25 de setembro de 2007

Poemas oriundos da INDIA do Livro * Rosa do Mundo *







Esta mesma lua ilumina a minha amada
O vento acariciou já o seu rosto
A lua impregnou-se da sua beleza
e o vento do seu perfume.

Quem ama de verdade pouco lhe basta
para suportar a separação...
Que ela e eu respiremos o mesmo ar
E que os nossos pés pisem o mesmo chão.




Tradução de Jorge Sousa Braga

20 de setembro de 2007

GOSTO DE GENTE ASSIM autoria de Arthur de Tavola






Gosto de gente com a cabeça no lugar,
de conteúdo interno,
idealismo nos olhos e
dois pés no chão da realidade



Gosto de gente que ri
chora,
se emociona com uma simples carta,
um telefonema,
uma canção suave,
um bom filme,
um bom livro,
um gesto de carinho,
um abraço,
um afago.


Gente que ama e curte saudades,
gosta de amigos,
cultiva flores,
ama os animais,
admira paisagens,
poesia e escuta.


Gente que tem tempo
para sorrir bondade,
semear perdão,
repartir ternuras,
compartilhar vivências
e dar espaço
para as emoções dentro de si,
emoções que fluem
naturalmente de dentro
do seu ser!


Gente que gosta de
fazer coisas que gosta,
sem fugir de compromissos
difíceis e inadiáveis,
por mais desgastantes que sejam.


Gente que colhe
orienta,
se entende,
aconselha,
busca a verdade
e quer sempre aprender,
mesmo que seja de uma criança,
de um pobre,
de um analfabeto.




Gente de coração desarmado,
sem ódio e preconceitos baratos,
com muito amor dentro de si.




Gente que erra e reconhece,
cai e se levanta,
apanha e assimila os golpes,
tirando lições dos erros
e fazendo redentora
suas lágrimas e sofrimentos.




Gosto muito de gente assim...
E desconfio que é deste
tipo de gente que
Deus também gosta!


Arthur de Tavola

19 de setembro de 2007

" Encanto de Amor " de Atharva-Veda

Encanto de Amor

Como a liana enlaça a árvore, enlaça-me também, sê a minha amante e não te afastes de mim!

Como a águia ao levantar voo bate no chão com as asas, bato no teu coração: sê a minha amante e não te afastes de mim!

Como o sol cinge no mesmo dia o céu e a terra, cinjo o teu coração: sê a minha amante e não te afastes de mim !



Tradução de: Maria Jorge Vilar de Figueiredo

15 de setembro de 2007

VONTADE DE UM ABRAÇO poema da autoria de Macedo Junior TROVADOR.PR





Dá um abraço?
Macedo Junior (TrovadorPR)





De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade... sei lá...


Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.


Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço...
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge, devagarinho,
da magia da união dos corpos,

das auras... sei lá.


Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas a dizer:
- Estou aqui!


Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,

afirmando: - Estou com você!.


Lembrar da transfusão de forças,
ou até da suavidade do momento... sei lá...


Então,pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia, abraço força,abraço união,

abraço suavidade,abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça, abraço verdade,
abraço cumplicidade?


Mas o que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energias, que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...


Só sei que agora deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços.


Que sirva de colo, afastando toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima de alegria,
e acalme o coração...


Um abraço que traduza a amizade,
o amor e a emoção....


E para um abraço assim ,
Só consegui pensar em você!

Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o por quê,
dessa minha vontade.


Pois então:


Dá logo este abraço!

Poema da autoria do Poeta MACEDO JUNIOR ( TrovadorPR)


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Este Poema foi publicado neste blog em 2005.
Alguns dos comentários, vêm desde essa altura.

Relembro o meu querido amigo Fernando do Blog " FRATERNIDADE " que já não se encontra entre nós.

Nessa altura, publiquei o poema desconhecendo a sua autoria.
Após o alerta , volto a republica-lo, e a dar o devido mérito ao seu autor
MACEDO JUNIOR (TrovadorPR)




8 de setembro de 2007

Não Posso Adiar o Amor poema de" António Ramos Rosa "



Não posso adiar o amor para outro século
não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora imprecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.


ANTÓNIO RAMOS ROSA
do Livro " Rosa do Mundo *

4 de setembro de 2007

do Livro * Rosa do Mundo *

Amor, não sei quem diria
amarga a tua doçura:
o teu sabor delicia
como o da fruta madura.
Casa onde a alegria habita,
fora mil vezes bendita,
contigo, exulto!
Quero-te assim, qual tu és:
meu coração, a teus pés,
rende-te culto.


Tradução de Luiz Cardim

Reino Unido -(Poeta Anónimo )

Séc. XVI

29 de agosto de 2007

O MEU DESEJO poema de Florbela Espanca




Vejo-te só a ti no azul dos céus,
Olhando a nuvem de oiro que flutua...
Ó minha perfeição que criou Deus
E que num dia lindo me fez sua!

Nos vultos que diviso pela rua,
Que cruzam os seus passos com os meus...
Minha boca tem fome só da tua!
Meus olhos têm sede só dos teus!

Sombra da tua sombra, doce e calma,
Sou a grande quimera da tua alma
E, sem viver, ando a viver contigo...

Deixa-me andar assim no teu caminho
Por toda a vida, Amor, devagarinho,
Até a Morte me levar consigo ...



Florbela Espanca

26 de agosto de 2007

Almada Negreiros " MÃE "



Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!


Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede ! Eu prometo saber viajar .

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe!Ata as tuas mãos ás minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.


Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!


Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade !



Almada Negreiros

(1893-1970)


Do Livro " ROSA DO MUNDO "

23 de agosto de 2007

CANTO DE AMOR DE UM JOVEM do livro * A ROSA DO MUNDO *

Cada vez que como, como a dor do teu amor.
Cada vez que tenho sono, sonho com o teu amor.
Cada vez que estou em casa deitado de costas,
estou deitado sobre a dor do teu amor.
Cada vez que ando, ponho o pé sobre a dor do teu amor.




