24 de fevereiro de 2010

"O Amor tem Asas de Ouro" poema de NATÁLIA CORREIA














Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,


Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,


Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Amén.






Natália Correia

22 de fevereiro de 2010

Nos olhos de Isa....poema de JOAQUIM PESSOA


















Nos olhos de Isa a chuva grita e a noite
Acende fogueiras.


Os meus olhos param. Nos olhos de Isa.


Oh, nos olhos de Isa espreguiça-se a madrugada
E o vento acorda para ajudar os pássaros a voar
E as árvores a acenar-lhes uma bandeira de folhas, uma tristeza verde.
Nos olhos de Isa.


Nos olhos de Isa a manhã explode num inferno de estrelas,
Num clarão de silêncio, em estilhaços de rosas, pétalas de sombra.
Nos olhos de Isa os poetas vagueiam num bosque de mel
Onde as abelhas constroem a tarde
Desesperadamente.
Nos olhos de Isa ninguém repara na minha solidão.


JOAQUIM PESSOA

18 de fevereiro de 2010

No Meio do Mar....poema de José Maria Lopes de Araújo
















NO MEIO DO MAR

I

Fugiu a terra do meu olhar
E longe, sempre longe,
Só há bruma, céu e mar …

A brisa passa cantando,
O vento corre a chorar …
Escondem-se além estrelas
Nesta noite sem luar …
……………………………………….

…. E o mar cola-se ao céu,
Nesses horizontes distantes,
Longínquos, cinzentos e tristes …


José Maria Lopes de Araújo

12 de fevereiro de 2010

Contrariedades.......de Cesário Verde




















Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.


Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.


Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.


Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
Mal ganha para sopas...

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.


Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.


A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
Vale um desdém solene.


Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chovisca. O populacho
Diverte-se na lama.


Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.


Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.


Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua "coterie";
Ea mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.


A adulaçãao repugna aos sentimento finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
Os meus alexandrinos...



E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!


Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?


Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a "réclame", a intriga, o anúncio, a "blague",
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras...


E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!


Cesário Verde

11 de fevereiro de 2010

Teu Coração, Meu Destino..................Marcolino Machado



















Nasci do sopro de um vento no pedestal
Das coxilhas verdejantes, esculpido.
Puro e inocente, disse o poeta na pia batismal,
Que ao mundo vim, de um destino, seguido.


Só com o céu, estrelas, mar e floresta,
Flores tanto plantei.
E rosas te dei,
Os filhos em botão de jasmim.
Se foram e deixaram a mim.

De ti meu caminho se perdeu,
Minhas mãos com cheiro de terra e chão.
E sem nada, do que Deus me deu,
Quero o infinito horizonte, sempre em vão.


... No eterno bater de teu coração.



Marcolino Machado

9 de fevereiro de 2010

Rapariga Seduzida....poema de HEDYLOS (Grécia )















Embalou-me - eu era tão inocente -
Com vinho e palavras de amor
e todas as juras. Ao acordar
qual não foi a minha surpresa


A seda que cobria os meus seios e o ventre
desapareceram e com ela a minha pureza


Deusa lembra-te que estávamos sós
e ele era forte - e eu tão indefesa.




Hedylos

7 de fevereiro de 2010

Universo....de Marcolino Machado



O UNIVERSO ...


Invocamos sentimentos e encontros de alma.

Procuramos como um andarilho da luz, andando sem nunca parar.

 

O que buscamos?

Queremos nos aproximar, fazer a terra chegar perto de nós?! Não! Isso não nos é permitido.
 A natureza tem sua mão e sabe seu desiderato.

Resta-nos o silêncio das longas estradas desertas e sem vozes

Olhando todos os eclipses que acontecem em nossas vidas !


 

Marcolino Machado


Ilha................ Marcolino Machado


ILHA....

E os olhos sempre estendidos no horizonte à procura do tudo.
Mas, nada.

Sempre o mesmo mar e as mesmas ondas.
Seu barulho, um mistério, como vozes de antepassados que querem falar novamente.

E, a ilha somos nós...

O que carregamos na alma.


Marcolino Machado




6 de fevereiro de 2010


E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.

Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.





Miguel Sousa Tavares

4 de fevereiro de 2010

Súplica ...... de Miguel Torga




















Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.


Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.



Miguel Torga

3 de fevereiro de 2010

Barriga é Barriga...... ARNALDO JABOUR


Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais.

Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano eram conhecidos como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha - lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos.

Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde.... E viva o sedentarismo ocioso! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!


Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA! O elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO!

VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP! Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!

E nunca se esqueçam: “Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal”.

ARNALDO JABOUR