazer,,,
Pra ser…
Pra ser eterno.
Prazer…
Pra ter,
Pra ter você…
Pra ter você sempre aqui.
E junto afundarmos,
Nas águas desse nosso oceano de amor e desejo
Onde cada onda de energia que vejo,
É pura sublimação de nossos corpos unidos,
É impulsar de artérias, numa deliciosa dança,
E isso tudo, não se pede, apenas transmuta.
Agora com sono, vou dormir minha fisicalidade
Projectar, meu melhor astral
Amanhã, estarei mais rica de vida,
Amanhã, serei mais consciência, essência e amor.
Até amanhã…
Amor.
Desconheço o autor
Como esquecer aquele momento,
Em que teu corpo, visitou minhas entranhas,
Tua consciência, encontrou minha essência,
Teu suor, se misturou em minha saliva,
Meu coração, em tuas mãos.
Como esquecer,
Cada palavra dita,
Cada gesto, de carinho ardente.
Teu olhar fitando, o meu enxergar.
Teu beijo, seduzindo minha boca.
Teu querer,
Dominando, o meu ser.
Na vida,
Mergulhamos nas emoções, e sentimentos,
E com eles, partimos em grandes empreitadas.
E é isso, que nos faz gente,
Seres de alma, espírito e coração.
Com você, aprendi a estar e ser plena,
Com coragem suficiente, para mostrar a minha parte mais fraca,
Que dela dependo, que dela também preciso.
Como é preciso extravasar
Todo esse amor que muitas vezes, ficamos contendo,
Amor calado.
Nada é mais quente,
Que um abraço envolvido por carícias.
Nada é mais profundo, que um beijo apaixonado.
Nada é tão doce quanto o sorriso de teu rosto,
Nada é tão pleno quanto a forma que me senti amada.
Prazer,,,
Pra ser…
Pra ser eterno.
Prazer…
Pra ter,
Pra ter você…
Pra ter você sempre aqui.
E junto afundarmos,
Nas águas desse nosso oceano de amor e desejo
Onde cada onda de energia que vejo,
É pura sublimação de nossos corpos unidos,
É impulsar de artérias, numa deliciosa dança,
E isso tudo, não se pede, apenas transmuta.
Agora com sono, vou dormir minha fisicalidade
Projectar, meu melhor astral
Amanhã, estarei mais rica de vida,
Amanhã, serei mais consciência, essência e amor.
Até amanhã…
Amor.
Desconheço o autor
5 de dezembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
AO MAR DO NORTE, MEU MAR BRANCO…
Oh mar branco
Do norte fundo
Envolve minha alma inteira
Enrola-me na tua espuma
Inquieta e fugidia…
Na onda de lua em praia
Leva-me para além
Do fundo azul
Minha nocturna
Vivência
Que me invadiu de tormenta!
Faz regressar minha esperança
Naquela bruma de renda
Dilui-me toda a saudade
Em conchas
De fogo vivo
Nas chamas
Do teu cadinho…
Oh mar branco
Enche a minh’alma
Oh onda
De vento deserto
Marulha na areia quente
Ecoa meu sofrimento
Constante no turbilhão …
No meu corpo dolente
Sofro a vazante
Da tua ausência
Em cada instante …
Oh vento
Do mar do norte
Regressa cindindo amor
Na minha nascente dia primeiro
Meu corpo em chama
Entrou ….
E nunca mais quis sair!
FERNANDO MONTEIRO
Poeta da Ilha de S.Maria - Açores
Mar/81
Oh mar branco
Do norte fundo
Envolve minha alma inteira
Enrola-me na tua espuma
Inquieta e fugidia…
Na onda de lua em praia
Leva-me para além
Do fundo azul
Minha nocturna
Vivência
Que me invadiu de tormenta!
Faz regressar minha esperança
Naquela bruma de renda
Dilui-me toda a saudade
Em conchas
De fogo vivo
Nas chamas
Do teu cadinho…
Oh mar branco
Enche a minh’alma
Oh onda
De vento deserto
Marulha na areia quente
Ecoa meu sofrimento
Constante no turbilhão …
No meu corpo dolente
Sofro a vazante
Da tua ausência
Em cada instante …
Oh vento
Do mar do norte
Regressa cindindo amor
Na minha nascente dia primeiro
Meu corpo em chama
Entrou ….
E nunca mais quis sair!
FERNANDO MONTEIRO
Poeta da Ilha de S.Maria - Açores
Mar/81
2 de dezembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
VOANDO…SEMPRE A VOAR
Quem me suspende da dor
No ar vazio
Envolvido
De ternura
E de amor
A tanta altura do mar?
Quem estou sendo
Afinal
Se consigo suspender-me
Só
No sempre tempo
Perdido
Voando… sempre a voar?
Voando sempre a voar:
Da minha mente
Fiz asas
Do meu corpo
O dia zero
Que nunca mais
Quis parar!
Então quem sou afinal
Se consegui
Suspender-me
Naquele tempo perdido
Voando
Sempre a voar
Até ao mundo abraçar?
- Consegui meter nos meus sonhos
O todo
Em tempo limite
Do nada ao infinito
E voando, voei voei
Até minh’alma emprenhar
Para o vazio
De amor encher …
Fernando Monteiro
Quem me suspende da dor
No ar vazio
Envolvido
De ternura
E de amor
A tanta altura do mar?
Quem estou sendo
Afinal
Se consigo suspender-me
Só
No sempre tempo
Perdido
Voando… sempre a voar?
Voando sempre a voar:
Da minha mente
Fiz asas
Do meu corpo
O dia zero
Que nunca mais
Quis parar!
Então quem sou afinal
Se consegui
Suspender-me
Naquele tempo perdido
Voando
Sempre a voar
Até ao mundo abraçar?
- Consegui meter nos meus sonhos
O todo
Em tempo limite
Do nada ao infinito
E voando, voei voei
Até minh’alma emprenhar
Para o vazio
De amor encher …
Fernando Monteiro
29 de novembro de 2005
SAUDADE FALA PORTUGUÊS
SAUDADE FALA PORTUGUÊS
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros...
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida .
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
decerto gostaria de experimentar;
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,
não sei aonde,
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em
japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar
sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you",
ou seja lá como possamos traduzir saudade
em outra língua, nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, correctamente,
a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do
que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!
Maria Eugênia - Doce Deleite
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros...
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida .
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
decerto gostaria de experimentar;
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,
não sei aonde,
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em
japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar
sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you",
ou seja lá como possamos traduzir saudade
em outra língua, nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, correctamente,
a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do
que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!
Maria Eugênia - Doce Deleite
27 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA Poemas do Livro " MAR BRANCO "
À MULHER DESTRUÍDA ...
Em cada mulher destruída
há um universo a nascer ...
Tu
Que recebes resignada
em silêncio
e aceitas
toda a ignomínia excretada
desta urbe iluminada
que te procura
na esquina
da vida errante ...
para te possuir
da noite ... à madrugada!
Tu
Que transformas as trevas
em vil clarão boreal
todo o Eros
que te envolve
e que cobres
frustrada
a frustração sensual
do ego que renasce
na escuridão
da noite longa
da tua alma
violada
Tu
Que deslizas velozmente
sem norte
e bamboleias
tens em ti mesma
gerada
- Em gestação constante
a força da criação
o gene virgem -
instante
que destruirá
para sempre
a tua sorte
danada
Tu
Ó universo vaginal
que pariste
para criar vida
porque te afundas
perdida ...
para prazer
do homem solto.
Tu
Ó ente - matriz, ó mãe
ó sentidos, ó corpo, ó noite,
ó prazer, ó morte instante
dos Outros
que te procuram
- servo cio -
porque não voas
mais alto
da terra verme
Liberta-te
desse mundo envolvente
Liberta
O mundo da noite
escreve nas tuas
brancas asas
o amor de toda a gente
...e voa até ao Nascente !!
Fernando Monteiro
Março/81
Em cada mulher destruída
há um universo a nascer ...
Tu
Que recebes resignada
em silêncio
e aceitas
toda a ignomínia excretada
desta urbe iluminada
que te procura
na esquina
da vida errante ...
para te possuir
da noite ... à madrugada!
Tu
Que transformas as trevas
em vil clarão boreal
todo o Eros
que te envolve
e que cobres
frustrada
a frustração sensual
do ego que renasce
na escuridão
da noite longa
da tua alma
violada
Tu
Que deslizas velozmente
sem norte
e bamboleias
tens em ti mesma
gerada
- Em gestação constante
a força da criação
o gene virgem -
instante
que destruirá
para sempre
a tua sorte
danada
Tu
Ó universo vaginal
que pariste
para criar vida
porque te afundas
perdida ...
para prazer
do homem solto.
Tu
Ó ente - matriz, ó mãe
ó sentidos, ó corpo, ó noite,
ó prazer, ó morte instante
dos Outros
que te procuram
- servo cio -
porque não voas
mais alto
da terra verme
Liberta-te
desse mundo envolvente
Liberta
O mundo da noite
escreve nas tuas
brancas asas
o amor de toda a gente
...e voa até ao Nascente !!
Fernando Monteiro
Março/81
24 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
Do Féretro que Levo na Vida,
ao Ovni da minha Esperança.
A Ti ó Hélida, dorida:
Numa noite calada,
dos meus sonhos distantes,
Teci teu corpo...
na miragem do meu nenúfar.
Poisei tímido,
no teu gineceu errante,
E vibrante ...
Derramei em êxtase,
na minha Hélida, dorida,
abatida e sem esperança,
... o último espasmo do meu corpo...
Já caía o amanhecer!
Fernando Monteiro
Fev/81
22 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
NO TEU CORPO QUENTE
Regressei ao horizonte
no teu corpo quente
Penetrei o meu ser
no teu ser ansioso
És o tudo ... sou o tudo ...
