25 de março de 2009

Soneto da Separação de VINICIUS DE MORAES

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.



VINICIUS DE MORAES

2 comentários:

  1. Gosto deste poema de Vinicius...de repente, não mais que de repente..basta um segundo para viver ou morrer, amar ou odiar, perder ou vencer...
    Um abraço

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  2. Olá!

    Amo esse poema!
    Na verdade, amo Vinícius!

    Amei o blog! Muito boom!
    Tenha um ótimo fim de semana, ok???

    Grande beijooo!

    Fabricante...

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