Avançar para o conteúdo principal

* A PALAVRA IMPOSSÍVEL * poema de Adolfo Casais Monteiro

Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra verdade.


Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A palavra que nunca se profere.




ADOLFO CASAIS MONTEIRO


do Livro * Rosa do Mundo *
2001 Poemas para o Futuro

Comentários

  1. Gostei do poema, é bom.
    Uma boa escolha.
    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  2. O silêncio, palavra por vezes ruidosa, e impossível de calar.
    Fica bem.
    Felicidades.
    Manuel

    ResponderEliminar
  3. ANJO
    Anjo,
    Que sobrevoa meu sonho
    Me deixa alerta, desperto,
    Me deixa muito mais perto
    Das coisas boas da vida.
    Anjo,
    Te enxergar é complexo,
    É se curvar circunflexo,
    Copmpenetrado tristonho
    Diante tua luz refletida.

    Não quero nexo,
    Sem essa ausência de sexo
    Eu quero te ver perplexo,
    Anjo tirado de mim.
    Te quero anjo no céu,
    Te quero voando ao léu.

    Um beijo
    Desculpa o atrevimento.

    Naeno

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

"PERDIDAMENTE" Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Áquem e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!

" SANTA MARIA "
poema de * BEATRIZ BRAGA *

Ilha de S.Maria - Açores

Santa Maria, barco meu, que no oceano flutua. E nós, eu e tu à deriva, sem destino vamos como que a dar sentido, à minha sina... à tua ... És tudo p'ra mim, és a flor, és estrela, és jardim ... És sol, és lua, És meu lar, minha terra, meu mundo, minha vida, minha rua. Mas tu barco meu continuarás tua viagem, enquanto eu em breve te deixarei, pois sou uma simples tripulante, que por cá está de passagem. Mas o que importa, eu grito, grito-o com alegria: Sou filha tua, filha de Santa Maria, desse barco que flutua ! ... Autoria de : BEATRIZ BRAGA do Livro: " Musas da Minha Terra " de Adriano Ferreira

Não Posso Adiar.... A.RAMOS ROSA

Não posso adiar o amor para outro século Não posso Ainda que o grito sufoque na garganta Ainda que o ódio estale e crepite e arda Sob montanhas cinzentas E montanhas cinzentas Não posso adiar este abraço Que é uma arma de dois gumes Amor e ódio Não posso adiar Ainda que a noite pese séculos sobre as costas E a aurora indecisa demore Não posso adiar para outro século a minha vida Nem o meu amor Nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração A.RAMOS ROSA