19 de março de 2004

José Maria Lopes de Araújo - Poema " Remos Partidos "

Na crista das ondas, voguei
Na barca da minha vida...
Tinha largos horizontes,
Mesmo de esperança perdida....

Depois, a brisa soprava....
E a barca, lenta, seguia....
Vagarosa navegava,
E incerta, lá ia, lá ia,
E nas ondas balançava...
Mesmo de remos partidos,
Ao sabor do mar corria...

E assim, lá foi seguindo,
E os anos foram passando....
Noites de luar sorrindo,
Noites de Inverno chorando!...

E a barca da vida lá ia,
Lentamente navegando...
Quebrado o leme, rota a vela,
Remos partidos.....lá ia ela,
Baloiçando, baloiçando,
Levando a minha alegria!

Vida sem norte e sem rumo!
Sem forças para navegar,
Trago meus remos partidos,
Ando à deriva no mar,
Num mar de sonhos perdidos
Que jamais pude encontrar!...

Trago meus remos partidos,
E mais não posso avançar.
E por isso ando cantando,
Com vontade de chorar!

Remos partidos
São meus poemas....
Poemas caídos,
Na crista das vagas,
Vogando sozinhos,
Perdidos no mar!....

16 de março de 2004

Bluebird - Esta noite

Esta noite
Vou ser pássaro,
Vou voar
Todo teu corpo,
Minhas asas são de aço
Tua pele de ferro e fogo
Por isso vê


( que pena só ser em sonhos)

Esta noite vou ser vento…
E pousar no teu cabelo
Vou ser mais que o pensamento
Tu a força ,só segredo


(Seras sempre o meu mais lindo sonho)

Bluebird

2001.02.01

13 de março de 2004

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO - Poema " Desalento"

DESALENTO

Deixem-me caminhar, sem rumo certo,
E sem o norte que eu, em vão, busquei!...
Deixem-me só, que só, vivo mais perto
Do Bem que loucamente abandonei!

Não quero ouvir lamentos. Meu deserto
De mágoa e de tormento eu o criei...
Ergui barreiras, em caminho aberto,
E o próprio chão, que percorri, manchei....

Que importa seja a dor do meu arrimo,
Se, só com ela, atingirei o cimo
Do Gólgota que Deus me destinou!

Não me condenem! Deixem-me viver,
Entregue à minha mágoa, ao meu sofrer,
Que eu vivo bem assim, tal como sou!....

11 de março de 2004

Fernando Monteiro da Câmara Pereira - Poema " Á Mulher de Branco "

Á MULHER DE BRANCO

Mulher – sonho
de casaco branco…
que passas veloz,
altiva
no ecran da minha vida
o teu corpo,
a tua imagem
restam sempre em mim presente!

Mulher-desejo
de casaco branco…
que fazes brotar de amor
p’lo tempo do além fora
como em tempo
o sol nascente
me fez nascer outrora!

Mulher – distante
de casaco branco…
que passas em sonho,
triste
no meu corpo todo ardente
não fujas tão de repente
da minha alma
sempre só!

Mulher-fumo
de casaco branco…
pára em mim
toda a nascente
seja longo o teu percurso
faz brotar
o teu amor
no delta do meu poente!

Mulher – nada
De casaco branco…
Que rasgas o meu horizonte
Sem de mim ter feito eco
Não fujas
Lá para o distante
Não deixes meu ser ausente…

Oh instante angustiado
Ficarei sozinho na dor
Por te ter querido amar
Em meu longo sonho distante!

Ficarei sozinho na dor
Em sonho, desejo e fumo…

Mar.81