
25 de setembro de 2007
20 de setembro de 2007
GOSTO DE GENTE ASSIM autoria de Arthur de Tavola

Gosto de gente com a cabeça no lugar,
de conteúdo interno,
idealismo nos olhos e
dois pés no chão da realidade
Gosto de gente que ri
chora,
se emociona com uma simples carta,
um telefonema,
uma canção suave,
um bom filme,
um bom livro,
um gesto de carinho,
um abraço,
um afago.
Gente que ama e curte saudades,
gosta de amigos,
cultiva flores,
ama os animais,
admira paisagens,
poesia e escuta.
Gente que tem tempo
para sorrir bondade,
semear perdão,
repartir ternuras,
compartilhar vivências
e dar espaço
para as emoções dentro de si,
emoções que fluem
naturalmente de dentro
do seu ser!
Gente que gosta de
fazer coisas que gosta,
sem fugir de compromissos
difíceis e inadiáveis,
por mais desgastantes que sejam.
Gente que colhe
orienta,
se entende,
aconselha,
busca a verdade
e quer sempre aprender,
mesmo que seja de uma criança,
de um pobre,
de um analfabeto.
Gente de coração desarmado,
sem ódio e preconceitos baratos,
com muito amor dentro de si.
Gente que erra e reconhece,
cai e se levanta,
apanha e assimila os golpes,
tirando lições dos erros
e fazendo redentora
suas lágrimas e sofrimentos.
Gosto muito de gente assim...
E desconfio que é deste
tipo de gente que
Deus também gosta!
Arthur de Tavola
19 de setembro de 2007
" Encanto de Amor " de Atharva-Veda
Como a liana enlaça a árvore, enlaça-me também, sê a minha amante e não te afastes de mim!
Como a águia ao levantar voo bate no chão com as asas, bato no teu coração: sê a minha amante e não te afastes de mim!
Como o sol cinge no mesmo dia o céu e a terra, cinjo o teu coração: sê a minha amante e não te afastes de mim !
Tradução de: Maria Jorge Vilar de Figueiredo
15 de setembro de 2007
VONTADE DE UM ABRAÇO poema da autoria de Macedo Junior TROVADOR.PR

Dá um abraço?
Macedo Junior (TrovadorPR)
De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade... sei lá...
Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço...
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge, devagarinho,
da magia da união dos corpos,
das auras... sei lá.
Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas a dizer:
- Estou aqui!
Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,
afirmando: - Estou com você!.
Lembrar da transfusão de forças,
ou até da suavidade do momento... sei lá...
Então,pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia, abraço força,abraço união,
abraço suavidade,abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça, abraço verdade,
abraço cumplicidade?
Mas o que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energias, que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...
Só sei que agora deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços.
Que sirva de colo, afastando toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima de alegria,
e acalme o coração...
Um abraço que traduza a amizade,
o amor e a emoção....
E para um abraço assim ,
Só consegui pensar em você!
Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o por quê,
dessa minha vontade.
Pois então:
Dá logo este abraço!
Poema da autoria do Poeta MACEDO JUNIOR ( TrovadorPR)---------------------------------------------------------------------------
Este Poema foi publicado neste blog em 2005.
Alguns dos comentários, vêm desde essa altura.
Relembro o meu querido amigo Fernando do Blog " FRATERNIDADE " que já não se encontra entre nós.
Nessa altura, publiquei o poema desconhecendo a sua autoria.
Após o alerta , volto a republica-lo, e a dar o devido mérito ao seu autor
MACEDO JUNIOR (TrovadorPR)
8 de setembro de 2007
Não Posso Adiar o Amor poema de" António Ramos Rosa "
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora imprecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
ANTÓNIO RAMOS ROSA
do Livro " Rosa do Mundo *
4 de setembro de 2007
do Livro * Rosa do Mundo *
29 de agosto de 2007
O MEU DESEJO poema de Florbela Espanca

Olhando a nuvem de oiro que flutua...
Ó minha perfeição que criou Deus
E que num dia lindo me fez sua!
Nos vultos que diviso pela rua,
Que cruzam os seus passos com os meus...
Minha boca tem fome só da tua!
Meus olhos têm sede só dos teus!
Sombra da tua sombra, doce e calma,
Sou a grande quimera da tua alma
E, sem viver, ando a viver contigo...
Deixa-me andar assim no teu caminho
Por toda a vida, Amor, devagarinho,
Até a Morte me levar consigo ...
Florbela Espanca
26 de agosto de 2007
Almada Negreiros " MÃE "
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede ! Eu prometo saber viajar .
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe!Ata as tuas mãos ás minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade !
Almada Negreiros
(1893-1970)
Do Livro " ROSA DO MUNDO "
23 de agosto de 2007
CANTO DE AMOR DE UM JOVEM do livro * A ROSA DO MUNDO *
Cada vez que tenho sono, sonho com o teu amor.
Cada vez que estou em casa deitado de costas,
estou deitado sobre a dor do teu amor.
Cada vez que ando, ponho o pé sobre a dor do teu amor.
Poema da América do Norte, Kwakiudes
Versão : Herberto Helder
14 de agosto de 2007
BEL poema de " Luís Veiga Leitão "
" Biografia "Poema de PEDRO HOMEM DE MELO

