Avançar para o conteúdo principal

POEMA de Sophia de Mello Breyner Anderson



A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada



Sophia de Mello Breyner Andresen

Comentários

  1. FELICIDADE!

    Quando o vento bater à sua porta,
    Abra devagar,
    Para deixa-lo entrar
    Pense quanto de bom poderá receber,
    Se estiver pronto para tal,
    Mas as conquistas diárias
    Estamos sempre apostando tudo
    e a cada recomeço,
    Percebemos, o quanto é gratificante,
    Estar pôr perto de quem se gosta de verdade,
    Sua simpatia,
    Corresponde o momento de felicidade
    e transborda de alegria
    o coração de quem recebe.

    (Roseli Alcântara)

    Desejo toda a felicidade neste final de semana,
    Um grande abraço.

    ResponderEliminar
  2. Oi ISabel, tudo bem?
    Parabens pelas postagens... sempre bom esse contato com os sentimentos, transcendendo qualquer matéria p/ alcançar a alma que gera essas verdades!!
    Parabens e abraço!!!

    ResponderEliminar
  3. Isabel

    Belissimas postagens!

    belissimos poemas!

    amo poesia, de lê-la, de fazê-la (de quando em quando)!

    Muita qualidade por aqui!

    Muita criatividade por aqui!

    Abraços

    gilberto
    nel mezzo del cammim

    ResponderEliminar
  4. Faz um tempo que aqui não vinha.

    O blog continua interessante e variado.

    Cumprimentos meus.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Filha de Um Amor Proibido - Isabel Valente

Os jovens de hoje não sabem que, na minha geração, haviam crianças nascidas fora do casamento, e em cujo registo pessoal constava o nome da Mãe, tendo por pai, um “ Pai Incógnito”. Estas crianças, eram estigmatizados como, os filhos do pecado, da vergonha, os filhos da outra. Eram os filhos fora do casamento, os bastardos. É que o registo obrigatório com nome de pai é recente, e eu já sou "Cota". Para a nova geração onde todos à nascença são registados com o nome de mãe e de um pai, verdadeiro ou não, não lhes é fácil entender o que é viver com o facto diário de ser filha de” pai incógnito”. Tendo eu passado por essa experiência, não me é difícil explicar o que é ser filha de Pai Incógnito. Hoje na maioria das Repartições Públicas todas achamos uma grande maçada, ter de preencher formulários, para mim, passou a ser, uma bênção. Em alguns desses formulários tinha de mencionar o nome de Mãe e de Pai, então lá vinha o tormento ---Pai Incógnito --- . Ist...

AMÉRICO " Liberdade de Sentir "

LIBERDADE... de sentir Gostei dessa voz que é a tua voz... de menina Gostei deste mar que brilha na noite silenciosa Gostei deste som que corre os nossos sentidos Mexe na nossa pele,vagueia na nossa mente Que é tambem um pouco do teu mundo Um pouco dos teus sonhos adormecidos Um pouco das tuas esperanças inquietas Um pouco de ti presa nas nuvens da ilusão Gostei desta ilha escura,adormecida Destas gaivotas sulcando o céu suavemente... Do luar escondido nas nuvens a bater na água E a deixa-la prateada...reluzente..misteriosa... Gostei desta música viva e profunda Deste tom estridente e surdo... Desta imagem exótica que nos traz Mistério,ilusão,energia,paixão,sonho...VIDA Gostei de calar a noite com este poema De acordar a madrugada com estas palavras De esperar o sol com meus sonhos De correr na vida atrás do destino.... Junho 2004 Americo.

"PERDIDAMENTE" Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Áquem e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!