20 de março de 2007
6 de março de 2007
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " Encontrei o Norte em Ti..."
Oh insula alada
Que prenhas de certezas
a ventura do meu ser
em amor
e em
querer
Que me prestas amorosa
no teu seio em vaso
todo o meu ser
da vida ao
horizonte
Porque fazes renascer
sem certeza do porvir
em nova esperança
em mim ?
Uma ilha nova !
Fernando Monteiro Poeta da Ilha de S. Maria - Açores
do livro " MAR BRANCO "
28 de fevereiro de 2007
Emigrantes de Ontem e de Hoje
Transcrevo texto opinião do blog que habitualmente visito
RESISTIR
Um texto que nos faz parar e reflectir .
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A Região mais triste de Portugal (linguagem pouco cuidada)
Um texto que nos faz parar e reflectir .
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Sónia, que nasceu em 1977, é muito doente. Com o marido e os filhos emigraram ilegalmente para o Canadá em 2000 ou 2001. Em busca do sonho. Do sonho de quase tudo. Pobres, filhos de pobres deixaram os Açores para fugir a uma miséria que as autoridades regionais vergonhosamente ignoram e a sociedade civil finge ser conversa de académicos ou estatísticas de gente que não concorda com a mediocridade do governo açoriano.
A miséria destes açorianos honrados não é diferente da miséria de muitos outros. Miséria absoluta, quero dizer, envergonhada, com a falta de oportunidades, que respira e se alimenta à sombra da inevitabilidade do velho destino açoriano das classes sociais, favores e temores a Deus. Miséria, digo ainda, que se auto-sustenta de geração em geração e tolera quase tudo: corrupção, financiamentos partidários por bandidos, mau uso dos dinheiros públicos, obséquios do Estado a canalhas, pedófilos em liberdade, ladrões, patifes, legisladores castrados, comunicação social servil, procuradores e juízes de direito a jeito e polícias coniventes.
Carlos é pedreiro. Em algumas províncias canadianas um pedreiro pode ganhar 100.000.00 dollars por ano. Com facilidade, em poucos anos, foi possível construir uma vida com suor e saudade, mas sem ser preciso ser do partido, ou amigo de alguém, ou baixar as calças à dignidade ou votar no PS ou PSD ou aquilo que todos percebem. Uma Autonomia de filhos e enteados, de sucesso e de filhos da puta, dirão outros.
Poucos ajudam pessoas como Sónia ou Carlos. Apenas as comunidades de emigrantes açorianos ou a Igreja Católica, a quem tenho de prestar homenagem na forma como ajudam os emigrante ilegais. Não a Igreja Católica que fornica com o governo açoriano mas a igreja que acredita na dignidade da pessoa humana.
Carlos e Sónia não têm escolaridade. Não falam muito bem. Não são jogadores de futebol. Não atraem votos. Não fodem por dinheiro. Não se vendem. Vão pouco a festas. Não gerem os milhões das transferências do orçamento do Estado. Vestem modestamente. Não influenciam ninguém. São gente modesta. Apenas trabalham e tratam da família e de procurar um futuro melhor para os filhos. Futuro que lhes foi negado na sua terra. E a Sónia, que nasceu em 1977, cresceu à sombra do sucesso da Autonomia política legislativa; mas não consta que saiba cantar o hino regional. Pois.
Como são ilegais, Carlos, Sónia e os filhos foram deportados. Pois. Um dos filhos, com 11 meses, nascido no Canadá, não tinha qualquer identificação e foi impedido de sair de Toronto. E foi aqui que ficaram vivos para o mundo. Nasceram para o estrelado da miséria, para a agonia da humilhação. Mas eu sei. Apesar de nunca os ter visto, vi milhares e milhares como eles: gente decente da região mais triste de Portugal.
A miséria destes açorianos honrados não é diferente da miséria de muitos outros. Miséria absoluta, quero dizer, envergonhada, com a falta de oportunidades, que respira e se alimenta à sombra da inevitabilidade do velho destino açoriano das classes sociais, favores e temores a Deus. Miséria, digo ainda, que se auto-sustenta de geração em geração e tolera quase tudo: corrupção, financiamentos partidários por bandidos, mau uso dos dinheiros públicos, obséquios do Estado a canalhas, pedófilos em liberdade, ladrões, patifes, legisladores castrados, comunicação social servil, procuradores e juízes de direito a jeito e polícias coniventes.
Carlos é pedreiro. Em algumas províncias canadianas um pedreiro pode ganhar 100.000.00 dollars por ano. Com facilidade, em poucos anos, foi possível construir uma vida com suor e saudade, mas sem ser preciso ser do partido, ou amigo de alguém, ou baixar as calças à dignidade ou votar no PS ou PSD ou aquilo que todos percebem. Uma Autonomia de filhos e enteados, de sucesso e de filhos da puta, dirão outros.
Poucos ajudam pessoas como Sónia ou Carlos. Apenas as comunidades de emigrantes açorianos ou a Igreja Católica, a quem tenho de prestar homenagem na forma como ajudam os emigrante ilegais. Não a Igreja Católica que fornica com o governo açoriano mas a igreja que acredita na dignidade da pessoa humana.
Carlos e Sónia não têm escolaridade. Não falam muito bem. Não são jogadores de futebol. Não atraem votos. Não fodem por dinheiro. Não se vendem. Vão pouco a festas. Não gerem os milhões das transferências do orçamento do Estado. Vestem modestamente. Não influenciam ninguém. São gente modesta. Apenas trabalham e tratam da família e de procurar um futuro melhor para os filhos. Futuro que lhes foi negado na sua terra. E a Sónia, que nasceu em 1977, cresceu à sombra do sucesso da Autonomia política legislativa; mas não consta que saiba cantar o hino regional. Pois.
Como são ilegais, Carlos, Sónia e os filhos foram deportados. Pois. Um dos filhos, com 11 meses, nascido no Canadá, não tinha qualquer identificação e foi impedido de sair de Toronto. E foi aqui que ficaram vivos para o mundo. Nasceram para o estrelado da miséria, para a agonia da humilhação. Mas eu sei. Apesar de nunca os ter visto, vi milhares e milhares como eles: gente decente da região mais triste de Portugal.
JOSÉ ANDRADE " Estrada da Vida "

E no silêncio da noite
Se perdem as passadas
Largas e pesadas
E fortes... mas inseguras.
O relógio
Em contratempo
Marca o Tempo.
Um tempo que passa
A cada passo
E que não volta nunca.
Talvez por isso se ouvem ainda
Passadas na estrada.
Nesta curta estrada
A percorrer
Sem correr
Mas a crer
Que cada passo que nela passa
Passará para a Eternidade !
José Andrade
S.Miguel - Açores
Do livro " SEMENTE "
24 de fevereiro de 2007
SIDÓNIO BETTENCOURT " Confidência "
Nunca tive pátria, outro rio, outra casa, outra rua, nunca tive outra terra, outro mar, outra mãe, outra mulher, nunca tive
Outra coisa qualquer ...
Sidónio Bettencourt
Do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "
12 de fevereiro de 2007
Poema de " Bruno Valter Garcia Ferreira "

Quis Deus que ao sol nascente te voltasses
E do cimo dos cumes tão altivos
Do mar, em forte abraço, ali tombasses
Preso de meigos beijos e cativos;
E que de verde parra te adornasses
E fossem tantos mais os teus motivos,
Que gigantesco teatro aparentasses
Quer a estranhos, quer a teus nativos.
S.Lourenço - ó minha linda baía -
Nas luarentas noites de estio,
Tudo e todos envolves em magia.
Sobem no ar cantigas de alegria;
Cantam cagarros em estranho cio
Mas tudo tem um quê de nostalgia !
Poema do Dr. Bruno Ferreira
Um Mariense ,residente da ilha Terceira- Açores
Do Livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "
7 de fevereiro de 2007
SIDÓNIO BETTENCOURT " Reencontros "
Não sei se te encontrarás algum dia e se me vires não digas palavra.
Saberei dizer-te no olhar o que me escondeste dos olhos e da voz calada sentirás o poema da partida.
Se disseres chegada guardarei nas mãos todo o tempo de dar.
Esperei todos os dias pela claridade, mas amanhã de manhã não voltou.
E a noite se fez dia e madrugada outra melodia e eu sem nada.
Sidónio Bettencourt
ilha do Pico - Açores
Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
4 de fevereiro de 2007
JOSE ANDRADE poema " Ivone "
Na vida de um homem há sempre uma mulher
Tu és o sonho real
Que sonhei sonhar
Numa infinita realidade.
És pensamento que penso
Ao pensar na vida que vivo
E que vou viver.
Tu és aquilo que sou
E que nunca antes havia sido.
És o futuro presente
Que justifica o passado meu
Tu és simplesmente tudo
Neste mundo que é teu.
Set/83
JOSÉ ANDRADE
S.Miguel - Açores
Do livro " Semente "
TITO MAGALHÃES , Ilha de S. Maria - Poema " Manuscrito "

... E Deus criou o homem
Senhor de todos os gestos
Houve murmúrio de dedos
Requiem para um Paraíso
E abrimos as mãos em flor
Qual sinfonia oponível
Eram pétalas d'espanto
Sobre o jardim Natureza
E assim aprendemos
A conter os desejos
Na carícia de um fruto
E a sentir os prazeres
Do redondo vocábulo
Que primeiro gritámos
Que depois gememos
E por fim dissemos
Vezes sem conta
Até que o cantámos
Em louvor do milagre
Que então surgiu...
