20 de março de 2007

EMANUEL FÉLIX " Um Homem Pode Amar Uma Pedra "



(Fotografia de Joel Santos )



Um homem pode amar uma pedra


...Mas se um homem lhe der para amar uma pedra
não seja uma pedra e mais nada
mas uma pedra amada por um homem



Do livro de Sidónio Bettencourt

" Deserto de Todas as Chuvas "

6 de março de 2007

FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " Encontrei o Norte em Ti..."







Oh insula alada
Que prenhas de certezas
a ventura do meu ser
em amor
e em
querer

Que me prestas amorosa
no teu seio em vaso
todo o meu ser
da vida ao
horizonte

Porque fazes renascer
sem certeza do porvir
em nova esperança
em mim ?
Uma ilha nova !



Fernando Monteiro Poeta da Ilha de S. Maria - Açores


do livro " MAR BRANCO "

28 de fevereiro de 2007

Emigrantes de Ontem e de Hoje

Transcrevo texto opinião do blog que habitualmente visito

  • RESISTIR


  • Um texto que nos faz parar e reflectir .

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    A Região mais triste de Portugal (linguagem pouco cuidada)





    Sónia, que nasceu em 1977, é muito doente. Com o marido e os filhos emigraram ilegalmente para o Canadá em 2000 ou 2001. Em busca do sonho. Do sonho de quase tudo. Pobres, filhos de pobres deixaram os Açores para fugir a uma miséria que as autoridades regionais vergonhosamente ignoram e a sociedade civil finge ser conversa de académicos ou estatísticas de gente que não concorda com a mediocridade do governo açoriano.
    A miséria destes açorianos honrados não é diferente da miséria de muitos outros. Miséria absoluta, quero dizer, envergonhada, com a falta de oportunidades, que respira e se alimenta à sombra da inevitabilidade do velho destino açoriano das classes sociais, favores e temores a Deus. Miséria, digo ainda, que se auto-sustenta de geração em geração e tolera quase tudo: corrupção, financiamentos partidários por bandidos, mau uso dos dinheiros públicos, obséquios do Estado a canalhas, pedófilos em liberdade, ladrões, patifes, legisladores castrados, comunicação social servil, procuradores e juízes de direito a jeito e polícias coniventes.
    Carlos é pedreiro. Em algumas províncias canadianas um pedreiro pode ganhar 100.000.00 dollars por ano. Com facilidade, em poucos anos, foi possível construir uma vida com suor e saudade, mas sem ser preciso ser do partido, ou amigo de alguém, ou baixar as calças à dignidade ou votar no PS ou PSD ou aquilo que todos percebem. Uma Autonomia de filhos e enteados, de sucesso e de filhos da puta, dirão outros.
    Poucos ajudam pessoas como Sónia ou Carlos. Apenas as comunidades de emigrantes açorianos ou a Igreja Católica, a quem tenho de prestar homenagem na forma como ajudam os emigrante ilegais. Não a Igreja Católica que fornica com o governo açoriano mas a igreja que acredita na dignidade da pessoa humana.
    Carlos e Sónia não têm escolaridade. Não falam muito bem. Não são jogadores de futebol. Não atraem votos. Não fodem por dinheiro. Não se vendem. Vão pouco a festas. Não gerem os milhões das transferências do orçamento do Estado. Vestem modestamente. Não influenciam ninguém. São gente modesta. Apenas trabalham e tratam da família e de procurar um futuro melhor para os filhos. Futuro que lhes foi negado na sua terra. E a Sónia, que nasceu em 1977, cresceu à sombra do sucesso da Autonomia política legislativa; mas não consta que saiba cantar o hino regional. Pois.
    Como são ilegais, Carlos, Sónia e os filhos foram deportados. Pois. Um dos filhos, com 11 meses, nascido no Canadá, não tinha qualquer identificação e foi impedido de sair de Toronto. E foi aqui que ficaram vivos para o mundo. Nasceram para o estrelado da miséria, para a agonia da humilhação. Mas eu sei. Apesar de nunca os ter visto, vi milhares e milhares como eles: gente decente da região mais triste de Portugal.

    JOSÉ ANDRADE " Estrada da Vida "






    E no silêncio da noite
    Se perdem as passadas
    Largas e pesadas
    E fortes... mas inseguras.
    O relógio
    Em contratempo
    Marca o Tempo.
    Um tempo que passa
    A cada passo
    E que não volta nunca.
    Talvez por isso se ouvem ainda
    Passadas na estrada.
    Nesta curta estrada
    A percorrer
    Sem correr
    Mas a crer
    Que cada passo que nela passa
    Passará para a Eternidade !


    José Andrade
    S.Miguel - Açores


    Do livro " SEMENTE "

    24 de fevereiro de 2007

    SIDÓNIO BETTENCOURT " Confidência "









    Nunca tive pátria, outro rio, outra casa, outra rua, nunca tive outra terra, outro mar, outra mãe, outra mulher, nunca tive





    Outra coisa qualquer ...




















    Sidónio Bettencourt






    Do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "








    12 de fevereiro de 2007

    Poema de " Bruno Valter Garcia Ferreira "




    Quis Deus que ao sol nascente te voltasses
    E do cimo dos cumes tão altivos
    Do mar, em forte abraço, ali tombasses
    Preso de meigos beijos e cativos;

    E que de verde parra te adornasses
    E fossem tantos mais os teus motivos,
    Que gigantesco teatro aparentasses
    Quer a estranhos, quer a teus nativos.

    S.Lourenço - ó minha linda baía -
    Nas luarentas noites de estio,
    Tudo e todos envolves em magia.

    Sobem no ar cantigas de alegria;
    Cantam cagarros em estranho cio
    Mas tudo tem um quê de nostalgia !



    Poema do Dr. Bruno Ferreira

    Um Mariense ,residente da ilha Terceira- Açores

    Do Livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

    7 de fevereiro de 2007

    SIDÓNIO BETTENCOURT " Reencontros "





















    Não sei se te encontrarás algum dia e se me vires não digas palavra.

    Saberei dizer-te no olhar o que me escondeste dos olhos e da voz calada sentirás o poema da partida.

    Se disseres chegada guardarei nas mãos todo o tempo de dar.

    Esperei todos os dias pela claridade, mas amanhã de manhã não voltou.



    E a noite se fez dia e madrugada outra melodia e eu sem nada.


    Sidónio Bettencourt

    ilha do Pico - Açores

    Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "


    4 de fevereiro de 2007

    JOSE ANDRADE poema " Ivone "


    Na vida de um homem há sempre uma mulher


    Tu és o sonho real
    Que sonhei sonhar
    Numa infinita realidade.
    És pensamento que penso
    Ao pensar na vida que vivo
    E que vou viver.
    Tu és aquilo que sou
    E que nunca antes havia sido.
    És o futuro presente
    Que justifica o passado meu
    Tu és simplesmente tudo
    Neste mundo que é teu.


    Set/83







    JOSÉ ANDRADE



    S.Miguel - Açores


    Do livro " Semente "






    TITO MAGALHÃES , Ilha de S. Maria - Poema " Manuscrito "





    ... E Deus criou o homem
    Senhor de todos os gestos
    Houve murmúrio de dedos
    Requiem para um Paraíso
    E abrimos as mãos em flor
    Qual sinfonia oponível
    Eram pétalas d'espanto
    Sobre o jardim Natureza
    E assim aprendemos
    A conter os desejos
    Na carícia de um fruto
    E a sentir os prazeres
    Do redondo vocábulo
    Que primeiro gritámos
    Que depois gememos
    E por fim dissemos
    Vezes sem conta
    Até que o cantámos
    Em louvor do milagre
    Que então surgiu...
    E quisemos gravá-lo
    Como um pensamento
    Que a pedra guardasse
    E nessa memória
    De riscos cravados
    Na mais dura terra
    Irrompe o poema
    De uma linguagem
    Já com sentimento



    Poema de Tito Magalhães- Ilha de S. Maria - Açores

    Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

    29 de janeiro de 2007

    António de Medeiros Pereira





    Tua boca nacarada
    É o sensual cartaz
    E o cofre que arrecada
    Os beijos que não me dás...


    A tua boca formosa
    Cheia de vida e de frescor,
    Parece um botão de rosa,
    Abrindo em beijos de amor.


