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" ONDAS " poema de Mitó Carreiro

Em espuma envolvidas, um dançar morno e dolente, as ondas enrolam, batidas, as vidas de tanta agente. Em barcos, segredos e medos embarcam pela madrugada. Nos rostos, curtidos de sol e de sal vai escrita a luta da vida. E no horizonte, onde a ténue luz do amanhecer , acasala, fogosa, com o mar, num amar delirante, os barcos rasgam mar adiante, em busca de pão, arrancando às ondas seus filhos paridos, em loucos bramidos. Na costa, alheias à luta do mar alto as ondas vêm beijar pés descalços que aguardam em sobressalto o regresso dos barcos. Numa cadência infinita, como em longa procissão, abraçam esperanças que brincam à beira de água como crianças e depois, umas atrás das outras, eternamente em cadeia, as ondas deixam o mar para vir morrer na areia. Mitó Carreiro

José Maria Lopes de Araújo - Poema " Remos Partidos "

Na crista das ondas, voguei Na barca da minha vida... Tinha largos horizontes, Mesmo de esperança perdida.... Depois, a brisa soprava.... E a barca, lenta, seguia.... Vagarosa navegava, E incerta, lá ia, lá ia, E nas ondas balançava... Mesmo de remos partidos, Ao sabor do mar corria... E assim, lá foi seguindo, E os anos foram passando.... Noites de luar sorrindo, Noites de Inverno chorando!... E a barca da vida lá ia, Lentamente navegando... Quebrado o leme, rota a vela, Remos partidos.....lá ia ela, Baloiçando, baloiçando, Levando a minha alegria! Vida sem norte e sem rumo! Sem forças para navegar, Trago meus remos partidos, Ando à deriva no mar, Num mar de sonhos perdidos Que jamais pude encontrar!... Trago meus remos partidos, E mais não posso avançar. E por isso ando cantando, Com vontade de chorar! Remos partidos São meus poemas.... Poemas caídos, Na crista das vagas, Vogando sozinhos, Perdidos no mar!....

Bluebird - Esta noite

Esta noite Vou ser pássaro, Vou voar Todo teu corpo, Minhas asas são de aço Tua pele de ferro e fogo Por isso vê ( que pena só ser em sonhos) Esta noite vou ser vento… E pousar no teu cabelo Vou ser mais que o pensamento Tu a força ,só segredo (Seras sempre o meu mais lindo sonho) Bluebird 2001.02.01

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO - Poema " Desalento"

DESALENTO Deixem-me caminhar, sem rumo certo, E sem o norte que eu, em vão, busquei!... Deixem-me só, que só, vivo mais perto Do Bem que loucamente abandonei! Não quero ouvir lamentos. Meu deserto De mágoa e de tormento eu o criei... Ergui barreiras, em caminho aberto, E o próprio chão, que percorri, manchei.... Que importa seja a dor do meu arrimo, Se, só com ela, atingirei o cimo Do Gólgota que Deus me destinou! Não me condenem! Deixem-me viver, Entregue à minha mágoa, ao meu sofrer, Que eu vivo bem assim, tal como sou!....

Fernando Monteiro da Câmara Pereira - Poema " Á Mulher de Branco "

Á MULHER DE BRANCO Mulher – sonho de casaco branco… que passas veloz, altiva no ecran da minha vida o teu corpo, a tua imagem restam sempre em mim presente! Mulher-desejo de casaco branco… que fazes brotar de amor p’lo tempo do além fora como em tempo o sol nascente me fez nascer outrora! Mulher – distante de casaco branco… que passas em sonho, triste no meu corpo todo ardente não fujas tão de repente da minha alma sempre só! Mulher-fumo de casaco branco… pára em mim toda a nascente seja longo o teu percurso faz brotar o teu amor no delta do meu poente! Mulher – nada De casaco branco… Que rasgas o meu horizonte Sem de mim ter feito eco Não fujas Lá para o distante Não deixes meu ser ausente… Oh instante angustiado Ficarei sozinho na dor Por te ter querido amar Em meu longo sonho distante! Ficarei sozinho na dor Em sonho, desejo e fumo… Mar.81

KALINAS - " Porque Gosto de Ti"

Porque gosto de ti? Porquê? Porque te quero e te desejo! Muito…! Porque, te ofereço flores, Porque, te transformo numa flor… Perfumada e bela, Cheia de cores, Porque, és a flor mais bonita Deste meu jardim, A mais bela e vistosa, A mais virtuosa… A que me dá mais prazer, Aquela que quero cheirar E olhar… Roçar nas tuas pétalas Deixar o meu pólen, Nos teus estigmas, Polinizar-te, Com o meu sémen Criar… Viver… E depois morrer! KALINAS

KALINAS * Alucinação*

Dançando, Rodopiamos pelo salão antigo. Revestido a ébano, Candelabros de velas acesas, Exalam perfume, E nos embriagam. Enquanto rodopiamos, Rocei a minha perna na tua, Enquanto me inebriava, Com o nosso odor. Cheiramo-nos; Roçamos nossos ventres, Desinquietos. Sentimos; Em suor, Aquele percurso Que ondeia nossos corpos. Roçamos nossos ventres, Excitados, Molhados, Desejosos de paixão. Olhei de novo o salão, Fiquei a dançar sozinho. Agarrado ao vácuo… Em depressão, Que não arde, Nem queima Só arde com a paixão Da tua entrega. Com a passagem, Do meu desejo, No teu desejo. Kalinas