31 de agosto de 2009

INTIMIDADE poema de VITOR CINTRA





Teu corpo, poema ardente.

Frenética rima de ais,

Aurora, pedindo mais,

Com louco vigor, fremente.
Teu rosto, sorriso aberto,

Promessa, sonho, desejo,

Tornando-se a cada beijo

Tão quente, quanto tão certo.
E o dia feito uma hora,

Por entre os ais e os gemidos,

Festim, sem par, dos sentidos.
Mas, quando te vais embora,

Só fica o teu cheiro, intenso,

Enchendo o vazio imenso


VITOR CINTRA
Do novo livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR "

À venda nas livrarias, consulte:
  • Editora Temas Originais
  • 22 de agosto de 2009

    POEMA de Sophia de Mello Breyner Anderson



    A minha vida é o mar o Abril a rua
    O meu interior é uma atenção voltada para fora
    O meu viver escuta
    A frase que de coisa em coisa silabada
    Grava no espaço e no tempo a sua escrita
    Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
    Sabendo que o real o mostrará
    Não tenho explicações
    Olho e confronto
    E por método é nu meu pensamento
    A terra o sol o vento o mar
    São a minha biografia e são meu rosto
    Por isso não me peçam cartão de identidade
    Pois nenhum outro senão o mundo tenho
    Não me peçam opiniões nem entrevistas
    Não me perguntem datas nem moradas
    De tudo quanto vejo me acrescento
    E a hora da minha morte aflora lentamente
    Cada dia preparada



    Sophia de Mello Breyner Andresen

    19 de agosto de 2009

    JEITO DE SER poema de Gracinda Medeiros


    JEITO DE SER

    Abraço o mundo

    com olhos
    de sentir
    e de tocar
    enquanto
    as mãos
    ficam livres
    para o fazer
    e para o distribuir.

    Vejo a vida
    com braços
    de acolher
    e de libertar
    enquanto
    os pés
    seguem trilhas
    de perder
    e de encontrar.

    E assim,
    abraçando tudo que vejo,
    posso sentir tudo que faço,
    acolher tudo que encontro
    e libertar tudo que perco


    Gracinda Medeiros

    14 de agosto de 2009

    AMOR e SONO poema de Algernon Charles Swinburne





    Deitado a dormir entre os afagos da noite
    Vi o meu amor debruçar-se sobre o meu leito,
    Pálida como a mais escura folha do lírio ou corola
    De pele macia e escura,
    o pescoço nu para ser mordido,
    *
    Transparente de mais para corar,
    tão quente para ser branca,
    Apenas de uma cor perfeita sem branco nem vermelho.
    E os lábios abriram-se-lhe amorosamente e disseram -
    Nem sei bem o quê, excepto uma palavra -Deleite.
    *
    E a face dela era toda mel na minha boca,
    E o corpo dela todo pasto a meus olhos;
    Os braços longos e lentos,
    as mãos quentes de fogo,
    *
    As ancas frementes,
    o cabelo a cheirar a Sul,
    os pés leves luzentes,
    as coxas esplêndidas e dóceis
    E as pálpebras fulgentes
    com o desejo da minha alma.


    Charles SwinburneLondres, 1837


    Trad. Helena Barras
    do livro * Rosa dos Ventos *

    13 de agosto de 2009

    Aperta-me Junto de Ti....poema de Rui Ressurreição




    Aperta-me junto de ti,
    Quero o teu calor, o teu amor.
    Este sentimento de pertença,
    Este divino laço de ternura,
    Que nos ligará, para toda a eternidade.

    Continuarei a ser quem sou, eu mesmo,
    Aberto à vida, aberto ao mundo,
    Transparente ao meu destino,
    Com a música dentro do meu ser,
    A me fazer viver, no mais alto dos céus.

    Olha-me nos olhos
    Que vês dentro de mim?
    Gostas de mim? Do meu ser?

    Sinto que queres a minha companhia,
    Para junto vivermos em alegria,
    Descobrir o oceano do amor,
    Mesmo dentro da nossa dor,
    Percorrendo esse caminho, menos percorrido,
    Nas esferas do nosso destino.

    Quero pular e saltar,
    Amar sem limites...
    Sem fronteiras ou barreiras,
    Acreditar no teu amor,
    No teu calor...
    Que evapora os meus desejos,
    Condensando num ponto de eternidade,

    Um grito de alma,
    Que chama por socorro,
    Dentro dos seus mistérios...
    Dentro de seu labirinto...
    De vida, da sua alma querida !



    RUI RESSURREIÇÃO

    11 de agosto de 2009

    AMARRAS...poema de Rui Ressurreição




    Já não sei o que sou,
    Já não sei para onde vou.
    Estas amarras que me prendem,
    a um destino sem amor...
    Em que me roubam o meu interior,
    Em que me afagam o ego,
    E matam o meu ser.
    Eu deixo,
    E eu sinto;
    Carências...
    Existências, por viver...
    Tristeza,
    Solidão,
    Ingratidão.
    Aqui estou eu a chorar,
    Sem amar,
    Sem viver,
    Mas com vontade de morrer!


    RUI RESSURREIÇÃO

    9 de agosto de 2009

    QUEM ÉS?... poema de Ângelo Gomes




    És o sonho que se vislumbra ao longe
    O mosteiro secreto onde habita o monge
    A árida planície que é dura... que é mole,
    Conforme as chuvas te fustiguem ou não...
    És o som das palavras que me dão vida
    O trautear da canção de urânio enriquecida...
    Quem és tu? Serás a lua? Serás o sol?
    Ou serás um enclave no meu coração?



    Ângelo Gomes

    5 de agosto de 2009

    O CASAMENTO poema de Willem Elsschot ( Bélgica)



    Quando ele descobriu como a névoa do tempo
    nos olhos da mulher faúlhas apagara,
    as faces submergira, a testa lhe sulcara,
    afastou o olhar, tomado de tormento.

    Maldisse em furor e a barba arrancaria,
    co'os olhos a mediu, mas nada pra excitar,
    e essa infância ele viu em danação mudar,
    enquanto o olhava ela, cavalo que morria.

    Mas morrer não morreu, e bem ele tentou
    sugar o imo à ossada que firme a sustentava.
    Não mais ela falou, queixar-se não ousava,
    tremia que era um dó, mas curada ficou.
    Pensou: dou cabo dela e puxo fogo à casa.
    Arranco o estrado fungo que os pés me entorpeceu.
    E como quem por vaus e por fogo correu
    alhures acharei o amor que tanto abrasa.

    Mas matar não matou, porque entre sonho e agir
    atravessam-se leis e mais triviais questões,
    e até melancolia, pra a qual faltam razões,
    e que à noite acomete, quando se vai dormir.

    Os miúdos cresceram, com os anos a correr,
    e viram que o sujeito a quem chamavam pai
    quieto ao pé do lume e sem dizer um ai
    punha um ar tenebroso e horrendo de se ver.
    Willem Elsschot


    3 de agosto de 2009

    " Desejo " poema de Sérgio Jockimann





    Desejo primeiro que você ame,
    E que amando, também seja amado.
    E que se não for, seja breve em esquecer.
    E que esquecendo, não guarde mágoa.
    Desejo, pois, que não seja assim,
    Mas se for, saiba ser sem desesperar.

    Desejo também que tenha amigos,
    Que mesmo maus e inconseqüentes,
    Sejam corajosos e fiéis,
    E que pelo menos num deles
    Você possa confiar sem duvidar.
    E porque a vida é assim,
    Desejo ainda que você tenha inimigos.
    Nem muitos, nem poucos,
    Mas na medida exata para que, algumas vezes,
    Você se interpele a respeito
    De suas próprias certezas.
    E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
    Para que você não se sinta demasiado seguro.

    Desejo depois que você seja útil,
    Mas não insubstituível.
    E que nos maus momentos,
    Quando não restar mais nada,
    Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

    Desejo ainda que você seja tolerante,
    Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
    Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
    E que fazendo bom uso dessa tolerância,
    Você sirva de exemplo aos outros.

    Desejo que você, sendo jovem,
    Não amadureça depressa demais,
    E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
    E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
    Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
    É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

    Desejo por sinal que você seja triste,
    Não o ano todo, mas apenas um dia.
    Mas que nesse dia descubra
    Que o riso diário é bom,
    O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

    Desejo que você descubra ,
    Com o máximo de urgência,
    Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
    Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

    Desejo ainda que você afague um gato,
    Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
    Erguer triunfante o seu canto matinal
    Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

    Desejo também que você plante uma semente,
    Por mais minúscula que seja,
    E acompanhe o seu crescimento,
    Para que você saiba de quantas
    Muitas vidas é feita uma árvore.

    Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
    Porque é preciso ser prático.
    E que pelo menos uma vez por ano
    Coloque um pouco dele
    Na sua frente e diga "Isso é meu",
    Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

    Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
    Por ele e por você,
    Mas que se morrer, você possa chorar
    Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

    Desejo por fim que você sendo homem,
    Tenha uma boa mulher,
    E que sendo mulher,
    Tenha um bom homem
    E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
    E quando estiverem exaustos e sorridentes,
    Ainda haja amor para recomeçar.
    E se tudo isso acontecer,
    Não tenho mais nada a te desejar ".


    Sérgio Jockymann

    1 de agosto de 2009

    Memória poema de Cecília Meireles

    Dedico á minha MÃE, onde quer que esteja, hoje dia do seu aniversário.
    COM SAUDADES




    Tão longe, a minha família!
    Tão dividida em pedaços!
    Um pedaço em cada parte...
    Pelas esquinas do tempo,
    brincam meus irmãos antigos:
    uns anjos, outros palhaços...
    Seus vultos de labareda
    rompem-se como retratos
    feitos em papel de seda.
    Vejo lábios, vejo braços
    - por um momento persigo-os;
    de repente, os mais exatos
    perdem sua exatidão.
    Se falo, nada responde.
    Depois, tudo vira vento
    e nem o meu pensamento
    pode compreender por onde
    passaram nem onde estão.



    CECÍLIA MEIRELES

    28 de julho de 2009

    A BOCA poema de Umberto Saba ( Itália )




    A boca
    que primeiro levou
    aos meus lábios a cor da aurora
    ainda
    em belos pensamentos desconto o aroma.

    Ó pueril boca, amada boca,
    que dizias o que ousavas e tão doce
    eras a beijar.


    Tradução de Eugénio de Andrade

    24 de julho de 2009

    Eu Não Sou de Ninguém.... poema de FLORBELA ESPANCA




    Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
    Há-de ser luz do Sol em tardes quentes;
    Nos olhos de água clara há-de trazer
    As fúlgidas pupilas dos videntes!

    Há-de ser seiva no botão repleto,
    Voz no murmúrio do pequeno insecto,
    Vento que enfurna as velas sobre os mastros!...

    Há-de ser Outro e Outro num momento!
    Força viva, brutal, em movimento,
    Astro arrastando catadupas de astros!



    Florbela Espanca

    22 de julho de 2009

    Poema de Ângelo de Lima





    Pára-me de repente o pensamento
    Como que de repente refreado
    Na doida correria em que levado
    Ia em busca da paz do esquecimento.

    Pára surpreso, escrutador, atento,
    Como pára um cavalo alucinado
    Ante um abismo súbito rasgado,
    Pára e fica, e demora-se um momento.


    Pára e fica, na doida correria.
    Pára à beira do abismo, e se demora.
    E mergulha na noite escura e fria

    Um olhar de aço, que essa noite explora.
    Mas a espora da dor seu flanco estria,
    E ele galga e prossegue sob a espora...



    Ângelo de Lima

    13 de julho de 2009

    A Mulher Que Passa poema de Vinicius de Moraes




    A mulher que passa


    Meu Deus, eu quero a mulher que passa
    Seu dorso frio é um campo de lírios
    Tem sete cores nos seus cabelos
    Sete esperanças na boca fresca!
    Oh! como és linda, mulher que passas
    Que me sacias e suplicias
    Dentro das noites, dentro dos dias!



    Teus sentimentos são poesia
    Teus sofrimentos, melancolia.
    Teus pelos leves são relva boa
    Fresca e macia.
    Teus belos braços são cisnes mansos
    Longe das vozes da ventania.



    Meu Deus, eu quero a mulher que passa!



    Como te adoro, mulher que passas
    Que vens e passas, que me sacias
    Dentro das noites, dentro dos dias!
    Por que me faltas, se te procuro?
    Por que me odeias quando te juro
    Que te perdia se me encontravas
    E me concontrava se te perdias?



    Por que não voltas, mulher que passas?
    Por que não enches a minha vida?
    Por que não voltas, mulher querida
    Sempre perdida, nunca encontrada?
    Por que não voltas à minha vida
    Para o que sofro não ser desgraça?



    Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
    Eu quero-a agora, sem mais demora
    A minha amada mulher que passa!



    Que fica e passa, que pacífica
    Que é tanto pura como devassa
    Que bóia leve como a cortiça
    E tem raízes como a fumaça.


    Vinícius de Moraes

    11 de julho de 2009

    O poema da " MENTE " desconheço o autor




    O POEMA DA 'MENTE'

    Há um primeiro-ministro que mente.
    Mente de corpo e alma, completamente.
    E mente de maneira tão pungente
    Que a gente acha que ele mente sinceramente.
    Mas que mente, sobretudo, impunemente...
    Indecentemente... mente.
    E mente tão racionalmente,
    Que acha que mentindo vida fora,
    Nos vai enganar eternamente.


    Desconheço o autor , mas achei bastante divertido, e por isso, partilho aqui a brincadeira.

    9 de julho de 2009

    * ALMA MINHA GENTIL QUE PARTISTE * Luis Vaz de Camões

    Alma minha gentil, que te partiste
    Tão cedo desta vida, descontente,
    Repousa lá no Céu eternamente
    E viva eu cá na terra sempre triste.

    Se lá no assento etéreo, onde subiste,
    Memória desta vida se consente,
    Não te esqueças daquele amor ardente
    Que já nos olhos meus tão puro viste.

    E se vires que pode merecer-te
    Alguma cousa a dor que me ficou
    Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

    Roga a Deus, que teus anos encurtou,
    Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
    Quão cedo de meus olhos te levou.


    Luis Camões

    1 de julho de 2009

    Que noite serena !.....Àlvaro de Campos heterónimo de Fernando Pessoa

    Que noite serena!
    Que lindo luar!
    Que linda barquinha
    Bailando no mar!


    Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge...
    O terceiro andar das tias, o sossego de outrora,
    Sossego de várias espécies,
    A infância sem futuro pensado,
    O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas,
    E tudo bom e a horas,
    De um bem e de um a horas próprio, hoje morto.


    Meu Deus, que fiz eu da vida?


    Que noite serena, etc.


    Quem é que cantava isso?
    Isso estava lá.
    Lembro-me mas esqueço.
    E dói, dói, dói...


    Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.




    Álvaro de Campos, in "Poemas"
    Heterónimo de Fernando Pessoa

    29 de junho de 2009

    Entrar em Ti...
    de RUI RESSURREIÇÃO

    Por vezes é difícil entender a tua maneira de ser
    conhecer o teu interior
    a tua dor
    o que te move por amor.
    Que fazes tu no monte das ilusões
    essas sensações de sair fora de ti
    para longínquos universos
    para outras paragens
    em busca de novas miragens
    em que te iludes com os conceitos da mente
    que te engana
    que te chama para um território escorregadio
    frio e lamacento
    em que nas suas conexões
    receberás encontrões
    e perderás o rumo da tua vida
    afundando-te nos lagos cerebrais
    e sentindo falta de todos os teus ais
    duma alma desencontrada
    com a tua mais alta morada
    a do amor.


    Rui Ressurreição

    26 de junho de 2009

    Cântico VI de Cecília Meireles





    Tu tens um medo:
    Acabar.
    Não vês que acaba todo o dia.
    Que morres no amor.
    Na tristeza.
    Na dúvida.
    No desejo.
    Que te renovas todo o dia.
    No amor.
    Na tristeza.
    Na dúvida.
    No desejo.
    Que és sempre outro.
    Que és sempre o mesmo.
    Que morrerás por idades imensas.
    Até não teres medo de morrer.

    E então serás eterno.



    Cecília Meireles

    21 de junho de 2009

    Em Silêncio de VERA SOUSA SILVA




    Deixa-me amar-te assim... em silêncio...

    Não me peças palavras que não sei pronunciar, nem gestos que nunca fiz. Não sei tanto do que queria e quero tanto do que não sei.
    Olhas-me e perco o norte. Fico muda e desvio o olhar. Não é por não te amar, mas sim por esse amor ser grande demais. Mas em silêncio...
    Seria tão fácil dizer que te amo e perder-te. Seria tão simples dançar ao som da ilusão e entregar-me completa, plácida, serena, e acrescentar apenas as letras que faltam quando não digo “Amo-te”!
    Não me peças para ser o que não sou, nem para me transformar subitamente em mulher, porque sou apenas menina.
    Queria crescer nos teus braços fortes e esconder-me atrás do teu tronco másculo. Mas abraço-te... em silêncio.
    Desejo o suave toque acetinado dos teus lábios nos meus e imagino como será um beijo de verdade. Anseio por ele e sonho-o.. em silêncio.
    Aproveito-me do que tenho de melhor e sonho... Nos meus sonhos eu sou tua e tu... Tu, meu amor, pertences-me! Todos os dias nos amamos intensamente e somos apenas um do outro! Todos os segundos das minhas noites são aproveitados ao máximo e vividos energicamente, ardentemente, gloriosamente... Chega a manhã e a realidade!
    Não me peças palavras que não sei dizer e deixa-me! Deixa-me amar-te assim... em silêncio...