Poema da América do Norte, Kwakiudes

Versão : Herberto Helder

14 de agosto de 2007

BEL poema de " Luís Veiga Leitão "








Hálito de terra depois da chuva:

cálida ternura

aflorando

do lábio


Teu corpo

leveza que pesa

um sabor sábio

secreto

da Natureza


Por isso os bichos te amam

em suas falas naturais:

os felinos

os caprinos

e os poetas - bichos marginais





Luís Veiga Leitão

" Biografia "Poema de PEDRO HOMEM DE MELO











Com lírios nas mãos de neve,


Subi ao último andar,


A haver farda, era tão leve


Que fui subindo a cantar!


E fui subindo, subindo...


Só parei no patamar,


Abri as portas e janelas


Para poder respirar.


Tudo o que se via delas


Tinha a cor do meu olhar.


Da varanda me inclinei,


Para medir-lhe o tamanho.


Ai! dos vassalos de El-Rei


Aos quais El-Rei fica estranho!


Lá do alto, cá em baixo, o rio


Transformara-se em regato.


Reparei que, debruçadas,


Sobre o seu leito vazio,


Faias, apontando espadas,


Lhe exigiam um retrato.


Soprou, de súbito, o vento!


Varreu a noite a direito,


Rindo... Que risada fria!


Entanto o solar, ao vento,


Erecto fazendo peito,


Resistia, resistia...


Mas, das brechas do telhado,


Água, sôfrega, escorrera.


E o torreão do solar


- Ameias de pedra ou cera?


Era um pássaro assustado


Sem asas para voar.











Pedro Homem de Mello


(1904-1984)

2 de agosto de 2007

CANÇÃO poema de Madagascar do Livro * Rosa do Mundo *








És uma fruta dourada, uma banana madura.
Se uma borboleta te roça, eu não me afasto de ti.
- Todo aquele que morre por amor de sua amada
é um pequeno caimão que a própria mãe devora,
e que regressa ao ventre de que tem toda a ciência.



Versão : Herberto Helder






26 de julho de 2007

Tarde de Mais... FLORBELA ESPANCA






Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...



Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!



Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!



E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!...



Florbela Espanca

22 de julho de 2007

JOSÉ ANDRADE " Uma Ilha é Um Barco "









Uma ilha é um barco
Ancorado
Que estremece ardentemente
Nas tempestades da vida.

Uma ilha é um barco
Ancorado
Na espera desesperante
De um destino esquecido.

Uma ilha é um barco
Ancorado
Onde o Mundo Moderno
Descansa, fatigado.

Uma ilha é um barco
Somente
Mas um barco celeste
Que com o mundo equilibra
O sentido da vida
E a vida sentida.

Uma ilha é um barco
Uma ilha é um mundo.





Jun/83

José Andrade

P. Delgada - Ilha de S.Miguel - Açores

Do livro " Semente "

14 de julho de 2007

A NOSSA CASA poema de Florbela Espanca






A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!


Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,


Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...



Florbela Espanca

8 de julho de 2007

LAMENTO AMOROSO Poema oriundo da Amazónia do Livro * Rosa do Mundo *






Não quero mulher que tenha
muito delgadas as pernas,
como venenosas serpes,
de medo que elas me apertem.

Não quero mulher que tenha
muito comprido o cabelo,
um molho de ervas espesso
onde acaso eu me perca.

Quando sem vida me veres,
sobre o meu corpo não choraes;
deixa que a águia ao ver-me
seja a única que me chore.

Quando sem vida me veres,
deita-me á floresta negra:
o tatu há-de vir ver
a cova onde meter-me


Versão : Herberto Helder

4 de julho de 2007

AS PUTAS DA AVENIDA poema de Fernando Assis Pacheco





Eu vi gelar as putas da Avenida
ao griso de Janeiro e tive pena
do que elas chamam em jargão a vida
com um requebro triste de açucena.


Vi-as às duas e às três falando
como se fala antes de entrar em cena
o gesto já compondo à voz de mando
do director fatal que lhes ordena.


Essa pose de flor recém- cortada
que para as mais batidas não é nada
senão fingirem lírios de Lorena


Mas a todas o griso ia aturdindo
e eu que do trabalho vinha vindo
calçando as luvas senti pena.



Do Livro * Rosa do Mundo *



27 de junho de 2007

AFASTA DE MIM ESSES LÁBIOS do livro * Rosa do Mundo *




AFASTA DE MIM ESSES LÁBIOS



Guarda para ti esse beijo
Menina virgem dos dentes brancos!
Nesse teu beijo eu gosto não acho
Longe de mim guarda teus lábios.


Mais doce que o mel um beijo eu tive
Do mulher casada que o deu por amor.
Até que se acabem o mundo e os dias
Beijo de gosto só esse terei; esse não outro.


Até que a veja tal como é em sua pessoa
Por obra e por graça do filho de Deus
Outras mulheres novas e velhas não hei-de amar
Pois que o seu beijo é como é, foi e será.



Poema Cultura celta ( irlandês)

Séc. XVI/XVI

Poeta ANÓNIMO



Tradução de José Domingos Morais

26 de junho de 2007

FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " D.IV"






Se sou
o poeta
perdido
no nada
poderei parar
o tempo perdido
e o tempo
que vem
como se pára
o vento
como se pára
o universo-deus

Porque o poeta
é o infinito
onde a gota de água... calada
assume a dimensão
dum universo

Se sou
o poeta do nada
poderei sonharãté ao intangivel
e ver
o universo
aos pés do Nada

Se sou
o poeta que sofre
então meterei
o universo
na gota de água ...
da manhã da esperança




Março 1981


Fernando Monteiro

do Livro " Mar Branco "

24 de junho de 2007

*A DOR DA SEPARAÇÂO * Poema de Maruyama Kaoru - Japão





Pousada numa âncora, uma gaivota pia,
De súbito, sem uma palavra, a âncora desliza,
Surpreendida, a gaivota levanta voo,

Em breve, a âncora empalidece na água, afundando-se.
E o que a gaivota sente torna-se um grito bravio, triste,

Perdido no vento.



Tradução de:

José Alberto Oliveira

Do Livro * ROSA DO MUNDO *

20 de junho de 2007

* RECINTO * poema de Carlos Pellicer - México



Onde porei o ouvido que não escute
minha voz a chamar-te?
E onde não escutar este silêncio
que te afasta lentamente triste?