Subi ao último andar,
A haver farda, era tão leve
Que fui subindo a cantar!
E fui subindo, subindo...
Só parei no patamar,
Abri as portas e janelas
Para poder respirar.
Tudo o que se via delas
Tinha a cor do meu olhar.
Da varanda me inclinei,
Para medir-lhe o tamanho.
Ai! dos vassalos de El-Rei
Aos quais El-Rei fica estranho!
Lá do alto, cá em baixo, o rio
Transformara-se em regato.
Reparei que, debruçadas,
Sobre o seu leito vazio,
Faias, apontando espadas,
Lhe exigiam um retrato.
Soprou, de súbito, o vento!
Varreu a noite a direito,
Rindo... Que risada fria!
Entanto o solar, ao vento,
Erecto fazendo peito,
Resistia, resistia...
Mas, das brechas do telhado,
Água, sôfrega, escorrera.
E o torreão do solar
- Ameias de pedra ou cera?
Era um pássaro assustado
Sem asas para voar.
Pedro Homem de Mello
(1904-1984)
2 de agosto de 2007
CANÇÃO poema de Madagascar do Livro * Rosa do Mundo *
26 de julho de 2007
Tarde de Mais... FLORBELA ESPANCA

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...
Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!
Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!
E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!...
Florbela Espanca
22 de julho de 2007
JOSÉ ANDRADE " Uma Ilha é Um Barco "

Ancorado
Que estremece ardentemente
Nas tempestades da vida.
Uma ilha é um barco
Ancorado
Na espera desesperante
De um destino esquecido.
Uma ilha é um barco
Ancorado
Onde o Mundo Moderno
Descansa, fatigado.
Uma ilha é um barco
Somente
Mas um barco celeste
Que com o mundo equilibra
O sentido da vida
E a vida sentida.
Uma ilha é um barco
Uma ilha é um mundo.
Jun/83
José Andrade
P. Delgada - Ilha de S.Miguel - Açores
Do livro " Semente "
14 de julho de 2007
A NOSSA CASA poema de Florbela Espanca

8 de julho de 2007
LAMENTO AMOROSO Poema oriundo da Amazónia do Livro * Rosa do Mundo *

muito delgadas as pernas,
como venenosas serpes,
de medo que elas me apertem.
Não quero mulher que tenha
muito comprido o cabelo,
um molho de ervas espesso
onde acaso eu me perca.
Quando sem vida me veres,
sobre o meu corpo não choraes;
deixa que a águia ao ver-me
seja a única que me chore.
Quando sem vida me veres,
deita-me á floresta negra:
o tatu há-de vir ver
a cova onde meter-me
Versão : Herberto Helder
4 de julho de 2007
AS PUTAS DA AVENIDA poema de Fernando Assis Pacheco

27 de junho de 2007
AFASTA DE MIM ESSES LÁBIOS do livro * Rosa do Mundo *

Beijo de gosto só esse terei; esse não outro.
26 de junho de 2007
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " D.IV"

Se sou
o poeta
perdido
no nada
poderei parar
o tempo perdido
e o tempo
que vem
como se pára
o vento
como se pára
o universo-deus
Porque o poeta
é o infinito
onde a gota de água... calada
assume a dimensão
dum universo
Se sou
o poeta do nada
poderei sonharãté ao intangivel
e ver
o universo
aos pés do Nada
Se sou
o poeta que sofre
então meterei
o universo
na gota de água ...
da manhã da esperança
Março 1981
Fernando Monteiro
do Livro " Mar Branco "
24 de junho de 2007
*A DOR DA SEPARAÇÂO * Poema de Maruyama Kaoru - Japão

Pousada numa âncora, uma gaivota pia,
De súbito, sem uma palavra, a âncora desliza,
Surpreendida, a gaivota levanta voo,
Em breve, a âncora empalidece na água, afundando-se.
E o que a gaivota sente torna-se um grito bravio, triste,
Perdido no vento.
Tradução de:
José Alberto Oliveira
Do Livro * ROSA DO MUNDO *
20 de junho de 2007
* RECINTO * poema de Carlos Pellicer - México