És o nada, também
Toquei no teto - universo ...
e encontrei-me em ti
Já posso partir
para o horizonte
Para o meu gene perdido
que sou eu
Tive o tudo
tenho o nada
Sou o só .... o regressado
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Fernando Monteiro
Dez/80
Regressei ao horizonte
no teu corpo quente
Penetrei o meu ser
no teu ser ansioso
És o tudo ... sou o tudo ...
És o nada, também
Toquei no teto - universo ...
e encontrei-me em ti
Já posso partir
para o horizonte
Para o meu gene perdido
que sou eu
Tive o tudo
tenho o nada
Sou o só .... o regressado
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Fernando Monteiro
Dez/80
20 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA Poemas do Livro " MAR BRANCO "
Fotografia de Ana Loura
QUERO SER EU,MESMO O NADA !
Quero viver
Quero ser eu
Quero ser
o que vai vir da nascente
Quero viver
para me atingir no tempo
Quero ser eu
mesmo o nada, o eu ausente.
Quero plasmar
o meu querer a esmo
E viver
Nas asas de mim mesmo !
FERNANDO MONTEIRO
QUERO SER EU,MESMO O NADA !
Quero viver
Quero ser eu
Quero ser
o que vai vir da nascente
Quero viver
para me atingir no tempo
Quero ser eu
mesmo o nada, o eu ausente.
Quero plasmar
o meu querer a esmo
E viver
Nas asas de mim mesmo !
FERNANDO MONTEIRO
11 de novembro de 2005
VITOR CINTRA poema * DEDICAÇÃO *
DEDICAÇÃO
Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p’la emoção.
Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-los a teu lado.
E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sofrimentos;
Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.
Vítor Cintra “ Contrastes “
Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p’la emoção.
Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-los a teu lado.
E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sofrimentos;
Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.
Vítor Cintra “ Contrastes “
3 de novembro de 2005
Do Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
SAUDADE
Há tanto que não ouço a voz da fonte,
Naquele canto triste e prolongado,
Ecoar pelas ravinas do valado,
Perder-se nas distâncias do horizonte ! …
Há quanto já não vejo aquele monte,
Donde a minha infância, descuidado,
Via espalhar-se o Sol, em tom doirado,
Nas águas do ribeiro, além da ponte ! …
Veste de luto a minha mocidade
A roxa e melancólica saudade
Desse ditoso tempo em que vivia …
Ai, tão distante que me sinto agora
De tudo que sinto e vi outrora,
Quando era alegre e a vida me sorria …
25 de outubro de 2005
Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
(Desconheço o Autor)
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
(Desconheço o Autor)
22 de outubro de 2005
José Carlos ARY DOS SANTOS " Poeta Castrado "
Poeta castrado não!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
15 de outubro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT " MO(nu)MENTO
Natural da ilha do PICO – AÇORES
Poeta e Jornalista.
Autor do Livro “ DESERTO DE TODAS AS CHUVAS” estando prevista para breve a publicação de novo livro.
Autor do cd
Um apaixonado pela poesia, faz parte do trio de recital " PIANO , POETAS e TROVADORES ".
Formado pela pianista Carla Seixas de Lisboa, o cantor Manuel Francisco Costa e pelo próprio SIDÒNIO BETTENCOURT.
Apresentador do programa na ANTENA 1 - RDP Açores
“ ATLÂNTIDA” é um programa de TV que apresenta na RTP-Açores, RTP-Internacional e RTP-Madeira.

MO(nú)MENTO
arde a saliva branca sobre a luz .escura madrugada do desejo
trazes o corpo da letra. a letra do corpo da notícia e no corpo a letra que entoa a melancolia
trazes o nome do corpo que danças e não te cansas desse teu nome com cheiro a mar
trazes . trazes e vagueio sobre brasas como aventureiro acostado ao muro ocioso da festa
na agonia das amarras
sabes a norte a sul a canal .chuvisco de mar oeste . sabes a poncha caipirinha savana e nos olhos
corre-te o mel dos sargaços . dormência do rosto molhado nas samarras
velas de cal branca e pedra negra. dentro. azeite dos caldeiros na humidade quente da pele
degrau a degrau a rebentação da maré. concerto de murmúrio dos lábios. o monumento
memorial. porta do caneiro de pé. homens de marfim e silêncio de mármore.jazigo vertical
baleeiras e baleeiros heróis com nome a navegar
percorre em ti renasce em mim a ponta do cais nascente. a carreira o lajido a corrente
a ligeira brisa ofegante . a torrente . o odor o perfume e o amor a dor que o poeta longe
deveras sente
não sei se diga vigia varanda tribuna da ilha
celebração.
não sei se diga cálice de um deus por nós
condenação
em cada cais o porto onde estarei em ti tu em mim sedentos
na margem sul a montanha a sós
santuário ao sabor da rosa dos ventos
Sidónio Bettencourt
13 de outubro de 2005
....Viver Como eu Sei...Américo Silva
VIVER COMO EU SEI
Uma manhã de sol... de vento... ruidosa..
que agita com violência os ramos das árvores
que o suportam angustiadas ... indefesas... impassíveis
que o sentem e aceitam... que o vivem sem queixume
São como nós, que também não podemos sair do caminho
que a vida nos escolheu... plenas de angustias...
de medos... de noites de tormenta, de pensamentos apavorados
à espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.
E viver é isto... um momento de angustia... de incerteza
um momento de dor... um momento de alegria...
um momento de esperança... um momento de luz
um momento de prazer... um momento de revolta...
Sair da estrada e entrar nela de novo...
é achar o nosso destino e aprender a guarda-lo
é escolher na corrida vertiginosa da caminhada
os momentos que vale a pena guardar
Aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
é sentir a qualquer hora do dia ou da noite
que aconteça o que acontecer... haja o que houver
há sempre alguém que mesmo distante, caminha a nosso lado
Na noite tenebrosa...no sol radiante...no frio do medo
no calor da esperança... num amanhã mais calmo e tranquilo
na lagoa das águas serenas, na areia da praia deserta
no encanto do monte verdejante, no silencio dum carro parado
No planalto duma montanha escura... silenciosa... tranquila
no caminhar pelas ruas desertas duma cidade plena de vida
de ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
nas horas mortas da madrugada voando ao encontro da luz
Viver é isto... descobrir... encontrar e perder... sentir e correr...
ao encontro do destino... de nada... de tudo...
Américo Silva
( Setembro 2003 )
Uma manhã de sol... de vento... ruidosa..
que agita com violência os ramos das árvores
que o suportam angustiadas ... indefesas... impassíveis
que o sentem e aceitam... que o vivem sem queixume
São como nós, que também não podemos sair do caminho
que a vida nos escolheu... plenas de angustias...
de medos... de noites de tormenta, de pensamentos apavorados
à espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.
E viver é isto... um momento de angustia... de incerteza
um momento de dor... um momento de alegria...
um momento de esperança... um momento de luz
um momento de prazer... um momento de revolta...
Sair da estrada e entrar nela de novo...
é achar o nosso destino e aprender a guarda-lo
é escolher na corrida vertiginosa da caminhada
os momentos que vale a pena guardar
Aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
é sentir a qualquer hora do dia ou da noite
que aconteça o que acontecer... haja o que houver
há sempre alguém que mesmo distante, caminha a nosso lado
Na noite tenebrosa...no sol radiante...no frio do medo
no calor da esperança... num amanhã mais calmo e tranquilo
na lagoa das águas serenas, na areia da praia deserta
no encanto do monte verdejante, no silencio dum carro parado
No planalto duma montanha escura... silenciosa... tranquila
no caminhar pelas ruas desertas duma cidade plena de vida
de ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
nas horas mortas da madrugada voando ao encontro da luz
Viver é isto... descobrir... encontrar e perder... sentir e correr...
ao encontro do destino... de nada... de tudo...
Américo Silva
( Setembro 2003 )
7 de outubro de 2005
Rose Arouck " EU e o MAR "
Querendo atirar em tuas águas revoltas todos os meus medos
E me deparo comigo em degredo
Pretendendo insinuar minha alma
Em tua vastidão, que acomoda
Os meus olhos num azul brilhante e profundo
Fazendo-me esquecer as maldades do mundo.
Envolvo-me pelas carícias de teus braços de algas;
Mergulho, em frêmito pacífico... tu me acalmas,
E deixo fluir de meu peito as incertezas
Boiadas às distantes correntezas
Que dilaceram-me como o despertar de um vulcão.
Subo em dupla com as tuas maresias
Para incluir em minhas têmporas as fantasias,
Que não permitem a minha vida naufragar.
Agora estamos sós, e, contemplamos o silêncio,
Que elocubra os deslizes do que penso,
Para em seguida, os sagarços transformar
Em atobás, que inundam petulantes
Meu poema, que soberbo nesse instante
Luta feroz para não se afogar, afogar...
afogar... no ar... no ar ...no ar.
22 de setembro de 2005
Nilzeth Alcântara ** EXISTE **



Este Poema " EXISTE " da minha querida amiga NILZETH, teve o mérito de eleger o ALMA DE POETA como um "Blog Destaque" no DOCE VENENO.
Obrigada amiga, só um coração apaixonado como o teu, seria capaz transmitir tanto sentimento nas palavras, merecedoras de tamanho reconhecimento.
EXISTE
Existe pessoa que cheira amor
Que trás vontade de Paixão;
Existe amor que cheira vida,
E vida que anda na contra-mão.
Existe pessoa que cheira saudade,
Trazendo a vontade de nunca esquecer...
Existe saudade que dói na lembrança;
E trás a certeza de nunca morrer.
Existe morte que ocorre em vida;
Por não cicatrizar a ferida aberta na emoção...
Mas, existe emoção que se faz viva;
Que envolve e acalenta o choro do coração.
