30 de dezembro de 2012

Pequeno Poema de Sebastião da Gama



Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe..


Sebastião da Gama

21 de dezembro de 2012

Feliz Natal



Nesta época de Natal, desejo a todos os meus visitantes umas boas festas. 
Que Deus nos abençoe a todos e  traga paz  ao mundo e nas nossas almas. 
Trabalho para todos, e comida na mesa dos que nos tempos que correm, passam por diversas necessidades. 
Que todos possamos desenvolver mais em nós os valores humanos, a tolerância para com os outros, e nos lembremos que se Deus é Pai e perante ele, somos todos somos Irmãos, que a dor e aflição, as alegrias e tristezas, as necessidades de qualquer espécie, sentidas pelo meu irmão, seja  para todos nós motivo de compreensão e de dádiva, sendo a maior de todas as dádivas o amor pelo próximo.

A todos um santo e feliz Natal

Beijo 

Isabel Cabral

8 de novembro de 2012

O Amor É Uma Companhia ....de Alberto Caeiro

O amor é uma companhia
O amor é uma companhia. 
Já não sei andar só pelos caminhos, 
Porque já não posso andar só. 
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa 
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo. 

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. 
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. 
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. 
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. 

Todo eu sou qualquer força que me abandona. 
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio. 


Alberto Caeiro




28 de setembro de 2012

De Amor nada Mais Resta que um Outubro ....Natália Correia



De amor nada mais resta que um Outubro 
e quanto mais amada mais desisto: 
quanto mais tu me despes mais me cubro 
e quanto mais me escondo mais me avisto. 

E sei que mais te enleio e te deslumbro 
porque se mais me ofusco mais existo. 
Por dentro me ilumino, sol oculto, 
por fora te ajoelho, corpo místico. 

Não me acordes. Estou morta na quermesse 
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie 
nem teus zelos amantes a demovem. 

Mas quanto mais em nuvem me desfaço 
mais de terra e de fogo é o abraço 
com que na carne queres reter-me jovem. 

Natália Correia, in “Poesia Completa” 

14 de setembro de 2012

O Tempo....William Shakespeare




O tempo é muito lento, para os que esperam.
Muito rápido, para os que tem medo.
Muito longo, para os que lamentam.
Muito curto, para os que festejam.
Mas para os que amam, o tempo é eterno. 

 W.  Shakespeare

28 de agosto de 2012

Beijo...poema de João de Deus



























Beijo na face,
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá !

Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá !

Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
Vá !

Guardo segredo,
Não tenha medo:
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê ! 

 (BEIJO...)

Talvez te leve
O vento em breve,
Flor !
A vida foge,
A vida é hoje,
Amor !

Guardo segredo,
Não tenhas medo
Pois !
Um mais na face,
E a mais não passe !
Dois...

Oh ! dois? piedade !
Coisas tão boas...
Vês ?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três !


Três é a conta
Certinha e justa...
Vês?
E que te custa?
Não sejas tonta !
Três !

Três, sim: não cuides
Que te desgraças:
Vês?
Três são as Graças,
Três as Virtudes;
Três.

As folhas santas
Que o lírio fecham,

Vês?
E não o deixam
Manchar, são... quantas?
Três !



João de Deus
1830-1896

5 de agosto de 2012





Estudar é muito importante, mas pode-se estudar de várias maneiras…
Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.
Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever, mas também a viver, mas
também a sonhar.
É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar, a conhecer os outros, a ajudar os outros, a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo e ter um amigo também é estudar.
Estudar também é repartir, também é saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro, ter uma cabeça que saiba pensar, pois, na escola da vida, primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal é a mais  linda conta que se pode fazer.
Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro, pode ser a mais bela redacção do mundo…
………..Estudar é muito
……………..mas pensar é tudo!

JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

12 de julho de 2012

Amei Demais ....Joaquim Pessoa



Amei DemaisMadruguei demais. Fumei demais. Foram demais 
todas as coisas que na vida eu emprenhei. 
Vejo-as agora grávidas. Redondas. Coisas tais, 
como as tais coisas nas quais nunca pensei. 

Demais foram as sombras. Mais e mais. 
Cada vez mais ardentes as sombras que tirei 
do imenso mar de sol, sem praia ou cais, 
de onde parti sem saber por que embarquei. 

Amei demais. Sempre demais. E o que dei 
está espalhado pelos sítios onde vais 
e pelos anos longos, longos, que passei 

à procura de ti. De mim. De ninguém mais. 
E os milhares de versos que rasguei 
antes de ti, eram perfeitos. Mas banais. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 

18 de junho de 2012

Poema de Afonso Lopes Vieira











Se um inglês ao passar me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem!

se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,

fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.

Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,

fui eu que t'as cedi num dote de princesa.

e para te ensinar a ser correcto já,

coloquei-te na mão a xícara de chá...


E se for um francês que me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem!

Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa

de ter sido cigarra antes da Provença.

Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei

Antes de Montgolfier, um século! Voei

E do teu Imperador as águias vitoriosas

fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas

o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,

por essa Espanha acima, até casa a coxear



E se um Yankee for que me olhar com desdém,

Num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem!

Quando um dia arribei á orla da floresta,

Wilson estava nu e de penas na testa.

Olhava para mim o vermelho doutor,

? eu era então o João Fernandes Labrador...

E o rumo que seguiste a caminho da guerra

Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.



Se for um Alemão que me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem!

Eras ainda a horda e eu orgulho divino,

Tinha em veias azuis gentil sangue latino.

Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...

Siguefredos hei mil, mas de real valor.

Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!

Os Nibelungos meus estão vivos na História.



Se for um Japonês que me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem!

Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!

Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça

belicosa do mundo e do futuro ameaça.

Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda

foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.



Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;

Vejo no firmamento as estrelas de Deus,

e penso que não são oceanos, continentes,

as pérolas em monte e os diamantes ardentes,

que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:

? São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,

extasiado fixou pela primeira vez...

Estrelas coroai meu sonho Português!


P.S.



A um Espanhol, claro está, nunca direi: ? Pois bem!

Não concebo sequer que me olhe com desdém.




Por Afonso Lopes Vieira
1878-1946

7 de junho de 2012

O Conhecido pelo Desconhecido .....Osho






Quando você explora mares desconhecidos, como Colombo fez, o medo existe, um medo imenso, porque ninguém sabe o que vai acontecer. Você está deixando a praia da segurança.

Você está perfeitamente bem, em certo sentido; só uma coisa está faltando — aventura. Enfrentar o desconhecido dá a você certa excitação. O coração começa a pulsar novamente; volta a se sentir vivo, totalmente vivo. Cada fibra do seu ser está vibrando porque você aceitou o desafio do desconhecido.

Aceitar o desafio do desconhecido, apesar de todo o medo, é coragem. Os medos estão ali, mas se você aceita o desafio várias vezes seguidas, devagarinho os medos desaparecem.

A experiência de alegria que o desconhecido traz, o grande êxtase que começa a acontecer com o desconhecido, torna você forte o bastante, lhe dá uma certa integridade, aguça sua inteligência.

Pela primeira vez, você começa a sentir que a vida não é só tédio, mas uma aventura. Então devagar os medos desaparecem; e você não para mais de ir atrás de uma aventura.

Mas, basicamente, coragem é pôr em risco o conhecido em favor do desconhecido, o familiar em favor do estranho, o confortável em favor do desconfortável — árdua peregrinação rumo a um destino desconhecido.

Nunca se sabe se você será capaz de fazer isso ou não. É um jogo arriscado, mas só os jogadores sabem o que é a vida.