Onde porei o ouvido que não escute
minha voz a chamar-te?
E onde não escutar este silêncio
que te afasta lentamente triste?
Eu caminho as horas presenciadas
em nós por nós os dois.
Sei desse fruto maduro das vozes
em campos de Setembro.
Sei da noite esbelta e já tão nua
em que os nossos corpos eram um.
Sei do silêncio perante a gente obscura,
de calar este amor que é de outro modo.
Enquanto chove a ausência liberto
a escravidão de carne e a alma só
no ar suspende sua águia amorosa
que as nuvens pacíficas igualam.
Tradução de : José Bento
do Livro * ROSA DO MUNDO *
16 de junho de 2007
* NÃO CHORO... * poema de José Gomes Ferreira do Livro " ROSA DO MUNDO "

A dor não me pertence.
Vive fora de mim, na natureza,
livre como a electricidade.
Carrega os céus de sombra,
entra nas plantas,
desfaz as flores...
Corre nas veias do ar,
atrai nos abismos,
curva os pinheiros...
E em certos momentos de penumbra
iguala-me à paisagem,
surge nos meus olhos
presa a um pássaro a morrer
no céu indiferente.
Mas não choro. Não vale a pena!
A dor não é humana.
José Gomes Ferreira
13 de junho de 2007
António Botto " CANÇÃO " do Livro * ROSA DO MUNDO *

CANÇÃO
Se fosses luz serias a mais bela
De quantas há no mundo : - a luz do dia !
- Bendito seja o teu sorriso
Que desata a inspiração
Da minha fantasia !
Se fosses flor serias o perfume
Concentrado e divino que perturba
O sentir de quem nasce para amar !
- Se desejo o teu corpo é porque tenho
Dentro de mim
A sede e a vibração de te beijar!
Se fosses água - música da terra,
Serias água pura e sempre calma!
- Mas de tudo o que possas ser na vida,
Só quero, meu amor, que sejas alma !
ANTÓNIO BOTTO
(1897-1959)
10 de junho de 2007
HORAS RUBRAS de Florbela Espanca - do Livro * ROSA DO MUNDO *

HORAS RUBRAS
Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos, sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…
Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas…
Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras …
Sou chama e neve branca e misteriosa…
E sou, talvez na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras !
Florbela Espanca
(1894-1930)
6 de junho de 2007
* A PALAVRA IMPOSSÍVEL * poema de Adolfo Casais Monteiro
4 de junho de 2007
A MINHA AMANTE TEM AS VIRTUDES DA ÁGUA do Poeta Francês * VICTOR SEGALEN * - Do Livro " ROSA DO MUNDO " 2001 poemas

A MINHA AMANTE TEM
AS VIRTUDES DA ÁGUA
A minha amante tem as virtudes da água : um sorriso claro, os gestos fluentes, uma voz pura que canta gota a gota. - E por vezes, - sem querer – um fogo passa pelo meu olhar, sabe como ateá-lo estremecendo : água tirada sobre as brasas .
Minha água viva, ei-la derramada, toda, sobre a terra! Foge-me, desliza; - e tenho sede , e corro atrás dela.
Com minhas mãos formo uma taça. Com minhas duas mãos embriagado estanco-a, estreito-a, levo-a aos lábios :
E trago uma mão cheia de lama.
Tradução de Filipe Jarro
França
VICTOR SEGALEN
(1878-1919)
3 de junho de 2007
Poema de JOÃO DE DEUS * A VIDA * (Excerto)

