25 de dezembro de 2010
Talvez seja o Nada
Sinto-me a acordar do sonho, do levitar sobre a realidade.
Acordar para ver, que a vida é feita em tons de cinzento e sentir que a solidão é a constante companheira.
Que a vida passa, no dia a dia vazio, apenas repleto de nada ou de muita incerteza
Não não existe calor humano, presença, carinho, palavras, afectos, gestos.
A angústia, tristeza, solidão, o aperto na garganta, a dor no peito, transformaram-se em problemas crónicos.
Tudo é vago, tudo é incerto.
Não se conjuga no presente, o querer, desejar, ansear, sonhar, amar.
A incerteza é uma certeza, aliada do talvez.
Talvez vá...talvez fique....talvez possa... talvez venha, e no fundo o talvez é a certeza do nada.
Apenas assisto ao passar da vida como se fosse um sonho, um filme ou uma miragem.
Não me vejo, sou apenas sombra de mim mesma, o segundo plano, a terceira hipótese, a quarta opção, e na quinta, não existo e o que sinto, não conta para nada.
Sinto que a ingenuidade, a crença o sentimento, o sonho, a entrega e o pensamento, são apenas defeitos.
Os momentos difícieis passo-os acompanhada comigo mesma, e as palavras de conforto, não as escuto no silêncio.
Sinto a degradação do sentimento, dentro de mim.
Sinto que não vivo, apenas sobrevivo, sem sonhos, esperanças objectivos.
O futuro não existe.
Sou o nada !
Imscv
19.03.2010
5 de dezembro de 2010
Os Ombros Suportam o Mundo .... de Carlos Drumond de Andrade
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drumond de Andrade
3 de dezembro de 2010
O tempo do amor
Quem não procura viver um amor...
Um grande amor?
Busca-se, encontra-se ou conquista-se.
O tempo transmuta o sentimento,
Antes : amor-paixão, amor-desejo, amor-loucura, amor-plenitude.
Depois: amor-comodismo, amor-sociedade, amor-amizade
Amor Ultra_Passado!
Quando o amor vem, já chega com tempo determinado.
Imsc
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