Existe coração que sofre
Mesmo sem saber por quê
E segue buscando em cada face
A falta que sente de você.
Existe tudo e todos
De forma que não sei dizer;
E nesta agonia eu sigo triste
Sem rumo e sem amanhecer.
Existe amanhecer sem luz,
Existe noite sem luar
Existe treva e escuridão
Existem sonhos sem se concretizar.
Só porque Existem!
Nilzeth, 16/09/2005
18 de setembro de 2005
Eugénio Neves " AFASTAMENTO "
Terá sido assim mesmo em meus sonhos...
Essa foto espelha bem o que me vai no pensamento.
Ao ver-te de costas voltadas, percorri o único caminho que meu coração conhecia...
AFASTAMENTO
Amar-te?
Sei que te amei,
Compreender-te?
Não consegui.
O desejo maior que a vontade
Ficou a enorme saudade
Na hora que te perdi,
Voltas agora ao mesmo lugar
Onde meu coração chora de dor,
Reflectes entre o partir e ficar...
Será que te vais entregar,
Alimentando nosso amor?
Eugénio Neves
Essa foto espelha bem o que me vai no pensamento.
Ao ver-te de costas voltadas, percorri o único caminho que meu coração conhecia...
AFASTAMENTO
Amar-te?
Sei que te amei,
Compreender-te?
Não consegui.
O desejo maior que a vontade
Ficou a enorme saudade
Na hora que te perdi,
Voltas agora ao mesmo lugar
Onde meu coração chora de dor,
Reflectes entre o partir e ficar...
Será que te vais entregar,
Alimentando nosso amor?
Eugénio Neves
16 de setembro de 2005
DEIXOU A SUA INSPIRAÇÃO A " ANA TERESA CRUZ VALENTE "
Lindo e inspirado poema recebido da Ana Teresa , amiga do blog Teresoca à Descoberta do Novo Mundo Tecnológico
.....A net tem destas coisas, presentear-nos com o carinho e amizade de pessoas tão distântes e no entanto tão presentes.
Beijo com carinho , amiguinha.
À DESCOBERTA DO AMOR ...
Não, não foi à beira mar que te descobri,
Mas foi lá que senti pela primeira vez.
O toque quente das tuas mãos no meu corpo,
Foi lá que pela primeira vez sentimos
Que algo de estranho se passava connosco!
Amor?
Não. Nunca poderá haver amor entre nós!
Porquê? Perguntaste-me!
Porque a terra nos separa
E, a água não tem força para nos unir!
E agora perguntas tu? Que fazemos nós?
Conformamo-nos com a terra?
Ou damos força ao mar?
Não sei! Tenho medo de navegar,
Mas desejo cavalgar!
E por isso não será nem a terra, nem o mar,
Que me fará esquecer o que passámos,
Mas será o tempo que decidirá
Se é Amor ou se é apenas Saudade!
Ana Teresa Cruz Valente
.....A net tem destas coisas, presentear-nos com o carinho e amizade de pessoas tão distântes e no entanto tão presentes.
Beijo com carinho , amiguinha.
À DESCOBERTA DO AMOR ...
Não, não foi à beira mar que te descobri,
Mas foi lá que senti pela primeira vez.
O toque quente das tuas mãos no meu corpo,
Foi lá que pela primeira vez sentimos
Que algo de estranho se passava connosco!
Amor?
Não. Nunca poderá haver amor entre nós!
Porquê? Perguntaste-me!
Porque a terra nos separa
E, a água não tem força para nos unir!
E agora perguntas tu? Que fazemos nós?
Conformamo-nos com a terra?
Ou damos força ao mar?
Não sei! Tenho medo de navegar,
Mas desejo cavalgar!
E por isso não será nem a terra, nem o mar,
Que me fará esquecer o que passámos,
Mas será o tempo que decidirá
Se é Amor ou se é apenas Saudade!
Ana Teresa Cruz Valente
14 de setembro de 2005
DEIXOU A SUA INSPIRAÇÃO A "ALEX "

Agradeço à Alex do Blog
o inspirado texto que me presenteou, conforme pedido no post anterior.
Beijo para ti
***********************************
No momento em que pisei a areia soube que iria reconhecer-te.
Estavas sentado à beira mar e olhavas o mar como quem procura a paz, uma tranquilidade já há muito merecida.
Naquela manhã o céu enublado fez do mar o nosso mundo.
Olhar-te nos olhos.
Ver-te pela primeira vez.
Olhaste-me também e bastou um segundo,
Entenderes por fim as palavras que te deixei.
As que nem sequer te escrevi.
Ninguém me fez sorrir assim
Percebes agora a necessidade que tenho de ti?
Parámos o tempo o quanto pudémos.
Prolongámos um sentir, um desejo de mutuo conhecimento.
Por favor, não me tires este momento.
Ficámos retidos, num silêncio perfeito.
Ficámos horas juntos nessa manhã.
Meu Deus, eu já sabia que iria ser assim.
Levantei-me e segurei os passos ainda inseguros.
Saí da praia com a certeza que não voltaria a sentir-te assim.
De costas voltadas,
o vento no rosto.
Alguma vez amaste alguém assim?
5 de setembro de 2005
Eugénio Neves * TEU NOME *
Sempre que digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugénio Neves
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugénio Neves
O TEU NOME
Sempre que digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugenio
Sempre que digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Sinto sede, sinto fome
De viver só para ti .
Há doçura em minha voz
Há ternura em teu olhar ,
E quando tu não respondes
No que me escondes
Fico a pensar .
O teu nome
É todo poesia
E tem em si o amor
A tristeza e a alegria
Tem cheirinho a maresia
Simples como um malmequer
Tem da nascente a frescura
E também tem a ternura
De ser nome de mulher
Quando digo o teu nome
Sempre que chamo por ti
Eu quero juntá-lo ao meu
E viver só para ti
Sempre, sempre que te chamo
Teu nome vira canção
Se respondes num olhar
Fica a cantar meu coração!!!
Eugenio
31 de agosto de 2005
VITOR CINTRA " ÀS VEZES "
Às vezes choro.
Às vezes canto.
Outras namoro
‘squecendo o pranto.
Às vezes sinto,
Às vezes não.
Outras desminto
O coração.
Às vezes sonho.
Às vezes faço.
Outras, suponho,
Só embaraço.
Às vezes trago,
Às vezes levo.
Outras apago.
Quando me atrevo.
Às vezes vejo,
Ás vezes não,
Outras desejo
Não ter razão.
Às vezes calo,
Ás vezes digo.
Outras só falo
Se for comigo
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
Às vezes canto.
Outras namoro
‘squecendo o pranto.
Às vezes sinto,
Às vezes não.
Outras desminto
O coração.
Às vezes sonho.
Às vezes faço.
Outras, suponho,
Só embaraço.
Às vezes trago,
Às vezes levo.
Outras apago.
Quando me atrevo.
Às vezes vejo,
Ás vezes não,
Outras desejo
Não ter razão.
Às vezes calo,
Ás vezes digo.
Outras só falo
Se for comigo
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
27 de agosto de 2005
O AMOR NÃO TEM IDADE

Quem nunca ouviu esta frase?
Nem me lembro da primeira vez que a ouvi, e a partir dai tenho constatado quanta realidade a mesma contém.
Na verdade, ninguém pode ter a certeza dos sentimentos do outro, e talvez nem se consiga ter a certeza absoluta dos nossos.
Um dia ouvi ou li algo parecido a isto :
Posso dizer que te amo e não amar, posso falar que te quero e não querer, posso inventar palavras que te agradam e nem as sentir, mas uma coisa nunca poderei fazer, é olhar-te nos olhos, dizer que te amo, e tu não te aperceberes da verdade através desse olhar, porque os olhos não mentem, são o espelho que reflecte a alma.
Acabei de ouvir meu filho cantar junto com o som deste fado de Amália " Nem ás Paredes Confesso " , e o pensamento voou para o momento em que o vi chorar, quando a rapariga que ele amava lhe disse, olhando-o nos olhos que já não o amava mais.
Julgo que os jovens têm outra capacidade de encarar esses factos com mais naturalidade do que nós, os pais.
Isto levaria a tecer outras considerações, tais como o desgaste nas relações e o reencontro com outro amor, especialmente a partir de determinada idade.
Agora, aqui para nós, como vamos em questão de amores?
Ainda o confessamos olhando nos olhos, ou será que nem ás paredes o confesso?
Fica um beijo
24 de agosto de 2005
Isabel *** A Música do Meu Sentir ***
Cada música que gostamos, nos tocou de algum modo, em especial.
Marcou um tempo, um momento, um lugar , o amor, uma etapa e tantos outros momentos mais.
A música mais antiga que me lembro, é do Nat King Cole, quando meu pai as assobiava, enquanto aos domingos, os dois passeávamos, teria eu uns 6 anos.
Mais tarde, era eu estudante , Roberto Carlos, Elvis Presley e outros , enchiam de sonhos as cabeças e os corações dos jovens da época de 70, onde cada letra das canções pareciam ter sido escritas por mim, ou para mim.
Depois, veio a fase em que trabalhei na rádio e aí, felizmente tive oportunidade de ouvir belíssima música, criar os meus próprios programas de rádio.
As opções eram muitíssimas, foram os melhores anos da música, Dire Straits , Otis Reding, Credence Clearwater Revival , Roy Orbison, Jimi Hendrix, Tom Jones, Frank Sinatra e tantos outros, que é dificil enumerar aqui.
Por outro lado, foi também nessa altura , o meu primeiro contacto com a música de Intervenção e a Poesia. A poesia declamada por João Vilarett, por Eunice Nuños, os serões em casa de Amália com Vinicius, Ary dos Santos, etc,. Existiam nessa estação de rádio Clube Asas do Atlântico, na minha ilha de S. Maria, as bobines gravadas com as peças teatrais do grande Poeta Micaelense, que viveu durante muitos anos nesta ilha, José Maria Lopes de Araújo.
