29 de março de 2017

Carta de aniversario

Como posso esquecer o dia 29 de Março?


Foi nesse dia que o meu corpo te pertenceu pela primeira vez. Já passaram dez anos, mas tenho-o tão presente como se tivesse acontecido ainda à pouco.

Não sei se já te esqueceste, depois de mim já tiveste outras histórias, outras mulheres.
A nossa história passou a ser isso mesmo, parte da tua história.

Nesse dia foste ter comigo como vinha sendo habitual, ainda mais naqueles últimos dois meses em que tínhamos descoberto que nos amávamos.

Eu fui protelando o momento em que me entregaria a ti, sabia que ao fazê-lo, irias fazer parte da minha vida para sempre.

Estavas deitado nu em cima da minha cama.
A visão do teu corpo sempre me atraiu como o imã atrai o ferro.
Até ao presente, apenas tu conseguiste sortir esse efeito em mim. Parece feitiço, uma coisa que não consigo me desligar, talvez porque nem queira tentar. Talvez queira eternizar aquele momento para todo o sempre.

É da minha natureza. As pessoas que entram no meu coração, ficam nele cativas.
Apesar  do desgaste do tempo,  das situações que vivemos boas ou más, as recordações insistem em permanecer em mim.
Talvez deixassem de manter um brilho tão intenso, talvez o tempo tenha deixado marcas. Tudo isso faz parte da vida e do comportamento humano e afinal, nenhum de nós é anjo, apesar de termos vivido momentos para mim, tornados celestiais.

Deitado parecias dizer: Sou teu,..

Tantas vezes repetiste e eu sentia este -    "Sou teu ".
Naquelas alturas, sei que eras de facto meu, de corpo e alma. Via-o em ti e sentia-o.
Todo tu comunicavas comigo de todas as formas,  de corpo, alma e pensamento.
Houve alturas que que nossas almas acoplavam  em cadenciada sintonia,. Nossas mensagens se entre-cruzavam na mesma simbiose,  que sentíamos vibrar no toque das suas chegadas.

Beijava o teu corpo nu e entregavas-te ás sensações que eu em ti provocava.

Dois seres vivendo a magia do momento sem idade, tal como são os anjos, e tu eras o meu Anjo.
Protegias-me, amavas-me e davas-me amor como nunca antes tinha recebido e retribuído. Por isso, foste tão especial para mim, porque te amei sem reservas.

No dia seguinte partiríamos. Eu regressaria à minha terra. Tu partirias de férias para Andorra.
Naquele mesmo dia que anos antes festejavas outra união, naquele dia, sem que o soubesse antes, selaríamos o início da nossa troca de carícias e de delicias plenas.

Fizemos amor

Quando atingiste o auge do climax, senti pela primeira vez a explosão do teu  prazer. E como essa explosão,  me fazia sentir desejada e querida. Tinha-me tornado tua mulher de corpo e alma.

Quando amamos e vivemos esse amor na sua plenitude, de forma intensa e numa entrega total,  esse sentimento então vivido, acompanha-nos vida fora. Esse sentimento vive comigo. Todos os anos nesta mesma data o  recordarei.

Hoje é o aniversário de  um dos dias  especiais, aquele que modificou a minha vida para sempre. Parabéns para nós.

Quando foi que nos perdemos? 

Encontro-te sempre no mesmo lugar :  -  Dentro de mim, como se continuasses a ser a minha segunda pele  -  .

Se um dia te perderes, olha as  estrelas e de entre todas elas, serei a mais cintilante  num céu com muitas outras estrelas,  e serei aquela estrela especial que escolheste apontar até os dedos cravejar.
Te acompanharei mesmo de longe, e de qualquer ponto de onde olhes para o céu, estarei lá olhando por ti.

Sê feliz.







23 de março de 2017

Um dia....poema de LG




Um avião descola e sempre dá
Coração que fica e outro que voa,
Corações que geram vida á toa,
Repousando na lembrança dum sofá

Um que parte, outro que fica, então,

Saboreando "amiga  colorida",
Bebendo um gole da gerada vida,
Lembrando o toque doce da sua  mão.

Possibilidade do impossível?

Fruto da imaginação invencível?
Junco Castanho que jamais florirá?

Ou apenas são vidas encontradas

No desencontro de caixas fechadas?
Um avião descola, outro virá!

... Um dia !


L.G







Carta a um grande amor 24-01-2014




Quantas vezes te disse, amor, que gostaria de pintar numa tela, o recorte da tua boca?!


Recordo o nosso ultimo encontro, aquele que marcou o fim do nosso caminho.

Naquele sábado,  enquanto eu tomava um banho quente entraste, usando a chave que te dei.
Já te esperava. Sabia que vinhas, e queria estar relaxada para ti.

Foste entrando para o nosso quarto. Tiras-te a roupa e, com o teu corpo nu e perfumado que me inebria os sentidos, esperavas por mim deitado.

Saí do banho  rapidamente, envolvendo-me numa toalha,  deixando no soalho as marcas dos pés molhados, corri para ti.

Fingias que dormias e parecias um anjo.

Ri-me, achando graça à tua brincadeira, e entre beijos e pingos de água, entrei na cama e enrosquei-me nos teus braços e no teu corpo quente que me acolheu com um abraço.
Naquele momento, e nos que se seguiram, foste apenas meu.

 O mundo estava dentro do nosso quarto, naquelas quatro paredes onde eras senhor de mim e, do nosso desprendido amor.

Agora, que a noite voa alta, estou aqui pensando em ti.

Tu que  dormes noutra cama, ao lado de um  ex-amor, que jaz moribundo lado a lado, teimosamente cativos, numa guerra não declarada, numa luta invisível, em que um é dominado e outro dominador.
Penso,  no quanto custa sentir, esta  dor de não te ver.
No quanto me custa sentir, a tua presença na ausência.
Não ver os teus olhos da cor dos meus.
Não tomar as tuas mãos entre as minhas e afagar os meus dedos por entre os caracóis do teu cabelo de fios prateados.
O quanto me custa, não ler as tuas mensagens carinhosas que durante anos me acordavam com um bom dia, tornando presente a tua forçada ausência  na minha vida.
Sinto, a simples falta, de olhar esse teu peculiar sinal, na face esquerda do teu rosto, que me apetece  sempre cobrir de beijos.
Sinto saudades,  do toque  suave dos meus dedos, percorrendo a tua pele macia e ver o arrepio que em ti provoca.
Sinto saudades, do calor que em mim provocas e  da tua boca, meu amor, sempre a tua boca que me fascina.
Sinto saudades daquele beijo, onde nossas línguas brincando se reconheciam naqueles  " Beijos dos Nossos", que sabíamos serem únicos.

Não quero guardar do passado, do nosso passado, mágoas ou tristeza. Apenas quero guardar de ti o amor que contigo descobri, esquecer o que não vale a pena recordar.

Quero recordar apenas,  todos os nossos momentos, aqueles que passámos como se fossemos os  últimos amantes apaixonados desta Lisboa que amo, desta cidade feiticeira, que me tomou sua, tal como tua, sempre fui meu amor.

Que bem me saberia o gosto de um beijo na cara, na testa, na bochecha, na mão, apenas um beijo teu, era o que eu mais queria agora.

É difícil esquecer quando se viveu um grande amor.


Dorme bem meu anjo

24 Jan 2014