E quisemos gravá-lo
Como um pensamento
Que a pedra guardasse
E nessa memória
De riscos cravados
Na mais dura terra
Irrompe o poema
De uma linguagem
Já com sentimento
Poema de Tito Magalhães- Ilha de S. Maria - Açores
Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "
29 de janeiro de 2007
António de Medeiros Pereira
Tua boca nacarada
É o sensual cartaz
E o cofre que arrecada
Os beijos que não me dás...
É o sensual cartaz
E o cofre que arrecada
Os beijos que não me dás...
A tua boca formosa
Cheia de vida e de frescor,
Parece um botão de rosa,
Abrindo em beijos de amor.
Teus olhos aveludados,
Onde há malícia e paixão
São a causa dos pecados,
Que trago no coração
Poema de " António de Medeiros Pereira " S.Maria -Açores
Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "
22 de janeiro de 2007
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Irmã Tristeza *

IRMÃ TRISTEZA
Era uma vez ... Fatigada
De fazer sofrer e magoar,
Uma fada encantada,
Cansada de chorar e fazer chorar,
Entrou dentro de mim e disse :
- Não quero mais sair desta prisão !
Vou, para sempre, aqui ficar ...
Venho, para sempre morar,
Dentro do teu coração !
- Quem és tu ? – interroguei,
Apavorado.
Ela respondeu :
- Não sei ... não sei ..
Só sei que te não posso ver,
Viver assim,
Atormentado !
Mas, quem és tu, quem me fala assim ?
- És a dor? A saudade ? A amargura ?
- Onde moras e donde vens ?
Do mar ? Do céu ? Da noite escura ?
Ou do ignoto mistério da natureza ?
E a voz de longe respondeu,
Baixinho, como quem reza –
- “ Sem mais sim, sem mais não “ :
- Sou a tua irmã tristeza !
Que importa quem seja eu,
Se vier, nos braços da paz,
Para sempre, adormecer
Dentro do teu coração !
Lopes Araujo
Era uma vez ... Fatigada
De fazer sofrer e magoar,
Uma fada encantada,
Cansada de chorar e fazer chorar,
Entrou dentro de mim e disse :
- Não quero mais sair desta prisão !
Vou, para sempre, aqui ficar ...
Venho, para sempre morar,
Dentro do teu coração !
- Quem és tu ? – interroguei,
Apavorado.
Ela respondeu :
- Não sei ... não sei ..
Só sei que te não posso ver,
Viver assim,
Atormentado !
Mas, quem és tu, quem me fala assim ?
- És a dor? A saudade ? A amargura ?
- Onde moras e donde vens ?
Do mar ? Do céu ? Da noite escura ?
Ou do ignoto mistério da natureza ?
E a voz de longe respondeu,
Baixinho, como quem reza –
- “ Sem mais sim, sem mais não “ :
- Sou a tua irmã tristeza !
Que importa quem seja eu,
Se vier, nos braços da paz,
Para sempre, adormecer
Dentro do teu coração !
Lopes Araujo
19 de janeiro de 2007
11 de janeiro de 2007
VITOR CINTRA " Eu Vi ... "
Eu vi passar o tempo, sempre á 'spera
Que a sorte bafejasse o meu país
E que, vencido o medo de Quimera,
Fortuna fosse mais do que se diz.
Eu vi passar os anos de revolta,
Por todas as partidas de Destino,
Sabendo de há um tempo, que não volta,
No Fado, que abracei desde menino.
Que a sorte bafejasse o meu país
E que, vencido o medo de Quimera,
Fortuna fosse mais do que se diz.
Eu vi passar os anos de revolta,
Por todas as partidas de Destino,
Sabendo de há um tempo, que não volta,
No Fado, que abracei desde menino.
Eu vi as muitas Moiras, que se cruzam
No palco desta terra lusitana,
Querendo proteger a massa humana;
Mas vi, também, as Parcas, que nos usam,
Tentando demonstrar que é errado
Um povo destemido ser honrado.
Vitor Cintra
Do livro " Ao Acaso "
3 de janeiro de 2007
Poema de João Delvino Chaves Baptista - Ilha de S. Maria
Ser jovem é ser alguém!
Ter o orgulho da raça
E impor-se lá no fundo.
Ser jovem é também,
Trazer nos ombros a esperança
De crescer com o mundo.
Ser jovem é estar mais perto !
Ter no coração a realeza
Na sua luta pela realidade.
Ser jovem é também estar certo
E ter nessa certeza,
O saber simples da verdade.
Ser jovem é ter orgulho!
E se, na luta ser duro
Necessário o for, ser.
Ser jovem é também ter brilho,
De poder ser puro
Contra a cegueira do poder.
Ser jovem é ser alguém!
Ser jovem é estar mais perto!
Ser jovem é ter orgulho
De poder ter, também,
A certeza de estar certo,
E da pureza,
Ter o orgulho da raça
E impor-se lá no fundo.
Ser jovem é também,
Trazer nos ombros a esperança
De crescer com o mundo.
Ser jovem é estar mais perto !
Ter no coração a realeza
Na sua luta pela realidade.
Ser jovem é também estar certo
E ter nessa certeza,
O saber simples da verdade.
Ser jovem é ter orgulho!
E se, na luta ser duro
Necessário o for, ser.
Ser jovem é também ter brilho,
De poder ser puro
Contra a cegueira do poder.
Ser jovem é ser alguém!
Ser jovem é estar mais perto!
Ser jovem é ter orgulho
De poder ter, também,
A certeza de estar certo,
E da pureza,
O BRILHO!
João Delvino Figueiredo Baptista
poema de ..... Violante Medeiros Pereira
Um lenço branco
Molhado
Caído na rua ...
Gente indiferente passa;
Suja-o
E amachuca a dor das lágrimas,
Que alguém limpou.
E a gente passa
E as lágrimas
Introduzem-se pouco a pouco,
Nas pedras negras da calçada.
Molhado
Caído na rua ...
Gente indiferente passa;
Suja-o
E amachuca a dor das lágrimas,
Que alguém limpou.
E a gente passa
E as lágrimas
Introduzem-se pouco a pouco,
Nas pedras negras da calçada.
Violante Medeiros Pereira
S. Maria - Açores
Do Livro " Musas da Minha Terra "
de
ADRIANO FERREIRA
13 de dezembro de 2006
NATAL QUE NÃO VOLTA...
Antigamente,
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …
**************
Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …
************
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia a nua
De ventura
A minha vida ! …
**************
E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …
**************
Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …
************
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia a nua
De ventura
A minha vida ! …
**************
E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
2 de dezembro de 2006
Florbela Espanca
Saudades! Sim...talvez...e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?...Ah!como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?...Ah!como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
28 de novembro de 2006
AMÁLIA RODRIGUES * Quando Se Gosta de Alguém *
Quando se gosta d'alguém
Sente-se por dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo o que é que se sente
Quando alguém gosta d'álguém
É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amor andamos
Quando alguém gosta d'alguém
Anda assim como ando eu
Que não ando nada bem
Com este mal que me deu
Quando se gosta d'alguém
É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem
Pior a gente se sente
Quando se gosta d'alguém
Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem
É desgosto que dá gosto
Amália Rodrigues
18 de novembro de 2006
PARABÉNS FILHA

PAULA
Ainda ontem eras criança
Bonequinha linda , adorada,
Guardamos ainda na lembrança
O dia da tua chegada.
Primeira filha , quanta alegria,
Sentimos ao ter-te no colo
Os anos passaram por magia,
Hoje és mulher, quem diria,
Vamos festejar, com bolo.
Trinta velas vais contar,
Não são muitas, podes crer,
Muitas mais hás-de apagar
Outras tantas vais contar,
Esperamos estar cá p’ra ver.
Neste teu aniversário
Desejo sejas feliz
Que sigas o teu caminho
Com paz, amor e carinho
Que sejas muito…
Muito FELIZ!!
Muitos parabéns querida filha.
6 de novembro de 2006
ARQUIPÉLAGO Poema de Vitor Cintra
ARQUIPÉLAGO
Ilhas dos Açores,
Terra dos vulcões,
Meigas nos amores,
Loucas nas paixões.
Frei Gonçalo Velho
Fez o que podia,
Com bom senso e relho,
Por Santa Maria.
Fez o que podia,
Com bom senso e relho,
Por Santa Maria.
Se há em S.Miguel,
Pouca simpatia,
Só quem for cruel
Nega ver magia.
Pouca simpatia,
Só quem for cruel
Nega ver magia.
Ó ilha Terceira,
Chamam-te recreio,
Deixa! É brincadeira!
Nada tem de feio.
Chamam-te recreio,
Deixa! É brincadeira!
Nada tem de feio.
Diz-se do Faial,
Que quaisquer caminhos
Vão sempre, afinal,
Dar aos Capelinhos.
Que quaisquer caminhos
Vão sempre, afinal,
Dar aos Capelinhos.