Nessa altura a Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, vivia um grande momento da sua história, note-se que a TV Açoriana, só uns anos depois apareceu, daí que o único meio de divulgação cultural nos Açores, era principalmente feito através das Estações Emissoras de rádio especialmente a RDP em S.Miguel, Rádio Clube de Angra na ilha Terceira e o Asas, vulgarmente conhecido, aqui em S. Maria.
Com saudade recordo, o primeiro disco que ofereci ao meu namorado, há 30 anos atrás.
Esqueci por completo do título e do nome do cantor, ( não do namorado….) mas a música, essa, continua no nosso interior,no nosso ouvido, no nosso coração, fazendo parte duma história de vida .
Um destes dias certamente, a voltarei a ouvir talvez no Rádio Clube Português, quem sabe..., numa viagem entre Cascais /Lisboa, depois de algum jantar romântico pela Marina de Cascais…….quiçá uma oportunidade a não perder.
Os ABBA e Demis Roussos, eram grande êxito no ano em que nasceu minha primeira filha.
Norah Jones-
As músicas que quis ouvir na Ala Magna, de mão dada, fingindo que a Norah só contava para mim.
Rui Veloso “ Primeiro Beijo “
Não sei porquê, mas faz-me lembrar um casal de namorados num banco de Jardim, porventura , imagino algum casal algures num banco de jardim, no Campo Grande ou Campo Pequeno…nem sei.
Ouvi esta música ao vivo no Nordeste, da Ilha de S. Miguel, no ano passado, e voei em pensamento.
Ás vezes gostaria de ser gaivota...voar entre terra e mar...
Júlio Iglésias -
Ao vivo , onde cada música me fez navegar num turbilhão de sonhos, numa belíssima noite de luar, num campo de futebol em Ponta Delgada.....Júlio....o luar, o som, a voz, e EU.
Há a música Cubana, linda.... que um dia recebi por e-mail, e há aquela outra, que partilhei numa programação, exclusiva para mim, via Internet....momentos únicos.
A música da Guitarra Portuguesa, com acordeão, grandes êxitos de Amália, ouvida no silêncio da noite , depois de uma noite de fados no Bairro Alto.
No passado dia 15, meu presente de aniversário, um concerto dos Delfins.
Miguel Ângelo cantou (só para mim….), as músicas que tantas e tantas vezes recebi, em forma de poema, como se fossem poemas originais, feitos para mim.
Há tanta e tanta música , que me faz divagar, e em cada uma lembrar e relembrar um momento, aquele que é meu, e aquele outro momento partilhado, e não mais olvidado.
Há por fim a música do meu telemóvel, aquela que toca, quando chamas por mim, e que me diz pela voz do Bob Marley “ Don’t Worry…Be Happy”.
Há a música que os anjos tocam em harpas, todas as vezes que me sinto feliz.
E há somente a MÚSICA……, aquela que é feita de palavras, e que tão bem soa, aos nossos ouvidos.
Isabel
18 de agosto de 2005
Vinicius de Moraes * Soneto do Amor Total *
SONETO DO AMOR TOTAL
Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude
Vinicius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude
Vinicius de Moraes
17 de agosto de 2005
Nilzeth Alcântara ** COMO DIZER ... **
COMO DIZER...
O sol queima na pele, outro dia chegou…
Pousa calada na parede, uma borboleta negra.
Inerte, observo a tua foto congelada na tela das recordações...
Quadro de um passado ainda tão presente.
Vivas, suas lembranças permeiam, num pensamento sem som.
Ah! Como dói perder o sonho que foste um dia;
O desejo que se esvaiu por não te encontrar...
Como arrancar aqui de dentro, esta coisa que contradiz...
Como sublimar no sentimento, este fracasso sem dores.
Como te dizer, AMO-TE!
Como esconder que no coração,
Encontra-se calado o aroma do nosso amor, nossa paixão;
O sabor do beijo que não sentimos
O afago das mãos que não vivemos,
A loucura do amor que não fizemos.
Fecho os olhos…
Retrato num sonho a tua imagem,
Que surge a brincar de ciranda na amarelinha riscada;
Anjo tão sublime beijando-me a cada anoitecer.
Como romper esta dor...
Dor, que mata e destrói.
Como afastar você da minha vida,
Se mesmo negando, é tu a luz que necessito para viver.
Anjo! Diz-me apenas o que posso fazer.
Nilzeth Alcântara
O sol queima na pele, outro dia chegou…
Pousa calada na parede, uma borboleta negra.
Inerte, observo a tua foto congelada na tela das recordações...
Quadro de um passado ainda tão presente.
Vivas, suas lembranças permeiam, num pensamento sem som.
Ah! Como dói perder o sonho que foste um dia;
O desejo que se esvaiu por não te encontrar...
Como arrancar aqui de dentro, esta coisa que contradiz...
Como sublimar no sentimento, este fracasso sem dores.
Como te dizer, AMO-TE!
Como esconder que no coração,
Encontra-se calado o aroma do nosso amor, nossa paixão;
O sabor do beijo que não sentimos
O afago das mãos que não vivemos,
A loucura do amor que não fizemos.
Fecho os olhos…
Retrato num sonho a tua imagem,
Que surge a brincar de ciranda na amarelinha riscada;
Anjo tão sublime beijando-me a cada anoitecer.
Como romper esta dor...
Dor, que mata e destrói.
Como afastar você da minha vida,
Se mesmo negando, é tu a luz que necessito para viver.
Anjo! Diz-me apenas o que posso fazer.
Nilzeth Alcântara
13 de agosto de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema *** SEGREDOS ***
Visite também o blog onde se encontram publicados poemas deste Poeta Açoriano,
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
REMOS PARTIDOS
SEGREDOS
Trago em meu peito segredos,
Tantos segredos guardados...
Segredos doutros segredos,
Que nunca foram contados.
A fonte diz-me segredos;
Segredos me diz o mar,
Quando bate nos rochedos,
A luz triste do luar!...
Segredos conta-me o vento,
Se o ouço à noite, a gemer;
Segredos do seu tormento
Que só eu posso entender.
Diz-me segredos o cardo,
O tôjo, a rosa, o jasmim...
Ai, quantos segredos guardo,
Para sempre, dentro de mim!
E quando o sol, de mansinho,
Vai perder-se no poente,
Segredos me diz, baixinho,
Da sua mágoa pungente ...
E a noite diz-me também
Segredos da solidão,
Que só eu, e mais ninguém,
Pode ter no coração.
Um segredo só existe
De que eu sei o encanto:
- A razão porque sou triste ...
- Porque choro quando canto.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro de Poemas
" NOITE DE ALMA "
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
SEGREDOS
Trago em meu peito segredos,
Tantos segredos guardados...
Segredos doutros segredos,
Que nunca foram contados.
A fonte diz-me segredos;
Segredos me diz o mar,
Quando bate nos rochedos,
A luz triste do luar!...
Segredos conta-me o vento,
Se o ouço à noite, a gemer;
Segredos do seu tormento
Que só eu posso entender.
Diz-me segredos o cardo,
O tôjo, a rosa, o jasmim...
Ai, quantos segredos guardo,
Para sempre, dentro de mim!
E quando o sol, de mansinho,
Vai perder-se no poente,
Segredos me diz, baixinho,
Da sua mágoa pungente ...
E a noite diz-me também
Segredos da solidão,
Que só eu, e mais ninguém,
Pode ter no coração.
Um segredo só existe
De que eu sei o encanto:
- A razão porque sou triste ...
- Porque choro quando canto.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro de Poemas
" NOITE DE ALMA "
5 de agosto de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema ~~ NO MEIO DO MAR ~~
NO MEIO DO MAR
Nasci nas ondas que beijam
As encostas dum vulcão…
E quando à noite adormeço
A minha terra é o berço
Que embala meu coração!
Por tecto só tenho nuvens
Meu horizonte é o mar…
Se tivesse asas, um dia,
Certamente que partia
Para nunca mais voltar.
………………..
Querer partir e não ter
Um chão para caminhar
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro de poemas " HORAS CONTADAS " 1992
Nasci nas ondas que beijam
As encostas dum vulcão…
E quando à noite adormeço
A minha terra é o berço
Que embala meu coração!
Por tecto só tenho nuvens
Meu horizonte é o mar…
Se tivesse asas, um dia,
Certamente que partia
Para nunca mais voltar.
………………..
Querer partir e não ter
Um chão para caminhar
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro de poemas " HORAS CONTADAS " 1992
8 de julho de 2005
ÂNGELO GOMES * O Teu Corpo *
O TEU CORPO...
Deixa-me acordar, sorrir, esbracejar
Em cada alvorada de sonos inquietos
Pensamentos lentos, lista de afectos
Tua voz sentir, acto de inventar
Desenho o teu corpo enquanto desperto
De suave tecido em mãos de ternura
Que beijo e rebeijo com tanta doçura
E amo e possuo como se estivesses perto
Que venham sóis, chuvas ou tormentas
Que toquem os sinos abordando rebates
Que caiam ferros, pedras, alicates
Que as bocas estejam secas e sedentas
Oh... como adoro o teu corpo de frescura
Razão das razões... toque de magia
Que invade o meu, deixando nostalgia
Saudade intensa, retrospectiva pura
Corpos colados, invasão das mentes
Selados em lençóis ou calmas areias
Torcendo, mexendo, como centopeias
Acabando molhados, sôfregos, ardentes
Adoro o teu corpo de sonho e desejo...
Suporte de um todo que vejo e revejo.