    Teus olhos aveludados,
    Onde há malícia e paixão
    São a causa dos pecados,
    Que trago no coração



    Poema de " António de Medeiros Pereira " S.Maria -Açores



    Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

    22 de janeiro de 2007

    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Irmã Tristeza *







    IRMÃ TRISTEZA



    Era uma vez ... Fatigada
    De fazer sofrer e magoar,
    Uma fada encantada,
    Cansada de chorar e fazer chorar,
    Entrou dentro de mim e disse :

    - Não quero mais sair desta prisão !
    Vou, para sempre, aqui ficar ...
    Venho, para sempre morar,
    Dentro do teu coração !

    - Quem és tu ? – interroguei,
    Apavorado.
    Ela respondeu :
    - Não sei ... não sei ..
    Só sei que te não posso ver,
    Viver assim,
    Atormentado !

    Mas, quem és tu, quem me fala assim ?
    - És a dor? A saudade ? A amargura ?
    - Onde moras e donde vens ?
    Do mar ? Do céu ? Da noite escura ?
    Ou do ignoto mistério da natureza ?

    E a voz de longe respondeu,
    Baixinho, como quem reza –
    - “ Sem mais sim, sem mais não “ :
    - Sou a tua irmã tristeza !
    Que importa quem seja eu,
    Se vier, nos braços da paz,
    Para sempre, adormecer
    Dentro do teu coração !

    Lopes Araujo

    19 de janeiro de 2007

    11 de janeiro de 2007

    VITOR CINTRA " Eu Vi ... "




    Eu vi passar o tempo, sempre á 'spera
    Que a sorte bafejasse o meu país
    E que, vencido o medo de Quimera,
    Fortuna fosse mais do que se diz.

    Eu vi passar os anos de revolta,
    Por todas as partidas de Destino,
    Sabendo de há um tempo, que não volta,
    No Fado, que abracei desde menino.


    Eu vi as muitas Moiras, que se cruzam
    No palco desta terra lusitana,
    Querendo proteger a massa humana;

    Mas vi, também, as Parcas, que nos usam,
    Tentando demonstrar que é errado
    Um povo destemido ser honrado.


    Vitor Cintra

    Do livro " Ao Acaso "

    3 de janeiro de 2007

    Poema de João Delvino Chaves Baptista - Ilha de S. Maria


    Ser jovem é ser alguém!
    Ter o orgulho da raça
    E impor-se lá no fundo.
    Ser jovem é também,
    Trazer nos ombros a esperança
    De crescer com o mundo.
    Ser jovem é estar mais perto !
    Ter no coração a realeza
    Na sua luta pela realidade.
    Ser jovem é também estar certo
    E ter nessa certeza,
    O saber simples da verdade.
    Ser jovem é ter orgulho!
    E se, na luta ser duro
    Necessário o for, ser.
    Ser jovem é também ter brilho,
    De poder ser puro
    Contra a cegueira do poder.
    Ser jovem é ser alguém!
    Ser jovem é estar mais perto!
    Ser jovem é ter orgulho
    De poder ter, também,
    A certeza de estar certo,
    E da pureza,



    O BRILHO!


    João Delvino Figueiredo Baptista

    poema de ..... Violante Medeiros Pereira


    Um lenço branco
    Molhado
    Caído na rua ...
    Gente indiferente passa;
    Suja-o
    E amachuca a dor das lágrimas,
    Que alguém limpou.
    E a gente passa
    E as lágrimas
    Introduzem-se pouco a pouco,
    Nas pedras negras da calçada.



    Violante Medeiros Pereira
    S. Maria - Açores

    Do Livro " Musas da Minha Terra "
    de

    ADRIANO FERREIRA


    13 de dezembro de 2006

    NATAL QUE NÃO VOLTA...

    Antigamente,
    Quando a vida me sorria,
    No tempo em que brincava,
    E alegremente
    Corria
    E saltava…
    Nesse tempo em que solteiro de ilusões
    Acreditava
    Nas fadas
    E nos Papões…
    Enfim,
    Antigamente,
    A vida para mim
    Era bem diferente! …

    O Meu Jesus
    Trazia-me sempre um presente…
    Um lindo brinquedo
    Que eu pedia
    Muito em segredo! …
    … E recebia-o contente ! …



    **************

    Como outrora,
    Eu quisera
    Agora –
    - Doce quimera –
    - De novo encontrar
    Não um brinquedo lindo
    Que me pudesse encantar…
    Mas, um pouco de beleza
    E um pouco de alegria
    Que viessem aliviar
    Esta funda tristeza …
    A minha melancolia …

    ************

    E de manhã de manhãzinha,
    Devagar, pé-ante-pé,
    Eu corri à chaminé! …
    E o meu sapato,
    Nessa manhã ainda escura,
    Nessa manhã de frio
    E esmaecida,
    Lá estava, nu , vazio,
    Como anda vazia a nua
    De ventura
    A minha vida ! …

    **************

    E a minha alma sismadora,
    E triste,
    Triste e sonhadora,
    Acalentou essa esperança
    Dos meus tempos de criança,
    Dos meus tempos de bebé;
    Ir encontrar a ventura
    Num sapato, à chaminé!!!...



    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

    2 de dezembro de 2006

    Florbela Espanca

    Saudades! Sim...talvez...e porque não?...
    Se o nosso sonho foi tão alto e forte
    Que bem pensara vê-lo até à morte
    Deslumbrar-me de luz o coração!


    Esquecer! Para quê?...Ah!como é vão!
    Que tudo isso, Amor, nos não importe.
    Se ele deixou beleza que conforte
    Deve-nos ser sagrado como o pão!


    Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
    Para mais doidamente me lembrar,
    Mais doidamente me lembrar de ti!


    E quem dera que fosse sempre assim:
    Quanto menos quisesse recordar
    Mais a saudade andasse presa a mim!




    Florbela Espanca

    28 de novembro de 2006

    AMÁLIA RODRIGUES * Quando Se Gosta de Alguém *



    Quando se gosta d'alguém
    Sente-se por dentro da gente
    Ainda não percebi bem
    Ao certo o que é que se sente

    Quando alguém gosta d'álguém
    É de nós que não gostamos
    Perde-se o sono por quem
    Perdidos de amor andamos

    Quando alguém gosta d'alguém
    Anda assim como ando eu
    Que não ando nada bem
    Com este mal que me deu

    Quando se gosta d'alguém
    É como estar-se doente
    Quanto mais amor se tem
    Pior a gente se sente

    Quando se gosta d'alguém
    Como eu gosto de quem gosto
    O desgosto que se tem
    É desgosto que dá gosto




    Amália Rodrigues

    18 de novembro de 2006

    PARABÉNS FILHA



    PAULA


    Ainda ontem eras criança
    Bonequinha linda , adorada,
    Guardamos ainda na lembrança
    O dia da tua chegada.


    Primeira filha , quanta alegria,
    Sentimos ao ter-te no colo
    Os anos passaram por magia,
    Hoje és mulher, quem diria,
    Vamos festejar, com bolo.


    Trinta velas vais contar,
    Não são muitas, podes crer,
    Muitas mais hás-de apagar
    Outras tantas vais contar,
    Esperamos estar cá p’ra ver.


    Neste teu aniversário
    Desejo sejas feliz
    Que sigas o teu caminho
    Com paz, amor e carinho
    Que sejas muito…

    Muito FELIZ!!


    Muitos parabéns querida filha.


    6 de novembro de 2006

    ARQUIPÉLAGO Poema de Vitor Cintra



    ARQUIPÉLAGO


    Ilhas dos Açores,
    Terra dos vulcões,
    Meigas nos amores,
    Loucas nas paixões.


    Frei Gonçalo Velho
    Fez o que podia,
    Com bom senso e relho,
    Por Santa Maria.


    Se há em S.Miguel,
    Pouca simpatia,
    Só quem for cruel
    Nega ver magia.


    Ó ilha Terceira,
    Chamam-te recreio,
    Deixa! É brincadeira!
    Nada tem de feio.


    Diz-se do Faial,
    Que quaisquer caminhos
    Vão sempre, afinal,
    Dar aos Capelinhos.


    Pico, tão formosa
    P'lo queijo e "verdelho",
    Sentes-te ciosa
    Desse saber velho.


    Ilha das fajãs,
    São Jorge dos queijos,
    Gentes de almas sãs
    São as que em ti vejo.