Pico, tão formosa
P'lo queijo e "verdelho",
Sentes-te ciosa
Desse saber velho.
P'lo queijo e "verdelho",
Sentes-te ciosa
Desse saber velho.
Ilha das fajãs,
São Jorge dos queijos,
Gentes de almas sãs
São as que em ti vejo.
São Jorge dos queijos,
Gentes de almas sãs
São as que em ti vejo.
Ilha Graciosa,
Branca de apelido,
Dizes-te vaidosa.
Faz algum sentido.
Branca de apelido,
Dizes-te vaidosa.
Faz algum sentido.
Pelo bem que cheiras,
Pelas tuas cores,
Ilha das Caldeiras
Dizem que és "das Flores ".
Pelas tuas cores,
Ilha das Caldeiras
Dizem que és "das Flores ".
Corvo, tão pequena,
Ergues-te à distância,
Mas neste poema,
Tens muita importância.
Ergues-te à distância,
Mas neste poema,
Tens muita importância.
Vitor Cintra
"Alegorias "
2 de novembro de 2006
Para Avivar a Memória

PARA AVIVAR A MEMÓRIA
Não esqueças nunca
Este poeta
Pequenino
Que quis somente
Sempre
Dizer tudo
E nunca disse nada!
Não esqueças nunca
Cada texto
Cada verso
Cada palavra
Cada letra!
Não esqueças nunca
Como
Onde
Quando
Por que nasceu
Cada poema
Elogio
Confissão
Desejo
Ânsia
Oração
E grito!
Não esqueças nunca
Que na alma de um poeta
Há sempre uma musa!
Não esqueças nunca
Que nas veias de um poeta
Corre um sangue vermelho!
Não esqueças nunca
Que no coração de um poeta
Pequenino
Inútil
Há sempre um lugar
Para ti!
António (Veleiro)
20 de outubro de 2006
Para uma Mãe. LÚCIA

PEQUENINA
És pequenina e ris… A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa…
Haste de lírio frágil e mimoso!
Cofre de beijos feito sonho e neve…
Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te fez tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!
O ver o teu olhar faz bem à gente…
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente…
Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!
Florbela Espanca - Livro de Mágoas
.........Lindas as filhas que de ti nasceram.
Obrigada pelo amor com que criaste o meu filho.
Isabel
17 de outubro de 2006
Amizade.............. Desconheço o Autor
Que a cada amanhecer do seu dia nasça contigo uma flor.
Que cada sorriso teu, seja as pétalas que torna esta flor mais completa.
Que cada pensamento positivo, seja o caule .. que a sustenta.
Que cada passo para a vitória, seja a terra que alimenta.
Que cada gesto teu, seja o sol que fornece energia, e que o brilho dos teus olhos, seja a beleza e a simplicidade desta flor, que me embriaga com o seu perfume e me encanta com seu carisma.
Esta flor que desabrocha em seus pensamentos e me transforma em você...
Uma flor que vai permanecer intacta às mais diferentes épocas, aos mais inesperados destinos, uma flor que nunca vou permitir morrer.
Sabe porque?
Porque ela é linda como você
e porque todos a chamam de
AMIZADE
(desconheço o autor)
Que cada sorriso teu, seja as pétalas que torna esta flor mais completa.
Que cada pensamento positivo, seja o caule .. que a sustenta.
Que cada passo para a vitória, seja a terra que alimenta.
Que cada gesto teu, seja o sol que fornece energia, e que o brilho dos teus olhos, seja a beleza e a simplicidade desta flor, que me embriaga com o seu perfume e me encanta com seu carisma.
Esta flor que desabrocha em seus pensamentos e me transforma em você...
Uma flor que vai permanecer intacta às mais diferentes épocas, aos mais inesperados destinos, uma flor que nunca vou permitir morrer.
Sabe porque?
Porque ela é linda como você
e porque todos a chamam de
AMIZADE
(desconheço o autor)
13 de outubro de 2006
VIVER COMO EU SEI - Américo Silva
VIVER COMO EU SEI
São como nós,
Sair da estrada e entrar nela de novo...
É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
Os momentos que vale a pena guardar.
É sair da estrada e entrar nela de novo...
É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
Os momentos que vale a pena guardar.
É aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
É sentir a qualquer hora da noite ou do dia,
Que aconteça o que acontecer...
Uma manhã de sol, de vento...ruidosa,
Que agita com violência os ramos das árvores,
Vento que o suportam angustiadas , indefesas... passíveis...
Que o sentem e aceitam...que o vivem sem queixume.
São como nós,
Que também não podemos sair do caminho que a vida nos escolheu...
Pleno de angustias,
De medos,
De noites de tormenta,
De pensamentos apavorados.
Á espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.
E viver é isto...
E viver é isto...
Um momento de angustia... de incerteza,
Um momento de dor... um momento de alegria.
Um momento de esperança... um momento de luz.
Um momento de prazer... um momento de revolta.
Um momento de dor... um momento de alegria.
Um momento de esperança... um momento de luz.
Um momento de prazer... um momento de revolta.
Sair da estrada e entrar nela de novo...
É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
Os momentos que vale a pena guardar.
É sair da estrada e entrar nela de novo...
É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
Os momentos que vale a pena guardar.
É aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
É sentir a qualquer hora da noite ou do dia,
Que aconteça o que acontecer...
Haja o que houver,
Há sempre alguém que mesmo distante,
Caminha a nosso lado.
Na noite tenebrosa,
Na noite tenebrosa,
No sol radiante,
No frio do medo,
No calor da esperança,
Numa amanhã mais calma e tranquila
Na lagoa das águas serenas,
Na areia da praia deserta,
No encanto do monte verdejante,
No silêncio dum carro parado.
No planalto duma montanha escura, silenciosa... tranquila,
No planalto duma montanha escura, silenciosa... tranquila,
No caminhar pelas ruas desertas, duma cidade plena de vida
De ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
Nas horas mortas da madrugada,
Voando ao encontro da luz.
Viver é isto.
Viver é isto.
Descobrir,
Encontrar e perder,
Sentir e correr, ao encontro do destino.
De nada...
De tudo!
Américo Silva
Américo Silva
Setembro 2003
8 de outubro de 2006
BEIJOS....de Isabel C.

BEIJOS
Boca doce,cereja vermelha , abelha no mel do meu pescoço.
Lingua/Sonho, em valsa lenta.
Lingua bailarina, em pista de dança.
Lingua que brinca e explora...
Cobra esfomeada que me persegue ágil, sou presa, conquistada.
Lingua atrevida, quente e doce, lânguida...,
Boca doce,cereja vermelha , abelha no mel do meu pescoço.
Lingua/Sonho, em valsa lenta.
Lingua bailarina, em pista de dança.
Lingua que brinca e explora...
Cobra esfomeada que me persegue ágil, sou presa, conquistada.
Lingua atrevida, quente e doce, lânguida...,
Irrequieta e molhada ,
Despedurada e louca.
Boca que me faz prisioneira.
Escutam-se sons , gemidos,
Boca que me faz prisioneira.
Escutam-se sons , gemidos,
Louca perseguição de desejos e paixão,
Ecoam cânticos celestiais.
São anjos? !
És anjo!
Doces os lábios que me beijam, e eu beijo.
Isabel C*
São anjos? !
És anjo!
Doces os lábios que me beijam, e eu beijo.
Isabel C*
5 de outubro de 2006
Embala o teu Sonho....de ...António Veleiro
EMBALA O TEU SONHO...
Embala teu sonho nas mãos
E oferece-o no cálice de néctar
Tragado cada manhã
Cristalino globo do universo
Trespassado de todas as cores.
Vês o sol que te aquece se ele brilha
Lavas-te na água fecunda da chuva
Vês teu rosto nas nuvens se escurece
E esfregas a pele macia da manhã.
Sentes o vento que te corta o rosto
Perfumas o aroma da tua sensação
Vestes o frio do nevoeiro cerrado
E estás pronta para a vida que te habita.
Sais a correr cada segundo
Porque um segundo depois já é outro
Alimentando a fome de energia vital.
Cumprimentas este que conheces
Beijas aquela que te iguala
Na humanidade dentro de todos.
Chegas farta
Cansada
Aborrecida
Tramada
Encolhida
Furiosa
Endiabrada
Abatida
Calada
Desiludida
Não há tempo para sonhar!
Mas de novo
Embala teu sonho nas mãos...
... Até que nas mãos frias
Teu sonho não se possa embalar.
António (Veleiro)
Embala teu sonho nas mãos
E oferece-o no cálice de néctar
Tragado cada manhã
Cristalino globo do universo
Trespassado de todas as cores.
Vês o sol que te aquece se ele brilha
Lavas-te na água fecunda da chuva
Vês teu rosto nas nuvens se escurece
E esfregas a pele macia da manhã.
Sentes o vento que te corta o rosto
Perfumas o aroma da tua sensação
Vestes o frio do nevoeiro cerrado
E estás pronta para a vida que te habita.
Sais a correr cada segundo
Porque um segundo depois já é outro
Alimentando a fome de energia vital.
Cumprimentas este que conheces
Beijas aquela que te iguala
Na humanidade dentro de todos.
