22 de janeiro de 2007

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Irmã Tristeza *







IRMÃ TRISTEZA



Era uma vez ... Fatigada
De fazer sofrer e magoar,
Uma fada encantada,
Cansada de chorar e fazer chorar,
Entrou dentro de mim e disse :

- Não quero mais sair desta prisão !
Vou, para sempre, aqui ficar ...
Venho, para sempre morar,
Dentro do teu coração !

- Quem és tu ? – interroguei,
Apavorado.
Ela respondeu :
- Não sei ... não sei ..
Só sei que te não posso ver,
Viver assim,
Atormentado !

Mas, quem és tu, quem me fala assim ?
- És a dor? A saudade ? A amargura ?
- Onde moras e donde vens ?
Do mar ? Do céu ? Da noite escura ?
Ou do ignoto mistério da natureza ?

E a voz de longe respondeu,
Baixinho, como quem reza –
- “ Sem mais sim, sem mais não “ :
- Sou a tua irmã tristeza !
Que importa quem seja eu,
Se vier, nos braços da paz,
Para sempre, adormecer
Dentro do teu coração !

Lopes Araujo

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