Ângelo Gomes – 18 de Outubro de 2004
Deixa-me acordar, sorrir, esbracejar
Em cada alvorada de sonos inquietos
Pensamentos lentos, lista de afectos
Tua voz sentir, acto de inventar
Desenho o teu corpo enquanto desperto
De suave tecido em mãos de ternura
Que beijo e rebeijo com tanta doçura
E amo e possuo como se estivesses perto
Que venham sóis, chuvas ou tormentas
Que toquem os sinos abordando rebates
Que caiam ferros, pedras, alicates
Que as bocas estejam secas e sedentas
Oh... como adoro o teu corpo de frescura
Razão das razões... toque de magia
Que invade o meu, deixando nostalgia
Saudade intensa, retrospectiva pura
Corpos colados, invasão das mentes
Selados em lençóis ou calmas areias
Torcendo, mexendo, como centopeias
Acabando molhados, sôfregos, ardentes
Adoro o teu corpo de sonho e desejo...
Suporte de um todo que vejo e revejo.
Ângelo Gomes – 18 de Outubro de 2004
6 de julho de 2005
Florbela Espanca " A Nossa Casa "
A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho...que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro -- tão bom! -- dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho...que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro -- tão bom! -- dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...
26 de junho de 2005
Astrolábios "Volupias de Luar"
Tenho saudades do teu sorriso,
Da tua carne, da tua alma,
Lembro-te com a alma triste,
Revejo-te na noite calma.
Se eu fosse, sombras da sombra,
Levantar-te-ia numa onda,
De volupias e sombra,
Num sonho de aventura.
O nosso espírito adora a lua,
Sobrevoa qualquer mar,
Pelo ar místico flutua,
Neste esplêndido luar.
Ao raiar da manhã estás comigo,
Só de noite o teu corpo,
Não o tenho no meu abrigo.
“Astrolábios "
Da tua carne, da tua alma,
Lembro-te com a alma triste,
Revejo-te na noite calma.
Se eu fosse, sombras da sombra,
Levantar-te-ia numa onda,
De volupias e sombra,
Num sonho de aventura.
O nosso espírito adora a lua,
Sobrevoa qualquer mar,
Pelo ar místico flutua,
Neste esplêndido luar.
Ao raiar da manhã estás comigo,
Só de noite o teu corpo,
Não o tenho no meu abrigo.
“Astrolábios "
20 de junho de 2005
Nilzeth Alcântara " Sonhar "
SONHAR
Sonhar! É dizer à ilusão que você existe.
É buscar no impossível, a essência de tudo o que representas para mim...
Arrancando das cinzas, a tua imagem viva e o teu sorriso sincero.
É vestir de rendas a vontade que sinto de estar em você.
Sonhar! É viver a loucura da tua loucura.
Querendo pingos de chuva, cascatas de prazer.
É pedir ao vento, para dizer ao tempo para me levar;
Levar-me aos teus braços, para no teu abraço, eu me aconchegar.
Sonhar! É contar estrelas, criar arco-íris;
É banhar o meu corpo no mar do teu;
Saciar minha boca na fome de tua boca;
É sentir anoitecer, mesmo que neste instante ainda seja meio dia.
Sonhar!
É amar... Viver... Pertencer ... Te adorar.
É fundir o ontem no hoje, e não ter medo do amanhã;
É vencer, tremer chorar...
É acima de tudo acreditar que somente você, é capaz de me fazer sonhar.
Sonhar!
Nilzeth Alcântara
19/06/2005
Sonhar! É dizer à ilusão que você existe.
É buscar no impossível, a essência de tudo o que representas para mim...
Arrancando das cinzas, a tua imagem viva e o teu sorriso sincero.
É vestir de rendas a vontade que sinto de estar em você.
Sonhar! É viver a loucura da tua loucura.
Querendo pingos de chuva, cascatas de prazer.
É pedir ao vento, para dizer ao tempo para me levar;
Levar-me aos teus braços, para no teu abraço, eu me aconchegar.
Sonhar! É contar estrelas, criar arco-íris;
É banhar o meu corpo no mar do teu;
Saciar minha boca na fome de tua boca;
É sentir anoitecer, mesmo que neste instante ainda seja meio dia.
Sonhar!
É amar... Viver... Pertencer ... Te adorar.
É fundir o ontem no hoje, e não ter medo do amanhã;
É vencer, tremer chorar...
É acima de tudo acreditar que somente você, é capaz de me fazer sonhar.
Sonhar!
Nilzeth Alcântara
19/06/2005
19 de junho de 2005
PAULO COELHO " Encerrando um Ciclo "
ENCERRANDO UM CICLO - Paulo Coelho (O Globo - 22/08/04)
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar.
Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são
adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si
mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser
quem era, e se transforme em quem é.
PAULO COELHO
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar.
Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são
adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si
mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser
quem era, e se transforme em quem é.
PAULO COELHO
14 de junho de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO ** Ao Cair da Noite **
AO CAIR DA NOITE
Senta-te aqui … aqui, junto de mim.
Vem-me dizer o que a tua alma sente …
Que eu quero ouvir, embora tristemente,
A mágoa atroz que te amargura assim ! …
Quero saber ... minha Alma de Poeta
É um convento enorme de ilusões
E nele os prantos são as orações
Que adoçam bem o meu viver de asceta !
José Maria Lopes de Araújo “ Noite de Alma “
Senta-te aqui … aqui, junto de mim.
Vem-me dizer o que a tua alma sente …
Que eu quero ouvir, embora tristemente,
A mágoa atroz que te amargura assim ! …
Quero saber ... minha Alma de Poeta
É um convento enorme de ilusões
E nele os prantos são as orações
Que adoçam bem o meu viver de asceta !
José Maria Lopes de Araújo “ Noite de Alma “
8 de junho de 2005
Florbela Espanca "AMAR"
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar
Florbela Espanca
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar
Florbela Espanca
4 de junho de 2005
Sou CONCHA* ...
Sou naufraga no oceano dos teus afagos,
Onde me afogo no mar dos teus braços.
Sou coral de mil cores e flor de muitos odores.
Sou mulher de muitos amores...
Sou Concha* ...
Sou Pérola de colecionadores,
Sou gaivota voando livre,
Neste céu e mar só meu,
Quem serei eu afinal?!
Se por sinal, esta sou EU !
Isabel C.
Onde me afogo no mar dos teus braços.
Sou coral de mil cores e flor de muitos odores.
Sou mulher de muitos amores...
Sou Concha* ...
Sou Pérola de colecionadores,
Sou gaivota voando livre,
Neste céu e mar só meu,
Quem serei eu afinal?!
Se por sinal, esta sou EU !
Isabel C.
26 de maio de 2005
AMÈRICO *** Palavras São Caminhos ...***
Palavras São Caminhos...
São a voz da alma
liberta ou inquieta ,
São a imagem do sonho exótico
impossível ou louco....
São mares e são rios,
São remos e faróis.
São noites que não acabam
recordações que não morrem
São luzes que se acendem,
São luzes que se apagam
Palavras são sons..
De portas que se fecham
De lágrimas silenciosas
De angustias escondidas
De gritos de alegria...
De gritos de revolta
De noites por dormir,
De madrugadas esperando o sol
De vozes que se foram
De vozes que chegaram
Palavras são imagens...
De searas ondulantes
De abraços por sentir...
De fogueiras a arder..
De rios por navegar...
De florestas por descobrir
De sentimentos por desvendar
De medos por destruir...
De segredos por dividir...
Palavras são encontros...
Num cais desconhecido
Numa praia misteriosa
Numa montanha deserta
Numa cidade cinzenta
Num deserto sem areia
Numa rua sem ninguém
Num vulcão adormecido
Numa estrada sem destino...
Palavras são destinos...
Que se encontram
Porque existem...
Porque se procuram
Porque se necessitam
São beijos desejados
Ânsias incontroladas.
São saudade...são amor..
São descobertas...
São VIDA
Américo
São a voz da alma
liberta ou inquieta ,
São a imagem do sonho exótico
impossível ou louco....
São mares e são rios,
São remos e faróis.
São noites que não acabam
recordações que não morrem
São luzes que se acendem,
São luzes que se apagam
Palavras são sons..
De portas que se fecham
De lágrimas silenciosas
De angustias escondidas
De gritos de alegria...
De gritos de revolta
De noites por dormir,
De madrugadas esperando o sol
De vozes que se foram
De vozes que chegaram
Palavras são imagens...
De searas ondulantes
De abraços por sentir...
De fogueiras a arder..
De rios por navegar...
De florestas por descobrir
De sentimentos por desvendar
De medos por destruir...
De segredos por dividir...
Palavras são encontros...
Num cais desconhecido
Numa praia misteriosa
Numa montanha deserta
Numa cidade cinzenta
Num deserto sem areia
Numa rua sem ninguém
Num vulcão adormecido
Numa estrada sem destino...
Palavras são destinos...
Que se encontram
Porque existem...
Porque se procuram
Porque se necessitam
São beijos desejados
Ânsias incontroladas.
São saudade...são amor..
São descobertas...
São VIDA
Américo
1 de maio de 2005
Lúcio Neves Poema de Amor
Ah visão imaculada
Que me surges por entre os lençóis
E me deleitas o olhar,
Me pões aos teus pés
No chão a suplicar.
És manhã fria de gelar
Final e todas as orações
Água de todas as monções.
Afoga-me no teu bolinar
Pede-me mais em suplicio
Faz-me gemer e gritar
Oh anjo!
Que de mil penas
Nenhuma pena tens de mim
Tu que te sentas no trono de marfim
Rainha de toda a minha razão...
Regente deste sangrento coração.
És vida!
E que de tanto amor te dar
Minha alma anda perdida!!!
Lúcio Neves
Que me surges por entre os lençóis
E me deleitas o olhar,
Me pões aos teus pés
No chão a suplicar.
És manhã fria de gelar
Final e todas as orações
Água de todas as monções.
