Nem tudo é fácil
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
Cecília Meireles
31 de março de 2009
Você Não Me Ensinou a te Esquecer de Bruno Mattoa/Odair José
VOZ DE " CAETANO VELOSO "
Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar
E nesse desepero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar
Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar
E nesse desepero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar
30 de março de 2009
SONETO DO CATIVO de David Mourão-Ferreira
Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;
o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;
se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;
não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamnete preso!
David Mourão-Ferreira
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;
o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;
se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;
não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamnete preso!
David Mourão-Ferreira
29 de março de 2009
* Retrato em Branco e Preto * de CHICO BUARQUE
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras,
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
Chico Buarque
28 de março de 2009
" Como Roubar Um Coração " de Luis Fernando Verissimo
Para se roubar um coração é preciso que seja
com muita habilidade,
tem que ser vagarosamente, disfarçadamente,
não se chega com ímpeto,
não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras,
suavemente, apoderar-se dele
aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que
percebam que ele será
roubado, na verdade, teremos que
furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá
trabalho, requer paciência, é
como se fosse tecer uma colcha de retalhos,
aplicar uma renda em um
vestido, tratar de um jardim,
cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza,
com vontade, com encanto,
carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente
tem que ter garra e
esperteza, mas não falo dessa esperteza que
todos conhecem, falo da
esperteza de sentimentos, daquela que existe
guardada na alma em
todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um
coração, é preciso que antes
já tenhamos conseguido conquistar o nosso,
é preciso que ele já tenha
sido explorado nos mínimos detalhes, que
já se tenha conseguido
conhecer cada cantinho, entender cada espaço
preenchido e aceitar
cada espaço vago.
...e então, quando finalmente esse coração
for conquistado, quando
tivermos nos apoderado dele, vai existir
uma parte de alguém que
seguirá connosco.
Uma metade de alguém que
será guiada por nós e o
nosso coração passará a bater por
conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com
certeza haverá instantes,
milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e
sabe por quê?
Faltará a metade dele que
ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido
ao meio, esse coração
chamará a sua outra parte e alguém por
vontade própria sem que
precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará
a metade que faltava.
... e é assim que se rouba um coração,
fácil não? Pois é, nós só
precisaremos roubar uma metade, a outra virá
na nossa mão e ficará
detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas
pela vida a fora que
dizem que nunca mais conseguiram amar
alguém......é simples.......é
porque elas não possuem mais coração,
eles foram roubados, arrancados
do seu peito, e somente com um grande amor
ela terá um novo coração,
afinal de contas, corações são para
serem divididos, e com certeza
esse grande amor repartirá o dele com você!!!!
(Luís Fernando Veríssimo)
25 de março de 2009
Soneto da Separação de VINICIUS DE MORAES
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
VINICIUS DE MORAES
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
VINICIUS DE MORAES
23 de março de 2009
Ah! .....poema de Cacaso
20 de março de 2009
BOB Marley
16 de março de 2009
EU poema de FLORBELA ESPANCA

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
*
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
*
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...
*
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
FLORBELA ESPANCA
13 de março de 2009
CANÇÃO de Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles
7 de março de 2009
CONTO DE FADAS de Florbela Espanca

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.
Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...
Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.
Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."
Florbela Espanca
1 de março de 2009
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " Um Silêncio Absoluto "

Escuto
Escuto o silêncio
um silêncio absoluto
Sinto
sinto o pendular
da inteligência do meu génio louco
Escuto
escuto o eclodir
da potência no meu primeiro géne
Sinto
sinto rasgar-se em cizão
o espasmo do meu pai primitivo
Sinto
Sinto a dinâmica primária
do alvorecer do dia-calor
FERNANDO MONTEIRO
do livro " Mar Branco "
Poeta da minha Ilha . S.Maria-Açores
28 de fevereiro de 2009
TIMIDEZ de Cecilia Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.
Cecília Meireles
27 de fevereiro de 2009
" E POR VEZES " poema de David Mourão-Ferreira

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão - Ferreira
25 de fevereiro de 2009
ESPELHO LOUCO
poema de Szabó Lfirinc ( Hungria )