Eu caminho as horas presenciadas
em nós por nós os dois.
Sei desse fruto maduro das vozes
em campos de Setembro.

Sei da noite esbelta e já tão nua
em que os nossos corpos eram um.
Sei do silêncio perante a gente obscura,
de calar este amor que é de outro modo.

Enquanto chove a ausência liberto
a escravidão de carne e a alma só
no ar suspende sua águia amorosa
que as nuvens pacíficas igualam.


Tradução de : José Bento


do Livro * ROSA DO MUNDO *


16 de junho de 2007

* NÃO CHORO... * poema de José Gomes Ferreira do Livro " ROSA DO MUNDO "



A dor não me pertence.


Vive fora de mim, na natureza,
livre como a electricidade.

Carrega os céus de sombra,
entra nas plantas,

desfaz as flores...

Corre nas veias do ar,
atrai nos abismos,

curva os pinheiros...


E em certos momentos de penumbra

iguala-me à paisagem,

surge nos meus olhos

presa a um pássaro a morrer

no céu indiferente.


Mas não choro. Não vale a pena!
A dor não é humana.



José Gomes Ferreira

13 de junho de 2007

António Botto " CANÇÃO " do Livro * ROSA DO MUNDO *





CANÇÃO



Se fosses luz serias a mais bela
De quantas há no mundo : - a luz do dia !
- Bendito seja o teu sorriso
Que desata a inspiração
Da minha fantasia !

Se fosses flor serias o perfume
Concentrado e divino que perturba
O sentir de quem nasce para amar !
- Se desejo o teu corpo é porque tenho
Dentro de mim
A sede e a vibração de te beijar!
Se fosses água - música da terra,
Serias água pura e sempre calma!
- Mas de tudo o que possas ser na vida,
Só quero, meu amor, que sejas alma !



ANTÓNIO BOTTO
(1897-1959)

10 de junho de 2007

HORAS RUBRAS de Florbela Espanca - do Livro * ROSA DO MUNDO *




HORAS RUBRAS


Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos, sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…

Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas…

Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras …

Sou chama e neve branca e misteriosa…
E sou, talvez na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras !


Florbela Espanca
(1894-1930)

6 de junho de 2007

* A PALAVRA IMPOSSÍVEL * poema de Adolfo Casais Monteiro

Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra verdade.


Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A palavra que nunca se profere.




ADOLFO CASAIS MONTEIRO


do Livro * Rosa do Mundo *
2001 Poemas para o Futuro

4 de junho de 2007

A MINHA AMANTE TEM AS VIRTUDES DA ÁGUA do Poeta Francês * VICTOR SEGALEN * - Do Livro " ROSA DO MUNDO " 2001 poemas





A MINHA AMANTE TEM

AS VIRTUDES DA ÁGUA




A minha amante tem as virtudes da água : um sorriso claro, os gestos fluentes, uma voz pura que canta gota a gota. - E por vezes, - sem querer – um fogo passa pelo meu olhar, sabe como ateá-lo estremecendo : água tirada sobre as brasas .

Minha água viva, ei-la derramada, toda, sobre a terra! Foge-me, desliza; - e tenho sede , e corro atrás dela.

Com minhas mãos formo uma taça. Com minhas duas mãos embriagado estanco-a, estreito-a, levo-a aos lábios :

E trago uma mão cheia de lama.




Tradução de Filipe Jarro


França

VICTOR SEGALEN
(1878-1919)

3 de junho de 2007

Poema de JOÃO DE DEUS * A VIDA * (Excerto)







A VIDA

(Excerto)


A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave;
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida - pena caída
Da asa de ave ferida -
De vale em vale impelida
A vida o vento a levou





JOÃO DE DEUS
(1830-1896)






Do livro * ROSA DO MUNDO *


2001 Poemas para o Futuro




1 de junho de 2007

* OS AMANTES APARTADOS * de Isobel, Condessa de Argyll








OS AMANTES APARTADOS



Eu sei de um jovem que é meu desejo.
Oh Rei dos Reis ! Fazei que ele venha sem mais demora.
Eu só o quero bem enlaçado contra o meu seio
Com o seu corpo bem apoiado na minha pele.

Se a vida fosse como eu a quero
Longe de mim e eu longe dele nunca seríamos.
Sinais não vejo da sua chegada
E ele não sabe como eu o quero e é meu desejo.

No mundo não há maior tristeza que nós os dois
Pois o seu barco voga e navega longe de casa
No seu caminho do oriente; minha morada é ocidente.
Eu o desejo e ele me quer e a vida é desejos vãos.



Tradução de José Domingos Morais

Do Livro * ROSA DO MUNDO *

30 de maio de 2007

* OFICÍO DO AMOR * de Joan Salvat - Papasseit - Do Livro * ROSA DO MUNDO *

OFÍCIO DE AMOR


Se conheces o prazer, não escatimes o beijo
Pois o prazer de amar não comporta medida.
Deixa-te beijar e beija tu depois,
Que nos lábios sempre é onde o amor perdura.

Não beijes, não, como o escravo e o crente,
Mas como o viandante à fonte oferecida.
Deixa-te beijar – ardente sacrifício –
Quanto mais queima mais fiel é o beijo.

Que terias feito se tu morresses antes,
Sem mais fruto do que a aragem no rosto?
Deixa-te beijar, e no peito, nas mãos
- amante ou amada – a taça muito alta.

Quando beijes, bebe, o copo sare o medo:
Beija no pescoço, o sítio mais formoso.
Deixa-te beijar,
E se ainda te apetece
Beija de novo, pois a vida é contada.