A VIDA
(Excerto)
A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave;
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida - pena caída
Da asa de ave ferida -
De vale em vale impelida
A vida o vento a levou
JOÃO DE DEUS
(1830-1896)
1 de junho de 2007
* OS AMANTES APARTADOS * de Isobel, Condessa de Argyll
OS AMANTES APARTADOS
Eu sei de um jovem que é meu desejo.
Oh Rei dos Reis ! Fazei que ele venha sem mais demora.
Eu só o quero bem enlaçado contra o meu seio
Com o seu corpo bem apoiado na minha pele.
Se a vida fosse como eu a quero
Longe de mim e eu longe dele nunca seríamos.
Sinais não vejo da sua chegada
E ele não sabe como eu o quero e é meu desejo.
No mundo não há maior tristeza que nós os dois
Pois o seu barco voga e navega longe de casa
No seu caminho do oriente; minha morada é ocidente.
Eu o desejo e ele me quer e a vida é desejos vãos.
Tradução de José Domingos Morais
Do Livro * ROSA DO MUNDO *
30 de maio de 2007
* OFICÍO DO AMOR * de Joan Salvat - Papasseit - Do Livro * ROSA DO MUNDO *
Se conheces o prazer, não escatimes o beijo
Pois o prazer de amar não comporta medida.
Deixa-te beijar e beija tu depois,
Que nos lábios sempre é onde o amor perdura.
Não beijes, não, como o escravo e o crente,
Mas como o viandante à fonte oferecida.
Deixa-te beijar – ardente sacrifício –
Quanto mais queima mais fiel é o beijo.
Que terias feito se tu morresses antes,
Sem mais fruto do que a aragem no rosto?
Deixa-te beijar, e no peito, nas mãos
- amante ou amada – a taça muito alta.
Quando beijes, bebe, o copo sare o medo:
Beija no pescoço, o sítio mais formoso.
Deixa-te beijar,
E se ainda te apetece
Beija de novo, pois a vida é contada.
Tradução de : JOSÉ BENTO
Catalunha
JOAN SALVAT – PAPASSEIT
(1894-1924)
28 de maio de 2007
POEMAS DE AMOR do Livro " A Rosa do Mundo "

ELE :
Quando embriagada pelo doce vinho
viu os arranhões de amor
que ela mesma me infligira
partiu ofuscada pelo ciúme
Tomando-a pela franja do seu sari
detive-a ... Como esquecê-la
quando me disse : “ Deixa-me,deixa-me! ”
olhando para trás
os olhos cheios de lágrimas
os lábios tremendo de despeito
O POETA :
arrastados pela torrente do seu amor
e contidos pelo dique
das pessoas mais velhas da casa
estão ainda juntos
mas não podem satisfazer os seus desejos
Imóveis como se tivessem sido pintados
bebem o néctar da paixão
com que os brindam os negros lótus dos seus olhos
ELA A UMA AMIGA:
por si só se desprendeu o meu cinto
e mal suspenso da cintura
o vestido deslizou-me pelos quadris
É a única coisa que sei
pois mal senti o contacto do seu corpo
de tudo me esqueci:
de quem era ele
de quem era eu
de como foi o nosso prazer
ELE :
os seus seios estremecem. Entre as suas coxas
flui a seiva doce do amor...
“ Não, outra vez não... Deixa-me descansar...”
E aos sussurros sucedem-se
as súplicas e às súplicas os suspiros
e aos suspiros o silêncio...
Terá adormecido? Estará a agonizar?
Ou serei eu que estou a sonhar?
Tradução Jorge Sousa Braga
do livro “ ROSA DO MUNDO – 2001 Poemas para o Futuro “
AMARU ( sec. VII)
27 de maio de 2007
Vinicius de Moraes * SONETO DO AMOR TOTAL *

SONETO DO AMOR TOTAL
Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude
Vinicius de Moraes
13 de maio de 2007
SIDONIO BETTENCOURT " MÚSICA CELESTIAL "

Deleita massacres mensagens atlânticas com orquestras de mil e tal violinos.
É o ciclone a enraizar invernias cuspido das latitudes as muitas sinfonias.
O berço.
O arpão no rasgo das rotas caça o maestro dono da ilha.
Da casa.
Leva o tecto do mar.
O bafo das cagarras.
O desafino.
Levamos nos olhos o transporte.
A carícia
das mãos no corpo da rocha.
A baleeira no canal à deriva.
O vento consome-se com.
Some-se.
Deleita massacres mensagens atlânticas com orquestras de mil e tal violinos.
O esqueleto do mar rocha abaixo sem estaleiro.
O que vai ser disto?
Outra vez o rumo a destriur o leme e o cardume no colo do xaile.
Outra vez outra voz a promessa adiada.
Sidónio Bettencourt
Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
6 de maio de 2007
MÃE do poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

A minha Mãe
É ela quem me afaga com carinho,
Nos felizes momentos de ventura!
É ela quem me fala de mansinho,
Nas horas de tristeza e de amargura!
E, junto dela, quanta vez, sonhando,
Na minha infância alegre acalentei
Tanta ilusão que o tempo foi gastando…
Sonhos de amor que nunca mais sonhei!
Ter mãe é ter na vida amparo e crença,
E rumo e fé!
É ver uma alvorada,
Rompendo mansa a treva negra e densa
Da noite da nossa alma torturada! …
**********************
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAUJO
do Livro " Noite de Alma "
3 de maio de 2007
NATÁLIA PAIVA poema " Criança "

