30 de julho de 2010

As Escadas de São Bento.... poema de Manuela Bulcão




















Rugas na cara
Cigarro esvoaçante ar cansado
Minissaia apertada de feridas
Corpo de traste
Sorriso desfeito pela pancada e felatio


Mulher objecto
Arranhada pela sede de sexo dos homens
Criança perdida
Lupanário ao ar livre sobre o céu do Porto


Vitima ou criminosa?
Acaso ou simples fome para matar?
Vicio ou escravidão?
Perguntas e mais perguntas…
Vejo aí nas escadarias de São Bento
Passo e olho
Fico presa no hábito mundano de ignorar
E sigo atrasada nos meus afazeres e papeis
Bastava uma palavra para a salvar?


Manuela Bulcão

20 de julho de 2010

Poesia da Felicidade........FERNANDO PESSOA



















Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
 
FERNANDO PESSOA

15 de julho de 2010

Preguiça.... poema de Manuela Bulcão


















Olho para o céu nocturno
A escuridão lembra a tua pele
Chocolate de leite


Vislumbra a camada de nuvens
Os fios de cabelo grisalho
Rasgam o castanho da minha íris


Saboreio o sal do mar
Emersa na escuridão do teu olhar
Coisa estranha e rara


E,
Rendo-me à preguiça da imaginação
Presa na lentidão matinal de esperar pela tua chamada
Continuo assim enrolada,
Nos lençóis…




Manuela Bulcão

9 de julho de 2010

Obessão do Mar Oceano...poema de MÁRIO QUINTANA











Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.




Mário Quintana