31 de janeiro de 2014

Foi um momento .... poema de Fernando Pessoa



Foi um momento 

O em que pousaste 
Sobre o meu braço, 
Num movimento 
Mais de cansaço 
Que pensamento, 
A tua mão 
E a retiraste. 
Senti ou não ? 

Não sei. Mas lembro 
E sinto ainda 
Qualquer memória 
Fixa e corpórea 
Onde pousaste 
A mão que teve 
Qualquer sentido 
Incompreendido. 
Mas tão de leve!... 

Tudo isto é nada, 
Mas numa estrada 
Como é a vida 
Há muita coisa 
Incompreendida... 

Sei eu se quando 
A tua mão 
Senti pousando 
‘Sobre o meu braço, 
E um pouco, um pouco, 
No coração, 
Não houve um ritmo 
Novo no espaço? 

Como se tu, 
Sem o querer, 
Em mim tocasses 
Para dizer 
Qualquer mistério, 
Súbito e etéreo, 
Que nem soubesses 
Que tinha ser. 

Assim a brisa 
Nos ramos diz 
Sem o saber 
Uma imprecisa 
Coisa feliz. 


FERNANDO PESSOA

19 de janeiro de 2014

Nova Luz..... Teixeira de Pascoaes


Emana um fumo de alma o crepitar do lume:
O incêndio duma flor dá a cinza do perfume.

O corpo de uma onda é o líquido braseiro,
Que exala, no infinito, o branco nevoeiro.


Teixeira de Pascoaes

6 de janeiro de 2014

Pablo Neruda




Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. 
Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.

Pablo Neruda