    Ilha Graciosa,
    Branca de apelido,
    Dizes-te vaidosa.
    Faz algum sentido.

    Pelo bem que cheiras,
    Pelas tuas cores,
    Ilha das Caldeiras
    Dizem que és "das Flores ".

    Corvo, tão pequena,
    Ergues-te à distância,
    Mas neste poema,
    Tens muita importância.



    Vitor Cintra
    "Alegorias "

    2 de novembro de 2006

    Para Avivar a Memória





    PARA AVIVAR A MEMÓRIA

    Não esqueças nunca
    Este poeta
    Pequenino
    Que quis somente
    Sempre
    Dizer tudo
    E nunca disse nada!

    Não esqueças nunca
    Cada texto
    Cada verso
    Cada palavra
    Cada letra!

    Não esqueças nunca
    Como
    Onde
    Quando
    Por que nasceu
    Cada poema
    Elogio
    Confissão
    Desejo
    Ânsia
    Oração
    E grito!

    Não esqueças nunca
    Que na alma de um poeta
    Há sempre uma musa!

    Não esqueças nunca
    Que nas veias de um poeta
    Corre um sangue vermelho!

    Não esqueças nunca
    Que no coração de um poeta
    Pequenino
    Inútil
    Há sempre um lugar
    Para ti!



    António (Veleiro)

    20 de outubro de 2006

    Para uma Mãe. LÚCIA




    PEQUENINA

    És pequenina e ris… A boca breve
    É um pequeno idílio cor-de-rosa…
    Haste de lírio frágil e mimoso!
    Cofre de beijos feito sonho e neve…

    Doce quimera que a nossa alma deve
    Ao Céu que assim te fez tão graciosa!
    Que nesta vida amarga e tormentosa
    Te fez nascer como um perfume leve!

    O ver o teu olhar faz bem à gente…
    E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
    Quando o teu nome diz, suavemente…

    Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
    Que ela afaste de ti aquelas dores
    Que fizeram de mim isto que sou!



    Florbela Espanca - Livro de Mágoas


    .........Lindas as filhas que de ti nasceram.
    Obrigada pelo amor com que criaste o meu filho.


    Isabel

    17 de outubro de 2006

    Amizade.............. Desconheço o Autor

    Que a cada amanhecer do seu dia nasça contigo uma flor.
    Que cada sorriso teu, seja as pétalas que torna esta flor mais completa.
    Que cada pensamento positivo, seja o caule .. que a sustenta.
    Que cada passo para a vitória, seja a terra que alimenta.
    Que cada gesto teu, seja o sol que fornece energia, e que o brilho dos teus olhos, seja a beleza e a simplicidade desta flor, que me embriaga com o seu perfume e me encanta com seu carisma.
    Esta flor que desabrocha em seus pensamentos e me transforma em você...
    Uma flor que vai permanecer intacta às mais diferentes épocas, aos mais inesperados destinos, uma flor que nunca vou permitir morrer.
    Sabe porque?
    Porque ela é linda como você
    e porque todos a chamam de


    AMIZADE



    (desconheço o autor)

    13 de outubro de 2006

    VIVER COMO EU SEI - Américo Silva

    VIVER COMO EU SEI

    Uma manhã de sol, de vento...ruidosa,
    Que agita com violência os ramos das árvores,
    Vento que o suportam angustiadas , indefesas... passíveis...

    Que o sentem e aceitam...que o vivem sem queixume.

    São como nós,




    Que também não podemos sair do caminho que a vida nos escolheu...
    Pleno de angustias,



    De medos,
    De noites de tormenta,



    De pensamentos apavorados.
    Á espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.

    E viver é isto...




    Um momento de angustia... de incerteza,
    Um momento de dor... um momento de alegria.
    Um momento de esperança... um momento de luz.
    Um momento de prazer... um momento de revolta.


    Sair da estrada e entrar nela de novo...


    É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
    É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
    Os momentos que vale a pena guardar.

    É sair da estrada e entrar nela de novo...
    É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.



    É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
    Os momentos que vale a pena guardar.

    É aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
    É sentir a qualquer hora da noite ou do dia,
    Que aconteça o que acontecer...





    Haja o que houver,



    Há sempre alguém que mesmo distante,



    Caminha a nosso lado.

    Na noite tenebrosa,

    No sol radiante,
    No frio do medo,
    No calor da esperança,
    Numa amanhã mais calma e tranquila
    Na lagoa das águas serenas,
    Na areia da praia deserta,
    No encanto do monte verdejante,
    No silêncio dum carro parado.

    No planalto duma montanha escura, silenciosa... tranquila,

    No caminhar pelas ruas desertas, duma cidade plena de vida
    De ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
    Nas horas mortas da madrugada,
    Voando ao encontro da luz.

    Viver é isto.

    Descobrir,
    Encontrar e perder,
    Sentir e correr, ao encontro do destino.
    De nada...
    De tudo!


    Américo Silva


    Setembro 2003

    8 de outubro de 2006

    BEIJOS....de Isabel C.




    BEIJOS



    Boca doce,cereja vermelha , abelha no mel do meu pescoço.


    Lingua/Sonho, em valsa lenta.

    Lingua bailarina, em pista de dança.

    Lingua que brinca e explora...

    Cobra esfomeada que me persegue ágil, sou presa, conquistada.

    Lingua atrevida, quente e doce, lânguida...,



    Irrequieta e molhada ,


    Despedurada e louca.

    Boca que me faz prisioneira.

    Escutam-se sons , gemidos,


    Louca perseguição de desejos e paixão,

    Ecoam cânticos celestiais.

    São anjos? !

    És anjo!

    Doces os lábios que me beijam, e eu beijo.



    Isabel C*

    5 de outubro de 2006

    Embala o teu Sonho....de ...António Veleiro

    EMBALA O TEU SONHO...

    Embala teu sonho nas mãos
    E oferece-o no cálice de néctar
    Tragado cada manhã
    Cristalino globo do universo
    Trespassado de todas as cores.


    Vês o sol que te aquece se ele brilha
    Lavas-te na água fecunda da chuva
    Vês teu rosto nas nuvens se escurece
    E esfregas a pele macia da manhã.


    Sentes o vento que te corta o rosto
    Perfumas o aroma da tua sensação
    Vestes o frio do nevoeiro cerrado
    E estás pronta para a vida que te habita.
    Sais a correr cada segundo
    Porque um segundo depois já é outro
    Alimentando a fome de energia vital.


    Cumprimentas este que conheces
    Beijas aquela que te iguala
    Na humanidade dentro de todos.


    Chegas farta
    Cansada
    Aborrecida
    Tramada
    Encolhida
    Furiosa
    Endiabrada
    Abatida
    Calada
    Desiludida


    Não há tempo para sonhar!


    Mas de novo
    Embala teu sonho nas mãos...


    ... Até que nas mãos frias
    Teu sonho não se possa embalar.








    António (Veleiro)

    2 de outubro de 2006

    Procuro-Te ... de Isabel C.


    De que cor,vou pintar o sabor dos teus lábios, sabor esse. que sei de cor...

    ***

    Na imaginação procurei,
    pintar-te.
    Na busca de mais cores,
    tentei...
    Em vão!

    Procurei encontrar-te,
    no traço,
    então traçado.

    Cerne do teu ser,
    Essência , feita, ausência,
    Presença, Omnipresente.

    No teu todo, busquei-te.

    Existes na minha mente,
    Cosmos onde te encontro,
    Onde te pinto,
    Te invento e reencontro
    Num momento infinito...
    Perdido no tempo,
    Onde pertenço,

    Porque sei que,
    é lá,
    Que te sei de cor.


    Então:

    - Fecho os olhos,

    Revejo a tua boca, que me fascina.
    Teus olhos, da cor dos meus.
    Encontro-me nos contornos do teu rosto,
    E novamente sei,
    Que, sei-te de cor.


    Isabel C*

    21 de setembro de 2006

    Carta ao meu Marido ..... de Isabel C.

    Por coincidência ou destino, este texto foi publicado em 21 de Setembro de 2006.
    No dia 21 de Setembro de 2009, foi decretado o nosso divórcio.

    A vida tem destas coisas.

    Isabel C.


    .......................................................

















    Esperavas-me deitado quase adormecido.