Osho

3 de junho de 2012

Não Direi...poema de José Saramago











Não direi :
Que o silêncio me sufoca e amordaça. 
Calado estou, calado ficarei, 
Pois que a língua que falo é de outra raça. 

Palavras consumidas se acumulam, 
Se represam, cisterna de águas mortas, 
Ácidas mágoas em limos transformadas, 
Vaza de fundo em que há raízes tortas. 

Não direi: 
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, 
Palavras que não digam quanto sei 
Neste retiro em que me não conhecem. 

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos, 
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos. 

Só direi, 
Crispadamente recolhido e mudo, 
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago

6 de maio de 2012

Poema " MÃE " do Poeta José Maria Lopes de Araújo








M Ã E


Minha mãe, minha mãe, quanta saudade
Me ronda, nesta hora de tristeza,
Na gelidez da minha soledade,
Tão cheia de amargura e de incerteza!


Há tantos anos já que tu partiste …
Hoje, é um velho o teu bebé de outrora.
Já nada é do que deixaste e viste
Pois sempre que te lembra, sofre e chora.


Hoje, que o tempo marca aquele dia
Que só lembrá-lo ainda me angustia
Me fere e me atormenta de cansaço,

Ai, minha mãe talvez em breve, esteja
Junto de ti, e queira Deus que seja
Para adormecer de novo no teu regaço ! …



José Maria Lopes de Araújo
do livro " Horas Contadas "

4 de maio de 2012

Felicidade...poema de Fernando Pessoa


Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. 
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. 
Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga! 
Se estiver tudo errado, comece novamente. 
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a. 
Se perder um amor, não se perca! 
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa



28 de abril de 2012

A Simplicidade de Existir...Herman Hesse














Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.

A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.

Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.

Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.


A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. 

Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.


Herman Hesse

25 de abril de 2012

Examina a Tua Consciência...... Isabel Cabral


Por vezes, somos tão indiferentes ao sofrimento alheio. Fingimos que não vemos, que não é nada connosco. Acontece que por vezes, a dor também nos bate à porta, essa mesma dor, igual àquela que optámos por disfarçar não ter visto, mesmo ali ao lado, no nosso amigo, nosso irmão, nosso conhecido.
 Nessa altura, o que esperamos receber?
É dando que se recebe.
HUMANIDADE, deve existir em cada um de nós, seres racionais, diferente dos animais, mas quantas vezes bem piores.
Quando eu pedir, numa palavra, num gesto ou olhar, que me apoies, espero que entendas, porque esse gesto, palavra ou olhar, pode ser o espelho onde verás o teu próprio reflexo, qualquer dia.
Quem não tem para dar, uma palavra, um sorriso ou afecto, é tão ou mais pobre do que um mendigo.
O teu umbigo não é certamente, o centro do universo.
Examina a  tua consciência.

Isabel Cabral


23 de abril de 2012

Há Coisas Bonitas na Vida .... Letícia Thompson


Há coisas bonitas na vida.

Bonitas são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas.

Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos...

Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa.

Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente ao amigo, amiga, namorado...

Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças.

Bonito é chorar quando se sentir vontade e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica.

Bonito é gostar da vida e viver do sonho.

Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas.

Bonito é a gente continuar sendo gente em quaisquer situacões.

Bonito é você ser você.


                       
Letícia Thompson



20 de abril de 2012

Amor Incondicional de Silvana Duboc




Tantos tipos de amor tenho visto por aí.

 Amores fracos, desnutridos de coragem; amores fortes, que atravessam
muitas barreiras, mas que em certo momento tropeçam numa

pequena pedra, caem e não conseguem mais se levantar.


De tantos e todos os tipos de amor que conheci, houve um
que jamais esquecerei: o amor incondicional, aquele que
existe apesar de, e que atravessa qualquer tipo de
tempestade, tropeça em muitos obstáculos e mesmo assim
não deixa de existir; não altera a sua rota, não diminui
a sua dimensão, não perde o seu peso, não permite que o
seu brilho seja ofuscado.