Criança ...
De encantadora inocência
Olhar lindo,
Repleto de ternura,
Se me olhas assim,
Eu choro!
Abraça-me!
Rodeia-me com teus bracinhos trémulos,
Tão fortes na tua candura...
Afaga-me!
Deixa-me penetrar em teu mundo;
Deixa-me aquecer meu coração arrefecido
Pequenina,
Como és grande para mim!
Em meu regaço,
Não sou eu que te afago,
Que te acarinho,
Que te rodeio de amor,
Não permitindo que o teu mundo
Seja perturbado pelos grandes ! ...
Por um minuto, deixa-me pensar
Que serás sempre criança ;
Que não terás de deixar
O teu mundo pequenino
Para trilhar
O ignoto turbilhão da vida ! ...
Pequenina, afaga-me!
Porque de nós dois, sou a grande
Embora criança também.
Aperto-te contra mim,
Tão pequenina em meus braços;
Tão pequenina, que te embalo
E aperto-te muito...muito !
Mas gritas ...
Magoei-te ! Vês ?
Sou grande ! Sou egoista !
Apertei-te e tu choras-te.
Eu choro ainda ...
E afinal pequenita,
A criança ... sou eu !
De Natália Paiva - Ilha de S. Maria - Açores
Do Livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "
29 de abril de 2007
SIDÓNIO BETTENCOURT " Sem Resposta"

Sidónio Bettencourt
Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
18 de abril de 2007
OS 5 BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR
Sinto-me duplamente honrada e muito feliz, pelo amigo do blog
" CINCO BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR ".
Ao autor do blog LIVROS E AUTORES , o meu agradecimento, pelas escolhas do :
ALMA DE POETA
e
A POESIA DE VITOR CINTRA
É uma missão ingrata ter de nomear 5 blogs, pois que existem muitos que gosto de ler.
Tendo de optar, fiz as seguintes escolhas :
( Poemário de Daniel Gonçalves), poeta residente na ilha de S. Maria nos AÇORES
Um blog de divulgação de belíssimas paisagens da minha ilha, Santa Maria - AÇORES
Os autores dos blogs que nomeei devem copiar o selo correspondente e afixá-lo na barra lateral dos seus blogs.
De seguida devem nomear os cinco blogs que escolheram e fazer um post a nomeá-los.
Beijo a todos
Isabel
17 de abril de 2007
Poema da Drª. Conceição Baptista - Ilha de S. Maria - Açores
Angústia dourada
Nesse poente cálido nunca visto
E uma ânsia incerta
No horizonte apodrecido
De meus sonhos
Imprecisão vazia a soluçar.
A tempestade ... a atmosfera hostil em que revolvo
No caos, na dor, na indiferença...
Que me importa esse doirado perdido
A caminhar
Se ... eu não sei a cor da minha crença.
*****
Ah! este sabor a pedras
Que afinal nada diz
Estes sons que chegam longínquos
Como de um abismo de sonho e pesadelo
Apressam-se as sombras
Sem deuses nem gritos
Perpassam os nadas
Baixinho aos pares
E sinto tremer o caos e a terra
E sinto tremer tuas mãos e meus sonhos
E sinto tremer este mar que me invade
Ah! este sabor a pedras
Não passa... não passa...
Poema de Conceição Baptista div>
do livro de ADRIANO FERREIRA " Musas da Minha Terra "
13 de abril de 2007
" ADORAÇÃO " poema de " João de Deus "