Chegas farta
Cansada
Aborrecida
Tramada
Encolhida
Furiosa
Endiabrada
Abatida
Calada
Desiludida
Não há tempo para sonhar!
Mas de novo
Embala teu sonho nas mãos...
... Até que nas mãos frias
Teu sonho não se possa embalar.
António (Veleiro)
2 de outubro de 2006
Procuro-Te ... de Isabel C.
***
Na imaginação procurei,
pintar-te.
Na busca de mais cores,
tentei...
Em vão!
Procurei encontrar-te,
no traço,
então traçado.
Cerne do teu ser,
Essência , feita, ausência,
Presença, Omnipresente.
No teu todo, busquei-te.
Existes na minha mente,
Cosmos onde te encontro,
Onde te pinto,
Te invento e reencontro
Num momento infinito...
Perdido no tempo,
Onde pertenço,
Porque sei que,
é lá,
Que te sei de cor.
Então:
- Fecho os olhos,
Revejo a tua boca, que me fascina.
Teus olhos, da cor dos meus.
Encontro-me nos contornos do teu rosto,
E novamente sei,
Que, sei-te de cor.
Isabel C*
21 de setembro de 2006
Carta ao meu Marido ..... de Isabel C.
Por coincidência ou destino, este texto foi publicado em 21 de Setembro de 2006.
No dia 21 de Setembro de 2009, foi decretado o nosso divórcio.
A vida tem destas coisas.
Isabel C.
.......................................................
Esperavas-me deitado quase adormecido.
Quando me deitei, abriste os olhos e olhaste-me dizendo:
- Gosto tanto desse teu cheirinho a bebé.
Essa tua capacidade de ainda notar o meu cheiro, e dizeres o quanto te agrada, deixa-me feliz.
Chamares-me pelo meu diminuitivo nos momentos de entrega, reafirmando os teus sentimentos de amor para comigo, é fazeres-me recuar no tempo, esse tempo ido, que tento insistentemente encontrar, como se alguma vez o tivesse perdido.
Amor, não vive sem sexo, mas sexo vive sem amor.
É cada vez mais comum encontrar alguém disposto a curtir, a viver o momento.
Dificil é, encontrar alguém que continue querendo continuar a preservar aquele que foi o seu primeiro amor.
Fico a analisar, todas as provações que temos passado juntos, e a capacidade que fomos encontrando também, de as contornar com mais ou menos feridas, que acabam cicatrizando com o tempo.
Então, se após todos esses momentos bons ou maus, continuamos como rocha firme nos mesmos intentos, uma certeza existe :
És, e continuo eu sendo, a pessoa com quem queremos continuar partilhando os melhores e piores momentos,pois que aquilo que nos une, continua falando mais forte, do que aquilo que nos separa.
Não sei se o amor se foi,se ainda se acabará indo, sei que por vezes só damos o real valor, áquilo que perdemos.
Sei também, que é muito bom adormecer enrolada no teu corpo,sentir as tuas pernas dentro das minhas ou o contrário, adormecer de mãos dadas com o teu beijo de boa noite, e acordar com o teu primeiro beijo matinal.
Ainda continuamos passeando de mão dada, ainda nos beijamos pela rua, ainda me chamas de tua menina , e sobretudo, ainda continuas dizendo o quanto me amas e me adoras.
Conseguirei eu transmitir-te do mesmo modo, toda essa segurança, esse amor que recebo, e nem sei se dou.
Ás vezes ausento-me de mim, e vejo que me segues com o olhar, com medo que me perca.
Tenho consciencia de que as nossas arestas estão limadas.
De que nos conhecemos, sabendo que cada um de nós é ao mesmo tempo um ser livre.
De que ainda, e principalmente , somos um do outro.
Tudo isso continua sendo muito importante para continuarmos nesta caminhada, aquela que um dia escolhemos.
Não seremos porventura as mais belas flores dum jardim, mas somos ainda as mesmas que um dia o sentimento amor colheu e uniu.
Isabel C.
No dia 21 de Setembro de 2009, foi decretado o nosso divórcio.
A vida tem destas coisas.
Isabel C.
.......................................................
Esperavas-me deitado quase adormecido.
Quando me deitei, abriste os olhos e olhaste-me dizendo:
- Gosto tanto desse teu cheirinho a bebé.
Essa tua capacidade de ainda notar o meu cheiro, e dizeres o quanto te agrada, deixa-me feliz.
Chamares-me pelo meu diminuitivo nos momentos de entrega, reafirmando os teus sentimentos de amor para comigo, é fazeres-me recuar no tempo, esse tempo ido, que tento insistentemente encontrar, como se alguma vez o tivesse perdido.
Amor, não vive sem sexo, mas sexo vive sem amor.
É cada vez mais comum encontrar alguém disposto a curtir, a viver o momento.
Dificil é, encontrar alguém que continue querendo continuar a preservar aquele que foi o seu primeiro amor.
Fico a analisar, todas as provações que temos passado juntos, e a capacidade que fomos encontrando também, de as contornar com mais ou menos feridas, que acabam cicatrizando com o tempo.
Então, se após todos esses momentos bons ou maus, continuamos como rocha firme nos mesmos intentos, uma certeza existe :
És, e continuo eu sendo, a pessoa com quem queremos continuar partilhando os melhores e piores momentos,pois que aquilo que nos une, continua falando mais forte, do que aquilo que nos separa.
Não sei se o amor se foi,se ainda se acabará indo, sei que por vezes só damos o real valor, áquilo que perdemos.
Sei também, que é muito bom adormecer enrolada no teu corpo,sentir as tuas pernas dentro das minhas ou o contrário, adormecer de mãos dadas com o teu beijo de boa noite, e acordar com o teu primeiro beijo matinal.
Ainda continuamos passeando de mão dada, ainda nos beijamos pela rua, ainda me chamas de tua menina , e sobretudo, ainda continuas dizendo o quanto me amas e me adoras.
Conseguirei eu transmitir-te do mesmo modo, toda essa segurança, esse amor que recebo, e nem sei se dou.
Ás vezes ausento-me de mim, e vejo que me segues com o olhar, com medo que me perca.
Tenho consciencia de que as nossas arestas estão limadas.
De que nos conhecemos, sabendo que cada um de nós é ao mesmo tempo um ser livre.
De que ainda, e principalmente , somos um do outro.
Tudo isso continua sendo muito importante para continuarmos nesta caminhada, aquela que um dia escolhemos.
Não seremos porventura as mais belas flores dum jardim, mas somos ainda as mesmas que um dia o sentimento amor colheu e uniu.
Isabel C.
7 de setembro de 2006
Inscrição na Areia.... Cecília Meireles
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Cecília Meireles
26 de agosto de 2006
O MUNDO QUE EU CRIEI de José Maria Lopes de Araújo
Deram-me a vida,
Lançaram-me ao mundo,
Um mundo de quimera,
Um mundo que não me pertence,
Onde o cinismo impera
E a mentira vence ! …
Por isso, criei
Um mundo diferente
Deste outro mundo em que vivo:
Sem ódios, sem maldade,
Sem grilhetas de sofrimento
E sem o vento
Da impiedade !
Tenho caminhos
Floridos, perfumados
De amores, de carinhos,
De venturas e saudades …
E mais claro o sol que me alumia,
Sol que irradia
A luz do amor …
São curtos os meus horizontes …
Naufragou a minha dor …
Tenho noites de luar…
E canta o mar,
E cantam as fontes,
Quando me ouvem cantar !
…………………………….
No mundo que eu criei,
Para viver sonhando,
Há belezas irreais…
Ilusões e esperança …
… E eu só quero e vivo amando
Velhos e crianças,
Flores e animais ! …
…………………………..
O mundo que eu criei
É um mundo diferente :
Sem ódios, sem maldade,
Sem grilhetas de sofrimento,
Sem a noite de tormento,
E sem o vento
Da impiedade ! …
José Maria Lopes de Araújo
do livro # CINZAS QUENTES #
21 de agosto de 2006
Cecilia Meireles " JARDIM COM FLORES "
Quem me compra um jardim
com flores?
borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro a hera,
Uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é o meu leilão!)
[Cecília Meireles in Leilão de Jardim]
15 de março de 2006
" Dá um Abraço? " Autoria de Macedo Junior ( TrovadorPR )
De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade... sei lá...
Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço...
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge, devagarinho,
da magia da união dos corpos,
das auras... sei lá.
Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas a dizer:
- Estou aqui!
Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,
afirmando: - Estou com você!.
Lembrar da transfusão de forças,
ou até da suavidade do momento... sei lá...
Então,pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia, abraço força,abraço união,
abraço suavidade,abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça, abraço verdade,
abraço cumplicidade?
Mas o que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energias, que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...
Só sei que agora deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços.
Que sirva de colo, afastando toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima de alegria,
e acalme o coração...
Um abraço que traduza a amizade,
o amor e a emoção....
E para um abraço assim ,
Só consegui pensar em você!
Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o por quê,
dessa minha vontade.
Pois então:
Dá logo este abraço!
