20 de abril de 2009

Porque Escondes a Noite no teu Ventre? de JOAQUIM PESSOA


Porque escondes a noite no teu ventre?
Nesse país de sombra onde se calam as palavras.
Aí, no escuro lago onde estremece a flor da amendoeira
E onde vão morrer todos os cisnes.

Eu desvendo a tua dor, o teu mistério
De caminhares assim calada e triste,
Quando viajo em ti com as mãos nuas e o coração louco
No mais fundo de ti, onde só tu existes.

Oh, eu percorro as tuas coxas devagar
Dobrando-as lentamente contra o peito
E penetro em delírio a tua noite
Esporeando éguas no teu sangue.
De onde me chegam estas palavras?


Joaquim Pessoa

2 comentários:

  1. Isabel,

    Lindas postagens, imagens, adorei!
    Estarei sempre por aqui acompanhando seus escritos...

    Beijos,

    Reggina Moon
    Verso & Prosa

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  2. Entre o que vejo e o que digo,
    entre o que digo e o que calo,
    entre o que calo e o que sonho,
    entre o que sonho e o que esqueço,
    a poesia.
    Desliza entre o sim e o não:
    Diz o que calo,
    cala o que digo,
    sonha o que esqueço.
    Não é um dizer: é um fazer.
    É um fazer que é um dizer.
    A poesia se diz e se ouve: é real.
    E, apenas digo é real, se dissipa.
    Será assim mais real?

    (Octávio Paz – México)

    Desejo uma semana iluminada, com muita paz e amor.
    Do amigo
    Eduardo Poisl

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