Avançar para o conteúdo principal

Florbela Espanca " A Nossa Casa "

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!


Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho...que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro -- tão bom! -- dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...



Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

"PERDIDAMENTE" Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Áquem e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!

" SANTA MARIA "
poema de * BEATRIZ BRAGA *

Ilha de S.Maria - Açores

Santa Maria, barco meu, que no oceano flutua. E nós, eu e tu à deriva, sem destino vamos como que a dar sentido, à minha sina... à tua ... És tudo p'ra mim, és a flor, és estrela, és jardim ... És sol, és lua, És meu lar, minha terra, meu mundo, minha vida, minha rua. Mas tu barco meu continuarás tua viagem, enquanto eu em breve te deixarei, pois sou uma simples tripulante, que por cá está de passagem. Mas o que importa, eu grito, grito-o com alegria: Sou filha tua, filha de Santa Maria, desse barco que flutua ! ... Autoria de : BEATRIZ BRAGA do Livro: " Musas da Minha Terra " de Adriano Ferreira

Não Posso Adiar.... A.RAMOS ROSA

Não posso adiar o amor para outro século Não posso Ainda que o grito sufoque na garganta Ainda que o ódio estale e crepite e arda Sob montanhas cinzentas E montanhas cinzentas Não posso adiar este abraço Que é uma arma de dois gumes Amor e ódio Não posso adiar Ainda que a noite pese séculos sobre as costas E a aurora indecisa demore Não posso adiar para outro século a minha vida Nem o meu amor Nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração A.RAMOS ROSA