Poema da autoria do Poeta MACEDO JUNIOR ( TrovadorPR)
11 de março de 2006
Vinicius de Moraes " Para Viver um Grande Amor "
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
20 de fevereiro de 2006
Sophia de Mello Breyner Andreson " Pudesse Eu "
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes
Sophia de Mello Breyner Andreson
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes
Sophia de Mello Breyner Andreson
15 de fevereiro de 2006
ÁLVARO DE CAMPOS « O Que Há em Mim é Sobretudo Cansaço »»
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro de Campos
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro de Campos
7 de fevereiro de 2006
Ninita
PICASSO DE UMA VIDA
Pó, vento, sol e água de África, assim sou eu uma mistura, Pó fui e nele me tornarei, Vento que balbucia incoerências, Sol que brilha para quem amo, Água de lágrimas que purificam.
Dessa paisagem marcante e gritante, delineada a fogo na minha alma, ficaram em mim marcas indestrutíveis, e tal como na guerreira africana, vive em mim, a coragem, a perseverança e o amor.
A coragem para continuar a lutar quando tudo desmorona ao meu redor, quando nada parece dar certo, quando a luz enfraquece, quando o calor desaparece, quando o carinho se transforma em frieza, quando a esperança dá lugar a um vazio.
A perseverança para mesmo em altura de desgaste e de decepções, de lutas desiguais , de injustiças, escolher não desistir.
O amor, pela terra, pela família, pelos amigos, por tudo o que me rodeia, sentimento forte em mim, muitas vezes escondido debaixo de uma aparente serenidade e controle. Amo sem artifícios, sem calculismo, sem temer sofrer de cada vez que perco nessa guerra de sentimentos.
Num bater descompassado este coração ilumina-se ainda ao imaginar o enlace com outro igual, emociona-se ainda num toque fortuito, numa troca de olhares, numa cumplicidade silenciosa, e quantas vezes ferido de morte por ter acreditado naquilo que não passou de ilusão, reacende-se e dessas cinzas surge novo amor que vem trazer novas sensações e um novo alento até à próxima queda.
Emoções tão diversas sacodem este corpo e esta mente, do riso vou às lágrimas sem conseguir separá-los, sem perceber onde um começa e o outro acaba, da alegria parto para a tristeza numa fronteira aberta entre as duas, dum mundo pintado em aguarela ou óleo, passo para um sketch a carvão, naquilo a que chamo o picasso da minha vida.
Quero ser a musa dos meus poemas, a inspiração dos meus quadros, a personagem dos meus livros, a actriz dos meus filmes, a fonte dos meus devaneios, mas principalmente quero ser Eu.
Ninita 24/06/05
25 de janeiro de 2006
Desejo de Você poema de Isabel C.
Quero ver de novo,
No brilho de seus olhos,
Toda a intensidade do desejo
Que seu olhar contém.
Quero sentir,
Num toque de seda,
Suas quentes e doces mãos
Em busca do meu ser, trazendo a sede
Que saciará
A fome desse amor.
Quero seus dedos percorrendo meu corpo .
Quero meus seios colados em você.
Quero sentir seu corpo tremendo de desejo,
Quero sentir de novo seu beijo,
Sua boca molhada, fremente colada
Quero ter você junto a mim.
Quero sua língua brincando na minha,
Num beijo melado e molhado
Que me faz desejar e sonhar com você.
Quero urgência, aqui e agora,
Nesta noite fria,
Com você se enroscando
Em meu corpo ardente, sedento de suas mãos,
Sua língua percorrendo meu corpo nu
Desejoso de receber a seiva desse amor.
Te desejo como nunca,
Vem...
Vamo-nos amar.
Como o sol, ama a lua,
Como a areia ama o mar,
Como a noite ama o brilho das estrelas,
E eu....amo você.
Num amor que é eterno,
O meu amor,
O teu amor
O nosso amor.
Eu quero você....
Amor!
Isabel C.
No brilho de seus olhos,
Toda a intensidade do desejo
Que seu olhar contém.
Quero sentir,
Num toque de seda,
Suas quentes e doces mãos
Em busca do meu ser, trazendo a sede
Que saciará
A fome desse amor.
Quero seus dedos percorrendo meu corpo .
Quero meus seios colados em você.
Quero sentir seu corpo tremendo de desejo,
Quero sentir de novo seu beijo,
Sua boca molhada, fremente colada
Quero ter você junto a mim.
Quero sua língua brincando na minha,
Num beijo melado e molhado
Que me faz desejar e sonhar com você.
Quero urgência, aqui e agora,
Nesta noite fria,
Com você se enroscando
Em meu corpo ardente, sedento de suas mãos,
Sua língua percorrendo meu corpo nu
Desejoso de receber a seiva desse amor.
Te desejo como nunca,
Vem...
Vamo-nos amar.
Como o sol, ama a lua,
Como a areia ama o mar,
Como a noite ama o brilho das estrelas,
E eu....amo você.
Num amor que é eterno,
O meu amor,
O teu amor
O nosso amor.
Eu quero você....
Amor!
Isabel C.
Mário de Sá Carneiro " Quase"
QUASE
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
............................................................
............................................................
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
////////////////
Não sendo habitual, vou fazer uma excepção , com este poema e esta música, para dedicar ás pessoas que me são muito especiais, e cujas datas próximas, as fazem estar ainda mais presentes no meu pensamento.
////////////////
25 Janeiro - A alguém que já não se encontra entre nós,sendo este o dia do seu aniversário . O POETA " José Maria Lopes de Araújo " poeta que viveu na minha ilha e que admiro a obra deixada.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
............................................................
............................................................
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
////////////////
Não sendo habitual, vou fazer uma excepção , com este poema e esta música, para dedicar ás pessoas que me são muito especiais, e cujas datas próximas, as fazem estar ainda mais presentes no meu pensamento.
////////////////
25 Janeiro - A alguém que já não se encontra entre nós,sendo este o dia do seu aniversário . O POETA " José Maria Lopes de Araújo " poeta que viveu na minha ilha e que admiro a obra deixada.
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
21 de janeiro de 2006
AMÉRICO * Terás de Vir à Minha Cabana *
Se queres ouvir a fogueira a arder
o vento a soprar na rua
a chuva a bater no telhado
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres ouvir uma canção no ouvido
sentir um beijo na nuca
uma carícia nos seios erectos
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres ver o vento a mexer as folhas
o silencio no escuro profundo da noite
sentir a voz do tempo que passou
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres acordar com o sol no olhar
olhar pela janela o orvalho da lua
nas pétalas molhadas das flores abertas
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres libertar a alma e deixa-la voar
libertar o corpo e deixa-lo sentir
soltar a mente e deixa-la sonhar
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres sentir o universo num momento
o vulcão que acorda, a lava que corre
na cama que te espera...
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
Se queres ouvir cada palavra que te escrevo
em cada gota de agua que te molha
em cada sorriso quente que soltas
...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA
16 de janeiro de 2006
Camilo Castelo Branco " OS AMIGOS "
Amigos, cento e dez, ou talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!
Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia
Que, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quasi rotos.
Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego não nos pode ver.
- Que cento e nove impávidos marotos!
Camilo Castelo Branco
Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!
Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia
Que, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quasi rotos.
Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego não nos pode ver.
- Que cento e nove impávidos marotos!
Camilo Castelo Branco
13 de janeiro de 2006
António de Medeiros Pereira
Ser pobre é possuir
Riquezas e não as dar!
É ter peito e não sentir
Um coração a palpitar!
É ter boca e não sorrir;
Ter olhos e não olhar.
É ter força e não agir;
É ter mando e não mandar ...
É ter fome e não comer;
É ter sede e não beber,
Na ânsia de não gastar ...
É ter vida e não viver;
É ter seiva e fenecer;
É ter alma e não amar! ...
António de Medeiros PereiraStª. Maria - Açores
Riquezas e não as dar!
É ter peito e não sentir
Um coração a palpitar!
É ter boca e não sorrir;
Ter olhos e não olhar.
É ter força e não agir;
É ter mando e não mandar ...
É ter fome e não comer;
É ter sede e não beber,
Na ânsia de não gastar ...
É ter vida e não viver;
É ter seiva e fenecer;
É ter alma e não amar! ...
António de Medeiros PereiraStª. Maria - Açores
3 de janeiro de 2006
Florbela Espanca " Poetas "
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca
- in Trocando Olhares
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca
- in Trocando Olhares
30 de dezembro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "
DA NOITE DE NATAL
Gelada rua em que deste vida à saudade.
Nem as pedras da casa onde despimos a família deserta e o desassossego das nossas consumições espalhadas nas poças de água e mágoa, levadas pelo vento oeste.
Nem as folhas secas em São Francisco, caindo uma a uma, entre os barcos do peixe que o Inverno varou, medrosos e recolhidos no abraço da cruz.
Há luzes no cruzeiro, cintilantes. Fazem lembrar faróis da América.
Aquela que nos repartiu a urgência do regresso.
E assim ficamos à espera na pequenez do compromisso.
Na ânsia de te encontrar, perdi o sabor do rosto.
Está escura a noite e pesarosos os sinos que me chamam no teu regaço. Para o abrigo da tua manta cor de anjo e de mistério.
A missa do galo é na Silveira. Este ano é assim.
Longe das nossas promessas.
