31 de janeiro de 2011

Hei-de ..... Maria José Fraqueza



















Hei-de... ser muito forte como o vento
Hei-de... ser muito forte como o mar!
Hei-de... extrair o mal do pensamento
Hei-de... ter novas forças para Lutar!

Hei-de... suportar este meu lamento
Hei-de... ter só sorrisos para te dar
Hei-de... tornar mais belo o sentimento
Hei-de... ter coração para te amar!

Hei-de... manter no peito esta grandeza
Hei-de... deter a mágoa, a agonia...
Hei-de... dar-te o meu mundo de pureza
Hei-de... compor para ti minha poesia!

Hei-de...chegar talvez à eternidade?
Hei-de... ter sempre o meu dom divinal
Hei-de... ser um Luzeiro da Verdade
Hei-de... combater fortemente o Mal!

Hei-de... ser o farrapo que tu pisas?
Hei-de... ter maior força de vontade
Hei-de... dar-te o conforto que precisas
Hei-de... ser teu brasão de liberdade!

Hei-de... ser real musa de florais
Hei-de... desabrochar tal como a flor
Hei-de... beber em fontes naturais
Hei-de sorver o aroma deste amor!

Hei-de ... ser teu refúgio na dor
Hei-de... ser sempre a tua companhia
Hei-de... cantar bem alto em teu louvor
Hei-de... somente amar-te POESIA!

MARIA JOSÉ FRAQUEZA

20 de janeiro de 2011

Súplica.....poema de Miguel Torga















Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada
 
MIGUEL TORGA

13 de janeiro de 2011

Outra Margem...Maria Rosa Colaço




















E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham p’rá escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada?
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam. Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham p’rá escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sozinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham p’rá escola: a novidade.

E com uma estrela na mão direita
E os olhos grandes e voz macia
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.

Maria Rosa Colaço
(poema musicado pelos Trovante no álbum «Baile no Bosque», 1981)

4 de janeiro de 2011

À Descoberta do Amor ... de Mahatma Gandhi



















Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.


Mahatma Gandhi