    Vera Sousa Silva

    9 de junho de 2009

    Tempo..... poema de Isabel C.



    Eu quero agarrar o tempo,
    Que corre veloz e não cansa.
    Mas o tempo, tem todo o tempo,
    Corre, corre, atrás do vento,
    Numa corrida sem esperança.

    Queria contar os grãos de areia,
    Que tenho na palma da mão.
    E neste querer impossível,
    Espalha o vento invisível,
    O tempo que me resta, pelo chão.

    Assim, é para cada um, a sorte...
    Que se trás no destino, ao nascer,
    Por muito que tente, lute e se esforce,
    Ore e implore, para que a sorte volte,
    Esta não muda, só por se querer.



    2009.06.08
    Isabel C.

    8 de junho de 2009

    CANÇÃO...poema de Eugenio Florit ( Cuba)

    Eco de um sonho que na noite busco
    torcendo o frio gris do pensamento.
    É tarde já para olhar estrelas
    e tenho frio.

    Talvez não saiba quando irei olhar-te.
    preso à alma de tua grata lembrança
    que está a gritar-me lá do sonho
    um nome tépido.


    Um nome que há-de ser como são as rosas,
    doce e fragrante prémio para os lábios;
    mais sereno que minha amargura
    sem esperança.

    Assim verei, na orla destes mares,
    para alegrar minhas altas gaivotas,
    umas letras unidas ao reflexo
    do seu olhar.


    Trad: José Bento.


    do Livro " Rosa do Mundo "

    6 de junho de 2009

    Esperança..... poema de JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

    Se eu conseguisse viver este dia,
    O dia que hoje passa,
    Como se fosse o último da minha vida...
    Esmagando ressentimentos,
    Aleijando-me de toda a podridão
    Que me aniquila a Graça,
    Que me enegrece a alma
    E enluta o coração...


    Ai, se eu pudesse suster
    Os passos incertos,
    No caminho errado,
    Do meu viver !
    E ao passado não voltar,
    E saber esquecer,
    Esquecer e perdoar ! ...


    Se conseguisse reter
    A lágrima que teima,
    Dolorida,
    Soltar-se dos olhos vidrados,
    E que teima
    Os rostos enrugados
    Dos vencidos da vida ...


    Se eu pudesse evadir-me
    Deste negro cárcere,
    Desta dura e fria prisão
    Onde, há muito, vivo
    Abandonado,
    Cativo,
    Nos braços da solidão...


    Se eu conseguisse viver
    Só dentro de ti,
    E tu, bem dentro de mim,
    Mas sem ninguém entender
    O nosso viver assim ...


    Isolado, neste mundo,
    Onde a amargura se esconde,
    Alimentando uma esperança
    Que virá, não sei bem donde ...
    - Do horizonte ? Do céu? Do mar?
    ... Na chama do amor vivendo,
    O coração não se cansa,
    Não se cansa de esperar! ...



    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAUJO

    do livro " Outono da Vida "

    1 de junho de 2009

    MENINO DE ROSTO SUJO....poema de José Maria Lopes de Araújo

    A ti, menino de ninguém


    Sem norte era teu caminho,
    Jornada de mágoa e dor ...
    Tinhas sede de carinho ...
    Trazias fome de amor !


    De rosto sujo, menino ...
    Como é negro o teu destino !


    A lágrima que rolava
    No teu rosto macerado,
    Amargamente falava
    De um tormentoso passado ...


    Um passado curto ainda
    Tão tristemente marcado ...
    A este mundo, tua vinda
    Foi o fruto do pecado !


    Dum pecado que persiste
    A marcar a tua vida ...
    Uma esperança tão triste
    Feita de esperança perdida !


    Como é negro o teu destino !
    De olhos molhados, menino ...


    É que não ter o calor
    De mãe, de pai ou de alguém,
    É viver-se sem amor ,
    Sem carinho de ninguém !


    No rosto sujo teus olhos
    Que trazem tanta amargura,
    Mostram bem teu mar de escolhos,
    Menino órfão de ventura !


    De olhos molhados, menino ...
    Como é triste o teu destino !






    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO


    do livro " Outono da Vida "

    29 de maio de 2009

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA - do livro " MAR BRANCO "

    NO TEU CORPO QUENTE


    Regressei ao horizonte
    no teu corpo quente

    Penetrei o meu ser
    no teu ser ansioso

    És o tudo…sou o tudo…
    És o nada, também

    Toquei no teto-universo…
    e encontrei-me em ti

    Já posso partir
    para o horizonte

    Para o meu gene perdido
    Que sou eu

    Tive o tudo
    tenho o nada
    Sou só …. o regressado

    Vivo suspenso do teu corpo quente
    Vivo suspenso no teu corpo quente
    Vivo suspenso no teu corpo quente.



    Fernando Monteiro da Câmara Pereira - Dez.1980

    (Um açoriano nascido Mariense )

    27 de maio de 2009

    * Quero Acabar Entre Rosas ... * poema de Álvaro de Campos

    Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
    Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
    Falem pouco, devagar.
    Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.
    O que quis? Tenho as mãos vazias,
    Crispadas febrilmente sobre a colcha longínqua.
    O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
    O que vivi? Era tão bom dormir!



    Álvaro de Campos, in "Poemas"
    Heterónimo de Fernando Pessoa

    26 de maio de 2009

    * Femina * de Soares Feitosa

    Não lavei os seios
    pois tinham o calor
    da tua mão.

    Não lavei as mãos
    pois tinham os sons
    do teu corpo.


    Não lavei o corpo
    pois tinha os rastos
    dos teus gestos;
    tinha também, o meu corpo,
    a sagrada profanação
    do teu olhar
    que não lavei.


    Nem aqueles lençóis,
    não os lavei,
    nem os espelhos,
    que continuam
    onde sempre estiveram:
    porque eles nos viram
    cúmplices, e a paixão,
    no paraíso,
    parece que era.


    Lavei, sim,
    lavei e perfumei
    a alma, em jasmim,
    que é tua, só tua,
    para te esperar
    como se nunca tivesses ido
    a nenhum lugar:
    donde apaguei
    todas as ausências
    que apaguei
    ao teu olhar.



    SOARES FEITOSA

    25 de maio de 2009

    Desperta, Amor....poema de JOSÉ MARIA LOPES DE ARAUJO

    DESPERTA, AMOR


    São teus meus versos, versos que escrevi,
    À luz da Lua, em noites estivais,
    A reviver as horas que vivi …
    Sonhos de amor que não voltaram mais.

    Rolaram meses, anos, na voragem
    Do tempo que já tudo destroçou …
    Somente, emoldurada, a tua imagem,
    Dentro em minha alma, estática, ficou!

    Por que não vens, mulher, por que não vens
    Dizer-me que me queres tanto, enfim,
    Como então me querias, se ainda tens
    O coração a palpitar por mim?

    Por que motivo tentas esconder,
    No olhar furtivo, o amor que te atormenta?
    Não turves a alegria de viver,
    Que, assim, da própria vida se afugenta?

    E dá-me as tuas mãos, as mãos que, um dia,
    Afagaram meu rosto, ternamente …
    Desperta, amor, que a vida é agonia
    Dos céleres minutos do presente! …




    José Maria Lopes de Araújo

    do livro

    REMOS PARTIDOS

    21 de maio de 2009

    CADA COISA ....poema de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

    Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
    Não florescem no inverno os arvoredos,
    Nem pela primavera
    Têm branco frio os campos.

    Á noite, que entra, não pertence, Lídia,
    O mesmo ardor que o dia nos pedia.
    Com mais sossego amemos
    A nossa incerta vida.

    À lareira, cansados não da obra
    Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
    Não puxemos a voz
    Acima de um segredo,

    E casuais, interrompidas, sejam
    Nossas palavras de reminiscência
    (Não para mais nos serve
    A negra ida do Sol) —

    Pouco a pouco o passado recordemos
    E as histórias contadas no passado
    Agora duas vezes
    Histórias, que nos falem

    Das flores que na nossa infância ida
    Com outra consciência nós colhíamos
    E sob uma outra espécie
    De olhar lançado ao mundo.