Longe dos nossos pecados.
Inventaram um novo roteiro para recolhermos mais cedo na madrugada do menino.
Cada um com o seu menino.
Nem aqui, tão perto, o nosso beijar entre a manjedoura desfeita, a terra suada no mar revolto.
O meu menino, levado para dentro do calor da ilha negra, mais cedo que as manhãs de neblina baleeira.
Tão puro e tão breve.
O meu menino:
Há quanto tempo não te sinto as mãos no degelo do corpo?
E agora há um rasgo de solidão amarga, persistente e duradoira.
Chorar é matar a sede, e hoje estou com muita sede.
Tanta noite sem ti , e logo esta, de lembranças.
SIDÓNIO BETTENCOURT
do livro “ Deserto de Todas as Chuvas “
19 de dezembro de 2005
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO Poema * Natal Que Volta *
NATAL QUE NÃO VOLTA...
Antigamente,
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
*****
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …
*******
Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …
******
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia e nua
De ventura
A minha vida ! …
*******
E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro
" Cinzas Quentes "
Antigamente,
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
*****
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …
*******
Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …
******
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia e nua
De ventura
A minha vida ! …
*******
E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro
" Cinzas Quentes "
16 de dezembro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
DESPEDIDA
Fria a tarde e distante da beira praia num soluço de olhar fugidio entre o mar, céu e a nudez a fervilhar.
Fria tarde esta, que não te sente os lábios e o fogo do teu corpo, quando te deixo sem regresso.
Fria solidão, quando os teus braços se soltam do murmúrio.
Fria e triste monotonia, e o Outono sem o brilho dos teus olhos, nos cabelos revoltos e revoltados, destes dedos que acendo.
Ventre de dança, no corpo que animas e onde revejo os lugares escondidos do desejo.
Quando agora partir, só tu me deixas ficar, e na boca cair uma lágrima de sede a cantar Bethânia, rolando no eco da minha voz, desafinada e rouca " Onde Estará o Meu Amor?"
O amor.
Sim, o amor.
Quem o conforta, quem o aquece, quem o derrete?
Fria tarde de tristeza funda.
Sidónio Bettencourt "Deserto de Todas as Chuvas "
Fria a tarde e distante da beira praia num soluço de olhar fugidio entre o mar, céu e a nudez a fervilhar.
Fria tarde esta, que não te sente os lábios e o fogo do teu corpo, quando te deixo sem regresso.
Fria solidão, quando os teus braços se soltam do murmúrio.
Fria e triste monotonia, e o Outono sem o brilho dos teus olhos, nos cabelos revoltos e revoltados, destes dedos que acendo.
Ventre de dança, no corpo que animas e onde revejo os lugares escondidos do desejo.
Quando agora partir, só tu me deixas ficar, e na boca cair uma lágrima de sede a cantar Bethânia, rolando no eco da minha voz, desafinada e rouca " Onde Estará o Meu Amor?"
O amor.
Sim, o amor.
Quem o conforta, quem o aquece, quem o derrete?
Fria tarde de tristeza funda.
Sidónio Bettencourt "Deserto de Todas as Chuvas "
10 de dezembro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT do livro * Deserto de Todas as Chuvas *
CARTA REGISTADA
…Havia o infinito e o mar sobre nós, com sol nublado, e dei-te uma pedra negra que rolou do coração, para dentro do ano novo.
Estavas de óculos cor-de-pedra, sentada no ano velho, como se eu tivesse regressado das lavadias brancas, com o teu véu cansado de noiva.
Havia namorados que namoravam, e nós no percurso, sem nos vermos, a olhar um para o outro.
Sabias a doce de mel salgado, e eu, a sal de abelha.
Dizia amor e tu amora, silvestre.
E a terra fria da mornaça de Janeiro, prescrevia o sonho a lacre de sangue fino e frio e pingos de coração, breve e magoado.
Preenchemos então o desejo, que bebi dos teus silêncios.
Deixaste-me tocar, nas tuas mãos secretas, leves e sem anéis brancos, ainda puras de tanto dar e receber.
As tuas mãos de concha, dos filhos a crescerem.
As tuas mãos esguias, das notas soltas do piano triste e adormecido.
As tuas mãos quentes, dos recantos íntimos do nosso corpo, em sabor e desvario.
As tuas mãos, que fizeram o calor do colo frio, da nossa dor no canal.
As tuas, e as minhas mãos.
Feridas.
Tomámos então, com estrangeiros, como amigos estrangeiros, um café chique da cidade em hotel da noite, das noites que gostaria de viver intensamente contigo,
e dei-te uma pedra da cor dos teus olhos pretos, do mar que me deixas, branco de mais de tantas ondas, para poder cantar outra vida …
SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "
Poeta da Ilha do Pico - Açores
…Havia o infinito e o mar sobre nós, com sol nublado, e dei-te uma pedra negra que rolou do coração, para dentro do ano novo.
Estavas de óculos cor-de-pedra, sentada no ano velho, como se eu tivesse regressado das lavadias brancas, com o teu véu cansado de noiva.
Havia namorados que namoravam, e nós no percurso, sem nos vermos, a olhar um para o outro.
Sabias a doce de mel salgado, e eu, a sal de abelha.
Dizia amor e tu amora, silvestre.
E a terra fria da mornaça de Janeiro, prescrevia o sonho a lacre de sangue fino e frio e pingos de coração, breve e magoado.
Preenchemos então o desejo, que bebi dos teus silêncios.
Deixaste-me tocar, nas tuas mãos secretas, leves e sem anéis brancos, ainda puras de tanto dar e receber.
As tuas mãos de concha, dos filhos a crescerem.
As tuas mãos esguias, das notas soltas do piano triste e adormecido.
As tuas mãos quentes, dos recantos íntimos do nosso corpo, em sabor e desvario.
As tuas mãos, que fizeram o calor do colo frio, da nossa dor no canal.
As tuas, e as minhas mãos.
Feridas.
Tomámos então, com estrangeiros, como amigos estrangeiros, um café chique da cidade em hotel da noite, das noites que gostaria de viver intensamente contigo,
e dei-te uma pedra da cor dos teus olhos pretos, do mar que me deixas, branco de mais de tantas ondas, para poder cantar outra vida …
SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "
Poeta da Ilha do Pico - Açores
7 de dezembro de 2005
OCEANO
Fecho os olhos e ainda te vejo,
Como esquecer aquele momento,
Em que teu corpo, visitou minhas entranhas,
Tua consciência, encontrou minha essência,
Teu suor, se misturou em minha saliva,
Meu coração, em tuas mãos.
Como esquecer,
Cada palavra dita,
Cada gesto, de carinho ardente.
Teu olhar fitando, o meu enxergar.
Teu beijo, seduzindo minha boca.
Teu querer,
Dominando, o meu ser.
Na vida,
Mergulhamos nas emoções, e sentimentos,
E com eles, partimos em grandes empreitadas.
E é isso, que nos faz gente,
Seres de alma, espírito e coração.
Com você, aprendi a estar e ser plena,
Com coragem suficiente, para mostrar a minha parte mais fraca,
Que dela dependo, que dela também preciso.
Como é preciso extravasar
Todo esse amor que muitas vezes, ficamos contendo,
Amor calado.
Nada é mais quente,
Que um abraço envolvido por carícias.
Nada é mais profundo, que um beijo apaixonado.
Nada é tão doce quanto o sorriso de teu rosto,
Nada é tão pleno quanto a forma que me senti amada.
Prazer,,,
Pra ser…
Pra ser eterno.
Prazer…
Pra ter,
Pra ter você…
Pra ter você sempre aqui.
E junto afundarmos,
Nas águas desse nosso oceano de amor e desejo
Onde cada onda de energia que vejo,
É pura sublimação de nossos corpos unidos,
É impulsar de artérias, numa deliciosa dança,
E isso tudo, não se pede, apenas transmuta.
Agora com sono, vou dormir minha fisicalidade
Projectar, meu melhor astral
Amanhã, estarei mais rica de vida,
Amanhã, serei mais consciência, essência e amor.
Até amanhã…
Amor.
Desconheço o autor
Como esquecer aquele momento,
Em que teu corpo, visitou minhas entranhas,
Tua consciência, encontrou minha essência,
Teu suor, se misturou em minha saliva,
Meu coração, em tuas mãos.
Como esquecer,
Cada palavra dita,
Cada gesto, de carinho ardente.
Teu olhar fitando, o meu enxergar.
Teu beijo, seduzindo minha boca.
Teu querer,
Dominando, o meu ser.
Na vida,
Mergulhamos nas emoções, e sentimentos,
E com eles, partimos em grandes empreitadas.
E é isso, que nos faz gente,
Seres de alma, espírito e coração.
Com você, aprendi a estar e ser plena,
Com coragem suficiente, para mostrar a minha parte mais fraca,
Que dela dependo, que dela também preciso.
Como é preciso extravasar
Todo esse amor que muitas vezes, ficamos contendo,
Amor calado.
Nada é mais quente,
Que um abraço envolvido por carícias.
Nada é mais profundo, que um beijo apaixonado.
Nada é tão doce quanto o sorriso de teu rosto,
Nada é tão pleno quanto a forma que me senti amada.