Sucedem coisas novas sem cessar,
e já estas fora delas. Faço a barba,
e lembro-me de ti: lágrima larga,
e paro: dos meus fins metade, par
foste dos actos livres; oxalá
tivesses sido mais! Vivo, prossigo
dia de trabalho, e vão comigo,
plo caminho, lembrança doce, ávida
falta... Mas que valem lágrimas e
caminho, querida, na solidão?
Realidade, presente, estão aí!
Só teu espelho te guarda, eu, a alma,
espelho que solta as imagens, um tão
louco espelho, que crê bater-te palmas !
Tradução de : Ernesto Rodrigues
do Livro ROSA DO MUNDO
21 de fevereiro de 2009
CERTEZAS de Adriana Brito

Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível...
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.
Adriana Britto
Trovejas Dentro de Mim.... poema de L.G.
Trovoada sim, trovoada não,
Trovejas dentro de mim.
No silêncio dos trovões e na escuridão dos clarões
invade-me um frio nordestino,
rebelião vespertina que esgota o ar dos pulmões.
Tempestade sim, tempestade não,
cintilam as estrelas;
Muitas daquelas que apontei até os dedos cravejar.
São temporais de ida e volta
que o são para não mais voltar.
Luis Gabriel
21/2/2009
13 de fevereiro de 2009
* MUDE * de Edson Marques
Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.
Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.
Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.
Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.
Só o que está morto não muda !
EDSON MARQUES
12 de fevereiro de 2009
Opinião de um homem sobre o corpo feminino! .....PAULO COELHO

Opinião de um homem sobre o corpo feminino!
Não importa o quanto pesa.
É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher.
Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim.
Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem.
Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.
As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas....
Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo.
As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem.
Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura.
A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.
A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem.
Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa.
Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.
As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas.. Porque razão as cobrem com calças longas?
Para que as confundam conosco?
Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto.
Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim.
Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.
Entendam de uma vez!
Tratem de agradar a nós e não a vocês.
Porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.
Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com
sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes.
Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado.
O corpo muda... cresce.
Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.
Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas.
Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se saboteia e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza.
São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram!
O corpo da mulher é a prova de que Deus existe.
É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto.
( Paulo Coelho)
9 de fevereiro de 2009
poema de Velimir Khlébnikov
Tempos-juncos
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos.
Tradução de: Augusto de Campos
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos.
Tradução de: Augusto de Campos
8 de fevereiro de 2009
QUADRILHA de Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo,
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
7 de fevereiro de 2009
CURA DO CANCRO
Recebido por e-mail, achei importante divulgar
Um médico italiano descobriu algo simples que considera a causa do Cancro.
Inicialmente banido da comunidade médica italiana, foi aplaudido de pé na Associação Americana contra o Cancro quando apresentou a sua terapia.
O médico observou que todos os doentes com Cancro têm aftas. Isso já era do conhecimento da comunidade médica, mas sempre foi tratada como uma infecção oportunista por fungos - Candida albicans.
Esse médico achou muito estranho que todos os tipo de Cancro tivessem essa característica, ou seja, vários são os tipos de tumores mas todos têm em comum o aparecimento das famosas aftas no doente.
Então, pode estar ocorrendo o contrário - pensou ele.
A causa do Cancro pode ser o fungo.
E, para tratar esse fungo, usa-se o medicamento mais simples que a humanidade conhece: bicarbonato de sódio.
Assim ele começou a tratar os seus pacientes com bicarbonado de sódio, não apenas ingerível, mas metódicamente controlado sobre os tumores.
Resultados surpreendentes começaram a acontecer.
Tumores de pulmão, próstata e intestinos desapareciam como num passe de mágica, junto com as Aftas!
Desta forma, muitos pacientes de Cancro foram curados e hoje comprovam com os seus exames os resultados altamente positivos do tratamento.
Para quem se interessar mais pelo assunto, siga o link (em inglês): não deixem de ver o video, no link abaixo.
O médico fala em italiano, mas tem legendas em português.----->
http://www.curenaturalicancro.com>
Lá estão os métodos utilizados para aplicação do bicarbonado de sódio sobre os tumores.
Quaisquer tumores podem ser curados com este tratamento simples e barato.
Parece brincadeira, não é?
Mas foi notícia nos EUA e nunca chegou cá (para variar).
Bem que o livro de Homeopatia recomenda tratar tumores com Borax, que é o remédio Homeopático para as aftas.
Afinal, uma boa notícia no meio de tantas más.
De novo, a pergunta que não quer calar: por que é que a grande imprensa não dá a menor cobertura a isto?
Nem na TV, nem nas rádios, nem nos jornais de grande tiragem... Absolutamente nada. Quem os proíbe de noticiar?
O médico teve que construir o seu próprio site para poder divulgar o seu trabalho de curar o Cancro (ou, pelo menos, várias das suas formas), usando apenas uma solução de bicarbonato de sódio a 20%.
Imaginem! Bicarbonato de sódio, uma coisa que nós encontramos em qualquer farmácia ou drogaria de esquina.
Neste link está o vídeo, aonde o médico italiano mostra a evolução do tratamento de 4 casos até á sua completa cura:
http://www.cancer-fungus.com/sub-v1pt/sub-pt.html
Se quiser ver em português, vá a este site e basta clicar nas bandeirinhas no alto da página e muda para o idioma pretendido:
http://www.cancerfungus.com/simoncini-cancro-fungo.php#
Certamente que os Laboratórios não estão interessados em que esta noticia se espalhe, afinal de contas lá se vão os grandes lucros nos medicamentos que eles fabricam para uma doença tão grave que pode ser curada simplesmente com bicarbonato de sódio a 20% que custa uns simples cêntimos.
DIVULGA NO TEU BLOG
6 de fevereiro de 2009
* Perguntei a um Sábio * de William Shakespeare
Dedicado ao meu marido, hoje no nosso 33º. Aniversário de casamento.
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare
2 de fevereiro de 2009
AS CEM REZÕES DO AMOR
de Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
21 de janeiro de 2009
SONETO CV de ......William Shakespeare

Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
William Shakespeare
* CHAMADA * poema de Vitor Cintra
20 de janeiro de 2009
E DE REPENTE É NOITE poema de Salvatore Quasimodo ( Itália )
18 de janeiro de 2009
Silêncios poema de ÂNGELO GOMES
Os meus silêncios são cruéis e duros,
Nas trevas dos dias que me ensombram,
Nas noites em branco que me tombam,
Nas lágrimas, nos vales e nos muros
Será que sabes ler-me sem me ler?
Será que no teu peito ainda existo?
Ou fui sublinhado em mero risco
Daqueles sem expressão e sem se ver?
Que raros são os momentos de paixão...
Que emergem de caudais de solidão
E se fecham em silêncios de ternura...
Segue os trilhos dos minutos que viveste
Pergunta a ti própria se cresceste...
Abre as portas aos riachos da censura
Ângelo Gomes
Publicado no Recanto das Letras em 03/09/2006
Código do texto: T232092
15 de janeiro de 2009
" FUMO " poema de Florbela Espanca

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
Florbela Espanca
13 de janeiro de 2009
TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDICULAS de Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos
11 de janeiro de 2009
* AMIGOS * de Paulo Sant'Ana
Neste dia de Aniversário do meu amigo e POETA " VITOR CINTRA ", dos Blogs Um Poema de Vez em Quando e A poesia de VITOR CINTRA, dedico-lhe este texto, com votos de um feliz aniversário.
*****************************************
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
Paulo Sant'Ana
PAULO SANT'ANA
9 de janeiro de 2009
HÁ CERTAS HORAS de William Shakespeare

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!
William shakespeare
7 de janeiro de 2009
" ESTE PERFUME"de Salvador Novo (México)
Este perfume intenso de tua carne
não é nada mais do que o mundo que deslocam e movem os globos azuis dos teus olhos.
não é nada mais do que o mundo que deslocam e movem os globos azuis dos teus olhos.
E a terra e os rios azuis das veias que aprisionam os teus braços.
Há todas as laranjas redondas em teu beijo de angústia
sacrificado à beira de um horto em que a vida se suspendeu por todos os séculos da minha.
sacrificado à beira de um horto em que a vida se suspendeu por todos os séculos da minha.
Que distante era o ar infinito que encheu nossos peitos.
Arranquei-te da terra pelas raízes ébrias de tuas mãos
e bebi-te todo, oh fruto perfeito e delicioso!
e bebi-te todo, oh fruto perfeito e delicioso!
Já sempre quando o sol apalpe a minha carne
sentirei o rude contacto da tua
nascida na frescura de uma alva inesperada,
nutrida na carícia de teus rios claros e puros como o teu abraço,
volta doce no vento que nas tardes
vem das montanhas para o teu hálito,
madura no sol dos teus dezoito anos,
cálida para mim que a esperava.
sentirei o rude contacto da tua
nascida na frescura de uma alva inesperada,
nutrida na carícia de teus rios claros e puros como o teu abraço,
volta doce no vento que nas tardes
vem das montanhas para o teu hálito,
madura no sol dos teus dezoito anos,
cálida para mim que a esperava.
Tradução de: José Bento
6 de janeiro de 2009
* ROMÂNTICOS * de Vander Lee