    E assim, Lídia, à lareira, como estando,
    Deuses lares, ali na eternidade,
    Como quem compõe roupas
    O outrora compúnhamos

    Nesse desassossego que o descanso
    Nos traz às vidas quando só pensamos
    Naquilo que já fomos,
    E há só noite lá fora.


    Ricardo Reis ( Fernando Pessoa )

    19 de maio de 2009

    SINTO poema de Vitor Cintra

    Sinto crescer a vontade
    De perceber se o que dizes,
    Entre risadas felizes,
    É ou não é a verdade,
    Ou só disfarça deslizes.

    Sinto crescer o desejo
    De te cingir nos meus braços,
    P'ra te prender com abraços,
    E arrancar-te num beijo
    Todos os teus embraraços.

    Sinto crescer a ideia
    De que, bem mais do que mostras,
    São bem reais as propostas
    Duma visão que incendeia
    Esse viver, de que gostas.





    VITOR CINTRA

    Do Livro " Pedaços do Meu Sentir"

    Á venda nas livrarias

    18 de maio de 2009

    AMOR QUE MORRE poema de FLORBELA ESPANCA

    O nosso amor morreu... Quem o diria?
    Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
    Ceguinha de te ver, sem ver a conta
    Do tempo que passava, que fugia!

    Bem estava a sentir que ele morria...
    E outro clarão, ao longe, já desponta!
    Um engano que morre... e logo aponta
    A luz doutra miragem fugidia...

    Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
    São precisos amores, pra morrer,
    E são precisos sonhos pra partir.

    E bem sei, meu Amor, que era preciso
    Fazer do amor que parte o claro riso
    De que outro amor impossível que há-de vir!

    FLORBELA ESPANCA

    A RUA DOS CATAVENTOS de Mário Quintana

    Da vez primeira em que me assassinaram,
    Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
    Depois, a cada vez que me mataram,
    Foram levando qualquer coisa minha.

    Hoje, dos meu cadáveres eu sou
    O mais desnudo, o que não tem mais nada.
    Arde um toco de Vela amarelada,
    Como único bem que me ficou.

    Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
    Pois dessa mão avaramente adunca
    Não haverão de arracar a luz sagrada!

    Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
    Que a luz trêmula e triste como um ai,
    A luz de um morto não se apaga nunca!



    Mario Quintana

    17 de maio de 2009

    O AMOR poema de FERNANDO PESSOA

    O Amor

    O amor, quando se revela,
    Não se sabe revelar.
    Sabe bem olhar p'ra ela,
    Mas não lhe sabe falar.

    Quem quer dizer o que sente
    Não sabe o que há de *dizer.
    Fala: parece que mente
    Cala: parece esquecer

    Ah, mas se ela adivinhasse,
    Se pudesse ouvir o olhar,
    E se um olhar lhe bastasse
    Pr'a saber que a estão a amar!

    Mas quem sente muito, cala;
    Quem quer dizer quanto sente
    Fica sem alma nem fala,
    Fica só, inteiramente!

    Mas se isto puder contar-lhe
    O que não lhe ouso contar,
    Já não terei que falar-lhe
    Porque lhe estou a falar..


    Fernando Pessoa

    15 de maio de 2009

    " PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
    lançamento do livro de
    VITOR CINTRA



    No próximo dia 16 de Maio, às 19,00 horas, no Auditório - Campo Grande nº 56, em Lisboa - será a apresentação deste novo livro de poemas, publicado sob a chancela da editora «Temas Originais, Lda».
    O livro, em cuja capa se reproduz uma tela da pintora Alvani Borges, tem Prefácio do poeta António Paiva e será apresentado pelo poeta Xavier Zarco.

    14 de maio de 2009

    O QUE HÁ ...de Álvaro de Campos

    O que há

    O que há em mim é sobretudo cansaço —
    Não disto nem daquilo,
    Nem sequer de tudo ou de nada:
    Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
    Cansaço.

    A subtileza das sensações inúteis,
    As paixões violentas por coisa nenhuma,
    Os amores intensos por o suposto em alguém,
    Essas coisas todas —
    Essas e o que falta nelas eternamente —;
    Tudo isso faz um cansaço,
    Este cansaço,
    Cansaço.

    Há sem dúvida quem ame o infinito,
    Há sem dúvida quem deseje o impossível,
    Há sem dúvida quem não queira nada —
    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
    Porque eu amo infinitamente o finito,
    Porque eu desejo impossivelmente o possível,
    Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
    Ou até se não puder ser...

    E o resultado?
    Para eles a vida vivida ou sonhada,
    Para eles o sonho sonhado ou vivido,
    Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
    Para mim só um grande, um profundo,
    E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
    Um supremíssimo cansaço,
    Íssimo, íssimo, íssimo,
    Cansaço...




    Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

    12 de maio de 2009

    DOR DA SOLIDÃO de Antonio Manoel Abreu Sardenberg

    Não existe dor maior
    Que a dor da solidão...
    É dor cruel e perversa
    Que não aceita conversa
    E nem mesmo explicação!
    É dor do só, do sozinho,
    É carência de carinho,
    Seu sintoma é a paixão.

    E essa dor tão doída
    Que tanto maltrata a gente
    Chega assim tão de repente
    Sem sequer bater na porta.
    Para ela pouco importa
    Se está matando o doente,
    Se a "Inês é quase morta".

    É uma dor que aniquila,
    Que castiga, que maltrata,
    É mais forte que a tequila
    Mais ardente que a cachaça.
    É pior que a dor que tomba,
    Mais cruel que a dor que mata.



    Antonio Manoel Abreu Sardenberg

    11 de maio de 2009

    SIMULTANEIDADE de Mário Quintana

    - Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar!

    Eu quero viver!
    - Você é louco?
    - Não, sou poeta.




    Mario Quintana

    7 de maio de 2009

    Ai de Quem Ama ....poema de Vinicius de Moraes

    Quanta tristeza
    Há nesta vida
    Só incerteza
    Só despedida

    Amar é triste
    O que é que existe?
    O amor

    Ama, canta
    Sofre tanta
    Tanta saudade
    Do seu carinho
    Quanta saudade

    Amar sozinho
    Ai de quem ama
    Vive dizendo
    Adeus, adeus

    Vinícius de Moraes

    29 de abril de 2009

    O Encanto de Teus Olhos... de poema de CIRO DI VERBENA

    O encanto de teus olhos verdes, claros,
    Brilhantes astros sempre reluzentes,
    É tudo o que há de mais valioso e caro
    Que eu posso vislumbrar à minha frente!

    E encanta-me esse brilho intenso e raro,
    Invadindo minha alma, mansamente,
    Toda vez que ao acaso me deparo,
    Com esse teu olhar triste e carente!

    Teu olhar tem a essência do carinho;
    Convida os corações aventureiros
    A sorver desse encanto o puro vinho...

    E esse olhar é um abismo traiçoeiro;
    Cada vez que te encontro em meu caminho
    Nesse olhar eu mergulho, corpo inteiro!...


    Ciro Di Verbena

    26 de abril de 2009

    ALMA PERDIDA de Florbela Espanca

    Toda esta noite o rouxinol chorou,
    Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
    Alma de rouxinol, alma da gente,
    Tu és, talvez, alguém que se finou!

    Tu és, talvez, um sonho que passou,
    Que se fundiu na Dor, suavemente...
    Talvez sejas a alma, a alma doente
    Dalguém que quis amar e nunca amou!

    Toda a noite choraste... e eu chorei
    Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
    Que ninguém é mais triste do que nós!

    Contaste tanta coisa à noite calma,
    Que eu pensei que tu eras a minh'alma
    Que chorasse perdida em tua voz!...


    Florbela Espanca

    24 de abril de 2009

    Arrependimento....poema de Josias da Silva

    Se uma angústia voraz me desespera
    E me perco nos caminhos onde ando,
    Imploro teu carinho sempre e quando
    O amor faz em meu corpo primavera!

    E grito de paixão, mesmo calando,
    Pois meu silêncio é a forma mais sincera
    Com que posso mostrar quanto eu quisera
    Viver de amor... Sem mais penar cantando!

    Sinto esvair em mim a juventude;
    E tudo o que eu desejo na velhice
    É moldar meus defeitos na virtude,

    Sem mais arrepender-me da tolice
    Pelos amores todos que não pude
    Viver... (Ou que, por timidez, não disse!)