Tradução de : JOSÉ BENTO


Catalunha


JOAN SALVAT – PAPASSEIT
(1894-1924)

28 de maio de 2007

POEMAS DE AMOR do Livro " A Rosa do Mundo "


ELE :


Quando embriagada pelo doce vinho
viu os arranhões de amor
que ela mesma me infligira
partiu ofuscada pelo ciúme
Tomando-a pela franja do seu sari
detive-a ... Como esquecê-la
quando me disse : “ Deixa-me,deixa-me! ”
olhando para trás
os olhos cheios de lágrimas
os lábios tremendo de despeito



O POETA :


Os amantes
arrastados pela torrente do seu amor
e contidos pelo dique
das pessoas mais velhas da casa
estão ainda juntos
mas não podem satisfazer os seus desejos
Imóveis como se tivessem sido pintados
bebem o néctar da paixão
com que os brindam os negros lótus dos seus olhos


ELA A UMA AMIGA:

Quando o meu amante se deitou a meu lado
por si só se desprendeu o meu cinto
e mal suspenso da cintura
o vestido deslizou-me pelos quadris
É a única coisa que sei
pois mal senti o contacto do seu corpo
de tudo me esqueci:
de quem era ele
de quem era eu
de como foi o nosso prazer


ELE :


Esmagados contra o meu peito
os seus seios estremecem. Entre as suas coxas
flui a seiva doce do amor...
“ Não, outra vez não... Deixa-me descansar...”
E aos sussurros sucedem-se
as súplicas e às súplicas os suspiros
e aos suspiros o silêncio...
Terá adormecido? Estará a agonizar?
Ou serei eu que estou a sonhar?




Tradução Jorge Sousa Braga

do livro “ ROSA DO MUNDO – 2001 Poemas para o Futuro

Índia

AMARU ( sec. VII)

27 de maio de 2007

Vinicius de Moraes * SONETO DO AMOR TOTAL *






SONETO DO AMOR TOTAL



Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude



Vinicius de Moraes

13 de maio de 2007

SIDONIO BETTENCOURT " MÚSICA CELESTIAL "






O vento consome-se.
Deleita massacres mensagens atlânticas com orquestras de mil e tal violinos.
É o ciclone a enraizar invernias cuspido das latitudes as muitas sinfonias.
O berço.
O arpão no rasgo das rotas caça o maestro dono da ilha.
Da casa.
Leva o tecto do mar.
O bafo das cagarras.
O desafino.
Levamos nos olhos o transporte.
A carícia
das mãos no corpo da rocha.
A baleeira no canal à deriva.
O vento consome-se com.
Some-se.
Deleita massacres mensagens atlânticas com orquestras de mil e tal violinos.
O esqueleto do mar rocha abaixo sem estaleiro.
O que vai ser disto?
Outra vez o rumo a destriur o leme e o cardume no colo do xaile.
Outra vez outra voz a promessa adiada.





Sidónio Bettencourt

Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "

6 de maio de 2007

MÃE do poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO





A minha Mãe


É ela quem me afaga com carinho,
Nos felizes momentos de ventura!
É ela quem me fala de mansinho,
Nas horas de tristeza e de amargura!

E, junto dela, quanta vez, sonhando,
Na minha infância alegre acalentei
Tanta ilusão que o tempo foi gastando…
Sonhos de amor que nunca mais sonhei!

Ter mãe é ter na vida amparo e crença,
E rumo e fé!
É ver uma alvorada,
Rompendo mansa a treva negra e densa
Da noite da nossa alma torturada! …



**********************


JOSÉ MARIA LOPES DE ARAUJO

do Livro " Noite de Alma "

3 de maio de 2007

NATÁLIA PAIVA poema " Criança "






Criança ...
De encantadora inocência
Olhar lindo,
Repleto de ternura,
Se me olhas assim,
Eu choro!
Abraça-me!
Rodeia-me com teus bracinhos trémulos,
Tão fortes na tua candura...
Afaga-me!
Deixa-me penetrar em teu mundo;
Deixa-me aquecer meu coração arrefecido
Pequenina,
Como és grande para mim!
Em meu regaço,
Não sou eu que te afago,
Que te acarinho,
Que te rodeio de amor,
Não permitindo que o teu mundo
Seja perturbado pelos grandes ! ...
Por um minuto, deixa-me pensar
Que serás sempre criança ;
Que não terás de deixar
O teu mundo pequenino
Para trilhar
O ignoto turbilhão da vida ! ...
Pequenina, afaga-me!
Porque de nós dois, sou a grande
Embora criança também.
Aperto-te contra mim,
Tão pequenina em meus braços;
Tão pequenina, que te embalo
E aperto-te muito...muito !
Mas gritas ...
Magoei-te ! Vês ?
Sou grande ! Sou egoista !
Apertei-te e tu choras-te.
Eu choro ainda ...
E afinal pequenita,
A criança ... sou eu !



De Natália Paiva - Ilha de S. Maria - Açores

Do Livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

29 de abril de 2007

SIDÓNIO BETTENCOURT " Sem Resposta"





Já não quero ser brumaça com tentáculos nas mãos do fogo mas folha renascida brilho prata entre trigo repartido.

De que lado moras tu? na presença abandonada dos raios da lua ou na serpente envenenada dos maios da rua ?

Eu habito aqui.

E tu porque partes se nos beijos do mar há canções algemadas no sonho diluídas?

Eu quero ficar.

Encher de verdade os gritos e transbordar as mãos caladas de infinitos.




Sidónio Bettencourt

Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "

18 de abril de 2007




OS 5 BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR




'5 Blogs That Make Me Think'




Sinto-me duplamente honrada e muito feliz, pelo amigo do blog
  • LIVROS E AUTORES, se ter lembrado de nomear os meus dois blogs, como dois dos
  • " CINCO BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR ".

    Ao autor do blog LIVROS E AUTORES , o meu agradecimento, pelas escolhas do :

    ALMA DE POETA

    e

    A POESIA DE VITOR CINTRA




  • É uma missão ingrata ter de nomear 5 blogs, pois que existem muitos que gosto de ler.
    Tendo de optar, fiz as seguintes escolhas :



  • EU SEI QUE VOU TE AMAR


  • AFECTOS E PALAVRAS

    ( Poemário de Daniel Gonçalves), poeta residente na ilha de S. Maria nos AÇORES



  • BELEZAS MARIENSES

    Um blog de divulgação de belíssimas paisagens da minha ilha, Santa Maria - AÇORES



  • DE PROPÓSITO



  • WHEN A MAN LOVES A WOMAN






  • Os autores dos blogs que nomeei devem copiar o selo correspondente e afixá-lo na barra lateral dos seus blogs.

