20 de fevereiro de 2008

EM BUSCA DO AMOR de Florbela Espanca




O meu Destino disse-me a chorar:
" Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar. "

Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfiando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando ...

Mesmo a um velho eu perguntei : " Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho ? "
E o velho estremeceu...olhou ...e riu...

Agora pela escada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados ...
E eu paro a murmurar : " Ninguém o viu"! ..."


FLORBELA ESPANCA

8 de fevereiro de 2008

* SONETO * poema der E.E.Cummings (E.U.A)





Não será sempre assim... Quando não for,
Quando teus lábios forem de outro; quando
No rosto de outro o teu suspiro brando
Soprar; quando em silêncio, ou no maior

Delírio de plavras desvairando,
Ao teu peito o estreitares com fervor;
Quando, um dia, em frieza e desamor
Tua afeição por mim se for trocando:

Se tal acontecer, fala-me. Irei
Procurá-lo, dizer-lhe num sorriso:
" Goza a ventura que já gozei".

Depois, desviando os olhos, de improviso,
Longe, ah tão longe, um pássaro ouvirei
Cantar no meu perdido paraíso.


Tradução de : Manuel Bandeira

Livro: Rosa do Mundo

4 de fevereiro de 2008

* Á Cara Metade * poema de ADRIANO FERREIRA





É na paz do teu olhar, cheio de amor:
No arroubo da sua luz, que me ilumina:
No seu fulgor ingénuo de menina,
Onde embate meu ego, com fragor!

É nesse mar imenso de ternura;
No amplexo envolvente da sua calma,
Onde se espalha a pureza da tua alma
E onde mergulha a minha e se depura!

Quando, um dia, decrépito, no fim,
Já muito perto da última viagem,
Rezarei para estares junto a mim.

E no meu leito de morte, moribundo,
Gravarei, nas pupilas, tua imagem
-Meu doce guia, lá no outro mundo.



ADRIANO FERREIRA

Poeta da ilha de S.Maria - Açores