Românticos são poucos,
Românticos são loucos, desvairados
Que querem ser o outro,
Que pensam que o outro,
É o paraíso.
Românticos são lindos,
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas,
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção.
3 de janeiro de 2009
Kalinas * Alucinação *
Dançando,
Rodopiamos pelo salão antigo.
Revestido a ébano,
Candelabros de velas acesas,
Exalam perfume,
E nos embriagam.
Enquanto rodopiamos,
Rocei a minha perna na tua,
Enquanto me inebriava,
Com o nosso odor.
Cheiramo-nos;
Roçamos nossos ventres,
Desinquietos.
Sentimos;
Em suor,
Aquele percurso
Que ondeia nossos corpos.
Roçamos nossos ventres,
Excitados,
Molhados,
Desejosos de paixão.
Olhei de novo o salão,
Fiquei a dançar sozinho.
Agarrado ao vácuo…
Em depressão,
Que não arde,
Nem queima
Só arde com a paixão
Da tua entrega.
Com a passagem,
Do meu desejo,
No teu desejo.
Kalinas
2004
Minha amiga Rosa, do blog " AZORIANA "

sugeriu-me o poema e imagem que mais gostei de publicar.
Aqui o deixo de novo.
Obrigada ROSA ......beijo grande amiga.
Rodopiamos pelo salão antigo.
Revestido a ébano,
Candelabros de velas acesas,
Exalam perfume,
E nos embriagam.
Enquanto rodopiamos,
Rocei a minha perna na tua,
Enquanto me inebriava,
Com o nosso odor.
Cheiramo-nos;
Roçamos nossos ventres,
Desinquietos.
Sentimos;
Em suor,
Aquele percurso
Que ondeia nossos corpos.
Roçamos nossos ventres,
Excitados,
Molhados,
Desejosos de paixão.
Olhei de novo o salão,
Fiquei a dançar sozinho.
Agarrado ao vácuo…
Em depressão,
Que não arde,
Nem queima
Só arde com a paixão
Da tua entrega.
Com a passagem,
Do meu desejo,
No teu desejo.
Kalinas
2004
Minha amiga Rosa, do blog " AZORIANA "
Aqui o deixo de novo.
Obrigada ROSA ......beijo grande amiga.
2 de janeiro de 2009
Bluebird "Folha de Papel "
Te pinto nua,
Como uma flor,
Virada ao sol
Querendo abrir
As suas pétalas.
Com um sorriso,
Virado ao tempo,
Querendo se abrir
A todo a momento...
Minha bola de cristal.
Bluebird
Como uma flor,
Virada ao sol
Querendo abrir
As suas pétalas.
Com um sorriso,
Virado ao tempo,
Querendo se abrir
A todo a momento...
Minha bola de cristal.
Bluebird
31 de dezembro de 2008
O QUE NÃO SE RECORDA poema de Luis Rosales ( Espanha)

O QUE NÃO SE RECORDA
Para voltar a ser feliz era
somente preciso ser hábil
ao recordar.
Buscávamos
dentro do coração nossas lembranças.
A alegria talvez não tenha história.
Ao olhar para dentro de nós dois
ficávamos calados.
Teus olhos eram
como um rebanho quieto
que seu tremor reúne sob a sombra
do álamo.
O silêncio
pôde mais que o esforço.
Anoitecia
para sempre no céu.
Não pudemos voltar a recordá-lo.
No mar a brisa era um menino cego.
LUIS ROSALES
28 de dezembro de 2008
* TUDO É FOI * poema de António Gedeão

Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.
Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.
Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.
Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.
Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.
ANTÓNIO GEDEÃO
22 de dezembro de 2008
Alma Minha Gentil Que Partiste " LUIS DE CAMÕES "

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Luís de Camões
18 de dezembro de 2008
" DESPERTAR " poema de Vitor Cintra