    De seguida devem nomear os cinco blogs que escolheram e fazer um post a nomeá-los.


    Beijo a todos


    Isabel

    17 de abril de 2007

    Poema da Drª. Conceição Baptista - Ilha de S. Maria - Açores






    Angústia dourada
    Nesse poente cálido nunca visto
    E uma ânsia incerta
    No horizonte apodrecido
    De meus sonhos
    Imprecisão vazia a soluçar.
    A tempestade ... a atmosfera hostil em que revolvo
    No caos, na dor, na indiferença...
    Que me importa esse doirado perdido
    A caminhar
    Se ... eu não sei a cor da minha crença.

    *****

    Ah! este sabor a pedras
    Que afinal nada diz
    Estes sons que chegam longínquos
    Como de um abismo de sonho e pesadelo
    Apressam-se as sombras
    Sem deuses nem gritos
    Perpassam os nadas
    Baixinho aos pares
    E sinto tremer o caos e a terra
    E sinto tremer tuas mãos e meus sonhos
    E sinto tremer este mar que me invade
    Ah! este sabor a pedras
    Não passa... não passa...


    Poema de Conceição Baptista div>




    do livro de ADRIANO FERREIRA " Musas da Minha Terra "

    13 de abril de 2007

    " ADORAÇÃO " poema de " João de Deus "



    ADORAÇÃO




    Vi o teu rosto lindo,
    Esse rosto sem par;
    Contemplei-o de longe mudo e quedo,
    Como quem volta do áspero degrêdo,
    E vê ao ar subindo
    O fumo do seu lar!

    Vi esse olhar tocante,
    De um fluido sem igual;
    Suave como lâmpada sagrada.
    Benvindo como a luz da madrugada
    Que rompe ao navegante
    Depois do temporal!

    Vi esse corpo de ave,
    Que parece que vai
    Levado como o Sol ou como a Lua
    Sem encontrar beleza igual à sua;
    Magestoso e suave,
    Que surpreende e atrai!

    Atrai e não me atrevo
    A contemplá-lo bem;
    Porque espalha o teu rosto uma luz santa,
    Uma luz que me prende e que me encanta
    Naquele santo enlevo
    De um filho em sua mãe!

    Tremo apenas pressinto
    A tua aparição,
    E só se me aproximasse mais, bastava
    Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!
    Não é amor o que eu sinto,
    É uma adoração!

    Que as asas providentes
    Do anjo tutelar
    Te abriguem sempre à sua sombra pura!
    A mim basta-me só esta ventura
    De ver que me consentes
    Olhar de longe... olhar!





    João de Deus

    20 de março de 2007

    EMANUEL FÉLIX " Um Homem Pode Amar Uma Pedra "



    (Fotografia de Joel Santos )



    Um homem pode amar uma pedra


    ...Mas se um homem lhe der para amar uma pedra
    não seja uma pedra e mais nada
    mas uma pedra amada por um homem



    Do livro de Sidónio Bettencourt

    " Deserto de Todas as Chuvas "

    6 de março de 2007

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " Encontrei o Norte em Ti..."







    Oh insula alada
    Que prenhas de certezas
    a ventura do meu ser
    em amor
    e em
    querer

    Que me prestas amorosa
    no teu seio em vaso
    todo o meu ser
    da vida ao
    horizonte

    Porque fazes renascer
    sem certeza do porvir
    em nova esperança
    em mim ?
    Uma ilha nova !



    Fernando Monteiro Poeta da Ilha de S. Maria - Açores


    do livro " MAR BRANCO "

    28 de fevereiro de 2007

    Emigrantes de Ontem e de Hoje

    Transcrevo texto opinião do blog que habitualmente visito

  • RESISTIR


  • Um texto que nos faz parar e reflectir .

    ---------------------------------------------------------------


    A Região mais triste de Portugal (linguagem pouco cuidada)





    Sónia, que nasceu em 1977, é muito doente. Com o marido e os filhos emigraram ilegalmente para o Canadá em 2000 ou 2001. Em busca do sonho. Do sonho de quase tudo. Pobres, filhos de pobres deixaram os Açores para fugir a uma miséria que as autoridades regionais vergonhosamente ignoram e a sociedade civil finge ser conversa de académicos ou estatísticas de gente que não concorda com a mediocridade do governo açoriano.
    A miséria destes açorianos honrados não é diferente da miséria de muitos outros. Miséria absoluta, quero dizer, envergonhada, com a falta de oportunidades, que respira e se alimenta à sombra da inevitabilidade do velho destino açoriano das classes sociais, favores e temores a Deus. Miséria, digo ainda, que se auto-sustenta de geração em geração e tolera quase tudo: corrupção, financiamentos partidários por bandidos, mau uso dos dinheiros públicos, obséquios do Estado a canalhas, pedófilos em liberdade, ladrões, patifes, legisladores castrados, comunicação social servil, procuradores e juízes de direito a jeito e polícias coniventes.
    Carlos é pedreiro. Em algumas províncias canadianas um pedreiro pode ganhar 100.000.00 dollars por ano. Com facilidade, em poucos anos, foi possível construir uma vida com suor e saudade, mas sem ser preciso ser do partido, ou amigo de alguém, ou baixar as calças à dignidade ou votar no PS ou PSD ou aquilo que todos percebem. Uma Autonomia de filhos e enteados, de sucesso e de filhos da puta, dirão outros.
    Poucos ajudam pessoas como Sónia ou Carlos. Apenas as comunidades de emigrantes açorianos ou a Igreja Católica, a quem tenho de prestar homenagem na forma como ajudam os emigrante ilegais. Não a Igreja Católica que fornica com o governo açoriano mas a igreja que acredita na dignidade da pessoa humana.
    Carlos e Sónia não têm escolaridade. Não falam muito bem. Não são jogadores de futebol. Não atraem votos. Não fodem por dinheiro. Não se vendem. Vão pouco a festas. Não gerem os milhões das transferências do orçamento do Estado. Vestem modestamente. Não influenciam ninguém. São gente modesta. Apenas trabalham e tratam da família e de procurar um futuro melhor para os filhos. Futuro que lhes foi negado na sua terra. E a Sónia, que nasceu em 1977, cresceu à sombra do sucesso da Autonomia política legislativa; mas não consta que saiba cantar o hino regional. Pois.
    Como são ilegais, Carlos, Sónia e os filhos foram deportados. Pois. Um dos filhos, com 11 meses, nascido no Canadá, não tinha qualquer identificação e foi impedido de sair de Toronto. E foi aqui que ficaram vivos para o mundo. Nasceram para o estrelado da miséria, para a agonia da humilhação. Mas eu sei. Apesar de nunca os ter visto, vi milhares e milhares como eles: gente decente da região mais triste de Portugal.