    JOSIAS DA SILVA

    22 de abril de 2009

    SOLITÁRIO NUM CAMINHO ESCURO de " Rui Ressurreição "

    Solitário num caminho escuro
    perguntei ao vento
    por que a minha vida era frágil e leve
    e por que eu estava na corda bamba
    dançando ao sabor das marés
    ...
    avistei o mar
    e gritei no firmamento
    por que sofria angústias e temores
    dores e remorsos de não ter feito
    sabendo que tinha tudo dentro de mim
    ...
    quem sou eu neste mundo?
    neste oceano profundo que me engole
    e me devora as entranhas
    num festival de sensações de afogamento
    em mágoas e choros
    de encontro à luz duma vida sem carinho
    nem esperança
    nem vislumbre de dias melhores
    dentro do meu ser
    dentro do meu viver
    ...
    eu bato a todas as portas
    eu abro a minha mente e a minha alma
    eu procuro
    eu negoceio com o destino
    por entre cartas jogadas por baixo da mesa
    com rasteiras implacáveis
    dos vendilhões dos templos modernos
    desta loucura de correrias e devaneios
    pelas avenidas da falsidade
    mas...
    mas eu quero resistir a este devorador de ideias
    e acariciador de almas desoladas
    em poços de amargura
    que já não têm salvação
    a não ser com a gratidão interior
    ao criador do nosso mundo
    em tudo o que há de mais profundo...


    poema original de

    RUI RESSURREIÇÃO
    DIA 27.07.2008,ÀS 4:38.

    20 de abril de 2009

    Porque Escondes a Noite no teu Ventre? de JOAQUIM PESSOA


    Porque escondes a noite no teu ventre?
    Nesse país de sombra onde se calam as palavras.
    Aí, no escuro lago onde estremece a flor da amendoeira
    E onde vão morrer todos os cisnes.

    Eu desvendo a tua dor, o teu mistério
    De caminhares assim calada e triste,
    Quando viajo em ti com as mãos nuas e o coração louco
    No mais fundo de ti, onde só tu existes.

    Oh, eu percorro as tuas coxas devagar
    Dobrando-as lentamente contra o peito
    E penetro em delírio a tua noite
    Esporeando éguas no teu sangue.
    De onde me chegam estas palavras?


    Joaquim Pessoa

    17 de abril de 2009

    RAIOS DE LUZ poema de Rui Ressurreição

    Rios de luz...

    uma cruz que vou deixar para trás

    um cabaz de soluções,

    para os corações, frios e duros

    que vão ficar puros e limpos de traumas

    e assim caminhar pela vida de cabeça erguida,

    na procura da felicidade



    poema original de RUI RESSURREIÇÃO

    DIA 25.09.2008,ÀS 15:21

    15 de abril de 2009

    POEMA de Rui Ressurreição


    Água...

    Mar...

    Pôr-do-sol.

    Duas almas

    ao encontro

    de si mesmas,

    numa pureza

    de embalar emoções...

    rios de sensações

    que correm pelos

    subterrâneos da mente,

    que contente,

    avança sem medo,

    apenas em segredo,

    ondula na suavidade do

    teu coração,

    que com gratidão,

    amanhece todos os dias,

    com alegria

    e energia,

    para se renovar

    na sua forma de amar.



    POEMA ORIGINAL DE RUI RESSURREIÇÃO

    7 DE FEVEREIRO 2009,1:35

    14 de abril de 2009

    DA DISCRIÇÃO de Mário Quintana

    Não te abras com teu amigo
    Que ele um outro amigo tem.
    E o amigo do teu amigo
    Possui amigos também...

    Mario Quintana

    12 de abril de 2009

    Gozo IX de Maria Teresa Horta

    GOZO IX


    Ondula mansamente a tua lingua
    de saliva tirando
    toda a roupa...

    já breves vêm os dias
    dentro de noites já
    poucas.


    Que resta do nosso
    gozo
    se parares de me beijar?

    Oh meu amor...
    devagar...
    até que eu fique louca!

    Depois... não vejas o mar
    afogado em minha
    boca!




    Maria Teresa Horta

    11 de abril de 2009

    A SECRETA VIAGEM de David Mourão_Ferreira

    No barco sem ninguém, anónimo e vazio,

    ficámos nós os dois ,parados ,de mão dada ...

    Como podem só os dois governar um navio?

    Melhor é desistir e não fazermos nada!

    Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,

    tornamo-nos reais,e de maneira,à proa...

    Que figuras de lenda!Olhos vagos,perdidos...

    Por entre nossas mâos , o verde mar se escoa...

    Aparentes senhores de um barco abandonado,

    nós olhamos,sem ver,a longínqua miragem...

    Aonde iremos ter?- Com frutos e pecado,

    se justifica, enflora, a secreta viagem!

    Agora sei que és tu quem me fora indicada.

    O resto passa ,passa...alheio aos meus sentidos.

    -Desfeitos num rochedo ou salvos na ensseada,

    a eternidade é nossa ,em madeira esculpidos!



    David Mourão_Ferreira

    10 de abril de 2009

    EU TE AMO... NÃO DIZ TUDO!...Arnaldo Jabor

    Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?

    A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

    Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,

    Que zela pela sua felicidade,
    Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,

    Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
    E que dá uma sacudida em você quando for preciso.

    Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,

    É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,
    E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.

    Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

    Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
    Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

    Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
    Sem inventar um personagem para a relação,
    Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

    Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
    Quem não levanta a voz, mas fala;
    Quem não concorda, mas escuta.

    Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!




    Arnaldo Jabor

    9 de abril de 2009

    * JOELHO * de Maria Teresa Horta

    Ponho um beijo
    demorado
    no topo do teu joelho

    Desço-te a perna
    arrastando
    a saliva pelo meio

    Onde a língua
    segue o trilho
    até onde vai o beijo

    Não há nada
    que disfarce
    de ti aquilo que vejo

    Em torno um mar
    tão revolto
    no cume o cimo do tempo

    E os lençóis desalinhados
    como se fosse
    de vento

    Volto então ao teu
    joelho
    entreabrindo-te as pernas

    Deixando a boca
    faminta
    seguir o desejo nelas.


    Maria Teresa Horta

    7 de abril de 2009

    * ILHA * de David Mourão- Ferreira

    Deitada és uma ilha e raramente
    surgem ilhas no mar tão alongadas
    com tão prometedoras enseadas
    um só bosque no meio florescente


    promontórios a pique e de repente
    na luz de duas gémeas madrugadas
    o fulgor das colinas acordadas
    o pasmo da planície adolescente


    Deitada és uma ilha Que percorro
    descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
    Mas nem sabes se grito por socorro


    ou se te mostro só que me inebrias
    Amiga amor amante amada eu morro
    da vida que me dás todos os dias




    David Mourão-Ferreira

    5 de abril de 2009

    ... de Bob Marley

    Os ventos que as vezes tiram
    algo que amamos, são os
    mesmos que trazem algo que
    aprendemos a amar...
    Por isso não devemos chorar
    pelo que nos foi tirado e sim,
    aprender a amar o que nos foi
    dado.Pois tudo aquilo que é
    realmente nosso, nunca se vai
    para sempre...


    Bob Marley

    * Poema Sobre a Recusa * de MariaTeresa Horta

    Como é possível perder-te
    sem nunca te ter achado
    nem na polpa dos meus dedos
    se ter formado o afago
    sem termos sido a cidade
    nem termos rasgado pedras
    sem descobrirmos a cor
    nem o interior da erva.

    Como é possível perder-te
    sem nunca te ter achado
    minha raiva de ternura
    meu ódio de conhecer-te
    minha alegria profunda.



    Maria Teresa Horta


    *******************


    Love of my life, you hurt me,
    You broken my heart, now you leave me.

    Love of my life cant you see,
    Bring it back bring it back,
    Dont take it away from me,
    Because you dont know what it means to me.

    Love of my life dont leave me,
    Youve stolen my love now desert me,

    Love of my life cant you see,
    Bring it back bring it back,
    Dont take it away from me,
    Because you dont know what it means to me.

    You will remember when this is blown over,
    And everythings all by the way,
    When I grow older,
    I will be there by your side,
    To remind how I still love you
    I still love you.

    Hurry back hurry back,
    Dont take it away from me,
    Because you dont know what it means to me.

    Love of my life,
    Love of my life.

    2 de abril de 2009

    OS DEGRAUS .....de Mário Quintana

    Não desças os degraus do sonho
    Para não despertar os monstros.
    Não subas aos sótãos - onde
    Os deuses, por trás das suas máscaras,
    Ocultam o próprio enigma.
    Não desças, não subas, fica.
    O mistério está é na tua vida!
    E é um sonho louco este nosso mundo...




    *****************




    A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
    Quando se vê, já são seis horas!
    Quando de vê, já é sexta-feira!
    Quando se vê, já é natal...
    Quando se vê, já terminou o ano...
    Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
    Quando se vê passaram 50 anos!