Ânsia de amor, quando assalta,
Faz com que o sonho esquecido
Ganhe, de novo, sentido,
Como a essência, que exalta.
Ímpeto, de maré alta,
Arte, de leito escondido,
Dom, de sabor proibido,
Fogo, paixão, que ressalta.
Perda, carência, dor, falta,
Sombra, dum tempo perdido,
Chama, prazer reprimido;
Onda de choque, ribalta,
Corpos, vertigem, gemido,
Frémito desinibido.
VITOR CINTRA
do livro " MURMÚRIOS "
16 de dezembro de 2008
Quando se Gosta de Alguém de
* AMÁLIA RODRIGUES *
Quando se gosta d'alguém
Sente-se dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo que é que se sente
Quando se gosta d'alguém
É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amor andamos
Quando alguém gosta d'alguém
Anda assim como ando eu
Que não ando nada bem
Com este mal que me deu
Quando se gosta d'alguém
É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem
Pior agente se sente
Quando se gosta d'alguém
Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem
É desgosto que dá gosto.
AMÁLIA RODRIGUES
5 de dezembro de 2008
ÚLTIMO SONETO poema de Mário de Sá-Carneiro

ÚLTIMO SONETO
Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes - e vieste ...
- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que mordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço -
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste...Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava? ...
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
30 de novembro de 2008
" UMA CHAMA NÃO CHAMA A MESMA CHAMA " poema de E.M.de Melo e Castro

Uma chama não chama a mesma chama
há uma outra chama que se chama
em cada chama que chama pela chama
que a chama no chamar se incendeia.
Um nome não nome o mesmo nome
Um outro nome nome que nomeia
em cada nome o meio pelo nome
que o nome no nome se incendeia.
Uma chama um nome a mesma chama
há um outro nome que se chama
em cada nome o chama pelo nome
que a chama no nome se incendeia
Um nome uma chama o mesmo nome
há uma outra chama que nomeia
em caa chama o nome que se chama
o nome que se chama se incendeia.
E.M de Melo e Castro
26 de novembro de 2008
* OLHOS TRISTES *poema de Vitor Cintra

Olhos tristes, senhora,
Os vossos. Tristes de mais,
Olhos de dor, de quem chora.
Senhora, porque chorais?
Se essa tristeza, que mora
Nos olhos, nos dá sinais
Da mágoa, que vos devora
E, a medo, mal disfarçais,
Mostrai-nos então, se agora,
Dos olhos, porque me olhais,
Se vai a tristeza embora,
Ou quedam tristes, iguais.
VITOR CINTRA
do livro " MURMÚRIOS "
19 de novembro de 2008
"Quando me Amei de Verdade " de Kim McMillen & Alison McMillen

Quando me amei de verdade,
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,
na hora certa.
Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade,
pude perceber que o
sofrimento emocional é um sinal
de que estou indo contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade,
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar alguma coisa
ou alguém que ainda não está preparado
- inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e - qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoismo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Trechos do livro "Quando me Amei de Verdade " de Kim McMillen & Alison McMillen
16 de novembro de 2008
MÃE de Almada Negreiros

Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro,encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
ALMADA NEGREIROS
12 de novembro de 2008
Espero-te Sem Te Esperar de MARIA JOÃO L.

Onde reinam tuas imensas razões,
E onde habitam as minhas profundas emoções.
Percorremos a Terra, caminhando em labirintos de cores e cheiros diferentes.
Será que a melodia que nos uniu, pode ser poderosa e vencer a tua multidão ?
Mas eu não quero conquistar ninguém...
Mas, também não quero nada que te possa magoar,
Se os ANJOS me revelassem, que nosso abraço nasceu para ser apenas sonhado,
Eu guardava-te para sempre escondido no meu coração.
Sempre deixei que fosses tu a comandar este amor...
Tens uma vida lindamente merecida e esculpida de razões...
Sei compreender
Aprendi tanto de amor a doer
Sei continuar a sonhar...
E neste sentir maior assim espero-te sempre sem te esperar ...
Maria João L.
(Texto que me foi enviado e que achei muito bonito, partilho-o aqui)
10 de novembro de 2008
ÁRVORE poema de Kóstas Karyotákis ( Grécia)
ÁRVORE
Com rosto indiferente e ar de pouco caso,
saúdo as madrugas, os ocasos.
Árvore, hei-de olhar, com mirada isenta,
o céu azul ou a fúria da tormenta.
A vida, digo, é féretro no qual
dor,
alegria do homem têm o seu final
Com rosto indiferente e ar de pouco caso,
saúdo as madrugas, os ocasos.
Árvore, hei-de olhar, com mirada isenta,
o céu azul ou a fúria da tormenta.
A vida, digo, é féretro no qual
dor,
alegria do homem têm o seu final
5 de novembro de 2008
SOLIDÃO de Afonso Henriques

Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
AFONSO HENRIQUES
31 de outubro de 2008
" A Dor Que Dói Mais " de MARTHA MEDEIROS
Em alguma outra vida,
devemos ter feito algo de muito grave,
Para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé , doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
Dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe,
Saudade de uma cachoeira da infância,
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais,
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu,
Saudade de uma cidade,
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem estas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar no quarto e ela na sala, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela pra faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi à consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,
Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet,
A encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros,
Se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua detestando McDonalds,
Se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que eu estive sentido enquanto escrevia
E o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler.
MARTHA MEDEIROS
MARTHA MEDEIROS
30 de outubro de 2008
Não Sei Nada...... poema de LG
Pergunto a mim próprio se existo,
ou se apenas resisto às mais doces tempestades;
poço de mentiras e verdades
em que teimosamente insisto.
Pergunto a mim mesmo se valho,
ou se apenas resvalo em delícias planas;
simples desflorador de camas,
ou singela gota de orvalho..
Pergunto a mim próprio se penso,
ou se só lanço a confusão;
se é líquida resignação,
ou os meus próprios medos venço..
Pergunto a mim mesmo se lido,
ou mergulho na preguiça;
se lidero a justiça,
ou se por ela fui vencido..
Pergunto a mim próprio se vivo
tal como a vida se imagina,
se antevê ou se alucina,
ou sou dela apenas cativo..
Pergunto, por fim, a mim próprio,
se perguntar a mim mesmo sei,
ou se, pelo contrário, herdei
o dom de ser um ser impróprio.
.
Poema de Luis Gabriel
21 de outubro de 2008
OCIDENTE-ORIENTE poema de Adonis ( 'Ali Ahmad Sa'Id)
Era algo que se estendia no túnel da História,
Algo enfeitado e minado
Levando seu menino de nafta envenenado,
Por venenoso mercador cantado;
Era um Oriente - criança que pede,
Grita " Socorro !"
E o Ocidente, seu senhor nunca errado -
Mudado está agora este mapa;
O Universo em chamas,
Oriente - Ocidente : um só
Túmulo
Em cinza os tem juntado ...
Algo enfeitado e minado
Levando seu menino de nafta envenenado,
Por venenoso mercador cantado;
Era um Oriente - criança que pede,
Grita " Socorro !"
E o Ocidente, seu senhor nunca errado -
Mudado está agora este mapa;
O Universo em chamas,
Oriente - Ocidente : um só
Túmulo
Em cinza os tem juntado ...
15 de outubro de 2008
" Já um Pouco de Vento se Demorara " poema de VITORINO NEMÉSIO

Já um pouco de vento se demora;
Já sua força vale a de uma mão
Nestes papéis que trago para fora,
Que o campo dá certeza e solidão.
O calor fez a casa mais delgada,
Agora colho a tarde: a vida não.
Sou a macieira carregada:
De palavras a mais cobri o chão.
Árvores há no outono que conhecem
O toque e ardor das folhas de amanhã
E esperando-as, altas, adormecem.
Com espaço e vento nunca a vida é vã.
Eu volto à mão do outono em meus papéis.
Penso e, indiscreto, o ar remove
Estas imagens cruéis
Que a minha vida comove
VITORINO NEMÉSIO
10 de outubro de 2008
AMIÚDE poema de Raul de Carvalho

AMIÚDE
No vale dos afectos
ninguém está seguro:
Mingua a lembrança,
Esquece-se o rosto,
Retorna-se ao eu,
Os lábios secam, as palavras dormem, os sonhos dispersam-se, a
presença ausenta-se, há o lago de que não se vê o fundo -
E apenas as pequenas ilusões
- um café, o cigarro, a limonada -
imitam dois corações unidos ...
Raul de Carvalho
5 de outubro de 2008
O BANHO DOS POBRES poema de Tonino Guerra ( Itália )
30 de setembro de 2008
EU NÃO SEI AO CERTO ... poema de Jaime Sabines ( México )

