
Abaixo deixo um texto que escrevi e publiquei em 2004 no meu blog
ALMA DE POETA
Para além do texto, os testmunhos deixados por várias pessoas merecem ser lidos;
http://almadepoeta.blogspot.com/2004/09/filha-de-um-amor-proibido_28.html
Baseou-se num relato da minha própria experiência.
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Terça-feira, Setembro 28, 2004
Filha de Um Amor Proibido
Os jovens de hoje não sabem que, na minha geração, haviam
crianças nascidas fora do casamento, e em cujo registo pessoal
constava o nome da Mãe, tendo por pai, um “ Pai Incógnito”.
Estas crianças, eram estigmatizados como, os filhos do pecado,
da vergonha, os filhos da outra.
Eram os filhos fora do casamento, os bastardos.
É que o registo obrigatório com nome de pai é recente, e eu já
sou "Cota".
Para a nova geração onde todos à nascença são registados com o
nome de mãe e de um pai, verdadeiro ou não, não lhes é fácil
explicar o que é viver com o facto diário de ser filha de” pai
incógnito”.
Tendo eu passado por essa experiência, não me é difícil
explicar o que é ser filha de Pai Incógnito.
Hoje na maioria das Repartições Públicas todas achamos uma
grande maçada, ter de preencher formulários, para mim, passou
a ser, uma bênção.
Em alguns desses formulários tinha de mencionar o nome de Mãe
e de Pai, então lá vinha o tormento ---Pai Incógnito --- .Isto
era dito em voz baixa, tentando que ninguém ouvisse, na
maioria dos casos não resultava, por esse mesmo motivo, era
obrigada a repetir mais alto, sendo motivo para que toda a
plateia se virasse para ver quem era a santa alminha que era
fruto de tamanho pecado, e mais, ser confrontada com olhares
de censura indirecta, em alguns casos estampado um leve
sorriso de superioridade, e talvez que, se eu lhes lesse o
pensamento…estaria lá bem patente “ aquela é filha da mãe”.
O mesmo acontecia na escola, sempre que a professora me
perguntava o nome dos meus pais, eu respondia o nome da minha
mãe, ela, pensando que eu não tinha entendido que o pretendido
era nome dos PAIS, lá eu era obrigada, envergonhadamente a
dizer “Pai Incógnito “
Ser filha de Pai Incógnito no meu caso, era doloroso,
porquanto não me conformava em conhecer o meu PAI e ser
reconhecida por ele, e esse facto não ser aceite pela própria
sociedade .
A censura ao mesmo tempo recai , naquele homem que traiu a
esposa, e que nem se envergonha do seu próprio pecado, quando
se proclama pai .
A filha de Pai Incógnito, cuja responsabilidade de estar
vivendo esse “ horror “ era o pecado dos progenitores , O
Pecado de um Amor Proibido……sendo eu portanto a filha de um
amor proibido.
Ser filha de Pai Incógnito, é também sentir nos nossos meios
irmãos esse rancor, porque somos a vergonha que manchou o seio
da sua família, a mágoa com que a mãe deles acorda e adormece.
Outra mesma frente de retracção, se verifica nos outros meios
irmãos, os filhos do novo casamento da mãe, esses sim, filhos
de um pai e de uma mãe, que têm na família um patinho feio,
que lhes lembra não a traição da mãe, mas o pecado dela.
Isso que atrás descrevi é a minha experiência, sentida na pele
de criança.
Hoje a sociedade mudou, existem filhos de pais assumidos que
nunca viram a cara dos seus filhos, nunca pegaram neles ao
colo, nunca lhes deram tão pouco um pouco de carinho…..ou
mesmo, um pedaço de pão.
Meu Pai Homem de bem, homem culto e com uma visão fora da sua
época, nunca precisou de Instituições que o obrigassem a
reconhecer as suas obrigações de Pai , no sentido amplo da
palavra, soube ultrapassar todos os obstáculos, próprios da
época afirmando aos amigos e família sem nenhum tipo de
preconceito ” Esta é a minha filha”.
Felizmente foram ultrapassadas essas Imposições de uma
sociedade fascista, falsa e preconceituosa.
Hoje só quero mesmo é relembrar o homem que adorei, que adoro
e a quem chamei Pai sem que por isso tenha de exibir o BI….a
minha homenagem a ele , meu PAI, .....
A minha homenagem a minha MÂE, que foi marginalizada, apontada
pela sociedade, que viveu esse amor, pagando caro o seu
“pecado” .
Benditos sejam vocês os dois que pecaram, para que eu
existisse e, hoje esteja aqui falando para a nova geração
sobre a minha experiência de ser filha de Pai Incógnito.
O nome dessa grande Mulher, minha MÃE é ELVIRA, nome dado também á minha neta.
O nome do HOMEM, mais PAI e corajoso que alguma vez conheci e do qual me orgulho, é JOÂO.
http://almadepoeta.blogspot.com/2004/09/filha-de-um-amor-proibido_28.html
POSTADO POR : Alma de Poeta ÁS: 02:10
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Um dia possívelmente lerei uma outra história.
" ORFÃ DE PAI VIVO "
Pode-se num dia amar um homem ou uma mulher e deixar de se amar, faz parte do ciclo do amor e da vida.
Amar um filho/a não é só pegar no colo, mostra-la socialmente dizendo que é filha.
Amar um filho/a é viver o momento, o crescimento. Partilhar as dores as alegrias, as febres, o nascer dos dentes, a primeira palavra, o prmeiro sorriso.
É também, perder as noites na doença, nas insónias do filhos, faz parte da nossa etapa de pais, assim tal como os nossos pais, já passaram pelo mesmo.
Faz parte também, trabalhar para além das horas, quando o ordenado é pouco, para que nada falta a um filho, é isso, amor.
Trabalhar para além das horas normais, para viver momentos egoistas de prazer próprio, dar o nome a um filho numa certidão de nascimento e acreditar que essa criança vai viver do ar e de água e que não necessita de amor e carinho, e colo e brincar, Isso é infantilidade, é ser pai quando ainda não se cresceu em mentalidade.
É irresponsabilidade!
Há homens que o serão para todo o sempre, HOMENS até depois da morte.
Há homens que serão apenas, homenzinhos.
Quem não se ama, não pode amar os outros,menos ainda quando o egoismo prevalece acima de todos os outros valores.
Não há seres perfeitos, mas há gente muito mal acabada.
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Isabel Valente