Vi o teu rosto lindo,
Esse rosto sem par;
Contemplei-o de longe mudo e quedo,
Como quem volta do áspero degrêdo,
E vê ao ar subindo
O fumo do seu lar!
Vi esse olhar tocante,
De um fluido sem igual;
Suave como lâmpada sagrada.
Benvindo como a luz da madrugada
Que rompe ao navegante
Depois do temporal!
Vi esse corpo de ave,
Que parece que vai
Levado como o Sol ou como a Lua
Sem encontrar beleza igual à sua;
Magestoso e suave,
Que surpreende e atrai!
Atrai e não me atrevo
A contemplá-lo bem;
Porque espalha o teu rosto uma luz santa,
Uma luz que me prende e que me encanta
Naquele santo enlevo
De um filho em sua mãe!
Tremo apenas pressinto
A tua aparição,
E só se me aproximasse mais, bastava
Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!
Não é amor o que eu sinto,
É uma adoração!
Que as asas providentes
Do anjo tutelar
Te abriguem sempre à sua sombra pura!
A mim basta-me só esta ventura
De ver que me consentes
Olhar de longe... olhar!
João de Deus
20 de março de 2007
6 de março de 2007
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " Encontrei o Norte em Ti..."
Oh insula alada
Que prenhas de certezas
a ventura do meu ser
em amor
e em
querer
Que me prestas amorosa
no teu seio em vaso
todo o meu ser
da vida ao
horizonte
Porque fazes renascer
sem certeza do porvir
em nova esperança
em mim ?
Uma ilha nova !
Fernando Monteiro Poeta da Ilha de S. Maria - Açores
do livro " MAR BRANCO "
28 de fevereiro de 2007
Emigrantes de Ontem e de Hoje
Um texto que nos faz parar e reflectir .
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A miséria destes açorianos honrados não é diferente da miséria de muitos outros. Miséria absoluta, quero dizer, envergonhada, com a falta de oportunidades, que respira e se alimenta à sombra da inevitabilidade do velho destino açoriano das classes sociais, favores e temores a Deus. Miséria, digo ainda, que se auto-sustenta de geração em geração e tolera quase tudo: corrupção, financiamentos partidários por bandidos, mau uso dos dinheiros públicos, obséquios do Estado a canalhas, pedófilos em liberdade, ladrões, patifes, legisladores castrados, comunicação social servil, procuradores e juízes de direito a jeito e polícias coniventes.
Carlos é pedreiro. Em algumas províncias canadianas um pedreiro pode ganhar 100.000.00 dollars por ano. Com facilidade, em poucos anos, foi possível construir uma vida com suor e saudade, mas sem ser preciso ser do partido, ou amigo de alguém, ou baixar as calças à dignidade ou votar no PS ou PSD ou aquilo que todos percebem. Uma Autonomia de filhos e enteados, de sucesso e de filhos da puta, dirão outros.
Poucos ajudam pessoas como Sónia ou Carlos. Apenas as comunidades de emigrantes açorianos ou a Igreja Católica, a quem tenho de prestar homenagem na forma como ajudam os emigrante ilegais. Não a Igreja Católica que fornica com o governo açoriano mas a igreja que acredita na dignidade da pessoa humana.
Carlos e Sónia não têm escolaridade. Não falam muito bem. Não são jogadores de futebol. Não atraem votos. Não fodem por dinheiro. Não se vendem. Vão pouco a festas. Não gerem os milhões das transferências do orçamento do Estado. Vestem modestamente. Não influenciam ninguém. São gente modesta. Apenas trabalham e tratam da família e de procurar um futuro melhor para os filhos. Futuro que lhes foi negado na sua terra. E a Sónia, que nasceu em 1977, cresceu à sombra do sucesso da Autonomia política legislativa; mas não consta que saiba cantar o hino regional. Pois.
Como são ilegais, Carlos, Sónia e os filhos foram deportados. Pois. Um dos filhos, com 11 meses, nascido no Canadá, não tinha qualquer identificação e foi impedido de sair de Toronto. E foi aqui que ficaram vivos para o mundo. Nasceram para o estrelado da miséria, para a agonia da humilhação. Mas eu sei. Apesar de nunca os ter visto, vi milhares e milhares como eles: gente decente da região mais triste de Portugal.
JOSÉ ANDRADE " Estrada da Vida "

E no silêncio da noite
Se perdem as passadas
Largas e pesadas
E fortes... mas inseguras.
O relógio
Em contratempo
Marca o Tempo.
Um tempo que passa
A cada passo
E que não volta nunca.
Talvez por isso se ouvem ainda
Passadas na estrada.
Nesta curta estrada
A percorrer
Sem correr
Mas a crer
Que cada passo que nela passa
Passará para a Eternidade !
José Andrade
S.Miguel - Açores
Do livro " SEMENTE "
24 de fevereiro de 2007
SIDÓNIO BETTENCOURT " Confidência "
12 de fevereiro de 2007
Poema de " Bruno Valter Garcia Ferreira "

Quis Deus que ao sol nascente te voltasses
E do cimo dos cumes tão altivos
Do mar, em forte abraço, ali tombasses
Preso de meigos beijos e cativos;
E que de verde parra te adornasses
E fossem tantos mais os teus motivos,
Que gigantesco teatro aparentasses
Quer a estranhos, quer a teus nativos.
S.Lourenço - ó minha linda baía -
Nas luarentas noites de estio,
Tudo e todos envolves em magia.
Sobem no ar cantigas de alegria;
Cantam cagarros em estranho cio
Mas tudo tem um quê de nostalgia !
Poema do Dr. Bruno Ferreira
Um Mariense ,residente da ilha Terceira- Açores
Do Livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "
7 de fevereiro de 2007
SIDÓNIO BETTENCOURT " Reencontros "
Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
4 de fevereiro de 2007
JOSE ANDRADE poema " Ivone "
TITO MAGALHÃES , Ilha de S. Maria - Poema " Manuscrito "