Prazer,,,
Pra ser…
Pra ser eterno.
Prazer…
Pra ter,
Pra ter você…
Pra ter você sempre aqui.
E junto afundarmos,
Nas águas desse nosso oceano de amor e desejo
Onde cada onda de energia que vejo,
É pura sublimação de nossos corpos unidos,
É impulsar de artérias, numa deliciosa dança,
E isso tudo, não se pede, apenas transmuta.
Agora com sono, vou dormir minha fisicalidade
Projectar, meu melhor astral
Amanhã, estarei mais rica de vida,
Amanhã, serei mais consciência, essência e amor.
Até amanhã…
Amor.
Desconheço o autor
5 de dezembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
AO MAR DO NORTE, MEU MAR BRANCO…
Oh mar branco
Do norte fundo
Envolve minha alma inteira
Enrola-me na tua espuma
Inquieta e fugidia…
Na onda de lua em praia
Leva-me para além
Do fundo azul
Minha nocturna
Vivência
Que me invadiu de tormenta!
Faz regressar minha esperança
Naquela bruma de renda
Dilui-me toda a saudade
Em conchas
De fogo vivo
Nas chamas
Do teu cadinho…
Oh mar branco
Enche a minh’alma
Oh onda
De vento deserto
Marulha na areia quente
Ecoa meu sofrimento
Constante no turbilhão …
No meu corpo dolente
Sofro a vazante
Da tua ausência
Em cada instante …
Oh vento
Do mar do norte
Regressa cindindo amor
Na minha nascente dia primeiro
Meu corpo em chama
Entrou ….
E nunca mais quis sair!
FERNANDO MONTEIRO
Poeta da Ilha de S.Maria - Açores
Mar/81
Oh mar branco
Do norte fundo
Envolve minha alma inteira
Enrola-me na tua espuma
Inquieta e fugidia…
Na onda de lua em praia
Leva-me para além
Do fundo azul
Minha nocturna
Vivência
Que me invadiu de tormenta!
Faz regressar minha esperança
Naquela bruma de renda
Dilui-me toda a saudade
Em conchas
De fogo vivo
Nas chamas
Do teu cadinho…
Oh mar branco
Enche a minh’alma
Oh onda
De vento deserto
Marulha na areia quente
Ecoa meu sofrimento
Constante no turbilhão …
No meu corpo dolente
Sofro a vazante
Da tua ausência
Em cada instante …
Oh vento
Do mar do norte
Regressa cindindo amor
Na minha nascente dia primeiro
Meu corpo em chama
Entrou ….
E nunca mais quis sair!
FERNANDO MONTEIRO
Poeta da Ilha de S.Maria - Açores
Mar/81
2 de dezembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
VOANDO…SEMPRE A VOAR
Quem me suspende da dor
No ar vazio
Envolvido
De ternura
E de amor
A tanta altura do mar?
Quem estou sendo
Afinal
Se consigo suspender-me
Só
No sempre tempo
Perdido
Voando… sempre a voar?
Voando sempre a voar:
Da minha mente
Fiz asas
Do meu corpo
O dia zero
Que nunca mais
Quis parar!
Então quem sou afinal
Se consegui
Suspender-me
Naquele tempo perdido
Voando
Sempre a voar
Até ao mundo abraçar?
- Consegui meter nos meus sonhos
O todo
Em tempo limite
Do nada ao infinito
E voando, voei voei
Até minh’alma emprenhar
Para o vazio
De amor encher …
Fernando Monteiro
Quem me suspende da dor
No ar vazio
Envolvido
De ternura
E de amor
A tanta altura do mar?
Quem estou sendo
Afinal
Se consigo suspender-me
Só
No sempre tempo
Perdido
Voando… sempre a voar?
Voando sempre a voar:
Da minha mente
Fiz asas
Do meu corpo
O dia zero
Que nunca mais
Quis parar!
Então quem sou afinal
Se consegui
Suspender-me
Naquele tempo perdido
Voando
Sempre a voar
Até ao mundo abraçar?
- Consegui meter nos meus sonhos
O todo
Em tempo limite
Do nada ao infinito
E voando, voei voei
Até minh’alma emprenhar
Para o vazio
De amor encher …
Fernando Monteiro
29 de novembro de 2005
SAUDADE FALA PORTUGUÊS
SAUDADE FALA PORTUGUÊS
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros...
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida .
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
decerto gostaria de experimentar;
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,
não sei aonde,
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em
japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar
sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you",
ou seja lá como possamos traduzir saudade
em outra língua, nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, correctamente,
a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do
que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!
Maria Eugênia - Doce Deleite
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros...
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida .
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
decerto gostaria de experimentar;
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,
não sei aonde,
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em
japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar
sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you",
ou seja lá como possamos traduzir saudade
em outra língua, nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, correctamente,
a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do
que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!
Maria Eugênia - Doce Deleite
27 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA Poemas do Livro " MAR BRANCO "
À MULHER DESTRUÍDA ...
Em cada mulher destruída
há um universo a nascer ...
Tu
Que recebes resignada
em silêncio
e aceitas
toda a ignomínia excretada
desta urbe iluminada
que te procura
na esquina
da vida errante ...
para te possuir
da noite ... à madrugada!
Tu
Que transformas as trevas
em vil clarão boreal
todo o Eros
que te envolve
e que cobres
frustrada
a frustração sensual
do ego que renasce
na escuridão
da noite longa
da tua alma
violada
Tu
Que deslizas velozmente
sem norte
e bamboleias
tens em ti mesma
gerada
- Em gestação constante
a força da criação
o gene virgem -
instante
que destruirá
para sempre
a tua sorte
danada
Tu
Ó universo vaginal
que pariste
para criar vida
porque te afundas
perdida ...
para prazer
do homem solto.
Tu
Ó ente - matriz, ó mãe
ó sentidos, ó corpo, ó noite,
ó prazer, ó morte instante
dos Outros
que te procuram
- servo cio -
porque não voas
mais alto
da terra verme
Liberta-te
desse mundo envolvente
Liberta
O mundo da noite
escreve nas tuas
brancas asas
o amor de toda a gente
...e voa até ao Nascente !!
Fernando Monteiro
Março/81
Em cada mulher destruída
há um universo a nascer ...
Tu
Que recebes resignada
em silêncio
e aceitas
toda a ignomínia excretada
desta urbe iluminada
que te procura
na esquina
da vida errante ...
para te possuir
da noite ... à madrugada!
Tu
Que transformas as trevas
em vil clarão boreal
todo o Eros
que te envolve
e que cobres
frustrada
a frustração sensual
do ego que renasce
na escuridão
da noite longa
da tua alma
violada
Tu
Que deslizas velozmente
sem norte
e bamboleias
tens em ti mesma
gerada
- Em gestação constante
a força da criação
o gene virgem -
instante
que destruirá
para sempre
a tua sorte
danada
Tu
Ó universo vaginal
que pariste
para criar vida
porque te afundas
perdida ...
para prazer
do homem solto.
Tu
Ó ente - matriz, ó mãe
ó sentidos, ó corpo, ó noite,
ó prazer, ó morte instante
dos Outros
que te procuram
- servo cio -
porque não voas
mais alto
da terra verme
Liberta-te
desse mundo envolvente
Liberta
O mundo da noite
escreve nas tuas
brancas asas
o amor de toda a gente
...e voa até ao Nascente !!
Fernando Monteiro
Março/81
24 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
Do Féretro que Levo na Vida,
ao Ovni da minha Esperança.
A Ti ó Hélida, dorida:
Numa noite calada,
dos meus sonhos distantes,
Teci teu corpo...
na miragem do meu nenúfar.
Poisei tímido,
no teu gineceu errante,
E vibrante ...
Derramei em êxtase,
na minha Hélida, dorida,
abatida e sem esperança,
... o último espasmo do meu corpo...
Já caía o amanhecer!
Fernando Monteiro
Fev/81
22 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "
NO TEU CORPO QUENTE
Regressei ao horizonte
no teu corpo quente
Penetrei o meu ser
no teu ser ansioso
És o tudo ... sou o tudo ...
És o nada, também
Toquei no teto - universo ...
e encontrei-me em ti
Já posso partir
para o horizonte
Para o meu gene perdido
que sou eu
Tive o tudo
tenho o nada
Sou o só .... o regressado
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Fernando Monteiro
Dez/80
Regressei ao horizonte
no teu corpo quente
Penetrei o meu ser
no teu ser ansioso
És o tudo ... sou o tudo ...
És o nada, também
Toquei no teto - universo ...
e encontrei-me em ti
Já posso partir
para o horizonte
Para o meu gene perdido
que sou eu
Tive o tudo
tenho o nada
Sou o só .... o regressado
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Fernando Monteiro
Dez/80
20 de novembro de 2005
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA Poemas do Livro " MAR BRANCO "
Fotografia de Ana Loura
QUERO SER EU,MESMO O NADA !
Quero viver
Quero ser eu
Quero ser
o que vai vir da nascente
Quero viver
para me atingir no tempo
Quero ser eu
mesmo o nada, o eu ausente.
Quero plasmar
o meu querer a esmo
E viver
Nas asas de mim mesmo !
