10 de setembro de 2008

SAUDADE DA PROSA poema de Manuel António Pina







Poesia, saudade da prosa;
escrevia "tu", escrevia "rosa";
mas nada me pertencia,

nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava o que sabia.

E se regressava
oelo mesmo caminho
não encontrava

senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,

o rio não era rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.

Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?


MANUEL ANTÓNIO PINA

2 comentários:

  1. Hermoso poema, suave y cadencioso como solamente el idioma portugués puede contener estos murmullos. Ha sido un gusto descubrir tu espacio.



    Saludos....

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  2. fiz partILHA na minha página do facebook.
    aquel'abRRaço e gracias pela partILHA

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