    Quando me deitei, abriste os olhos e olhaste-me dizendo:
    - Gosto tanto desse teu cheirinho a bebé.

    Essa tua capacidade de ainda notar o meu cheiro, e dizeres o quanto te agrada, deixa-me feliz.

    Chamares-me pelo meu diminuitivo nos momentos de entrega, reafirmando os teus sentimentos de amor para comigo, é fazeres-me recuar no tempo, esse tempo ido, que tento insistentemente encontrar, como se alguma vez o tivesse perdido.

    Amor, não vive sem sexo, mas sexo vive sem amor.
    É cada vez mais comum encontrar alguém disposto a curtir, a viver o momento.
    Dificil é, encontrar alguém que continue querendo continuar a preservar aquele que foi o seu primeiro amor.

    Fico a analisar, todas as provações que temos passado juntos, e a capacidade que fomos encontrando também, de as contornar com mais ou menos feridas, que acabam cicatrizando com o tempo.

    Então, se após todos esses momentos bons ou maus, continuamos como rocha firme nos mesmos intentos, uma certeza existe :

    És, e continuo eu sendo, a pessoa com quem queremos continuar partilhando os melhores e piores momentos,pois que aquilo que nos une, continua falando mais forte, do que aquilo que nos separa.

    Não sei se o amor se foi,se ainda se acabará indo, sei que por vezes só damos o real valor, áquilo que perdemos.

    Sei também, que é muito bom adormecer enrolada no teu corpo,sentir as tuas pernas dentro das minhas ou o contrário, adormecer de mãos dadas com o teu beijo de boa noite, e acordar com o teu primeiro beijo matinal.

    Ainda continuamos passeando de mão dada, ainda nos beijamos pela rua, ainda me chamas de tua menina , e sobretudo, ainda continuas dizendo o quanto me amas e me adoras.

    Conseguirei eu transmitir-te do mesmo modo, toda essa segurança, esse amor que recebo, e nem sei se dou.

    Ás vezes ausento-me de mim, e vejo que me segues com o olhar, com medo que me perca.

    Tenho consciencia de que as nossas arestas estão limadas.
    De que nos conhecemos, sabendo que cada um de nós é ao mesmo tempo um ser livre.

    De que ainda, e principalmente , somos um do outro.

    Tudo isso continua sendo muito importante para continuarmos nesta caminhada, aquela que um dia escolhemos.

    Não seremos porventura as mais belas flores dum jardim, mas somos ainda as mesmas que um dia o sentimento amor colheu e uniu.







    Isabel C.

    7 de setembro de 2006

    Inscrição na Areia.... Cecília Meireles



    O meu amor não tem
    importância nenhuma.
    Não tem o peso nem
    de uma rosa de espuma!

    Desfolha-se por quem?
    Para quem se perfuma?

    O meu amor não tem
    importância nenhuma.



    Cecília Meireles

    26 de agosto de 2006

    O MUNDO QUE EU CRIEI de José Maria Lopes de Araújo





















    Deram-me a vida,
    Lançaram-me ao mundo,
    Um mundo de quimera,
    Um mundo que não me pertence,
    Onde o cinismo impera
    E a mentira vence ! …

    Por isso, criei
    Um mundo diferente
    Deste outro mundo em que vivo:
    Sem ódios, sem maldade,
    Sem grilhetas de sofrimento
    E sem o vento
    Da impiedade !


    Tenho caminhos
    Floridos, perfumados
    De amores, de carinhos,
    De venturas e saudades …


    E mais claro o sol que me alumia,
    Sol que irradia
    A luz do amor …
    São curtos os meus horizontes …
    Naufragou a minha dor …


    Tenho noites de luar…
    E canta o mar,
    E cantam as fontes,
    Quando me ouvem cantar !


    …………………………….


    No mundo que eu criei,
    Para viver sonhando,
    Há belezas irreais…
    Ilusões e esperança …
    … E eu só quero e vivo amando
    Velhos e crianças,
    Flores e animais ! …
    …………………………..

    O mundo que eu criei
    É um mundo diferente :
    Sem ódios, sem maldade,
    Sem grilhetas de sofrimento,
    Sem a noite de tormento,
    E sem o vento
    Da impiedade ! …


    José Maria Lopes de Araújo

    do livro # CINZAS QUENTES #

    21 de agosto de 2006

    Cecilia Meireles " JARDIM COM FLORES "


    Quem me compra um jardim
    com flores?
    borboletas de muitas cores,
    lavadeiras e passarinhos,
    ovos verdes e azuis nos ninhos?
    Quem me compra este caracol?
    Quem me compra um raio de sol?
    Um lagarto entre o muro a hera,
    Uma estátua da Primavera?
    Quem me compra este formigueiro?
    E este sapo, que é jardineiro?
    E a cigarra e a sua canção?

    E o grilinho dentro do chão?

    (Este é o meu leilão!)



    [Cecília Meireles in Leilão de Jardim]

    15 de março de 2006

    " Dá um Abraço? " Autoria de Macedo Junior ( TrovadorPR )





    De repente deu vontade de um abraço...
    Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
    de amizade... sei lá...


    Talvez um aconchego amigo e meigo,
    que enfatize a vida e amenize as dores...
    Que fale sobre os amores,
    seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.


    Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
    Um abraço que eternize o tempo
    e preencha todo espaço...
    Mas que faça lembrar do carinho,
    que surge, devagarinho,
    da magia da união dos corpos,
    das auras... sei lá.


    Lembrar do calor das mãos,
    acariciando as costas a dizer:
    - Estou aqui!

    Lembrar do enlaçar dos braços,
    envolventes e seguros,
    afirmando: - Estou com você!.


    Lembrar da transfusão de forças,
    ou até da suavidade do momento... sei lá...

    Então,pensei em como chamar esse abraço:
    abraço poesia, abraço força,abraço união,
    abraço suavidade,abraço consolo e compreensão,
    abraço segurança e justiça, abraço verdade,
    abraço cumplicidade?


    Mas o que importa é a magia deste abraço!
    A fusão de energias, que harmoniza,
    integra o todo e se traduz no cosmos,
    no tempo e no espaço...


    Só sei que agora deu vontade desse abraço.
    Um abraço que desate os nós,
    transformando-os em envolventes laços.


    Que sirva de colo, afastando toda e qualquer angústia.
    Que desperte a lágrima de alegria,
    e acalme o coração...


    Um abraço que traduza a amizade,
    o amor e a emoção....

    E para um abraço assim ,
    Só consegui pensar em você!
    Nessa sua energia,
    nessa sua sensibilidade,
    que sabe entender o por quê,
    dessa minha vontade.

    Pois então:


    Dá logo este abraço!


    Poema da autoria do Poeta MACEDO JUNIOR ( TrovadorPR)

    11 de março de 2006

    Vinicius de Moraes " Para Viver um Grande Amor "

    Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.


    Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.


    Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.


    Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.


    Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.


    Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.


    Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.


    É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...


    Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?


    Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.


    É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.


    Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

    20 de fevereiro de 2006

    Sophia de Mello Breyner Andreson " Pudesse Eu "

    Pudesse eu não ter laços nem limites
    Ó vida de mil faces transbordantes
    Para poder responder aos teus convites
    Suspensos na surpresa dos instantes



    Sophia de Mello Breyner Andreson

    15 de fevereiro de 2006

    ÁLVARO DE CAMPOS « O Que Há em Mim é Sobretudo Cansaço »»

    O que há em mim é sobretudo cansaço
    Não disto nem daquilo,
    Nem sequer de tudo ou de nada:
    Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
    Cansaço.


    A subtileza das sensações inúteis,
    As paixões violentas por coisa nenhuma,
    Os amores intensos por o suposto alguém.
    Essas coisas todas.


    Essas e o que faz falta nelas eternamente;
    Tudo isso faz um cansaço,
    Este cansaço, Cansaço.


    Há sem dúvida quem ame o infinito,
    Há sem dúvida quem deseje o impossível,
    Há sem dúvida quem não queira nada -
    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
    Porque eu amo infinitamente o finito,
    Porque eu desejo impossivelmente o possível,
    Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
    Ou até se não puder ser...


    E o resultado?
    Para eles a vida vivida ou sonhada,
    Para eles o sonho sonhado ou vivido,
    Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
    Para mim só um grande, um profundo,
    E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
    Um supremíssimo cansaço.
    Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...