EU NÃO SEI AO CERTO...
Eu não sei ao certo, mas suponho
que uma mulher e um homem
um dia se amam,
vão ficar sozinhos pouco a pouco,
algo em seu coração lhes diz que estão sós,
sós sob a terra se penetram,
vão-se matando um ao outro.
Tudo se faz em silêncio.
Como a luz se faz dentro dos olhos.
O amor une corpos.
Em silêncio vão-se enchendo um ao outro.
Qualquer dia acordam sobre braços;
pensam então que sabem tudo.
Vêem-se nus e sabe, tudo.
( Eu não sei ao certo. Suponho-o )
JAIME SABINES
25 de setembro de 2008
CANÇÃO poema de ANTÓNIO BOTTO
CANÇÃO
Se fosses luz serias a mais bela
De quantas há no mundo : - a luz do dia!
-Bendito seja o teu sorriso
Que desata a inspiração
Da minha fantasia!
Se fosses flor serias o perfume
Concentrado e divino que perturba
O sentir de quem nasce para amar!
- Se desejo o teu corpo é porque tenho
Dentro de mim
A sede a e vibração de te beijar!
Se fosses água - música da terra,
Serias água pura e sempre calma!
- Mas de tudo o que possa ser na vida,
Só quero, meu amor, que sejas alma!
ANTÓNIO BOTTO
Se fosses luz serias a mais bela
De quantas há no mundo : - a luz do dia!
-Bendito seja o teu sorriso
Que desata a inspiração
Da minha fantasia!
Se fosses flor serias o perfume
Concentrado e divino que perturba
O sentir de quem nasce para amar!
- Se desejo o teu corpo é porque tenho
Dentro de mim
A sede a e vibração de te beijar!
Se fosses água - música da terra,
Serias água pura e sempre calma!
- Mas de tudo o que possa ser na vida,
Só quero, meu amor, que sejas alma!
ANTÓNIO BOTTO
19 de setembro de 2008
NÃO GOSTO
Não gosto de meias palavras.
Prefiro o silêncio aos gritos ensurdecedores das pessoas com quem tenho de falar e que não me dizem nada.
Não gosto de engolir palavras que não mereço, nem de desculpas esfarrapadas.
Não gosto de pessoas que só querem o que não têm e quando têm o que querem, não sabem do que gostam.
Não gosto de ouvir, talvez, não sei, sei lá, depois vê-se, tem paciência.
Não gosto que me peçam desculpa.
Não gosto que me prometam e não cumpram, de encontros desmarcados e de esperas infinitas.
Não gosto de gritos, de confusões, de gestos teatrais e dramatismos.
Não gosto de intrigas e de histórias mal contadas, não gosto de meias verdades.
Não gosto de palavras sem sentido e de falar por falar.
Não gosto que falem comigo e não me olhem nos olhos.
Não gosto de palavras arrastadas e de segredos mal guardados.
Não gosto de pessoas que andam de nariz empinado e se acham melhores que os outros.
Que pensam que sabem tudo e que falam com arrogância, que têm um ar de gozo, mas que choram por dentro.
Não gosto de perder tempo, prefiro gastá-lo com o que mais gosto.
Não gosto de lágrimas de crocodilo nem de sorrisos amarelos.
Não gosto de pessoas que falam mansinho ao chefe e levantam a voz à mulher da limpeza.
Não gosto de pessoas que sabem que não têm razão e ainda assim não o admitem.
Não gosto de não poder acreditar nas outras pessoas nem de voltar atrás na palavra e ainda menos que voltem atrás comigo.
Não gosto de pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins.
Não gosto de quem não gosta de um animal.
Não gosto de pessoas que só vêm o seu lado e que esquecem todos os outros.
Não gosto quando não dizem que gostam de mim, quando o sentem na realidade.
Não gosto de ter saudades daquilo que gosto.
Não gosto que se esqueçam dos meus anos, nem de mim, mas principalmente não gosto que quando esquecida, não me guardem num lugar do coração.
( Desconheço o Autor
13 de setembro de 2008
Filha de Um Amor Proibido - Isabel Valente