FERNANDO MONTEIRO
QUERO SER EU,MESMO O NADA !
Quero viver
Quero ser eu
Quero ser
o que vai vir da nascente
Quero viver
para me atingir no tempo
Quero ser eu
mesmo o nada, o eu ausente.
Quero plasmar
o meu querer a esmo
E viver
Nas asas de mim mesmo !
FERNANDO MONTEIRO
11 de novembro de 2005
VITOR CINTRA poema * DEDICAÇÃO *
DEDICAÇÃO
Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p’la emoção.
Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-los a teu lado.
E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sofrimentos;
Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.
Vítor Cintra “ Contrastes “
Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p’la emoção.
Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-los a teu lado.
E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sofrimentos;
Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.
Vítor Cintra “ Contrastes “
3 de novembro de 2005
Do Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
SAUDADE
Há tanto que não ouço a voz da fonte,
Naquele canto triste e prolongado,
Ecoar pelas ravinas do valado,
Perder-se nas distâncias do horizonte ! …
Há quanto já não vejo aquele monte,
Donde a minha infância, descuidado,
Via espalhar-se o Sol, em tom doirado,
Nas águas do ribeiro, além da ponte ! …
Veste de luto a minha mocidade
A roxa e melancólica saudade
Desse ditoso tempo em que vivia …
Ai, tão distante que me sinto agora
De tudo que sinto e vi outrora,
Quando era alegre e a vida me sorria …
25 de outubro de 2005
Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
(Desconheço o Autor)
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
(Desconheço o Autor)
22 de outubro de 2005
José Carlos ARY DOS SANTOS " Poeta Castrado "
Poeta castrado não!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
15 de outubro de 2005
SIDÓNIO BETTENCOURT " MO(nu)MENTO
Natural da ilha do PICO – AÇORES
Poeta e Jornalista.
Autor do Livro “ DESERTO DE TODAS AS CHUVAS” estando prevista para breve a publicação de novo livro.
Autor do cd
Um apaixonado pela poesia, faz parte do trio de recital " PIANO , POETAS e TROVADORES ".
Formado pela pianista Carla Seixas de Lisboa, o cantor Manuel Francisco Costa e pelo próprio SIDÒNIO BETTENCOURT.
Apresentador do programa na ANTENA 1 - RDP Açores
“ ATLÂNTIDA” é um programa de TV que apresenta na RTP-Açores, RTP-Internacional e RTP-Madeira.

MO(nú)MENTO
arde a saliva branca sobre a luz .escura madrugada do desejo
trazes o corpo da letra. a letra do corpo da notícia e no corpo a letra que entoa a melancolia
trazes o nome do corpo que danças e não te cansas desse teu nome com cheiro a mar
trazes . trazes e vagueio sobre brasas como aventureiro acostado ao muro ocioso da festa
na agonia das amarras
sabes a norte a sul a canal .chuvisco de mar oeste . sabes a poncha caipirinha savana e nos olhos
corre-te o mel dos sargaços . dormência do rosto molhado nas samarras
velas de cal branca e pedra negra. dentro. azeite dos caldeiros na humidade quente da pele
degrau a degrau a rebentação da maré. concerto de murmúrio dos lábios. o monumento
memorial. porta do caneiro de pé. homens de marfim e silêncio de mármore.jazigo vertical
baleeiras e baleeiros heróis com nome a navegar
percorre em ti renasce em mim a ponta do cais nascente. a carreira o lajido a corrente
a ligeira brisa ofegante . a torrente . o odor o perfume e o amor a dor que o poeta longe
deveras sente
não sei se diga vigia varanda tribuna da ilha
celebração.
não sei se diga cálice de um deus por nós
condenação
em cada cais o porto onde estarei em ti tu em mim sedentos
na margem sul a montanha a sós
santuário ao sabor da rosa dos ventos
Sidónio Bettencourt
13 de outubro de 2005
....Viver Como eu Sei...Américo Silva
VIVER COMO EU SEI
Uma manhã de sol... de vento... ruidosa..
que agita com violência os ramos das árvores
que o suportam angustiadas ... indefesas... impassíveis
que o sentem e aceitam... que o vivem sem queixume
São como nós, que também não podemos sair do caminho
que a vida nos escolheu... plenas de angustias...
de medos... de noites de tormenta, de pensamentos apavorados
à espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.
E viver é isto... um momento de angustia... de incerteza
um momento de dor... um momento de alegria...
um momento de esperança... um momento de luz
um momento de prazer... um momento de revolta...
Sair da estrada e entrar nela de novo...
é achar o nosso destino e aprender a guarda-lo
é escolher na corrida vertiginosa da caminhada
os momentos que vale a pena guardar
Aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
é sentir a qualquer hora do dia ou da noite
que aconteça o que acontecer... haja o que houver
há sempre alguém que mesmo distante, caminha a nosso lado
Na noite tenebrosa...no sol radiante...no frio do medo
no calor da esperança... num amanhã mais calmo e tranquilo
na lagoa das águas serenas, na areia da praia deserta
no encanto do monte verdejante, no silencio dum carro parado
No planalto duma montanha escura... silenciosa... tranquila
no caminhar pelas ruas desertas duma cidade plena de vida
de ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
nas horas mortas da madrugada voando ao encontro da luz
Viver é isto... descobrir... encontrar e perder... sentir e correr...
ao encontro do destino... de nada... de tudo...
Américo Silva
( Setembro 2003 )
Uma manhã de sol... de vento... ruidosa..
que agita com violência os ramos das árvores
que o suportam angustiadas ... indefesas... impassíveis
que o sentem e aceitam... que o vivem sem queixume
São como nós, que também não podemos sair do caminho
que a vida nos escolheu... plenas de angustias...
de medos... de noites de tormenta, de pensamentos apavorados
à espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.
E viver é isto... um momento de angustia... de incerteza
um momento de dor... um momento de alegria...
um momento de esperança... um momento de luz
um momento de prazer... um momento de revolta...
Sair da estrada e entrar nela de novo...
é achar o nosso destino e aprender a guarda-lo
é escolher na corrida vertiginosa da caminhada
os momentos que vale a pena guardar
Aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
é sentir a qualquer hora do dia ou da noite
que aconteça o que acontecer... haja o que houver
há sempre alguém que mesmo distante, caminha a nosso lado
Na noite tenebrosa...no sol radiante...no frio do medo
no calor da esperança... num amanhã mais calmo e tranquilo
na lagoa das águas serenas, na areia da praia deserta
no encanto do monte verdejante, no silencio dum carro parado
No planalto duma montanha escura... silenciosa... tranquila
no caminhar pelas ruas desertas duma cidade plena de vida
de ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
nas horas mortas da madrugada voando ao encontro da luz
Viver é isto... descobrir... encontrar e perder... sentir e correr...
ao encontro do destino... de nada... de tudo...
Américo Silva
( Setembro 2003 )
7 de outubro de 2005
Rose Arouck " EU e o MAR "
Querendo atirar em tuas águas revoltas todos os meus medos
E me deparo comigo em degredo
Pretendendo insinuar minha alma
Em tua vastidão, que acomoda
Os meus olhos num azul brilhante e profundo
Fazendo-me esquecer as maldades do mundo.
Envolvo-me pelas carícias de teus braços de algas;
Mergulho, em frêmito pacífico... tu me acalmas,
E deixo fluir de meu peito as incertezas
Boiadas às distantes correntezas
Que dilaceram-me como o despertar de um vulcão.
Subo em dupla com as tuas maresias
Para incluir em minhas têmporas as fantasias,
Que não permitem a minha vida naufragar.
Agora estamos sós, e, contemplamos o silêncio,
Que elocubra os deslizes do que penso,
Para em seguida, os sagarços transformar
Em atobás, que inundam petulantes
Meu poema, que soberbo nesse instante
Luta feroz para não se afogar, afogar...
afogar... no ar... no ar ...no ar.
22 de setembro de 2005
Nilzeth Alcântara ** EXISTE **



Este Poema " EXISTE " da minha querida amiga NILZETH, teve o mérito de eleger o ALMA DE POETA como um "Blog Destaque" no DOCE VENENO.
Obrigada amiga, só um coração apaixonado como o teu, seria capaz transmitir tanto sentimento nas palavras, merecedoras de tamanho reconhecimento.
EXISTE
Existe pessoa que cheira amor
Que trás vontade de Paixão;
Existe amor que cheira vida,
E vida que anda na contra-mão.
Existe pessoa que cheira saudade,
Trazendo a vontade de nunca esquecer...
Existe saudade que dói na lembrança;
E trás a certeza de nunca morrer.
Existe morte que ocorre em vida;
Por não cicatrizar a ferida aberta na emoção...
Mas, existe emoção que se faz viva;
Que envolve e acalenta o choro do coração.
Existe coração que sofre
Mesmo sem saber por quê
E segue buscando em cada face
A falta que sente de você.
Existe tudo e todos
De forma que não sei dizer;
E nesta agonia eu sigo triste
Sem rumo e sem amanhecer.
Existe amanhecer sem luz,
Existe noite sem luar
Existe treva e escuridão
Existem sonhos sem se concretizar.
Só porque Existem!
Nilzeth, 16/09/2005
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