Afoga-me no teu bolinar
Pede-me mais em suplicio
Faz-me gemer e gritar
Oh anjo!
Que de mil penas
Nenhuma pena tens de mim
Tu que te sentas no trono de marfim
Rainha de toda a minha razão...
Regente deste sangrento coração.
És vida!
E que de tanto amor te dar
Minha alma anda perdida!!!
Lúcio Neves
26 de abril de 2005
Florbela Espanca
Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.
Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.
Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
17 de abril de 2005
VITOR CINTRA " Egoísmo "
EGOÍSMO
Sou pedra implantada à beira mar,
Sofrendo as investidas da maré,
Sentindo, lentamente, esboroar
A terra firme que me tem de pé.
Viver, a vida toda, em solidão,
Ter gente à volta mas vivendo só,
É ter, do mundo, toda uma visão
De tronco morto, que caiu no pó.
Gritar ao mundo, raiva, desespero,
Calando mortes, lágrimas e dor,
É grito tolo, grito de egoísmo;
É como ter, apenas, o que quero
Sem ter terra firma de amor
Que evite a queda certa no abismo.
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
Sou pedra implantada à beira mar,
Sofrendo as investidas da maré,
Sentindo, lentamente, esboroar
A terra firme que me tem de pé.
Viver, a vida toda, em solidão,
Ter gente à volta mas vivendo só,
É ter, do mundo, toda uma visão
De tronco morto, que caiu no pó.
Gritar ao mundo, raiva, desespero,
Calando mortes, lágrimas e dor,
É grito tolo, grito de egoísmo;
É como ter, apenas, o que quero
Sem ter terra firma de amor
Que evite a queda certa no abismo.
Vítor Cintra “ Ao Acaso “
8 de abril de 2005
AMÉRICO *** Quero ***
QUERO...
Ser teu ombro, teu colo, teu amigo
Sentir-te, nos momentos alegres e tristes
Ser tua luz, na mais escura das noites
Ser teu sol no mais brilhante dos dias.
Quero...
Ser tua força, teu espaço, teu horizonte
Quando mais nada existir na tua frente
Quando todos os outros se esgotarem
Um momento antes do desespero...
Quero...
Olhar contigo o dia nascer e o sol pôr-se
Sentir o ruído das ondas, o sopro do vento
Sentir o calor do teu corpo...no brilho
Do teu olhar, na emoção da tua voz...
Quero...
Deixar minhas mãos mexer na tua pele
Despertar os teus sentidos, acordar-te...
Fazer da menina... mulher romântica...louca
Num gesto atrevido, numa palavra sensual
Quero...
Correr contigo ao encontro da noite....
Libertar-te de todos os pesos...
Despir a tua roupa, acariciar teus cabelos
Teus seios, tuas costas… tuas coxas...
Quero...
Entrar na cama contigo, deitar-te, beijar-te
Estender-te na minha frente...abraçar-te
Com jeito...minha boca no teu ouvido…
Mãos nos teus seios, numa carícia suave...
Quero...
Ouvir o vento, a chuva, os ruídos da noite...
Libertar nossas almas e deixá-las correr
Libertar nossas mentes e deixa-las voar
Libertar nossos sonhos de deixa-los viver.
Quero...
Voltar-te para mim, beijar-te na boca
Sentir teus seios em meu peito...
Teu corpo mexendo ajustando-se ao meu
Teus braços puxando, apertando, tocando
Quero...
Quando a madrugada chegar....
Olhar em teus lábios um sorriso
Em teus olhos um brilho cintilante
Na tua voz um obrigado á vida
Quero...
Américo
Ser teu ombro, teu colo, teu amigo
Sentir-te, nos momentos alegres e tristes
Ser tua luz, na mais escura das noites
Ser teu sol no mais brilhante dos dias.
Quero...
Ser tua força, teu espaço, teu horizonte
Quando mais nada existir na tua frente
Quando todos os outros se esgotarem
Um momento antes do desespero...
Quero...
Olhar contigo o dia nascer e o sol pôr-se
Sentir o ruído das ondas, o sopro do vento
Sentir o calor do teu corpo...no brilho
Do teu olhar, na emoção da tua voz...
Quero...
Deixar minhas mãos mexer na tua pele
Despertar os teus sentidos, acordar-te...
Fazer da menina... mulher romântica...louca
Num gesto atrevido, numa palavra sensual
Quero...
Correr contigo ao encontro da noite....
Libertar-te de todos os pesos...
Despir a tua roupa, acariciar teus cabelos
Teus seios, tuas costas… tuas coxas...
Quero...
Entrar na cama contigo, deitar-te, beijar-te
Estender-te na minha frente...abraçar-te
Com jeito...minha boca no teu ouvido…
Mãos nos teus seios, numa carícia suave...
Quero...
Ouvir o vento, a chuva, os ruídos da noite...
Libertar nossas almas e deixá-las correr
Libertar nossas mentes e deixa-las voar
Libertar nossos sonhos de deixa-los viver.
Quero...
Voltar-te para mim, beijar-te na boca
Sentir teus seios em meu peito...
Teu corpo mexendo ajustando-se ao meu
Teus braços puxando, apertando, tocando
Quero...
Quando a madrugada chegar....
Olhar em teus lábios um sorriso
Em teus olhos um brilho cintilante
Na tua voz um obrigado á vida
Quero...
Américo
4 de abril de 2005
VITOR CINTRA * Sensualidade "
SENSUALIDADE
Caiu a noite! E o marulhar das ondas,
Embala em sonhos um amor distante,
Que tu desejas, com ardor e ânsia;
Mas nesse arquejo de paixão, que rondas,
Nem o negrume da saudade errante
Encurta o tempo, longo, da distância.
Sentindo o sonho vir, tornado alento,
Enfeitiçar-te, num desejo atroz,
Agigantado nesse marulhar,
Transpões a noite, pondo o pensamento
Na fantasia, da avidez feroz,
Dum outro amante, que te saiba amar.
Vítor Cintra “ Momentos “
Caiu a noite! E o marulhar das ondas,
Embala em sonhos um amor distante,
Que tu desejas, com ardor e ânsia;
Mas nesse arquejo de paixão, que rondas,
Nem o negrume da saudade errante
Encurta o tempo, longo, da distância.
Sentindo o sonho vir, tornado alento,
Enfeitiçar-te, num desejo atroz,
Agigantado nesse marulhar,
Transpões a noite, pondo o pensamento
Na fantasia, da avidez feroz,
Dum outro amante, que te saiba amar.
Vítor Cintra “ Momentos “
29 de março de 2005
"PERDIDAMENTE" Florbela Espanca
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
19 de março de 2005
10 de março de 2005
EUGÈNIO ANDRADE * As Palavras *
AS PALAVRAS
São como um cristal
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Barcos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são de luz
E são noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
As recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade, Coração do Dia
São como um cristal
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Barcos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são de luz
E são noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
As recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade, Coração do Dia
8 de março de 2005
VITOR CINTRA ****** ELAS *****
ELAS
São elas que nos fazem ficar tontos
Dizendo agora " sim " e logo " não ".
São elas que nos marcam os encontros
E lançam, por capricho, a confusão.
São elas que nos fazem, sem respeito,
Olhinhos, simulando a indiferença.
São elas que procuram, num trejeito,
Mostrar-se, quando impõem a presença.
São elas que provocam, com perícia,
Com arte, com requebros de malícia,
Os sonhos, que se fingem nas novelas.
São elas que se tornam, na essência,
O doce e amargor duma existência
Que não se sentiriam longe delas.
Vitor Cintra " Momentos "
São elas que nos fazem ficar tontos
Dizendo agora " sim " e logo " não ".
São elas que nos marcam os encontros
E lançam, por capricho, a confusão.
São elas que nos fazem, sem respeito,
Olhinhos, simulando a indiferença.
São elas que procuram, num trejeito,
Mostrar-se, quando impõem a presença.
São elas que provocam, com perícia,
Com arte, com requebros de malícia,
Os sonhos, que se fingem nas novelas.
São elas que se tornam, na essência,
O doce e amargor duma existência
Que não se sentiriam longe delas.
Vitor Cintra " Momentos "
3 de março de 2005
Só para Dizer Que te Amo
Só para dizer, que te amo,
Escalo montanhas ...
Para chegar ao topo
do teu coração.
Só para dizer, que te amo,
Percorro com os pés descalços
O rio gelado
que percorre as veias,
E atinge, o teu coração.
Só para dizer te amo
Peço ao sol que brilhe...
Só para ti.
Só para dizer te amo,
Choro a saudade da tua ausência
E peço que voltes depressa,
Sómente para dizer
que....TE AMO!
Isabel Valente
Escalo montanhas ...
Para chegar ao topo
do teu coração.
Só para dizer, que te amo,
Percorro com os pés descalços
O rio gelado
que percorre as veias,
E atinge, o teu coração.
Só para dizer te amo
Peço ao sol que brilhe...
Só para ti.
Só para dizer te amo,
Choro a saudade da tua ausência
E peço que voltes depressa,
Sómente para dizer
que....TE AMO!
Isabel Valente
27 de fevereiro de 2005
Vitor Cintra " SONHO "
SONHO
Chegaste ...
de repente e sem aviso !
O delírio, num sorriso,
chamando.
Corpo e alma e tudo em mim
vibrando,
no vislumbre do ensejo,
numa ânsia, num desejo,
de ti.
Ilusão que me sorri!
Contraste
doutros dias, maus, sem fim.
Vitor Cintra " Momentos "
Chegaste ...
de repente e sem aviso !
O delírio, num sorriso,
chamando.
Corpo e alma e tudo em mim
vibrando,
no vislumbre do ensejo,
numa ânsia, num desejo,
de ti.
Ilusão que me sorri!