... E Deus criou o homem
Senhor de todos os gestos
Houve murmúrio de dedos
Requiem para um Paraíso
E abrimos as mãos em flor
Qual sinfonia oponível
Eram pétalas d'espanto
Sobre o jardim Natureza
E assim aprendemos
A conter os desejos
Na carícia de um fruto
E a sentir os prazeres
Do redondo vocábulo
Que primeiro gritámos
Que depois gememos
E por fim dissemos
Vezes sem conta
Até que o cantámos
Em louvor do milagre
Que então surgiu...
E quisemos gravá-lo
Como um pensamento
Que a pedra guardasse
E nessa memória
De riscos cravados
Na mais dura terra
Irrompe o poema
De uma linguagem
Já com sentimento
Poema de Tito Magalhães- Ilha de S. Maria - Açores
Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "
29 de janeiro de 2007
António de Medeiros Pereira
É o sensual cartaz
E o cofre que arrecada
Os beijos que não me dás...
A tua boca formosa
Cheia de vida e de frescor,
Parece um botão de rosa,
Abrindo em beijos de amor.
Teus olhos aveludados,
Onde há malícia e paixão
São a causa dos pecados,
Que trago no coração
Poema de " António de Medeiros Pereira " S.Maria -Açores
Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "
22 de janeiro de 2007
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Irmã Tristeza *

Era uma vez ... Fatigada
De fazer sofrer e magoar,
Uma fada encantada,
Cansada de chorar e fazer chorar,
Entrou dentro de mim e disse :
- Não quero mais sair desta prisão !
Vou, para sempre, aqui ficar ...
Venho, para sempre morar,
Dentro do teu coração !
- Quem és tu ? – interroguei,
Apavorado.
Ela respondeu :
- Não sei ... não sei ..
Só sei que te não posso ver,
Viver assim,
Atormentado !
Mas, quem és tu, quem me fala assim ?
- És a dor? A saudade ? A amargura ?
- Onde moras e donde vens ?
Do mar ? Do céu ? Da noite escura ?
Ou do ignoto mistério da natureza ?
E a voz de longe respondeu,
Baixinho, como quem reza –
- “ Sem mais sim, sem mais não “ :
- Sou a tua irmã tristeza !
Que importa quem seja eu,
Se vier, nos braços da paz,
Para sempre, adormecer
Dentro do teu coração !
Lopes Araujo
19 de janeiro de 2007
11 de janeiro de 2007
VITOR CINTRA " Eu Vi ... "
Que a sorte bafejasse o meu país
E que, vencido o medo de Quimera,
Fortuna fosse mais do que se diz.
Eu vi passar os anos de revolta,
Por todas as partidas de Destino,
Sabendo de há um tempo, que não volta,
No Fado, que abracei desde menino.
Eu vi as muitas Moiras, que se cruzam
No palco desta terra lusitana,
Querendo proteger a massa humana;
Mas vi, também, as Parcas, que nos usam,
Tentando demonstrar que é errado
Um povo destemido ser honrado.
3 de janeiro de 2007
Poema de João Delvino Chaves Baptista - Ilha de S. Maria
Ter o orgulho da raça
E impor-se lá no fundo.
Ser jovem é também,
Trazer nos ombros a esperança
De crescer com o mundo.
Ser jovem é estar mais perto !
Ter no coração a realeza
Na sua luta pela realidade.
Ser jovem é também estar certo
E ter nessa certeza,
O saber simples da verdade.
Ser jovem é ter orgulho!
E se, na luta ser duro
Necessário o for, ser.
Ser jovem é também ter brilho,
De poder ser puro
Contra a cegueira do poder.
Ser jovem é ser alguém!
Ser jovem é estar mais perto!
Ser jovem é ter orgulho
De poder ter, também,
A certeza de estar certo,
E da pureza,
poema de ..... Violante Medeiros Pereira
Molhado
Caído na rua ...
Gente indiferente passa;
Suja-o
E amachuca a dor das lágrimas,
Que alguém limpou.
E a gente passa
E as lágrimas
Introduzem-se pouco a pouco,
Nas pedras negras da calçada.
13 de dezembro de 2006
NATAL QUE NÃO VOLTA...
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …
O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …
**************
Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …
************
E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia a nua
De ventura
A minha vida ! …
**************
E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
2 de dezembro de 2006
Florbela Espanca
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?...Ah!como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
28 de novembro de 2006
AMÁLIA RODRIGUES * Quando Se Gosta de Alguém *
Quando se gosta d'alguém
Sente-se por dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo o que é que se sente
Quando alguém gosta d'álguém
É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amor andamos
Quando alguém gosta d'alguém
Anda assim como ando eu
Que não ando nada bem
Com este mal que me deu
Quando se gosta d'alguém
É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem
Pior a gente se sente
Quando se gosta d'alguém
Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem
É desgosto que dá gosto
Amália Rodrigues
18 de novembro de 2006
PARABÉNS FILHA

