Avançar para o conteúdo principal

CANÇÃO de Cecília Meireles




Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.



Cecília Meireles

Comentários

  1. Algumas vezes também publiquei este poema de Cecília, ele diz muito, e nunca canso de o ler. Fez uma bela escolha.
    abraço e bom final de semana

    ResponderEliminar
  2. Pintura, imagem poética...
    Poesia palavra pintada...
    Uma, esboço de figura amada;
    A outra, ténue palavra profética!

    Pintura e poesia...
    Imagem e palavra de sentimento
    E de amor em utopia!

    São o sonho que sonhei...
    Quando, no Éden amei!

    (FERNANDA & POEMAS)

    Desejo a você um excelente final de semana com muito amor no coração
    Abraços: Eduardo Poisl

    ResponderEliminar
  3. Ola, estive visitando este lindo blog, e adorei seu cantinho.Gostaria de fazer parceria com seu blog, com trocas de links.Você adiciona o link do meu blog no seu e eu adiciono o link do seu blog no meu;Assim nossos leitores poderão interagir.Tenho um banner também se quiser adicionar.Aguardo resposta.Um abraço.

    http://poemasepoesias-blog.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  4. E gostaria de te convidar a ser uma de nossas autoras do blog, la tem um espaço especial para vc postar seus proprios trablahos, ou mostrar o trablhoo de outros autores para nossos leitores, se caso aceitar,é só nos enviar seu endereço de email para que possamos te fazer o convite.Obrigado.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

"PERDIDAMENTE" Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Áquem e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!

" SANTA MARIA "
poema de * BEATRIZ BRAGA *

Ilha de S.Maria - Açores

Santa Maria, barco meu, que no oceano flutua. E nós, eu e tu à deriva, sem destino vamos como que a dar sentido, à minha sina... à tua ... És tudo p'ra mim, és a flor, és estrela, és jardim ... És sol, és lua, És meu lar, minha terra, meu mundo, minha vida, minha rua. Mas tu barco meu continuarás tua viagem, enquanto eu em breve te deixarei, pois sou uma simples tripulante, que por cá está de passagem. Mas o que importa, eu grito, grito-o com alegria: Sou filha tua, filha de Santa Maria, desse barco que flutua ! ... Autoria de : BEATRIZ BRAGA do Livro: " Musas da Minha Terra " de Adriano Ferreira

Não Posso Adiar.... A.RAMOS ROSA

Não posso adiar o amor para outro século Não posso Ainda que o grito sufoque na garganta Ainda que o ódio estale e crepite e arda Sob montanhas cinzentas E montanhas cinzentas Não posso adiar este abraço Que é uma arma de dois gumes Amor e ódio Não posso adiar Ainda que a noite pese séculos sobre as costas E a aurora indecisa demore Não posso adiar para outro século a minha vida Nem o meu amor Nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração A.RAMOS ROSA