    Agora é tarde demais para ser reprovado...
    Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
    Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
    Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
    E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
    Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
    A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.




    Mário Quintana

    31 de março de 2009

    Nem Tudo é Fácil...CECICILA MEIRELES

    Nem tudo é fácil

    É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
    É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
    É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
    É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
    É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
    É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
    É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
    É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
    Se você errou, peça desculpas...
    É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
    Se alguém errou com você, perdoa-o...
    É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
    Se você sente algo, diga...
    É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
    alguém que queira escutar?
    Se alguém reclama de você, ouça...
    É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
    Se alguém te ama, ame-o...
    É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
    Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
    Precisamos acreditar, ter fé e lutar
    para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
    realidade!!!

    Cecília Meireles

    Você Não Me Ensinou a te Esquecer de Bruno Mattoa/Odair José

    VOZ DE " CAETANO VELOSO "

    Não vejo mais você faz tanto tempo
    Que vontade que eu sinto
    De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
    É verdade, eu não minto

    E nesse desespero em que me vejo
    Já cheguei a tal ponto
    De me trocar diversas vezes por você
    Só pra ver se te encontro

    Você bem que podia perdoar
    E só mais uma vez me aceitar
    Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

    Agora, que faço eu da vida sem você?
    Você não me ensinou a te esquecer
    Você só me ensinou a te querer
    E te querendo eu vou tentando te encontrar
    Vou me perdendo
    Buscando em outros braços seus abraços
    Perdido no vazio de outros passos
    Do abismo em que você se retirou
    E me atirou e me deixou aqui sozinho

    Agora, que faço eu da vida sem você?
    Você não me ensinou a te esquecer
    Você só me ensinou a te querer
    e te querendo eu vou tentando me encontrar

    E nesse desepero em que me vejo
    já cheguei a tal ponto
    de me trocar diversas vezes por você
    só pra ver se te encontro

    Você bem que podia perdoar
    E só mais uma vez me aceitar
    Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

    Agora, que faço eu da vida sem você?
    Você não me ensinou a te esquecer
    Você só me ensinou a te querer
    E te querendo eu vou tentando te encontrar
    Vou me perdendo
    Buscando em outros braços seus abraços
    Perdido no vazio de outros passos
    Do abismo em que você se retirou
    E me atirou e me deixou aqui sozinho

    Agora, que faço eu da vida sem você?
    Você não me ensinou a te esquecer
    Você só me ensinou a te querer
    e te querendo eu vou tentando te encontrar
    Vou me perdendo
    Buscando em outros braços seus abraços
    Perdido no vazio de outros passos
    Do abismo em que você se retirou
    E me atirou e me deixou aqui sozinho

    Agora, que faço eu da vida sem você?
    Você não me ensinou a te esquecer
    Você só me ensinou a te querer
    E te querendo eu vou tentando me encontrar

    30 de março de 2009

    SONETO DO CATIVO de David Mourão-Ferreira

    Se é sem dúvida Amor esta explosão
    de tantas sensações contraditórias;
    a sórdida mistura das memórias,
    tão longe da verdade e da invenção;

    o espelho deformante; a profusão
    de frases insensatas, incensórias;
    a cúmplice partilha nas histórias
    do que os outros dirão ou não dirão;

    se é sem dúvida Amor a cobardia
    de buscar nos lençóis a mais sombria
    razão de encantamento e de desprezo;

    não há dúvida, Amor, que te não fujo
    e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
    tenho vivido eternamnete preso!


    David Mourão-Ferreira

    29 de março de 2009

    * Retrato em Branco e Preto * de CHICO BUARQUE


    Já conheço os passos dessa estrada
    Sei que não vai dar em nada
    Seus segredos sei de cor
    Já conheço as pedras do caminho,
    E sei também que ali sozinho,
    Eu vou ficar tanto pior
    E o que é que eu posso contra o encanto,
    Desse amor que eu nego tanto
    Evito tanto e que, no entanto,
    Volta sempre a enfeitiçar
    Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
    Que num álbum de retratos
    Eu teimo em colecionar

    Lá vou eu de novo como um tolo,
    Procurar o desconsolo,
    Que cansei de conhecer
    Novos dias tristes, noites claras,
    Versos, cartas, minha cara
    Ainda volto a lhe escrever
    Pra lhe dizer que isso é pecado,
    Eu trago o peito tão marcado
    De lembranças do passado e você sabe a razão
    Vou colecionar mais um soneto,
    Outro retrato em branco e preto
    A maltratar meu coração


    Chico Buarque

    28 de março de 2009

    " Como Roubar Um Coração " de Luis Fernando Verissimo







    Para se roubar um coração é preciso que seja
    com muita habilidade,
    tem que ser vagarosamente, disfarçadamente,
    não se chega com ímpeto,
    não se alcança o coração de alguém com pressa.

    Tem que se aproximar com meias palavras,
    suavemente, apoderar-se dele
    aos poucos, com cuidado.
    Não se pode deixar que
    percebam que ele será
    roubado, na verdade, teremos que
    furtá-lo, docemente.

    Conquistar um coração de verdade dá
    trabalho, requer paciência, é
    como se fosse tecer uma colcha de retalhos,
    aplicar uma renda em um
    vestido, tratar de um jardim,
    cuidar de uma criança.

    É necessário que seja com destreza,
    com vontade, com encanto,
    carinho e sinceridade.

    Para se conquistar um coração definitivamente
    tem que ter garra e
    esperteza, mas não falo dessa esperteza que
    todos conhecem, falo da
    esperteza de sentimentos, daquela que existe
    guardada na alma em
    todos os momentos.

    Quando se deseja realmente conquistar um
    coração, é preciso que antes
    já tenhamos conseguido conquistar o nosso,
    é preciso que ele já tenha
    sido explorado nos mínimos detalhes, que
    já se tenha conseguido
    conhecer cada cantinho, entender cada espaço
    preenchido e aceitar
    cada espaço vago.

    ...e então, quando finalmente esse coração
    for conquistado, quando
    tivermos nos apoderado dele, vai existir
    uma parte de alguém que
    seguirá connosco.
    Uma metade de alguém que
    será guiada por nós e o
    nosso coração passará a bater por
    conta desse outro coração.

    Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com
    certeza haverá instantes,
    milhares de instantes de alegria.
    Baterá descompassado muitas vezes e
    sabe por quê?
    Faltará a metade dele que
    ainda não está junto de nós.

    Até que um dia, cansado de estar dividido
    ao meio, esse coração
    chamará a sua outra parte e alguém por
    vontade própria sem que
    precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará
    a metade que faltava.

    ... e é assim que se rouba um coração,
    fácil não? Pois é, nós só
    precisaremos roubar uma metade, a outra virá
    na nossa mão e ficará
    detectado um roubo então!

    E é só por isso que encontramos tantas pessoas
    pela vida a fora que
    dizem que nunca mais conseguiram amar
    alguém......é simples.......é
    porque elas não possuem mais coração,
    eles foram roubados, arrancados
    do seu peito, e somente com um grande amor
    ela terá um novo coração,
    afinal de contas, corações são para
    serem divididos, e com certeza
    esse grande amor repartirá o dele com você!!!!



    (Luís Fernando Veríssimo)

    25 de março de 2009

    Soneto da Separação de VINICIUS DE MORAES

    De repente do riso fez-se o pranto
    Silencioso e branco como a bruma
    E das bocas unidas fez-se a espuma
    E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

    De repente da calma fez-se o vento
    Que dos olhos desfez a última chama
    E da paixão fez-se o pressentimento
    E do momento imóvel fez-se o drama.

    De repente, não mais que de repente
    Fez-se de triste o que se fez amante
    E de sozinho o que se fez contente.

    Fez-se do amigo próximo o distante
    Fez-se da vida uma aventura errante
    De repente, não mais que de repente.



    VINICIUS DE MORAES

    23 de março de 2009

    Ah! .....poema de Cacaso





    Ah se pelo menos o pensamento
    não sangrasse!
    Ah se pelo menos o coração
    não tivesse memória!
    Como seria menos linda
    e mais suave minha história!


    (Cacaso)

    20 de março de 2009

    BOB Marley






    As Vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!

    Bob Marley

    16 de março de 2009

    EU poema de FLORBELA ESPANCA





    Eu sou a que no mundo anda perdida,
    Eu sou a que na vida não tem norte,
    Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
    Sou a crucificada... a dolorida...
    *
    Sombra de névoa ténue e esvaecida,
    E que o destino amargo, triste e forte,
    Impele brutalmente para a morte!
    Alma de luto sempre incompreendida!...
    *
    Sou aquela que passa e ninguém vê...
    Sou a que chamam triste sem o ser...
    Sou a que chora sem saber por quê...
    *
    Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
    Alguém que veio ao mundo pra me ver,
    E que nunca na vida me encontrou!