Só ama incondicionalmente quem é possuidor de uma alma
grande, e esse tipo de alma normalmente é acompanhada de
um espírito de luz.

Amar assim é não viver subjugado a "mas..." e
"poréns...", é não ter critérios para doar esse amor, é
não exigir troca e abrir mão de reciprocidade.

Quando se ama incondicionalmente tem um espaço dentro do
cérebro que fica reservado em definitivo para que nas
vinte e quatro horas do dia o pensamento não se afaste
do objeto desse amor. Já no coração, não existe um
espaço designado para guardá-lo, porque ele é todo esse
amor, vivenciado e sentido enquanto ele bater.

Amor incondicional não tem orgulho de nenhuma espécie.
Não se envaidece de sua capacidade, nem de sua força,
não tem necessidade de alardear a sua existência, nem
demonstrar o seu imenso universo, ele é simplesmente um
amor humilde, puro e despretensioso e justo por isso se
torna grandioso.

Corações que vivem esse tipo de amor, são generosos,
eternos, mesmo depois que param de bater, são sublimes e
por isso conseguem guardar dentro deles tanta ternura.

Amor incondicional não faz de conta que é, não se obriga
a desistir de si mesmo, não precisa viver de fantasias,
nem andar travestido de ilusões para prosseguir o seu
caminho. Esse amor do qual estou falando é por si só
inteiro, não agoniza e muitas vezes inexiste aos olhos
dos outros, mas quem ama incondicionalmente, sabe a
receita exata de como vivê-lo sem dores.

Felizes daqueles que despertam essa maneira de amar em
alguém, esses sim, têm motivos de sobra para se orgulhar
por terem conseguido atingir de forma tão especial um
coração carregado do mais puro dos sentimentos.

Amor se torna incondicional quando ele já se acomodou
dentro do peito, já se conformou com a estrada que terá
que percorrer e já não há mais possibilidade de derrapar
em nenhuma curva desse caminho, nem ser atropelado por
qualquer dúvida. É quando também, o que ficou para trás
já não importa e o que está por vir não vai mudar nada.

O amor incondicional é aquele que doa o melhor de si,
mesmo que esteja recebendo o pior de alguém, porque ele
não depende de ser querido, nem de ser aceito e não
esmorece se for ignorado.

Esse amor é daqueles amores que no passado já sangraram
muito, latejaram, abriram enormes feridas, mas que ainda
assim não deixaram marcas nem cicatrizes, porque a
partir daí, resplandeceram e passaram a viver em eterno
estado de graça até o instante que se eternizaram.

Há quem diga que o amor incondicional é masoquista, isso
não é verdade, esse tipo de amor é o inútil. O amor
inútil sim, alimenta-se de sofrimento, resiste a tudo
com esperanças de alcançar o seu objetivo, que já ficou
bem claro, não será conquistado. O amor inútil é aquele
que já foi embora mas saiu tão mansamente que nem deixou
que percebessem sua partida, ao contrário do
incondicional, que se instalou dentro de alguém e não
pretende procurar a saída.

O amor incondicional não corre atrás de sonhos
impossíveis, não precisa disso. Ele já é maduro, há
muito deixou de ser adolescente, e envelhecer também não
está nos seus planos, porque o amor que se torna velho,
é um amor cansado, desgastado, exaurido. Já o
incondicional é e sempre será, ativo, independente,
coerente, auto-suficiente, porque se reserva o direito
de ser solitário e ainda assim completo e realizado,
porque reside nele a certeza de sua inocência, pureza e
sinceridade.

Existe um encontro marcado entre o amor incondicional, a
glória e o esplendor em algum canto do mundo, em algum
instante da vida ou em algum momento após a morte, mas
ele não conta os dias para isso, nem sequer consulta o
relógio, embora para ele, o momento desse encontro seja
a grande magia da sua existência.