Contraste
doutros dias, maus, sem fim.
Vitor Cintra " Momentos "
15 de fevereiro de 2005
Duma amiga que a net me presenteou, aqui fica um poema que amávelmente me enviou.
Um beijo para ti Céu
Saudade
Não posso viver sem ti
Não quero viver sem ti.
Dizem-me que sou forte
Que a vida continua...
Mas eles não sabem
Que nós éramos um,
E se éramos um,
Como separar uma parte?
Não Gi!
Eles não entendem, não sabem,
Porque não se amam como nós.
Eu sei que não queres que eu chore
Não posso suster as lágrimas
Lágrimas de amor, saudade,
Tristeza por não te ter comigo.
Sofro muito e sei que tu não queres.
Mas tu conheces-me,
Tu sabes que não sou tão forte assim.
Como é difícil passar sem as tuas mãos,
O teu carinho,
A tua loucura por mim.
Gi, olha por mim.
Ouve-me, ajuda-me,
Espera-me.
Maria do Céu Câncio
1999.09.25
Um beijo para ti Céu
Saudade
Não posso viver sem ti
Não quero viver sem ti.
Dizem-me que sou forte
Que a vida continua...
Mas eles não sabem
Que nós éramos um,
E se éramos um,
Como separar uma parte?
Não Gi!
Eles não entendem, não sabem,
Porque não se amam como nós.
Eu sei que não queres que eu chore
Não posso suster as lágrimas
Lágrimas de amor, saudade,
Tristeza por não te ter comigo.
Sofro muito e sei que tu não queres.
Mas tu conheces-me,
Tu sabes que não sou tão forte assim.
Como é difícil passar sem as tuas mãos,
O teu carinho,
A tua loucura por mim.
Gi, olha por mim.
Ouve-me, ajuda-me,
Espera-me.
Maria do Céu Câncio
1999.09.25
13 de fevereiro de 2005
Miguel Torga " Súplica "
* SÚPLICA *
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada
Miguel Torga
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada
Miguel Torga
8 de fevereiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO *** Amor Supremo ***
*** AMOR SUPREMO ***
Amei o vento, em doida correria,
Por noites de medonha tempestade …
Amei …Amei a minha mocidade …
Escura noite, em vez de claro dia.
E quis manhãs alegres, radiosas,
Manhãs cheias de sol, cheias de luz;
E amei até a minha própria Cruz,
Feita de dor e lágrimas saudosas!
Amei o mar e a onda enraivecida
Que vai perder a sua própria vida,
Contra o rochedo velho, secular …
Amei enfim, a Natureza inteira …
Mas, das paixões é esta, esta a primeira,
Pois, como a ti, eu nunca soube amar!
José Maria Lopes de Araújo do livro de poemas “ Cinzas Quentes “
Amei o vento, em doida correria,
Por noites de medonha tempestade …
Amei …Amei a minha mocidade …
Escura noite, em vez de claro dia.
E quis manhãs alegres, radiosas,
Manhãs cheias de sol, cheias de luz;
E amei até a minha própria Cruz,
Feita de dor e lágrimas saudosas!
Amei o mar e a onda enraivecida
Que vai perder a sua própria vida,
Contra o rochedo velho, secular …
Amei enfim, a Natureza inteira …
Mas, das paixões é esta, esta a primeira,
Pois, como a ti, eu nunca soube amar!
José Maria Lopes de Araújo do livro de poemas “ Cinzas Quentes “
30 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema ** AMOR **
AMOR
No vasto mar, no céu ou na montanha,
Na serra ou no planalto adormecido,
Eu vejo-o a vaguear tonto e perdido,
O louco amor ….essa figura estranha !
Amor, irmão da noite ….amor tristeza,
Amor escuridão …tédio …pavor …
Nostálgica visão de sonhador …
Amor inquieto e feito de incerteza !
Amor em labareda … Amor em chama…
Amor que aquece a alma regelada …
Que chora e ri, e canta, e geme , e clama
Em vão! … Amor que é tudo ! Amor que é nada ! …
Quando sofro, alivio a minha dor,
Chorando; e quanto é bom chorar assim …
Com lágrimas dizendo, como em mim,
Crepita e arde o fogo dum Amor !
José Maria Lopes de Araújo
do livro de poemas “ Noite de Alma “
No vasto mar, no céu ou na montanha,
Na serra ou no planalto adormecido,
Eu vejo-o a vaguear tonto e perdido,
O louco amor ….essa figura estranha !
Amor, irmão da noite ….amor tristeza,
Amor escuridão …tédio …pavor …
Nostálgica visão de sonhador …
Amor inquieto e feito de incerteza !
Amor em labareda … Amor em chama…
Amor que aquece a alma regelada …
Que chora e ri, e canta, e geme , e clama
Em vão! … Amor que é tudo ! Amor que é nada ! …
Quando sofro, alivio a minha dor,
Chorando; e quanto é bom chorar assim …
Com lágrimas dizendo, como em mim,
Crepita e arde o fogo dum Amor !
José Maria Lopes de Araújo
do livro de poemas “ Noite de Alma “
28 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO poema ** Paisagem **
PAISAGEM
Trinados de passarinhos,
Sombras frescas, perfumadas,
Pastagens, fontes e ninhos
E nascentes encantadas!
Por solitários caminhos,
Em alegres madrugadas,
Trabalhadores e velhinhos
Passam com suas enxadas.
Na aldeia, só finda a vida
Quando o sino duma ermida
Dobrando toca Trindades.
Quando vai o sol morrendo
E vem a noite descendo
Num crescendo de saudades!
José Maria Lopes de Araújo " Noite de Alma "
Trinados de passarinhos,
Sombras frescas, perfumadas,
Pastagens, fontes e ninhos
E nascentes encantadas!
Por solitários caminhos,
Em alegres madrugadas,
Trabalhadores e velhinhos
Passam com suas enxadas.
Na aldeia, só finda a vida
Quando o sino duma ermida
Dobrando toca Trindades.
Quando vai o sol morrendo
E vem a noite descendo
Num crescendo de saudades!
José Maria Lopes de Araújo " Noite de Alma "
25 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO poema " Outono da Vida "
OUTONO DA VIDA
No doloroso rescaldo das labaredas
Que queimaram meus sonhos, minhas esperanças,
Vem a misteriosa voz do longe
Gritar mensagens íntimas, poemas singulares,
Em cantares do meu sentir...
Presidiário do Mar,
Meu desumano carcereiro,
Sentindo-me cada vez mais só,
Abafado no silêncio esmagador
Desta insular solidão,
Da minha amarga dor,
Saí de mim próprio, em louca evasão...
Queria gritar, bem alto,
De modo que todo mundo ouvisse,
O verbo amar ... o verbo amar,
Em noites de luar,
Ou manhãs de frio vendaval.
Que loucura a minha ...
Quero receber as gotas de mágoa
Das horas distantes do meu viver ...
Estou no Outono da vida ...
Quando as folhas ressequidas rodopiam
E a brisa chora como violino gemebundo ! ...
Há palavras que não entendo
Na minha solidão:
O ontem, o hoje, o amanhã
E aquilo que vive, cá dentro,
Cá dentro, no coração ...
O silêncio das coisas,
O sal das lágrimas,
Os sorrisos tristes,
As esperanças diluídas ,
As chuvas, que são tormentos,
Batendo nas janelas,
Caindo dos beirais,
Em dolorosos momentos ! ...
Canto louco ... Canto louco ...
Pensamento ... Pensamento
Aonde vais? ... Aonde vais ?
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro " Outono da Vida "
No doloroso rescaldo das labaredas
Que queimaram meus sonhos, minhas esperanças,
Vem a misteriosa voz do longe
Gritar mensagens íntimas, poemas singulares,
Em cantares do meu sentir...
Presidiário do Mar,
Meu desumano carcereiro,
Sentindo-me cada vez mais só,
Abafado no silêncio esmagador
Desta insular solidão,
Da minha amarga dor,
Saí de mim próprio, em louca evasão...
Queria gritar, bem alto,
De modo que todo mundo ouvisse,
O verbo amar ... o verbo amar,
Em noites de luar,
Ou manhãs de frio vendaval.
Que loucura a minha ...
Quero receber as gotas de mágoa
Das horas distantes do meu viver ...
Estou no Outono da vida ...
Quando as folhas ressequidas rodopiam
E a brisa chora como violino gemebundo ! ...
Há palavras que não entendo
Na minha solidão:
O ontem, o hoje, o amanhã
E aquilo que vive, cá dentro,
Cá dentro, no coração ...
O silêncio das coisas,
O sal das lágrimas,
Os sorrisos tristes,
As esperanças diluídas ,
As chuvas, que são tormentos,
Batendo nas janelas,
Caindo dos beirais,
Em dolorosos momentos ! ...
Canto louco ... Canto louco ...
Pensamento ... Pensamento
Aonde vais? ... Aonde vais ?
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro " Outono da Vida "
24 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO ** Ilha de Santa Maria **
ILHA DE SANTA MARIA
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?!...
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar !
Tenho saudades de ti,
Dos teus vales, dos teus montes ...
Foi por ti que me perdi,
Ouvindo o canto das fontes ...
... E dos grilos, ao luar,
Nas noites quentes de estio,
Da brisa que vem do mar,
No Inverno , cinzento e frio.
Se, na tua soledade,
Te debruças sobre o mar,
Mais cresce em mim a saudade
De te ver e te abraçar ! ...
Ó minha Santa Maria,
Ilha tão abandonada ...
Rainha fizeram-te um dia ...
Hoje, escrava, não tens nada ! ...
Onde estão as velas brancas
Dos teus moinhos de vento,
Que a brisa punha a girar,
Em constante movimento ?
E o moleiro já cansado,
Subindo a colina, tinha
No velho rosto, enrugado,
Sulcos fundos de farinha ! ...
