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Cartas ... Imaria 2014


Pois é, amor...

De nada adianta dizer para mim mesma, que te vou esquecer, se o meu coração continua, teimosamente a pertencer-te.
É complicado querer gerir a cabeça, que vacila entre a lógica e o romance, se as tuas lembranças teimosamente me acompanham.
Uma vez disseste que não me pertencias, porque socialmente não me pertences.
Como sempre, consegues ver as coisas com lógica e realidade. Infelizmente, apaixonei-me por ti, fui irresponsável, eu sei, deveria ter pensado em tudo, principalmente nas consequências de querer viver um amor tardio.
No inicio, pensei que conseguiria manter a situação sob controle, que nada mais entre nós se passaria para além de alguns beijos e troca de doces palavras, afagos para os nossos pardos egos, sedentos de amor e atenção, ausentes nos nossos longos e debilitados casamentos.
Quase um ano depois de nos conhecermos, na altura em que sofreste o AVC, e eu correr pelos hospitais como uma louca a fim de te encontrar, havíamos de viver essa paixão que por nós esperava.
 Nessa altura, apercebi-me ter ultrapassado a barreira do controlável " flirt ", e que despertara em nós, o nobre sentimento do amor.
 Aquando do nosso reencontro, já não restavam dúvidas.
Tudo para mim era claro, amava-te como uma adolescente, a quem tardiamente era dada a oportunidade de viver uma paixão jamais sentida ou imaginada.  A minha adolescência foi uma breve passagem precocemente interrompida aos 17 anos, pelo casamento.
Fico grata à vida pela dádiva do amor aos 47 anos, ao qual me entreguei por completo contigo.
Hoje, não que esperasse que desses notícias,  dei por mim, várias vezes a consultar o visor do telemóvel, como se esperasse por uma  mensagem tua.

Sim, eu sei que te pedi para não nos contactarmos mais, e sei também que o cumprirás, não só porque me respeitas, mas sobretudo, porque sabes que não faço parte da tua vida, e foges com medo de compromissos e de enfrentar as situações.

Talvez por começarem as saudades a apertar, hoje durante todo o dia me acompanhou um aperto na garganta e esta insistente saudade  de ti.

Dorme bem meu amor

25 Jan 2014
Imaria

Comentários

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