Amor incondicional é de uma elegância imensurável, de
uma postura invejável e de uma personalidade única.

Felizes daqueles que são merecedores de serem amados
incondicionalmente e mais felizes ainda, aqueles que se
permitem amar assim, porque são eles os grandes heróis
da vida.

Infelizes daqueles que não conseguem perceber quando
despertam esse tipo de amor, que não têm a sensibilidade
de  o sentír ao seu redor e valorizá-lo independente do
que podem oferecer a ele.

Amar incondicionalmente é uma arte.
Ser amado assim, um presente divino.


SILVANA DUBOC

15 de abril de 2012

Bons Amigos...Machado de Assis



Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.

Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!



Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!



Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!



Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!



Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!



Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!


MACHADO DE ASSIS

14 de abril de 2012

O Tempo..... W.




O tempo é muito lento, para os que esperam.
Muito rápido, para os que tem medo.
Muito longo, para os que lamentam.
Muito curto, para os que festejam.
Mas para os que amam, o tempo é eterno. 
 W.  Shakespeare

9 de abril de 2012

Ah! Se Eu Pudesse


















Ah ! Se eu pudesse

Todas as flores de todos os jardins eu colheria para você
E todas as estrelas do céu estariam em suas mãos
Ah! Se eu pudesse
Toda a alegria possível e imaginária eu daria para você
Para você se sentir realmente feliz
Para ver você com o coração em paz
A cantar a esperança, a viver com os olhos brilhando de

felicidade


Ah! Se eu pudesse
Mais uma manhã de sol em sua vida eu iria pôr
Mais um momento de luz e mais um momento de amor.


Ah! Se eu pudesse
Ser a sua vida, ser o sonho dos seus passos
Ser a luz que ilumina seus passos
Ser quem você ama.



Ah! Se eu pudesse
Eu iria ao infinito e do infinito gritar
Gritar que o belo é ter você
É saber que você está junto de mim
Gritar que o importante é sentir você
É olhar em seus olhos
É sentir o amor correr nas veias
Descansar no coração.



Ah! Se eu pudesse

Se eu pudesse ser poeta neste momento
Um verso iria para você escrever
Iria pôr no papel o que no pensamento e no 

coração existe por você.


Ah! Se eu pudesse
Andar por onde você anda
Ser aquele que você quer
Ah! Se eu pudesse

Beijaria seus lábios, doce de mel,

seus lábios de mulher


Ah! Se eu pudesse
Se eu pudesse de mãos dadas caminhar com você
Pela rua, pelo parque, pelo campo, pela estrada
Eu seria mais esperança, seria um pouco de mim
Para ser um pouco mais de amor,

para ser um pouco de você
para viver dentro de você


Ah! Se eu pudesse
Até minha vida eu daria para você


Ah! Se eu pudesse
Não queria nunca, nunca lhe perder.
Ah! Se Eu Pudesse...


Desconheço o Autor

2 de abril de 2012

Adeus poema de EUGÉNIO DE ANDRADE





















Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

EUGÉNIO DE ANDRADE

21 de março de 2012

Crepuscular..... Camilo Pessanha





















Há no ambiente um murmúrio de queixume, 
De desejos de amor, d'ais comprimidos... 
Uma ternura esparsa de balidos, 
Sente-se esmorecer como um perfume. 
As madressilvas murcham nos silvados 
E o aroma que exalam pelo espaço, 
Tem delíquios de gozo e de cansaço, 
Nervosos, femininos, delicados, 
Sentem-se espasmos, agonias d'ave, 
Inapreensíveis, mínimas, serenas... 
_ Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas, 
O meu olhar no teu olhar suave. 
As tuas mãos tão brancas d'anemia... 
Os teus olhos tão meigos de tristeza... 
_ É este enlanguescer da natureza, 
Este vago sofrer do fim do dia. 


CAMILO PESSANHA