PAULA
Ainda ontem eras criança
Bonequinha linda , adorada,
Guardamos ainda na lembrança
O dia da tua chegada.
Primeira filha , quanta alegria,
Sentimos ao ter-te no colo
Os anos passaram por magia,
Hoje és mulher, quem diria,
Vamos festejar, com bolo.
Trinta velas vais contar,
Não são muitas, podes crer,
Muitas mais hás-de apagar
Outras tantas vais contar,
Esperamos estar cá p’ra ver.
Neste teu aniversário
Desejo sejas feliz
Que sigas o teu caminho
Com paz, amor e carinho
Que sejas muito…
Muito FELIZ!!
Muitos parabéns querida filha.
6 de novembro de 2006
ARQUIPÉLAGO Poema de Vitor Cintra
Fez o que podia,
Com bom senso e relho,
Por Santa Maria.
Pouca simpatia,
Só quem for cruel
Nega ver magia.
Chamam-te recreio,
Deixa! É brincadeira!
Nada tem de feio.
Que quaisquer caminhos
Vão sempre, afinal,
Dar aos Capelinhos.
P'lo queijo e "verdelho",
Sentes-te ciosa
Desse saber velho.
São Jorge dos queijos,
Gentes de almas sãs
São as que em ti vejo.
Branca de apelido,
Dizes-te vaidosa.
Faz algum sentido.
Pelas tuas cores,
Ilha das Caldeiras
Dizem que és "das Flores ".
Ergues-te à distância,
Mas neste poema,
Tens muita importância.
2 de novembro de 2006
Para Avivar a Memória

PARA AVIVAR A MEMÓRIA
Não esqueças nunca
Este poeta
Pequenino
Que quis somente
Sempre
Dizer tudo
E nunca disse nada!
Não esqueças nunca
Cada texto
Cada verso
Cada palavra
Cada letra!
Não esqueças nunca
Como
Onde
Quando
Por que nasceu
Cada poema
Elogio
Confissão
Desejo
Ânsia
Oração
E grito!
Não esqueças nunca
Que na alma de um poeta
Há sempre uma musa!
Não esqueças nunca
Que nas veias de um poeta
Corre um sangue vermelho!
Não esqueças nunca
Que no coração de um poeta
Pequenino
Inútil
Há sempre um lugar
Para ti!
António (Veleiro)
20 de outubro de 2006
Para uma Mãe. LÚCIA

PEQUENINA
És pequenina e ris… A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa…
Haste de lírio frágil e mimoso!
Cofre de beijos feito sonho e neve…
Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te fez tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!
O ver o teu olhar faz bem à gente…
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente…
Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!
Florbela Espanca - Livro de Mágoas
.........Lindas as filhas que de ti nasceram.
Obrigada pelo amor com que criaste o meu filho.
Isabel
17 de outubro de 2006
Amizade.............. Desconheço o Autor
Que cada sorriso teu, seja as pétalas que torna esta flor mais completa.
Que cada pensamento positivo, seja o caule .. que a sustenta.
Que cada passo para a vitória, seja a terra que alimenta.
Que cada gesto teu, seja o sol que fornece energia, e que o brilho dos teus olhos, seja a beleza e a simplicidade desta flor, que me embriaga com o seu perfume e me encanta com seu carisma.
Esta flor que desabrocha em seus pensamentos e me transforma em você...
Uma flor que vai permanecer intacta às mais diferentes épocas, aos mais inesperados destinos, uma flor que nunca vou permitir morrer.
Sabe porque?
Porque ela é linda como você
e porque todos a chamam de
AMIZADE
(desconheço o autor)
13 de outubro de 2006
VIVER COMO EU SEI - Américo Silva
São como nós,
E viver é isto...
Um momento de dor... um momento de alegria.
Um momento de esperança... um momento de luz.
Um momento de prazer... um momento de revolta.
Sair da estrada e entrar nela de novo...
É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
Os momentos que vale a pena guardar.
É sair da estrada e entrar nela de novo...
É achar o nosso destino e aprender a guarda-lo.
É escolher na corrida vertiginosa da caminhada,
Os momentos que vale a pena guardar.
É aprender a coexistir com a tormenta e a calmaria
É sentir a qualquer hora da noite ou do dia,
Que aconteça o que acontecer...
Na noite tenebrosa,
No planalto duma montanha escura, silenciosa... tranquila,
Viver é isto.
Américo Silva