    JOSÉ ANDRADE " Estrada da Vida "






    E no silêncio da noite
    Se perdem as passadas
    Largas e pesadas
    E fortes... mas inseguras.
    O relógio
    Em contratempo
    Marca o Tempo.
    Um tempo que passa
    A cada passo
    E que não volta nunca.
    Talvez por isso se ouvem ainda
    Passadas na estrada.
    Nesta curta estrada
    A percorrer
    Sem correr
    Mas a crer
    Que cada passo que nela passa
    Passará para a Eternidade !


    José Andrade
    S.Miguel - Açores


    Do livro " SEMENTE "

    24 de fevereiro de 2007

    SIDÓNIO BETTENCOURT " Confidência "









    Nunca tive pátria, outro rio, outra casa, outra rua, nunca tive outra terra, outro mar, outra mãe, outra mulher, nunca tive





    Outra coisa qualquer ...




















    Sidónio Bettencourt






    Do Livro " Deserto de Todas as Chuvas "








    12 de fevereiro de 2007

    Poema de " Bruno Valter Garcia Ferreira "




    Quis Deus que ao sol nascente te voltasses
    E do cimo dos cumes tão altivos
    Do mar, em forte abraço, ali tombasses
    Preso de meigos beijos e cativos;

    E que de verde parra te adornasses
    E fossem tantos mais os teus motivos,
    Que gigantesco teatro aparentasses
    Quer a estranhos, quer a teus nativos.

    S.Lourenço - ó minha linda baía -
    Nas luarentas noites de estio,
    Tudo e todos envolves em magia.

    Sobem no ar cantigas de alegria;
    Cantam cagarros em estranho cio
    Mas tudo tem um quê de nostalgia !



    Poema do Dr. Bruno Ferreira

    Um Mariense ,residente da ilha Terceira- Açores

    Do Livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

    7 de fevereiro de 2007

    SIDÓNIO BETTENCOURT " Reencontros "





















    Não sei se te encontrarás algum dia e se me vires não digas palavra.

    Saberei dizer-te no olhar o que me escondeste dos olhos e da voz calada sentirás o poema da partida.

    Se disseres chegada guardarei nas mãos todo o tempo de dar.

    Esperei todos os dias pela claridade, mas amanhã de manhã não voltou.



    E a noite se fez dia e madrugada outra melodia e eu sem nada.


    Sidónio Bettencourt

    ilha do Pico - Açores

    Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "


    4 de fevereiro de 2007

    JOSE ANDRADE poema " Ivone "


    Na vida de um homem há sempre uma mulher


    Tu és o sonho real
    Que sonhei sonhar
    Numa infinita realidade.
    És pensamento que penso
    Ao pensar na vida que vivo
    E que vou viver.
    Tu és aquilo que sou
    E que nunca antes havia sido.
    És o futuro presente
    Que justifica o passado meu
    Tu és simplesmente tudo
    Neste mundo que é teu.


    Set/83







    JOSÉ ANDRADE



    S.Miguel - Açores


    Do livro " Semente "






    TITO MAGALHÃES , Ilha de S. Maria - Poema " Manuscrito "





    ... E Deus criou o homem
    Senhor de todos os gestos
    Houve murmúrio de dedos
    Requiem para um Paraíso
    E abrimos as mãos em flor
    Qual sinfonia oponível
    Eram pétalas d'espanto
    Sobre o jardim Natureza
    E assim aprendemos
    A conter os desejos
    Na carícia de um fruto
    E a sentir os prazeres
    Do redondo vocábulo
    Que primeiro gritámos
    Que depois gememos
    E por fim dissemos
    Vezes sem conta
    Até que o cantámos
    Em louvor do milagre
    Que então surgiu...
    E quisemos gravá-lo
    Como um pensamento
    Que a pedra guardasse
    E nessa memória
    De riscos cravados
    Na mais dura terra
    Irrompe o poema
    De uma linguagem
    Já com sentimento



    Poema de Tito Magalhães- Ilha de S. Maria - Açores

    Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

    29 de janeiro de 2007

    António de Medeiros Pereira





    Tua boca nacarada
    É o sensual cartaz
    E o cofre que arrecada
    Os beijos que não me dás...


    A tua boca formosa
    Cheia de vida e de frescor,
    Parece um botão de rosa,
    Abrindo em beijos de amor.


    Teus olhos aveludados,
    Onde há malícia e paixão
    São a causa dos pecados,
    Que trago no coração



    Poema de " António de Medeiros Pereira " S.Maria -Açores



    Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

    22 de janeiro de 2007

    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Irmã Tristeza *







    IRMÃ TRISTEZA



    Era uma vez ... Fatigada
    De fazer sofrer e magoar,
    Uma fada encantada,
    Cansada de chorar e fazer chorar,
    Entrou dentro de mim e disse :

    - Não quero mais sair desta prisão !
    Vou, para sempre, aqui ficar ...
    Venho, para sempre morar,
    Dentro do teu coração !

    - Quem és tu ? – interroguei,
    Apavorado.
    Ela respondeu :
    - Não sei ... não sei ..
    Só sei que te não posso ver,
    Viver assim,
    Atormentado !

    Mas, quem és tu, quem me fala assim ?
    - És a dor? A saudade ? A amargura ?
    - Onde moras e donde vens ?
    Do mar ? Do céu ? Da noite escura ?
    Ou do ignoto mistério da natureza ?