    FLORBELA ESPANCA

    13 de março de 2009

    CANÇÃO de Cecília Meireles




    Pus o meu sonho num navio
    e o navio em cima do mar;
    - depois, abri o mar com as mãos,
    para o meu sonho naufragar


    Minhas mãos ainda estão molhadas
    do azul das ondas entreabertas,
    e a cor que escorre de meus dedos
    colore as areias desertas.


    O vento vem vindo de longe,
    a noite se curva de frio;
    debaixo da água vai morrendo
    meu sonho, dentro de um navio...


    Chorarei quanto for preciso,
    para fazer com que o mar cresça,
    e o meu navio chegue ao fundo
    e o meu sonho desapareça.


    Depois, tudo estará perfeito;
    praia lisa, águas ordenadas,
    meus olhos secos como pedras
    e as minhas duas mãos quebradas.



    Cecília Meireles

    7 de março de 2009

    CONTO DE FADAS de Florbela Espanca









    Eu trago-te nas mãos o esquecimento
    Das horas más que tens vivido, Amor!
    E para as tuas chagas o ungüento
    Com que sarei a minha própria dor.

    Os meus gestos são ondas de Sorrento...
    Trago no nome as letras duma flor...
    Foi dos meus olhos garços que um pintor
    Tirou a luz para pintar o vento...

    Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
    O manto dos crepúsculos da tarde,
    O sol que é de oiro, a onda que palpita.

    Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
    Eu sou Aquela de quem tens saudade,
    A princesa de conto: "Era uma vez..."




    Florbela Espanca

    1 de março de 2009

    FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " Um Silêncio Absoluto "



    Escuto

    Escuto o silêncio
    um silêncio absoluto

    Sinto

    sinto o pendular
    da inteligência do meu génio louco

    Escuto

    escuto o eclodir
    da potência no meu primeiro géne

    Sinto

    sinto rasgar-se em cizão
    o espasmo do meu pai primitivo

    Sinto

    Sinto a dinâmica primária
    do alvorecer do dia-calor



    FERNANDO MONTEIRO

    do livro " Mar Branco "


    Poeta da minha Ilha . S.Maria-Açores

    28 de fevereiro de 2009

    TIMIDEZ de Cecilia Meireles




    Basta-me um pequeno gesto,
    feito de longe e de leve,
    para que venhas comigo
    e eu para sempre te leve...

    - mas só esse eu não farei.

    Uma palavra caída
    das montanhas dos instantes
    desmancha todos os mares
    e une as terras mais distantes...

    - palavra que não direi.

    Para que tu me adivinhes,
    entre os ventos taciturnos,
    apago meus pensamentos,
    ponho vestidos noturnos,

    - que amargamente inventei.

    E, enquanto não me descobres,
    os mundos vão navegando
    nos ares certos do tempo,
    até não se sabe quando...

    e um dia me acabarei.



    Cecília Meireles

    27 de fevereiro de 2009

    " E POR VEZES " poema de David Mourão-Ferreira




    E por vezes as noites duram meses
    E por vezes os meses oceanos
    E por vezes os braços que apertamos
    nunca mais são os mesmos E por vezes

    encontramos de nós em poucos meses
    o que a noite nos fez em muitos anos
    E por vezes fingimos que lembramos
    E por vezes lembramos que por vezes

    ao tomarmos o gosto aos oceanos
    só o sarro das noites não dos meses
    lá no fundo dos copos encontramos

    E por vezes sorrimos ou choramos
    E por vezes por vezes ah por vezes
    num segundo se evolam tantos anos


    David Mourão - Ferreira

    25 de fevereiro de 2009

    ESPELHO LOUCO
    poema de Szabó Lfirinc ( Hungria )





    Sucedem coisas novas sem cessar,
    e já estas fora delas. Faço a barba,
    e lembro-me de ti: lágrima larga,
    e paro: dos meus fins metade, par
    foste dos actos livres; oxalá
    tivesses sido mais! Vivo, prossigo
    dia de trabalho, e vão comigo,
    plo caminho, lembrança doce, ávida
    falta... Mas que valem lágrimas e
    caminho, querida, na solidão?
    Realidade, presente, estão aí!
    Só teu espelho te guarda, eu, a alma,
    espelho que solta as imagens, um tão
    louco espelho, que crê bater-te palmas !



    Tradução de : Ernesto Rodrigues
    do Livro ROSA DO MUNDO

    21 de fevereiro de 2009

    CERTEZAS de Adriana Brito




    Não quero alguém que morra de amor por mim...

    Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

    Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
    Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...

    Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...
    E que esse momento será inesquecível...

    Só quero que meu sentimento seja valorizado.
    Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...
    E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

    Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

    Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...

    Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.

    E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

    Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...

    Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
    Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

    Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
    Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.

    Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

    Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...
    Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

    Adriana Britto

    Trovejas Dentro de Mim.... poema de L.G.


    Trovoada sim, trovoada não,
    Trovejas dentro de mim.
    No silêncio dos trovões e na escuridão dos clarões
    invade-me um frio nordestino,
    rebelião vespertina que esgota o ar dos pulmões.
    Tempestade sim, tempestade não,
    cintilam as estrelas;
    Muitas daquelas que apontei até os dedos cravejar.
    São temporais de ida e volta
    que o são para não mais voltar. 


    Luis Gabriel
    21/2/2009

    13 de fevereiro de 2009

    * MUDE * de Edson Marques


    Mas comece devagar, porque a direção
    é mais importante que a velocidade.
    Mude de caminho, ande por outras ruas,
    observando os lugares por onde você passa.
    Veja o mundo de outras perspectivas.
    Descubra novos horizontes.

    Não faça do hábito um estilo de vida.

    Ame a novidade.
    Tente o novo todo dia.
    O novo lado, o novo método, o novo sabor,
    o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
    Busque novos amigos, tente novos amores.
    Faça novas relações.
    Experimente a gostosura da surpresa.
    Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
    Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
    Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.

    Mude.
    Dê uma chance ao inesperado.
    Abrace a gostosura da Surpresa.

    Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.

    Lembre-se de que a Vida é uma só,
    e decida-se por arrumar um outro emprego,
    uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
    mais digno, mais humano.
    Abra seu coração de dentro para fora.

    Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

    Exagere na criatividade.
    E aproveite para fazer uma viagem longa,
    se possível sem destino.
    Experimente coisas diferentes, troque novamente.
    Mude, de novo.
    Experimente outra vez.
    Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
    mas não é isso o que importa.
    O mais importante é a mudança,
    o movimento, a energia, o entusiasmo.

    Só o que está morto não muda !


    EDSON MARQUES

    12 de fevereiro de 2009

    Opinião de um homem sobre o corpo feminino! .....PAULO COELHO






    Opinião de um homem sobre o corpo feminino!

    Não importa o quanto pesa.
    É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher.
    Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.

    Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim.
    Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem.
    Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.

    As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas....
    Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo.
    As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem.
    Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

    Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura.
    A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

    A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem.
    Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa.
    Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.

    As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas.. Porque razão as cobrem com calças longas?
    Para que as confundam conosco?
    Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto.
    Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim.
    Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.

    É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.

    Entendam de uma vez!
    Tratem de agradar a nós e não a vocês.
    Porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.
    Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com
    sinceridade, que outra mulher é linda.

    As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes.
    Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado.
    O corpo muda... cresce.
    Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.
    Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

    Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas.
    Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se saboteia e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

    Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza.
    São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram!
    O corpo da mulher é a prova de que Deus existe.
    É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
    Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!

    A beleza é tudo isto.



    ( Paulo Coelho)

    9 de fevereiro de 2009

    poema de Velimir Khlébnikov

    Tempos-juncos
    Na margem do lago,
    Onde as pedras são tempo,
    Onde o tempo é de pedra.
    No lago da margem,
    Tempos, juncos,
    Na margem do lago,
    Santos, juntos.

    Tradução de: Augusto de Campos

    8 de fevereiro de 2009

    QUADRILHA de Carlos Drummond de Andrade



    João amava Teresa que amava Raimundo,
    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
    que não amava ninguém.

    João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
    Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
    Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
    que não tinha entrado na históri
    a.


    Carlos Drummond de Andrade

    7 de fevereiro de 2009

    CURA DO CANCRO


    Recebido por e-mail, achei importante divulgar




    Um médico italiano descobriu algo simples que considera a causa do Cancro.

    Inicialmente banido da comunidade médica italiana, foi aplaudido de pé na Associação Americana contra o Cancro quando apresentou a sua terapia.