E na tarde, quando o sino
Dobrava, ao longe, Trindades,
Marcava no meu destino,
Um destino de saudades ! ...
Tuas santas tradições,
Em Maio, mês de Maria,
No Terço e nas orações
Que, nas aldeias. de dia,
O povo ia rezando
Mesmo ao sair das igrejas,
Para casa, caminhando ...
Bendita, bendita sejas,
Santa Maria, ilha Santa ...
Que tudo e tudo aceitas,
Mesmo de esperanças perdidas ...
Mesmo de esperanças desfeitas ! ...
Ilha de Santa Maria !
Ó minha terra adoptiva !
Nunca mais te esquecerei,
Por muito e muito que viva.
. . . . . . . . . . . . . . .
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar ! ...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do livro " Remos Partidos " 1983
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?!...
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar !
Tenho saudades de ti,
Dos teus vales, dos teus montes ...
Foi por ti que me perdi,
Ouvindo o canto das fontes ...
... E dos grilos, ao luar,
Nas noites quentes de estio,
Da brisa que vem do mar,
No Inverno , cinzento e frio.
Se, na tua soledade,
Te debruças sobre o mar,
Mais cresce em mim a saudade
De te ver e te abraçar ! ...
Ó minha Santa Maria,
Ilha tão abandonada ...
Rainha fizeram-te um dia ...
Hoje, escrava, não tens nada ! ...
Onde estão as velas brancas
Dos teus moinhos de vento,
Que a brisa punha a girar,
Em constante movimento ?
E o moleiro já cansado,
Subindo a colina, tinha
No velho rosto, enrugado,
Sulcos fundos de farinha ! ...
E na tarde, quando o sino
Dobrava, ao longe, Trindades,
Marcava no meu destino,
Um destino de saudades ! ...
Tuas santas tradições,
Em Maio, mês de Maria,
No Terço e nas orações
Que, nas aldeias. de dia,
O povo ia rezando
Mesmo ao sair das igrejas,
Para casa, caminhando ...
Bendita, bendita sejas,
Santa Maria, ilha Santa ...
Que tudo e tudo aceitas,
Mesmo de esperanças perdidas ...
Mesmo de esperanças desfeitas ! ...
Ilha de Santa Maria !
Ó minha terra adoptiva !
Nunca mais te esquecerei,
Por muito e muito que viva.
. . . . . . . . . . . . . . .
Quem pode partir, um dia,
Sem nunca mais te lembrar ?
Ó minha Santa Maria,
Quem te pudesse abraçar ! ...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do livro " Remos Partidos " 1983
23 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO " Tempo...Idade...Distância "
TEMPO….IDADE … . DISTÂNCIA
Tempo? Não! …
Para o amor
O tempo não vale …
O tempo só conta na dor,
O tempo só conta no mal! …
Para amar
O tempo não sabe contar !
Idade? – Não! …
Para amar não há idade …
Nunca envelhece o coração
Que amar ! …
Que o amor não sabe contar ! …
Distância? – Não ! …
Para amar não há distância,
Nem tempo, nem idade …
Que idade, tempo e distância,
Tudo transforma a saudade !
Distância ? – Não ! …
Galga tudo o pensamento;
De tal maneira
Que num momento
Corre o mundo,
E até vive a vida inteira
Num segundo!
Distância? – Não! …
Não há distância para amar,
Que o amor não sabe contar ! …
José Maria Lopes de Araújo " Cinzas Quentes "
22 de janeiro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Amargo Anseio * do Livro " Noite de Alma " Publicado em 1964
O meu Agradecimento ao filho do Poeta " LOPES DE ARAÚJO ",que amávelmente me ofereceu alguns livros, edições esgotadas, e que reconhecidamente aqui agradeço.
O poema abaixo , foi publicado no seu primeiro livro " NOITE DE ALMA " no ano de 1964.
O Poeta José Maria Lopes de Araújo, completaria no próximo dia 25 de Janeiro o seu 86º. aniversário.
Tratando-se de uma pessoa a quem dedico enorme admiração, tanto como poeta como pela obra feita em vida , em prol dos desfavorecidos meus conterrâneos ,tendo desenvolvido um meritório trabalho na " Sopa do Pobre " ,tal como o efectuado na área da Cultura, da Poesia entre outros.
Foi enorme a sua dedicação a esta ilha à qual dedicou uma importante parte da sua vida tendo-lhe chamado " A MINHA TERRA ADOPTIVA ".
Lembro do excelente Professor que foi.
Na área da cultura, levou à cena algumas importantes peças de Teatro Revista músicado , da quais destaco " ESTÁS-TE CONSOLANDO" por neste ano que decorre, se comemorar o seu 50º aniversário.
Na Estação de Rádio desta Ilha " Clube Asas do Atlântico " local onde colaborei, e onde o Poeta deu o seu valioso contributo, tanto como Administrador bem como animador Cultural nos " Diálogos Radiofónicos ", foram muitas as vezes que me deliciei a ouvir as bobines gravadas com as peças de Teatro Revista representadas na nossa velha casa de Cinema do Aeroporto de S.Maria, bem como o "Teatro Radiofónico " bem ao estilo dos Parodiantes de Lisboa, entre outras variantes.
Espero que a Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, volte de novo a nos presentear agora, altura do aniversário do Poeta, e ao mesmo tempo pela comemoração do 50º. aniversário da Peça de Revista " ESTAS-TE CONSOLANDO " com a emissão radiofónica dessas gravações.
O Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO a tudo se entregou com grande paixão pela minha ilha e pelos Marienses.
Por todos os momentos de prazer que me proporciona ao ler os seus poemas, pelos momentos inesquecíveis que passei ouvindo os seus " Diálogos " e pela saudade que deixou em todos nós ilhéus da ilha de S.Maria- AÇORES , aqui deixarei diáriamente alguns poemas, numa modesta lembrança de aniversário ao Humanista, Poeta , Animador Cultural e Professor JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO.
Fica a saudade e a eterna lembrança.
Isabel
***************************
AMARGO ANSEIO
É meu talvez ... Quem sabe se é o meu,
O amor que tu na terra procuraste?
O sonho doce e lindo que sonhaste,
Na vida que a tua alma não viveu?
Trarei em mim o vento que varreu
As brancas ilusões que alimentaste?
Sei lá ... mulher, se sou quem desejaste...
Quem sabe, amor, quem sabe se sou eu?
Almas irmãs na negra desventura,
Vivendo a mesma noite, longa, escura,
Trilhando a mesma senda de poetas ! ...
Quem olha a nossa dor ? Quem compreende
Este amargor que o mundo não entende,
Constante anseio de intangíveis metas?! ...
José Maria Lopes de Araújo " NOITE DE ALMA "
O poema abaixo , foi publicado no seu primeiro livro " NOITE DE ALMA " no ano de 1964.
O Poeta José Maria Lopes de Araújo, completaria no próximo dia 25 de Janeiro o seu 86º. aniversário.
Tratando-se de uma pessoa a quem dedico enorme admiração, tanto como poeta como pela obra feita em vida , em prol dos desfavorecidos meus conterrâneos ,tendo desenvolvido um meritório trabalho na " Sopa do Pobre " ,tal como o efectuado na área da Cultura, da Poesia entre outros.
Foi enorme a sua dedicação a esta ilha à qual dedicou uma importante parte da sua vida tendo-lhe chamado " A MINHA TERRA ADOPTIVA ".
Lembro do excelente Professor que foi.
Na área da cultura, levou à cena algumas importantes peças de Teatro Revista músicado , da quais destaco " ESTÁS-TE CONSOLANDO" por neste ano que decorre, se comemorar o seu 50º aniversário.
Na Estação de Rádio desta Ilha " Clube Asas do Atlântico " local onde colaborei, e onde o Poeta deu o seu valioso contributo, tanto como Administrador bem como animador Cultural nos " Diálogos Radiofónicos ", foram muitas as vezes que me deliciei a ouvir as bobines gravadas com as peças de Teatro Revista representadas na nossa velha casa de Cinema do Aeroporto de S.Maria, bem como o "Teatro Radiofónico " bem ao estilo dos Parodiantes de Lisboa, entre outras variantes.
Espero que a Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, volte de novo a nos presentear agora, altura do aniversário do Poeta, e ao mesmo tempo pela comemoração do 50º. aniversário da Peça de Revista " ESTAS-TE CONSOLANDO " com a emissão radiofónica dessas gravações.
O Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO a tudo se entregou com grande paixão pela minha ilha e pelos Marienses.
Por todos os momentos de prazer que me proporciona ao ler os seus poemas, pelos momentos inesquecíveis que passei ouvindo os seus " Diálogos " e pela saudade que deixou em todos nós ilhéus da ilha de S.Maria- AÇORES , aqui deixarei diáriamente alguns poemas, numa modesta lembrança de aniversário ao Humanista, Poeta , Animador Cultural e Professor JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO.
Fica a saudade e a eterna lembrança.
Isabel
***************************
AMARGO ANSEIO
É meu talvez ... Quem sabe se é o meu,
O amor que tu na terra procuraste?
O sonho doce e lindo que sonhaste,
Na vida que a tua alma não viveu?
Trarei em mim o vento que varreu
As brancas ilusões que alimentaste?
Sei lá ... mulher, se sou quem desejaste...
Quem sabe, amor, quem sabe se sou eu?
Almas irmãs na negra desventura,
Vivendo a mesma noite, longa, escura,
Trilhando a mesma senda de poetas ! ...
Quem olha a nossa dor ? Quem compreende
Este amargor que o mundo não entende,
Constante anseio de intangíveis metas?! ...
José Maria Lopes de Araújo " NOITE DE ALMA "
14 de janeiro de 2005
JOSÉ RÉGIO " Cântico Negro "
** Cântico Negro **
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
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