    E a voz de longe respondeu,
    Baixinho, como quem reza –
    - “ Sem mais sim, sem mais não “ :
    - Sou a tua irmã tristeza !
    Que importa quem seja eu,
    Se vier, nos braços da paz,
    Para sempre, adormecer
    Dentro do teu coração !

    Lopes Araujo

    19 de janeiro de 2007

    11 de janeiro de 2007

    VITOR CINTRA " Eu Vi ... "




    Eu vi passar o tempo, sempre á 'spera
    Que a sorte bafejasse o meu país
    E que, vencido o medo de Quimera,
    Fortuna fosse mais do que se diz.

    Eu vi passar os anos de revolta,
    Por todas as partidas de Destino,
    Sabendo de há um tempo, que não volta,
    No Fado, que abracei desde menino.


    Eu vi as muitas Moiras, que se cruzam
    No palco desta terra lusitana,
    Querendo proteger a massa humana;

    Mas vi, também, as Parcas, que nos usam,
    Tentando demonstrar que é errado
    Um povo destemido ser honrado.


    Vitor Cintra

    Do livro " Ao Acaso "

    3 de janeiro de 2007

    Poema de João Delvino Chaves Baptista - Ilha de S. Maria


    Ser jovem é ser alguém!
    Ter o orgulho da raça
    E impor-se lá no fundo.
    Ser jovem é também,
    Trazer nos ombros a esperança
    De crescer com o mundo.
    Ser jovem é estar mais perto !
    Ter no coração a realeza
    Na sua luta pela realidade.
    Ser jovem é também estar certo
    E ter nessa certeza,
    O saber simples da verdade.
    Ser jovem é ter orgulho!
    E se, na luta ser duro
    Necessário o for, ser.
    Ser jovem é também ter brilho,
    De poder ser puro
    Contra a cegueira do poder.
    Ser jovem é ser alguém!
    Ser jovem é estar mais perto!
    Ser jovem é ter orgulho
    De poder ter, também,
    A certeza de estar certo,
    E da pureza,



    O BRILHO!


    João Delvino Figueiredo Baptista

    poema de ..... Violante Medeiros Pereira


    Um lenço branco
    Molhado
    Caído na rua ...
    Gente indiferente passa;
    Suja-o
    E amachuca a dor das lágrimas,
    Que alguém limpou.
    E a gente passa
    E as lágrimas
    Introduzem-se pouco a pouco,
    Nas pedras negras da calçada.



    Violante Medeiros Pereira
    S. Maria - Açores

    Do Livro " Musas da Minha Terra "
    de

    ADRIANO FERREIRA


    13 de dezembro de 2006

    NATAL QUE NÃO VOLTA...

    Antigamente,
    Quando a vida me sorria,
    No tempo em que brincava,
    E alegremente
    Corria
    E saltava…
    Nesse tempo em que solteiro de ilusões
    Acreditava
    Nas fadas
    E nos Papões…
    Enfim,
    Antigamente,
    A vida para mim
    Era bem diferente! …

    O Meu Jesus
    Trazia-me sempre um presente…
    Um lindo brinquedo
    Que eu pedia
    Muito em segredo! …
    … E recebia-o contente ! …



    **************

    Como outrora,
    Eu quisera
    Agora –
    - Doce quimera –
    - De novo encontrar
    Não um brinquedo lindo
    Que me pudesse encantar…
    Mas, um pouco de beleza
    E um pouco de alegria
    Que viessem aliviar
    Esta funda tristeza …
    A minha melancolia …

    ************

    E de manhã de manhãzinha,
    Devagar, pé-ante-pé,
    Eu corri à chaminé! …
    E o meu sapato,
    Nessa manhã ainda escura,
    Nessa manhã de frio
    E esmaecida,
    Lá estava, nu , vazio,
    Como anda vazia a nua
    De ventura
    A minha vida ! …

    **************

    E a minha alma sismadora,
    E triste,
    Triste e sonhadora,
    Acalentou essa esperança
    Dos meus tempos de criança,
    Dos meus tempos de bebé;
    Ir encontrar a ventura
    Num sapato, à chaminé!!!...



    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

    2 de dezembro de 2006

    Florbela Espanca

    Saudades! Sim...talvez...e porque não?...
    Se o nosso sonho foi tão alto e forte
    Que bem pensara vê-lo até à morte
    Deslumbrar-me de luz o coração!


    Esquecer! Para quê?...Ah!como é vão!
    Que tudo isso, Amor, nos não importe.
    Se ele deixou beleza que conforte
    Deve-nos ser sagrado como o pão!


    Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
    Para mais doidamente me lembrar,
    Mais doidamente me lembrar de ti!


    E quem dera que fosse sempre assim:
    Quanto menos quisesse recordar
    Mais a saudade andasse presa a mim!




    Florbela Espanca

    28 de novembro de 2006

    AMÁLIA RODRIGUES * Quando Se Gosta de Alguém *



    Quando se gosta d'alguém
    Sente-se por dentro da gente
    Ainda não percebi bem
    Ao certo o que é que se sente

    Quando alguém gosta d'álguém
    É de nós que não gostamos
    Perde-se o sono por quem
    Perdidos de amor andamos

    Quando alguém gosta d'alguém
    Anda assim como ando eu
    Que não ando nada bem
    Com este mal que me deu

    Quando se gosta d'alguém
    É como estar-se doente
    Quanto mais amor se tem
    Pior a gente se sente

    Quando se gosta d'alguém
    Como eu gosto de quem gosto
    O desgosto que se tem
    É desgosto que dá gosto




    Amália Rodrigues

    18 de novembro de 2006

    PARABÉNS FILHA



    PAULA


    Ainda ontem eras criança
    Bonequinha linda , adorada,
    Guardamos ainda na lembrança
    O dia da tua chegada.


    Primeira filha , quanta alegria,
    Sentimos ao ter-te no colo
    Os anos passaram por magia,
    Hoje és mulher, quem diria,
    Vamos festejar, com bolo.


    Trinta velas vais contar,
    Não são muitas, podes crer,
    Muitas mais hás-de apagar
    Outras tantas vais contar,
    Esperamos estar cá p’ra ver.