Os jovens de hoje não sabem que, na minha geração, haviam
crianças nascidas fora do casamento, e em cujo registo pessoal
constava o nome da Mãe, tendo por pai, um “ Pai Incógnito”.
Estas crianças, eram estigmatizados como, os filhos do pecado,
da vergonha, os filhos da outra.
Eram os filhos fora do casamento, os bastardos.
É que o registo obrigatório com nome de pai é recente, e eu já
sou "Cota".
Para a nova geração onde todos à nascença são registados com o
nome de mãe e de um pai, verdadeiro ou não, não lhes é fácil
entender o que é viver com o facto diário de ser filha de” pai
incógnito”.
Tendo eu passado por essa experiência, não me é difícil
explicar o que é ser filha de Pai Incógnito.
Hoje na maioria das Repartições Públicas todas achamos uma
grande maçada, ter de preencher formulários, para mim, passou
a ser, uma bênção.
Em alguns desses formulários tinha de mencionar o nome de Mãe
e de Pai, então lá vinha o tormento ---Pai Incógnito --- .
Isto era dito em voz baixa, tentando que ninguém ouvisse, na
maioria dos casos não resultava, por esse mesmo motivo, era
obrigada a repetir mais alto, sendo motivo para que toda a
plateia se virasse para ver quem era a santa alminha que era
fruto de tamanho pecado, e mais, ser confrontada com olhares
de censura indirecta, em alguns casos estampado um leve
sorriso de superioridade, e talvez que, se eu lhes lesse o
pensamento…estaria lá bem patente “ aquela é filha da mãe”.
O mesmo acontecia na escola, sempre que a professora me
perguntava o nome dos meus pais, eu respondia o nome da minha
mãe, ela, pensando que eu não tinha entendido que o pretendido
era nome dos PAIS, lá eu era obrigada, envergonhadamente a
dizer “Pai Incógnito “
Ser filha de Pai Incógnito no meu caso, era doloroso,
porquanto não me conformava em conhecer o meu PAI e ser
reconhecida por ele, e esse facto não ser aceite pela própria
sociedade .
A censura ao mesmo tempo recai , naquele homem que traiu a
esposa, e que nem se envergonha do seu próprio pecado, quando
se proclama pai .
A filha de Pai Incógnito, cuja responsabilidade de estar
vivendo esse “ horror “ era o pecado dos progenitores , o
Pecado de um Amor Proibido……sendo eu portanto, a filha de um
amor proibido.
Ser filha de Pai Incógnito, é também sentir nos nossos meios
irmãos esse rancor, porque somos a vergonha que manchou o seio
da sua família, a mágoa com que a mãe deles acorda e adormece.
Outra mesma frente de retracção, se verifica nos outros meios
irmãos, os filhos do novo casamento da mãe, esses sim, filhos
de um pai e de uma mãe, que têm na família um patinho feio,
que lhes lembra não a traição da mãe, mas o pecado dela.
Isso que atrás descrevi é a minha experiência, sentida na pele
de criança.
Hoje a sociedade mudou, existem filhos de pais assumidos que
nunca viram a cara dos seus filhos, nunca pegaram neles ao
colo, nunca lhes deram tão pouco, um pouco de carinho…..ou
mesmo, um pedaço de pão.
Meu Pai, Homem de bem, homem culto e com uma visão fora da sua
época, nunca precisou de Instituições que o obrigassem a
reconhecer as suas obrigações de Pai , no sentido amplo da
palavra, soube ultrapassar todos os obstáculos, próprios da
época afirmando aos amigos e família sem nenhum tipo de
preconceito: ” Esta é a minha filha”.
Felizmente foram ultrapassadas essas Imposições de uma
sociedade fascista, falsa e preconceituosa.
Hoje só quero mesmo é relembrar o homem que adorei, que adoro
e a quem chamei Pai, sem que por isso tenha de exibir o BI….a
minha homenagem a ele , meu PAI.
A minha homenagem à minha MÃE, que foi marginalizada, apontada
pela sociedade, que viveu esse amor, pagando caro o seu
“pecado” .
Benditos sejam os dois, que pecaram para que eu
existisse, e hoje esteja aqui falando para a nova geração
sobre a minha experiência de ser filha de Pai Incógnito.
O nome dessa grande Mulher, minha MÃE é ELVIRA, nome dado também á minha neta.
O nome do HOMEM, mais PAI e corajoso que alguma vez conheci e do qual me orgulho é
JOÃO.
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