    Álvaro de Campos

    7 de fevereiro de 2006

    Ninita



    PICASSO DE UMA VIDA


    Pó, vento, sol e água de África, assim sou eu uma mistura, fui e nele me tornarei, Vento que balbucia incoerências, Sol que brilha para quem amo, Água de lágrimas que purificam.

    Dessa paisagem marcante e gritante, delineada a fogo na minha alma, ficaram em mim marcas indestrutíveis, e tal como na guerreira africana, vive em mim, a coragem, a perseverança e o amor.

    A coragem para continuar a lutar quando tudo desmorona ao meu redor, quando nada parece dar certo, quando a luz enfraquece, quando o calor desaparece, quando o carinho se transforma em frieza, quando a esperança dá lugar a um vazio.

    A perseverança para mesmo em altura de desgaste e de decepções, de lutas desiguais , de injustiças, escolher não desistir.

    O amor, pela terra, pela família, pelos amigos, por tudo o que me rodeia, sentimento forte em mim, muitas vezes escondido debaixo de uma aparente serenidade e controle. Amo sem artifícios, sem calculismo, sem temer sofrer de cada vez que perco nessa guerra de sentimentos.

    Num bater descompassado este coração ilumina-se ainda ao imaginar o enlace com outro igual, emociona-se ainda num toque fortuito, numa troca de olhares, numa cumplicidade silenciosa, e quantas vezes ferido de morte por ter acreditado naquilo que não passou de ilusão, reacende-se e dessas cinzas surge novo amor que vem trazer novas sensações e um novo alento até à próxima queda.

    Emoções tão diversas sacodem este corpo e esta mente, do riso vou às lágrimas sem conseguir separá-los, sem perceber onde um começa e o outro acaba, da alegria parto para a tristeza numa fronteira aberta entre as duas, dum mundo pintado em aguarela ou óleo, passo para um sketch a carvão, naquilo a que chamo o picasso da minha vida.

    Quero ser a musa dos meus poemas, a inspiração dos meus quadros, a personagem dos meus livros, a actriz dos meus filmes, a fonte dos meus devaneios, mas principalmente quero ser Eu.

    Ninita 24/06/05

    25 de janeiro de 2006

    Desejo de Você poema de Isabel C.

    Quero ver de novo,
    No brilho de seus olhos,
    Toda a intensidade do desejo
    Que seu olhar contém.
    Quero sentir,
    Num toque de seda,
    Suas quentes e doces mãos
    Em busca do meu ser, trazendo a sede
    Que saciará
    A fome desse amor.
    Quero seus dedos percorrendo meu corpo .
    Quero meus seios colados em você.
    Quero sentir seu corpo tremendo de desejo,
    Quero sentir de novo seu beijo,
    Sua boca molhada, fremente colada
    Quero ter você junto a mim.
    Quero sua língua brincando na minha,
    Num beijo melado e molhado
    Que me faz desejar e sonhar com você.
    Quero urgência, aqui e agora,
    Nesta noite fria,
    Com você se enroscando
    Em meu corpo ardente, sedento de suas mãos,
    Sua língua percorrendo meu corpo nu
    Desejoso de receber a seiva desse amor.
    Te desejo como nunca,
    Vem...
    Vamo-nos amar.
    Como o sol, ama a lua,
    Como a areia ama o mar,
    Como a noite ama o brilho das estrelas,
    E eu....amo você.
    Num amor que é eterno,
    O meu amor,
    O teu amor
    O nosso amor.

    Eu quero você....

    Amor!


    Isabel C.

    Mário de Sá Carneiro " Quase"

    QUASE

    Um pouco mais de sol - eu era brasa,
    Um pouco mais de azul - eu era além.
    Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
    Se ao menos eu permanecesse aquém...

    Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
    Num baixo mar enganador de espuma;
    E o grande sonho despertado em bruma,
    O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

    Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
    Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
    Mas na minh'alma tudo se derrama...
    Entanto nada foi só ilusão!

    De tudo houve um começo... e tudo errou...
    - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
    Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
    Asa que se elançou mas não voou...

    Momentos de alma que desbaratei...
    Templos aonde nunca pus um altar...
    Rios que perdi sem os levar ao mar...
    Ânsias que foram mas que não fixei...

    Se me vagueio, encontro só indícios...
    Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
    E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
    Puseram grades sobre os precipícios...

    Num ímpeto difuso de quebranto,
    Tudo encetei e nada possuí...
    Hoje, de mim, só resta o desencanto
    Das coisas que beijei mas não vivi...
    ............................................................
    ............................................................

    Um pouco mais de sol - e fora brasa,
    Um pouco mais de azul - e fora além.
    Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
    Se ao menos eu permanecesse aquém...



    Mário de Sá Carneiro



    ////////////////

    Não sendo habitual, vou fazer uma excepção , com este poema e esta música, para dedicar ás pessoas que me são muito especiais, e cujas datas próximas, as fazem estar ainda mais presentes no meu pensamento.

    ////////////////

    25 Janeiro - A alguém que já não se encontra entre nós,sendo este o dia do seu aniversário . O POETA " José Maria Lopes de Araújo " poeta que viveu na minha ilha e que admiro a obra deixada.


  • JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
  • 21 de janeiro de 2006

    AMÉRICO * Terás de Vir à Minha Cabana *


    Se queres ouvir a fogueira a arder
    o vento a soprar na rua
    a chuva a bater no telhado

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA


    Se queres ouvir uma canção no ouvido
    sentir um beijo na nuca
    uma carícia nos seios erectos

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres ver o vento a mexer as folhas
    o silencio no escuro profundo da noite
    sentir a voz do tempo que passou

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres acordar com o sol no olhar
    olhar pela janela o orvalho da lua
    nas pétalas molhadas das flores abertas

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres libertar a alma e deixa-la voar
    libertar o corpo e deixa-lo sentir
    soltar a mente e deixa-la sonhar

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres sentir o universo num momento
    o vulcão que acorda, a lava que corre
    na cama que te espera...

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres ouvir cada palavra que te escrevo
    em cada gota de agua que te molha
    em cada sorriso quente que soltas

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    AMÉRICO

    16 de janeiro de 2006

    Camilo Castelo Branco " OS AMIGOS "

    Amigos, cento e dez, ou talvez mais,
    Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
    Supus que sobre a terra não havia
    Mais ditoso mortal entre os mortais!

    Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
    Tão zelosos das leis da cortesia
    Que, já farto de os ver, me escapulia
    Às suas curvaturas vertebrais.

    Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
    Dos cento e dez houve um somente
    Que não desfez os laços quasi rotos.

    Que vamos nós (diziam) lá fazer?
    Se ele está cego não nos pode ver.
    - Que cento e nove impávidos marotos!



    Camilo Castelo Branco

    13 de janeiro de 2006

    António de Medeiros Pereira

    Ser pobre é possuir
    Riquezas e não as dar!
    É ter peito e não sentir
    Um coração a palpitar!

    É ter boca e não sorrir;
    Ter olhos e não olhar.
    É ter força e não agir;
    É ter mando e não mandar ...

    É ter fome e não comer;
    É ter sede e não beber,
    Na ânsia de não gastar ...

    É ter vida e não viver;
    É ter seiva e fenecer;
    É ter alma e não amar! ...



    António de Medeiros PereiraStª. Maria - Açores


    3 de janeiro de 2006

    Florbela Espanca " Poetas "

    Ai as almas dos poetas
    Não as entende ninguém;
    São almas de violetas
    Que são poetas também.

    Andam perdidas na vida,
    Como as estrelas no ar;
    Sentem o vento gemer
    Ouvem as rosas chorar!

    Só quem embala no peito
    Dores amargas e secretas
    É que em noites de luar
    Pode entender os poetas

    E eu que arrasto amarguras
    Que nunca arrastou ninguém
    Tenho alma pra sentir
    A dos poetas também!



    Florbela Espanca

    - in Trocando Olhares

    30 de dezembro de 2005

    SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "


    DA NOITE DE NATAL


    Gelada rua em que deste vida à saudade.

    Nem as pedras da casa onde despimos a família deserta e o desassossego das nossas consumições espalhadas nas poças de água e mágoa, levadas pelo vento oeste.

    Nem as folhas secas em São Francisco, caindo uma a uma, entre os barcos do peixe que o Inverno varou, medrosos e recolhidos no abraço da cruz.