    Neste teu aniversário
    Desejo sejas feliz
    Que sigas o teu caminho
    Com paz, amor e carinho
    Que sejas muito…

    Muito FELIZ!!


    Muitos parabéns querida filha.


    6 de novembro de 2006

    ARQUIPÉLAGO Poema de Vitor Cintra



    ARQUIPÉLAGO


    Ilhas dos Açores,
    Terra dos vulcões,
    Meigas nos amores,
    Loucas nas paixões.


    Frei Gonçalo Velho
    Fez o que podia,
    Com bom senso e relho,
    Por Santa Maria.


    Se há em S.Miguel,
    Pouca simpatia,
    Só quem for cruel
    Nega ver magia.


    Ó ilha Terceira,
    Chamam-te recreio,
    Deixa! É brincadeira!
    Nada tem de feio.


    Diz-se do Faial,
    Que quaisquer caminhos
    Vão sempre, afinal,
    Dar aos Capelinhos.


    Pico, tão formosa
    P'lo queijo e "verdelho",
    Sentes-te ciosa
    Desse saber velho.


    Ilha das fajãs,
    São Jorge dos queijos,
    Gentes de almas sãs
    São as que em ti vejo.


    Ilha Graciosa,
    Branca de apelido,
    Dizes-te vaidosa.
    Faz algum sentido.

    Pelo bem que cheiras,
    Pelas tuas cores,
    Ilha das Caldeiras
    Dizem que és "das Flores ".

    Corvo, tão pequena,
    Ergues-te à distância,
    Mas neste poema,
    Tens muita importância.



    Vitor Cintra
    "Alegorias "

    2 de novembro de 2006

    Para Avivar a Memória





    PARA AVIVAR A MEMÓRIA

    Não esqueças nunca
    Este poeta
    Pequenino
    Que quis somente
    Sempre
    Dizer tudo
    E nunca disse nada!

    Não esqueças nunca
    Cada texto
    Cada verso
    Cada palavra
    Cada letra!

    Não esqueças nunca
    Como
    Onde
    Quando
    Por que nasceu
    Cada poema
    Elogio
    Confissão
    Desejo
    Ânsia
    Oração
    E grito!

    Não esqueças nunca
    Que na alma de um poeta
    Há sempre uma musa!

    Não esqueças nunca
    Que nas veias de um poeta
    Corre um sangue vermelho!

    Não esqueças nunca
    Que no coração de um poeta
    Pequenino
    Inútil
    Há sempre um lugar
    Para ti!



    António (Veleiro)

    20 de outubro de 2006

    Para uma Mãe. LÚCIA




    PEQUENINA

    És pequenina e ris… A boca breve
    É um pequeno idílio cor-de-rosa…
    Haste de lírio frágil e mimoso!
    Cofre de beijos feito sonho e neve…

    Doce quimera que a nossa alma deve
    Ao Céu que assim te fez tão graciosa!
    Que nesta vida amarga e tormentosa
    Te fez nascer como um perfume leve!

    O ver o teu olhar faz bem à gente…
    E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
    Quando o teu nome diz, suavemente…

    Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
    Que ela afaste de ti aquelas dores
    Que fizeram de mim isto que sou!



    Florbela Espanca - Livro de Mágoas


    .........Lindas as filhas que de ti nasceram.
    Obrigada pelo amor com que criaste o meu filho.


    Isabel

    17 de outubro de 2006

    Amizade.............. Desconheço o Autor

    Que a cada amanhecer do seu dia nasça contigo uma flor.
    Que cada sorriso teu, seja as pétalas que torna esta flor mais completa.
    Que cada pensamento positivo, seja o caule .. que a sustenta.
    Que cada passo para a vitória, seja a terra que alimenta.
    Que cada gesto teu, seja o sol que fornece energia, e que o brilho dos teus olhos, seja a beleza e a simplicidade desta flor, que me embriaga com o seu perfume e me encanta com seu carisma.
    Esta flor que desabrocha em seus pensamentos e me transforma em você...
    Uma flor que vai permanecer intacta às mais diferentes épocas, aos mais inesperados destinos, uma flor que nunca vou permitir morrer.
    Sabe porque?
    Porque ela é linda como você
    e porque todos a chamam de


    AMIZADE



    (desconheço o autor)

    13 de outubro de 2006

    VIVER COMO EU SEI - Américo Silva

    VIVER COMO EU SEI

    Uma manhã de sol, de vento...ruidosa,
    Que agita com violência os ramos das árvores,
    Vento que o suportam angustiadas , indefesas... passíveis...

    Que o sentem e aceitam...que o vivem sem queixume.

    São como nós,




    Que também não podemos sair do caminho que a vida nos escolheu...
    Pleno de angustias,



    De medos,
    De noites de tormenta,



    De pensamentos apavorados.
    Á espere que o sol chegue e dissipe a névoa da incerteza.

    E viver é isto...




    Um momento de angustia... de incerteza,
    Um momento de dor... um momento de alegria.
    Um momento de esperança... um momento de luz.
    Um momento de prazer... um momento de revolta.


    Sair da estrada e entrar nela de novo...


    É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
    É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
    Os momentos que vale a pena guardar.

    É sair da estrada e entrar nela de novo...
    É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.



    É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
    Os momentos que vale a pena guardar.

    É aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
    É sentir a qualquer hora da noite ou do dia,
    Que aconteça o que acontecer...





    Haja o que houver,



    Há sempre alguém que mesmo distante,



    Caminha a nosso lado.

    Na noite tenebrosa,

    No sol radiante,
    No frio do medo,
    No calor da esperança,
    Numa amanhã mais calma e tranquila
    Na lagoa das águas serenas,
    Na areia da praia deserta,
    No encanto do monte verdejante,
    No silêncio dum carro parado.

    No planalto duma montanha escura, silenciosa... tranquila,

    No caminhar pelas ruas desertas, duma cidade plena de vida
    De ruas estreitas... linhas de eléctrico reluzentes...
    Nas horas mortas da madrugada,
    Voando ao encontro da luz.

    Viver é isto.

    Descobrir,
    Encontrar e perder,
    Sentir e correr, ao encontro do destino.
    De nada...
    De tudo!


    Américo Silva


    Setembro 2003