20 de abril de 2012

Amor Incondicional de Silvana Duboc




Tantos tipos de amor tenho visto por aí.

 Amores fracos, desnutridos de coragem; amores fortes, que atravessam
muitas barreiras, mas que em certo momento tropeçam numa

pequena pedra, caem e não conseguem mais se levantar.


De tantos e todos os tipos de amor que conheci, houve um
que jamais esquecerei: o amor incondicional, aquele que
existe apesar de, e que atravessa qualquer tipo de
tempestade, tropeça em muitos obstáculos e mesmo assim
não deixa de existir; não altera a sua rota, não diminui
a sua dimensão, não perde o seu peso, não permite que o
seu brilho seja ofuscado.

Só ama incondicionalmente quem é possuidor de uma alma
grande, e esse tipo de alma normalmente é acompanhada de
um espírito de luz.

Amar assim é não viver subjugado a "mas..." e
"poréns...", é não ter critérios para doar esse amor, é
não exigir troca e abrir mão de reciprocidade.

Quando se ama incondicionalmente tem um espaço dentro do
cérebro que fica reservado em definitivo para que nas
vinte e quatro horas do dia o pensamento não se afaste
do objeto desse amor. Já no coração, não existe um
espaço designado para guardá-lo, porque ele é todo esse
amor, vivenciado e sentido enquanto ele bater.

Amor incondicional não tem orgulho de nenhuma espécie.
Não se envaidece de sua capacidade, nem de sua força,
não tem necessidade de alardear a sua existência, nem
demonstrar o seu imenso universo, ele é simplesmente um
amor humilde, puro e despretensioso e justo por isso se
torna grandioso.

Corações que vivem esse tipo de amor, são generosos,
eternos, mesmo depois que param de bater, são sublimes e
por isso conseguem guardar dentro deles tanta ternura.

Amor incondicional não faz de conta que é, não se obriga
a desistir de si mesmo, não precisa viver de fantasias,
nem andar travestido de ilusões para prosseguir o seu
caminho. Esse amor do qual estou falando é por si só
inteiro, não agoniza e muitas vezes inexiste aos olhos
dos outros, mas quem ama incondicionalmente, sabe a
receita exata de como vivê-lo sem dores.

Felizes daqueles que despertam essa maneira de amar em
alguém, esses sim, têm motivos de sobra para se orgulhar
por terem conseguido atingir de forma tão especial um
coração carregado do mais puro dos sentimentos.

Amor se torna incondicional quando ele já se acomodou
dentro do peito, já se conformou com a estrada que terá
que percorrer e já não há mais possibilidade de derrapar
em nenhuma curva desse caminho, nem ser atropelado por
qualquer dúvida. É quando também, o que ficou para trás
já não importa e o que está por vir não vai mudar nada.

O amor incondicional é aquele que doa o melhor de si,
mesmo que esteja recebendo o pior de alguém, porque ele
não depende de ser querido, nem de ser aceito e não
esmorece se for ignorado.

Esse amor é daqueles amores que no passado já sangraram
muito, latejaram, abriram enormes feridas, mas que ainda
assim não deixaram marcas nem cicatrizes, porque a
partir daí, resplandeceram e passaram a viver em eterno
estado de graça até o instante que se eternizaram.

Há quem diga que o amor incondicional é masoquista, isso
não é verdade, esse tipo de amor é o inútil. O amor
inútil sim, alimenta-se de sofrimento, resiste a tudo
com esperanças de alcançar o seu objetivo, que já ficou
bem claro, não será conquistado. O amor inútil é aquele
que já foi embora mas saiu tão mansamente que nem deixou
que percebessem sua partida, ao contrário do
incondicional, que se instalou dentro de alguém e não
pretende procurar a saída.

O amor incondicional não corre atrás de sonhos
impossíveis, não precisa disso. Ele já é maduro, há
muito deixou de ser adolescente, e envelhecer também não
está nos seus planos, porque o amor que se torna velho,
é um amor cansado, desgastado, exaurido. Já o
incondicional é e sempre será, ativo, independente,
coerente, auto-suficiente, porque se reserva o direito
de ser solitário e ainda assim completo e realizado,
porque reside nele a certeza de sua inocência, pureza e
sinceridade.

Existe um encontro marcado entre o amor incondicional, a
glória e o esplendor em algum canto do mundo, em algum
instante da vida ou em algum momento após a morte, mas
ele não conta os dias para isso, nem sequer consulta o
relógio, embora para ele, o momento desse encontro seja
a grande magia da sua existência.

Amor incondicional é de uma elegância imensurável, de
uma postura invejável e de uma personalidade única.

Felizes daqueles que são merecedores de serem amados
incondicionalmente e mais felizes ainda, aqueles que se
permitem amar assim, porque são eles os grandes heróis
da vida.

Infelizes daqueles que não conseguem perceber quando
despertam esse tipo de amor, que não têm a sensibilidade
de  o sentír ao seu redor e valorizá-lo independente do
que podem oferecer a ele.

Amar incondicionalmente é uma arte.
Ser amado assim, um presente divino.


SILVANA DUBOC