    O médico observou que todos os doentes com Cancro têm aftas. Isso já era do conhecimento da comunidade médica, mas sempre foi tratada como uma infecção oportunista por fungos - Candida albicans.
    Esse médico achou muito estranho que todos os tipo de Cancro tivessem essa característica, ou seja, vários são os tipos de tumores mas todos têm em comum o aparecimento das famosas aftas no doente.

    Então, pode estar ocorrendo o contrário - pensou ele.

    A causa do Cancro pode ser o fungo.
    E, para tratar esse fungo, usa-se o medicamento mais simples que a humanidade conhece: bicarbonato de sódio.
    Assim ele começou a tratar os seus pacientes com bicarbonado de sódio, não apenas ingerível, mas metódicamente controlado sobre os tumores.
    Resultados surpreendentes começaram a acontecer.
    Tumores de pulmão, próstata e intestinos desapareciam como num passe de mágica, junto com as Aftas!

    Desta forma, muitos pacientes de Cancro foram curados e hoje comprovam com os seus exames os resultados altamente positivos do tratamento.

    Para quem se interessar mais pelo assunto, siga o link (em inglês): não deixem de ver o video, no link abaixo.
    O médico fala em italiano, mas tem legendas em português.----->

    http://www.curenaturalicancro.com>
    /


    Lá estão os métodos utilizados para aplicação do bicarbonado de sódio sobre os tumores.
    Quaisquer tumores podem ser curados com este tratamento simples e barato.
    Parece brincadeira, não é?
    Mas foi notícia nos EUA e nunca chegou cá (para variar).
    Bem que o livro de Homeopatia recomenda tratar tumores com Borax, que é o remédio Homeopático para as aftas.
    Afinal, uma boa notícia no meio de tantas más.

    De novo, a pergunta que não quer calar: por que é que a grande imprensa não dá a menor cobertura a isto?
    Nem na TV, nem nas rádios, nem nos jornais de grande tiragem... Absolutamente nada. Quem os proíbe de noticiar?
    O médico teve que construir o seu próprio site para poder divulgar o seu trabalho de curar o Cancro (ou, pelo menos, várias das suas formas), usando apenas uma solução de bicarbonato de sódio a 20%.
    Imaginem! Bicarbonato de sódio, uma coisa que nós encontramos em qualquer farmácia ou drogaria de esquina.

    Neste link está o vídeo, aonde o médico italiano mostra a evolução do tratamento de 4 casos até á sua completa cura:
    http://www.cancer-fungus.com/sub-v1pt/sub-pt.html
    /



    Se quiser ver em português, vá a este site e basta clicar nas bandeirinhas no alto da página e muda para o idioma pretendido:


    http://www.cancerfungus.com/simoncini-cancro-fungo.php#



    Certamente que os Laboratórios não estão interessados em que esta noticia se espalhe, afinal de contas lá se vão os grandes lucros nos medicamentos que eles fabricam para uma doença tão grave que pode ser curada simplesmente com bicarbonato de sódio a 20% que custa uns simples cêntimos.


    DIVULGA NO TEU BLOG




    6 de fevereiro de 2009

    * Perguntei a um Sábio * de William Shakespeare

    Dedicado ao meu marido, hoje no nosso 33º. Aniversário de casamento.





    Perguntei a um sábio,
    a diferença que havia
    entre amor e amizade,
    ele me disse essa verdade...
    O Amor é mais sensível,
    a Amizade mais segura.
    O Amor nos dá asas,
    a Amizade o chão.
    No Amor há mais carinho,
    na Amizade compreensão.
    O Amor é plantado
    e com carinho cultivado,
    a Amizade vem faceira,
    e com troca de alegria e tristeza,
    torna-se uma grande e querida
    companheira.
    Mas quando o Amor é sincero
    ele vem com um grande amigo,
    e quando a Amizade é concreta,
    ela é cheia de amor e carinho.
    Quando se tem um amigo
    ou uma grande paixão,
    ambos sentimentos coexistem
    dentro do seu coração.


    William Shakespeare

    2 de fevereiro de 2009

    AS CEM REZÕES DO AMOR
    de Carlos Drummond de Andrade





    Eu te amo porque te amo,
    Não precisas ser amante,
    e nem sempre sabes sê-lo.
    Eu te amo porque te amo.
    Amor é estado de graça
    e com amor não se paga.

    Amor é dado de graça,
    é semeado no vento,
    na cachoeira, no eclipse.
    Amor foge a dicionários
    e a regulamentos vários.

    Eu te amo porque não amo
    bastante ou demais a mim.
    Porque amor não se troca,
    não se conjuga nem se ama.
    Porque amor é amor a nada,
    feliz e forte em si mesmo.

    Amor é primo da morte,
    e da morte vencedor,
    por mais que o matem (e matam)
    a cada instante de amor.


    Carlos Drummond de Andrade

    21 de janeiro de 2009

    SONETO CV de ......William Shakespeare





    Não chame o meu amor de Idolatria
    Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
    Pois todo o meu cantar a um só se alia,
    E de uma só maneira eu o proclamo.
    É hoje e sempre o meu amor galante,
    Inalterável, em grande excelência;
    Por isso a minha rima é tão constante
    A uma só coisa e exclui a diferença.
    'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
    'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
    E em tal mudança está tudo o que primo,
    Em um, três temas, de amplo movimento.
    'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
    Num mesmo ser vivem juntos agora.



    William Shakespeare

    * CHAMADA * poema de Vitor Cintra









    CHAMADA


    Sinto minha alma afobada
    Por trilhas, cheias de nós,
    Sem perceber a chamada
    Feita, por almas tão sós
    Como a minha alma isolada.

    Solto as amarras do tempo
    E o pensamento, veloz,
    Corre ao sabor do momento,
    Quando o momento dá voz
    Ao meu veloz pensamento.


    VITOR CINTRA

    Do livro " Murmúrios "

    20 de janeiro de 2009

    E DE REPENTE É NOITE poema de Salvatore Quasimodo ( Itália )






    E DE REPENTE É NOITE


    Cada um está só sobre o coração da terra
    Trespassado por um raio de sol:
    E de repente é noite.


    SALVATORE QUASIMODO

    18 de janeiro de 2009

    Silêncios poema de ÂNGELO GOMES






    Os meus silêncios são cruéis e duros,
    Nas trevas dos dias que me ensombram,
    Nas noites em branco que me tombam,
    Nas lágrimas, nos vales e nos muros

    Será que sabes ler-me sem me ler?
    Será que no teu peito ainda existo?
    Ou fui sublinhado em mero risco
    Daqueles sem expressão e sem se ver?

    Que raros são os momentos de paixão...
    Que emergem de caudais de solidão
    E se fecham em silêncios de ternura...

    Segue os trilhos dos minutos que viveste
    Pergunta a ti própria se cresceste...
    Abre as portas aos riachos da censura


    Ângelo Gomes


    Publicado no Recanto das Letras em 03/09/2006
    Código do texto: T232092

    15 de janeiro de 2009

    " FUMO " poema de Florbela Espanca





    Longe de ti são ermos os caminhos,
    Longe de ti não há luar nem rosas,
    Longe de ti há noites silenciosas,
    Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

    Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
    Perdidos pelas noites invernosas...
    Abertos, sonham mãos cariciosas,
    Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

    Os dias são Outonos: choram... choram...
    Há crisântemos roxos que descoram...
    Há murmúrios dolentes de segredos...

    Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
    E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
    Fumo leve que foge entre os meus dedos!...



    Florbela Espanca

    13 de janeiro de 2009

    TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDICULAS de Álvaro de Campos








    Todas as cartas de amor são
    Ridículas.
    Não seriam cartas de amor se não fossem
    Ridículas.
    Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
    Como as outras,
    Ridículas.

    As cartas de amor, se há amor,
    Têm de ser
    Ridículas.

    Mas, afinal,
    Só as criaturas que nunca escreveram
    Cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    Quem me dera no tempo em que escrevia
    Sem dar por isso
    Cartas de amor
    Ridículas.

    A verdade é que hoje
    As minhas memórias
    Dessas cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    (Todas as palavras esdrúxulas,
    Como os sentimentos esdrúxulos,
    São naturalmente
    Ridículas.)

    Álvaro de Campos

    11 de janeiro de 2009

    * AMIGOS * de Paulo Sant'Ana






    Neste dia de Aniversário do meu amigo e POETA " VITOR CINTRA ", dos Blogs Um Poema de Vez em Quando e A poesia de VITOR CINTRA, dedico-lhe este texto, com votos de um feliz aniversário.

    *****************************************



    Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

    A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

    A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

    Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

    Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

    Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

    Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!


    Paulo Sant'Ana


    PAULO SANT'ANA