    Há luzes no cruzeiro, cintilantes. Fazem lembrar faróis da América.
    Aquela que nos repartiu a urgência do regresso.

    E assim ficamos à espera na pequenez do compromisso.

    Na ânsia de te encontrar, perdi o sabor do rosto.

    Está escura a noite e pesarosos os sinos que me chamam no teu regaço. Para o abrigo da tua manta cor de anjo e de mistério.

    A missa do galo é na Silveira. Este ano é assim.
    Longe das nossas promessas.
    Longe dos nossos pecados.

    Inventaram um novo roteiro para recolhermos mais cedo na madrugada do menino.

    Cada um com o seu menino.

    Nem aqui, tão perto, o nosso beijar entre a manjedoura desfeita, a terra suada no mar revolto.

    O meu menino, levado para dentro do calor da ilha negra, mais cedo que as manhãs de neblina baleeira.

    Tão puro e tão breve.

    O meu menino:
    Há quanto tempo não te sinto as mãos no degelo do corpo?

    E agora há um rasgo de solidão amarga, persistente e duradoira.

    Chorar é matar a sede, e hoje estou com muita sede.

    Tanta noite sem ti , e logo esta, de lembranças.




    SIDÓNIO BETTENCOURT

    do livro “ Deserto de Todas as Chuvas “

    19 de dezembro de 2005

    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO Poema * Natal Que Volta *

    NATAL QUE NÃO VOLTA...


    Antigamente,
    Quando a vida me sorria,
    No tempo em que brincava,
    E alegremente
    Corria
    E saltava…
    Nesse tempo em que solteiro de ilusões
    Acreditava
    Nas fadas
    E nos Papões…
    Enfim,
    Antigamente,
    A vida para mim
    Era bem diferente! …


    *****

    O Meu Jesus
    Trazia-me sempre um presente…
    Um lindo brinquedo
    Que eu pedia
    Muito em segredo! …
    … E recebia-o contente ! …

    *******

    Como outrora,
    Eu quisera
    Agora –
    - Doce quimera –
    - De novo encontrar
    Não um brinquedo lindo
    Que me pudesse encantar…
    Mas, um pouco de beleza
    E um pouco de alegria
    Que viessem aliviar
    Esta funda tristeza …
    A minha melancolia …


    ******

    E de manhã de manhãzinha,
    Devagar, pé-ante-pé,
    Eu corri à chaminé! …
    E o meu sapato,
    Nessa manhã ainda escura,
    Nessa manhã de frio
    E esmaecida,
    Lá estava, nu , vazio,
    Como anda vazia e nua
    De ventura
    A minha vida ! …


    *******

    E a minha alma sismadora,
    E triste,
    Triste e sonhadora,
    Acalentou essa esperança
    Dos meus tempos de criança,
    Dos meus tempos de bebé;
    Ir encontrar a ventura
    Num sapato, à chaminé!!!...



    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
    do livro
    " Cinzas Quentes "

    16 de dezembro de 2005

    SIDÓNIO BETTENCOURT do livro " Deserto de Todas as Chuvas "

    DESPEDIDA

    Fria a tarde e distante da beira praia num soluço de olhar fugidio entre o mar, céu e a nudez a fervilhar.
    Fria tarde esta, que não te sente os lábios e o fogo do teu corpo, quando te deixo sem regresso.
    Fria solidão, quando os teus braços se soltam do murmúrio.
    Fria e triste monotonia, e o Outono sem o brilho dos teus olhos, nos cabelos revoltos e revoltados, destes dedos que acendo.
    Ventre de dança, no corpo que animas e onde revejo os lugares escondidos do desejo.
    Quando agora partir, só tu me deixas ficar, e na boca cair uma lágrima de sede a cantar Bethânia, rolando no eco da minha voz, desafinada e rouca " Onde Estará o Meu Amor?"
    O amor.
    Sim, o amor.
    Quem o conforta, quem o aquece, quem o derrete?
    Fria tarde de tristeza funda.



    Sidónio Bettencourt
    "Deserto de Todas as Chuvas "

    10 de dezembro de 2005

    SIDÓNIO BETTENCOURT do livro * Deserto de Todas as Chuvas *

    CARTA REGISTADA



    …Havia o infinito e o mar sobre nós, com sol nublado, e dei-te uma pedra negra que rolou do coração, para dentro do ano novo.
    Estavas de óculos cor-de-pedra, sentada no ano velho, como se eu tivesse regressado das lavadias brancas, com o teu véu cansado de noiva.
    Havia namorados que namoravam, e nós no percurso, sem nos vermos, a olhar um para o outro.
    Sabias a doce de mel salgado, e eu, a sal de abelha.
    Dizia amor e tu amora, silvestre.
    E a terra fria da mornaça de Janeiro, prescrevia o sonho a lacre de sangue fino e frio e pingos de coração, breve e magoado.
    Preenchemos então o desejo, que bebi dos teus silêncios.
    Deixaste-me tocar, nas tuas mãos secretas, leves e sem anéis brancos, ainda puras de tanto dar e receber.
    As tuas mãos de concha, dos filhos a crescerem.
    As tuas mãos esguias, das notas soltas do piano triste e adormecido.
    As tuas mãos quentes, dos recantos íntimos do nosso corpo, em sabor e desvario.
    As tuas mãos, que fizeram o calor do colo frio, da nossa dor no canal.
    As tuas, e as minhas mãos.
    Feridas.
    Tomámos então, com estrangeiros, como amigos estrangeiros, um café chique da cidade em hotel da noite, das noites que gostaria de viver intensamente contigo,
    e dei-te uma pedra da cor dos teus olhos pretos, do mar que me deixas, branco de mais de tantas ondas, para poder cantar outra vida …



    SIDÓNIO BETTENCOURT do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "

    Poeta da Ilha do Pico - Açores

    7 de dezembro de 2005

    OCEANO

    Fecho os olhos e ainda te vejo,
    Como esquecer aquele momento,
    Em que teu corpo, visitou minhas entranhas,
    Tua consciência, encontrou minha essência,
    Teu suor, se misturou em minha saliva,
    Meu coração, em tuas mãos.

    Como esquecer,
    Cada palavra dita,
    Cada gesto, de carinho ardente.
    Teu olhar fitando, o meu enxergar.
    Teu beijo, seduzindo minha boca.
    Teu querer,
    Dominando, o meu ser.

    Na vida,
    Mergulhamos nas emoções, e sentimentos,
    E com eles, partimos em grandes empreitadas.
    E é isso, que nos faz gente,
    Seres de alma, espírito e coração.

    Com você, aprendi a estar e ser plena,
    Com coragem suficiente, para mostrar a minha parte mais fraca,
    Que dela dependo, que dela também preciso.

    Como é preciso extravasar
    Todo esse amor que muitas vezes, ficamos contendo,

    Amor calado.

    Nada é mais quente,
    Que um abraço envolvido por carícias.
    Nada é mais profundo, que um beijo apaixonado.
    Nada é tão doce quanto o sorriso de teu rosto,
    Nada é tão pleno quanto a forma que me senti amada.

    Prazer,,,
    Pra ser…
    Pra ser eterno.

    Prazer…
    Pra ter,
    Pra ter você…
    Pra ter você sempre aqui.

    E junto afundarmos,
    Nas águas desse nosso oceano de amor e desejo
    Onde cada onda de energia que vejo,
    É pura sublimação de nossos corpos unidos,
    É impulsar de artérias, numa deliciosa dança,
    E isso tudo, não se pede, apenas transmuta.

    Agora com sono, vou dormir minha fisicalidade
    Projectar, meu melhor astral

    Amanhã, estarei mais rica de vida,
    Amanhã, serei mais consciência, essência e amor.

    Até amanhã…

    Amor.



    Desconheço o autor

    5 de dezembro de 2005

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "

    AO MAR DO NORTE, MEU MAR BRANCO…

    Oh mar branco
    Do norte fundo

    Envolve minha alma inteira
    Enrola-me na tua espuma
    Inquieta e fugidia…

    Na onda de lua em praia
    Leva-me para além
    Do fundo azul
    Minha nocturna
    Vivência
    Que me invadiu de tormenta!

