14 de agosto de 2007

" Biografia "Poema de PEDRO HOMEM DE MELO











Com lírios nas mãos de neve,


Subi ao último andar,


A haver farda, era tão leve


Que fui subindo a cantar!


E fui subindo, subindo...


Só parei no patamar,


Abri as portas e janelas


Para poder respirar.


Tudo o que se via delas


Tinha a cor do meu olhar.


Da varanda me inclinei,


Para medir-lhe o tamanho.


Ai! dos vassalos de El-Rei


Aos quais El-Rei fica estranho!


Lá do alto, cá em baixo, o rio


Transformara-se em regato.


Reparei que, debruçadas,


Sobre o seu leito vazio,


Faias, apontando espadas,


Lhe exigiam um retrato.


Soprou, de súbito, o vento!


Varreu a noite a direito,


Rindo... Que risada fria!


Entanto o solar, ao vento,


Erecto fazendo peito,


Resistia, resistia...


Mas, das brechas do telhado,


Água, sôfrega, escorrera.


E o torreão do solar


- Ameias de pedra ou cera?


Era um pássaro assustado


Sem asas para voar.











Pedro Homem de Mello


(1904-1984)

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