    Faz regressar minha esperança
    Naquela bruma de renda
    Dilui-me toda a saudade
    Em conchas
    De fogo vivo
    Nas chamas
    Do teu cadinho…
    Oh mar branco
    Enche a minh’alma

    Oh onda
    De vento deserto
    Marulha na areia quente
    Ecoa meu sofrimento
    Constante no turbilhão …

    No meu corpo dolente
    Sofro a vazante
    Da tua ausência
    Em cada instante …

    Oh vento
    Do mar do norte
    Regressa cindindo amor
    Na minha nascente dia primeiro
    Meu corpo em chama
    Entrou ….

    E nunca mais quis sair!



    FERNANDO MONTEIRO
    Poeta da Ilha de S.Maria - Açores

    Mar/81

    2 de dezembro de 2005

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "

    VOANDO…SEMPRE A VOAR


    Quem me suspende da dor
    No ar vazio
    Envolvido
    De ternura
    E de amor
    A tanta altura do mar?

    Quem estou sendo
    Afinal
    Se consigo suspender-me

    No sempre tempo
    Perdido
    Voando… sempre a voar?

    Voando sempre a voar:

    Da minha mente
    Fiz asas
    Do meu corpo
    O dia zero
    Que nunca mais
    Quis parar!

    Então quem sou afinal
    Se consegui
    Suspender-me
    Naquele tempo perdido
    Voando
    Sempre a voar
    Até ao mundo abraçar?

    - Consegui meter nos meus sonhos
    O todo
    Em tempo limite
    Do nada ao infinito
    E voando, voei voei
    Até minh’alma emprenhar
    Para o vazio
    De amor encher …



    Fernando Monteiro

    29 de novembro de 2005

    SAUDADE FALA PORTUGUÊS

    SAUDADE FALA PORTUGUÊS



    Quando vejo retratos, quando sinto cheiros...

    Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida .
    Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
    quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
    eu sinto saudades...

    Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
    de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
    Sinto saudades da minha infância,
    do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
    do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...

    Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
    lembrando do passado e apostando no futuro...
    Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
    provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
    Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
    de quem disse que viria e nem apareceu;
    de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
    de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

    Sinto saudades dos que se foram
    e de quem não me despedi direito;
    daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
    de gente que passou na calçada contrária da minha vida
    e que só enxerguei de vislumbre;
    de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
    de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
    decerto gostaria de experimentar;

    Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
    de casos, de experiências...
    Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
    e que me amava fielmente,
    como só os cães são capazes de fazer,
    dos livros que li e que me fizeram viajar,
    dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
    das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;

    Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,
    não sei aonde,
    para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
    e nem onde perdi...
    Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em
    japonês, em russo, em italiano, em inglês,
    mas que minha saudade,
    por eu ter nascido brasileira,
    só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

    Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
    quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar
    sentimentos fortes,
    seja lá em que lugar do mundo estejamos.
    Eu acredito que um simples "I miss you",
    ou seja lá como possamos traduzir saudade
    em outra língua, nunca terá a mesma força
    e significado da nossa palavrinha.
    Talvez não exprima, correctamente,
    a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

    E é por isso que eu tenho mais saudades...
    Porque encontrei uma palavra para usar
    todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
    meio nostálgico, meio gostoso,
    mas que funciona melhor do que um sinal vital
    quando se quer falar de vida e de sentimentos.
    Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do
    que tivemos e lamentamos as coisas boas
    que perdemos ao longo da nossa existência...

    Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!


    Maria Eugênia - Doce Deleite

    27 de novembro de 2005

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA Poemas do Livro " MAR BRANCO "

    À MULHER DESTRUÍDA ...

    Em cada mulher destruída
    há um universo a nascer ...

    Tu

    Que recebes resignada
    em silêncio
    e aceitas
    toda a ignomínia excretada
    desta urbe iluminada
    que te procura
    na esquina
    da vida errante ...
    para te possuir
    da noite ... à madrugada!

    Tu

    Que transformas as trevas
    em vil clarão boreal
    todo o Eros
    que te envolve
    e que cobres
    frustrada
    a frustração sensual
    do ego que renasce
    na escuridão
    da noite longa
    da tua alma
    violada

    Tu

    Que deslizas velozmente
    sem norte
    e bamboleias
    tens em ti mesma
    gerada

    - Em gestação constante
    a força da criação
    o gene virgem -

    instante
    que destruirá
    para sempre
    a tua sorte
    danada

    Tu

    Ó universo vaginal
    que pariste
    para criar vida
    porque te afundas
    perdida ...
    para prazer
    do homem solto.

    Tu

    Ó ente - matriz, ó mãe
    ó sentidos, ó corpo, ó noite,
    ó prazer, ó morte instante
    dos Outros
    que te procuram

    - servo cio -

    porque não voas
    mais alto
    da terra verme

    Liberta-te
    desse mundo envolvente

    Liberta
    O mundo da noite
    escreve nas tuas
    brancas asas
    o amor de toda a gente

    ...e voa até ao Nascente !!


    Fernando Monteiro
    Março/81

    24 de novembro de 2005

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "


    Do Féretro que Levo na Vida,
    ao Ovni da minha Esperança.
    A Ti ó Hélida, dorida:


    Numa noite calada,
    dos meus sonhos distantes,

    Teci teu corpo...
    na miragem do meu nenúfar.

    Poisei tímido,
    no teu gineceu errante,

    E vibrante ...


    Derramei em êxtase,
    na minha Hélida, dorida,
    abatida e sem esperança,

    ... o último espasmo do meu corpo...

    Já caía o amanhecer!




    Fernando Monteiro


    Fev/81

    22 de novembro de 2005

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA do Livro " MAR BRANCO "

    NO TEU CORPO QUENTE

    Regressei ao horizonte
    no teu corpo quente

    Penetrei o meu ser
    no teu ser ansioso

    És o tudo ... sou o tudo ...
    És o nada, também

    Toquei no teto - universo ...
    e encontrei-me em ti

    Já posso partir
    para o horizonte

    Para o meu gene perdido
    que sou eu

    Tive o tudo
    tenho o nada

    Sou o só .... o regressado


    Vivo suspenso no teu corpo quente
    Vivo suspenso no teu corpo quente
    Vivo suspenso no teu corpo quente



    Fernando Monteiro
    Dez/80

    20 de novembro de 2005

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA Poemas do Livro " MAR BRANCO "

    Fotografia de Ana Loura


    QUERO SER EU,MESMO O NADA !

    Quero viver
    Quero ser eu
    Quero ser
    o que vai vir da nascente
    Quero viver
    para me atingir no tempo
    Quero ser eu
    mesmo o nada, o eu ausente.

    Quero plasmar
    o meu querer a esmo
    E viver
    Nas asas de mim mesmo !



    FERNANDO MONTEIRO

    11 de novembro de 2005

    VITOR CINTRA poema * DEDICAÇÃO *

    DEDICAÇÃO

    Pediste que te abrisse o coração,
    Até que desvendasse alguns segredos,
    Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
    Deixei-me dominar p’la emoção.

    Falei-te de vivências do passado,
    De mágoas, alegrias, dissabores,
    Falei-te até de causas e valores,
    E vi-me a revivê-los a teu lado.

    E foi ao mergulhar em outras eras,
    Que fiz extravasar os sentimentos,
    Angústia e despertar de sofrimentos;

    Comigo estavas tu, como quiseras,
    Tentando descobrir esse meu mundo,
    Num gesto, sem igual, de amor profundo.




    Vítor Cintra “ Contrastes “

    3 de novembro de 2005

    Do Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO


    SAUDADE


    Há tanto que não ouço a voz da fonte,
    Naquele canto triste e prolongado,
    Ecoar pelas ravinas do valado,
    Perder-se nas distâncias do horizonte ! …


    Há quanto já não vejo aquele monte,
    Donde a minha infância, descuidado,
    Via espalhar-se o Sol, em tom doirado,
    Nas águas do ribeiro, além da ponte ! …


    Veste de luto a minha mocidade
    A roxa e melancólica saudade
    Desse ditoso tempo em que vivia …


    Ai, tão distante que me sinto agora
    De tudo que sinto e vi outrora,
    Quando era alegre e a vida me sorria …



  • José Maria Lopes de Araujo
  • 25 de outubro de 2005

    Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.

    Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.

    Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.

    Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.

    Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.

    Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.

    Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.

    Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.

    Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.

    Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.

    Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.

    Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
    já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.

    Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...

    Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"

    Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência...."Experiência... "

    Será que cultivar sorrisos é experiência?

    Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:

    " - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"



    (Desconheço o Autor)

    22 de outubro de 2005

    José Carlos ARY DOS SANTOS " Poeta Castrado "

    Poeta castrado não!

    Serei tudo o que disserem
    por inveja ou negação:
    cabeçudo dromedário
    fogueira de exibição
    teorema corolário
    poema de mão em mão
    lãzudo publicitário
    malabarista cabrão.
    Serei tudo o que disserem:
    Poeta castrado não!

    Os que entendem como eu
    as linhas com que me escrevo
    reconhecem o que é meu
    em tudo quanto lhes devo:
    ternura como já disse
    sempre que faço um poema;
    saudade que se partisse
    me alagaria de pena;
    e também uma alegria
    uma coragem serena
    em renegar a poesia
    quando ela nos envenena.

    Os que entendem como eu
    a força que tem um verso
    reconhecem o que é seu
    quando lhes mostro o reverso:

    Da fome já não se fala
    - é tão vulgar que nos cansa -
    mas que dizer de uma bala
    num esqueleto de criança?

    Do frio não reza a história
    - a morte é branda e letal -
    mas que dizer da memória
    de uma bomba de napalm?

    E o resto que pode ser
    o poema dia a dia?
    - Um bisturi a crescer
    nas coxas de uma judia;
    um filho que vai nascer
    parido por asfixia?!
    - Ah não me venham dizer
    que é fonética a poesia!

    Serei tudo o que disserem
    por temor ou negação:
    Demagogo mau profeta
    falso médico ladrão
    prostituta proxeneta
    espoleta televisão.
    Serei tudo o que disserem:
    Poeta castrado não!


    José Carlos Ary dos Santos

    15 de outubro de 2005

    SIDÓNIO BETTENCOURT " MO(nu)MENTO







    Natural da ilha do PICO – AÇORES

    Poeta e Jornalista.

    Autor do Livro “ DESERTO DE TODAS AS CHUVAS” estando prevista para breve a publicação de novo livro.

    Autor do cd
  • ” BALEEIROS EM TERRA “
  • .

    Um apaixonado pela poesia, faz parte do trio de recital " PIANO , POETAS e TROVADORES ".
    Formado pela pianista Carla Seixas de Lisboa, o cantor Manuel Francisco Costa e pelo próprio SIDÒNIO BETTENCOURT.

    Apresentador do programa na ANTENA 1 - RDP Açores
  • ” INTERILHAS“
  • .

    ATLÂNTIDA” é um programa de TV que apresenta na RTP-Açores, RTP-Internacional e RTP-Madeira.




    MO(nú)MENTO



    arde a saliva branca sobre a luz .escura madrugada do desejo

    trazes o corpo da letra. a letra do corpo da notícia e no corpo a letra que entoa a melancolia
    trazes o nome do corpo que danças e não te cansas desse teu nome com cheiro a mar
    trazes . trazes e vagueio sobre brasas como aventureiro acostado ao muro ocioso da festa
    na agonia das amarras
    sabes a norte a sul a canal .chuvisco de mar oeste . sabes a poncha caipirinha savana e nos olhos
    corre-te o mel dos sargaços . dormência do rosto molhado nas samarras

    velas de cal branca e pedra negra. dentro. azeite dos caldeiros na humidade quente da pele
    degrau a degrau a rebentação da maré. concerto de murmúrio dos lábios. o monumento
    memorial. porta do caneiro de pé. homens de marfim e silêncio de mármore.jazigo vertical
    baleeiras e baleeiros heróis com nome a navegar

    percorre em ti renasce em mim a ponta do cais nascente. a carreira o lajido a corrente
    a ligeira brisa ofegante . a torrente . o odor o perfume e o amor a dor que o poeta longe
    deveras sente

    não sei se diga vigia varanda tribuna da ilha
    celebração.
    não sei se diga cálice de um deus por nós
    condenação
    em cada cais o porto onde estarei em ti tu em mim sedentos
    na margem sul a montanha a sós
    santuário ao sabor da rosa dos ventos



    Sidónio Bettencourt

    13 de outubro de 2005

    ....Viver Como eu Sei...Américo Silva

    VIVER COMO EU SEI

    Uma manhã de sol... de vento... ruidosa..
    que agita com violência os ramos das árvores
    que o suportam angustiadas ... indefesas... impassíveis
    que o sentem e aceitam... que o vivem sem queixume

    São como nós, que também não podemos sair do caminho
    que a vida nos escolheu... plenas de angustias...
    de medos... de noites de tormenta, de pensamentos apavorados
    à espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.

    E viver é isto... um momento de angustia... de incerteza
    um momento de dor... um momento de alegria...
    um momento de esperança... um momento de luz
    um momento de prazer... um momento de revolta...

    Sair da estrada e entrar nela de novo...
    é achar o nosso destino e aprender a guarda-lo
    é escolher na corrida vertiginosa da caminhada
    os momentos que vale a pena guardar


    Aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
    é sentir a qualquer hora do dia ou da noite
    que aconteça o que acontecer... haja o que houver
    há sempre alguém que mesmo distante, caminha a nosso lado

    Na noite tenebrosa...no sol radiante...no frio do medo
    no calor da esperança... num amanhã mais calmo e tranquilo
    na lagoa das águas serenas, na areia da praia deserta
    no encanto do monte verdejante, no silencio dum carro parado


    No planalto duma montanha escura... silenciosa... tranquila
    no caminhar pelas ruas desertas duma cidade plena de vida
    de ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
    nas horas mortas da madrugada voando ao encontro da luz

    Viver é isto... descobrir... encontrar e perder... sentir e correr...
    ao encontro do destino... de nada... de tudo...

    Américo Silva
    ( Setembro 2003 )

    7 de outubro de 2005

    Rose Arouck " EU e o MAR "






    Enfrento tua imensidão infinda cheia de segredos,
    Querendo atirar em tuas águas revoltas todos os meus medos
    E me deparo comigo em degredo
    Pretendendo insinuar minha alma
    Em tua vastidão, que acomoda
    Os meus olhos num azul brilhante e profundo
    Fazendo-me esquecer as maldades do mundo.

    Envolvo-me pelas carícias de teus braços de algas;
    Mergulho, em frêmito pacífico... tu me acalmas,
    E deixo fluir de meu peito as incertezas
    Boiadas às distantes correntezas
    Que dilaceram-me como o despertar de um vulcão.

    Subo em dupla com as tuas maresias
    Para incluir em minhas têmporas as fantasias,
    Que não permitem a minha vida naufragar.
    Agora estamos sós, e, contemplamos o silêncio,
    Que elocubra os deslizes do que penso,
    Para em seguida, os sagarços transformar
    Em atobás, que inundam petulantes
    Meu poema, que soberbo nesse instante
    Luta feroz para não se afogar, afogar...
    afogar... no ar... no ar ...no ar.

    22 de setembro de 2005

    Nilzeth Alcântara ** EXISTE **





    Este Poema " EXISTE " da minha querida amiga NILZETH, teve o mérito de eleger o ALMA DE POETA como um "Blog Destaque" no DOCE VENENO.
    Obrigada amiga, só um coração apaixonado como o teu, seria capaz transmitir tanto sentimento nas palavras, merecedoras de tamanho reconhecimento.


    EXISTE

    Existe pessoa que cheira amor
    Que trás vontade de Paixão;
    Existe amor que cheira vida,
    E vida que anda na contra-mão.

    Existe pessoa que cheira saudade,
    Trazendo a vontade de nunca esquecer...
    Existe saudade que dói na lembrança;
    E trás a certeza de nunca morrer.

    Existe morte que ocorre em vida;
    Por não cicatrizar a ferida aberta na emoção...
    Mas, existe emoção que se faz viva;
    Que envolve e acalenta o choro do coração.

    Existe coração que sofre
    Mesmo sem saber por quê
    E segue buscando em cada face
    A falta que sente de você.

    Existe tudo e todos
    De forma que não sei dizer;
    E nesta agonia eu sigo triste
    Sem rumo e sem amanhecer.

    Existe amanhecer sem luz,
    Existe noite sem luar
    Existe treva e escuridão
    Existem sonhos sem se concretizar.

    Só porque Existem!


    Nilzeth, 16/09/2005