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Poema de Natal... Vinicius de Moraes

Poema de Natal Vinicius de Moraes Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio. Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações Se deixem, graves e simples. Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente.

Embora os Meus Olhos Sejam...António Aleixo

Embora os meus olhos sejam os mais pequenos do mundo o que importa é que eles vejam o que os homens são no fundo Que importa perder a vida na luta contra a traição se a razão mesmo vencida não deixa de ser razão Vós que lá do vosso império prometeis um mundo novo calai-vos que pode o povo querer um mundo novo a sério Eu não tenho vistas largas nem grande sabedoria mas dão-me as horas amargas lições de filosofia. António Aleixo

Tempos....poema de Pedro du Bois

 Avesso ao calendário traço no espaço o tempo onde me distraio: sei do amanhecer que me acorda do meio dia que me alimenta da tarde propícia à tormenta da noite em que me desoriento revisito o tempo na capa da magia e me refugio em mim mesmo mantenho o som do rádio e me delicio em estáticas: olhos fechados imagino a cena na tela despegada.   Pedro Du Bois 
  Pense profundamente Fale gentilmente Ame bastante Ria frequentemente Trabalhe com afinco Dê com generosidade Pague pontualmente Ore fervorosamente E seja bom... (Elmer Wheeler)

O Amor é uma Companhia .....Alberto Caeiro

O amor é uma companhia. Já não sei andar só pelos caminhos, Porque já não posso andar só. Um pensamento visível faz-me andar mais depressa E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo. Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. Todo eu sou qualquer força que me abandona. Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio. Alberto Caeiro  

O sol nas noites e o luar nos dias...................Natália Correia

De amor nada mais resta que um Outubro e quanto mais amada mais desisto: quanto mais tu me despes mais me cubro e quanto mais me escondo mais me avisto. E sei que mais te enleio e te deslumbro porque se mais me ofusco mais existo. Por dentro me ilumino, sol oculto, por fora te ajoelho, corpo místico. Não me acordes. Estou morta na quermesse dos teus beijos. Etérea, a minha espécie nem teus zelos amantes a demovem. Mas quanto mais em nuvem me desfaço mais de terra e de fogo é o abraço com que na carne queres reter-me jovem. Natalia Correia
"Às vezes, mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor. Às vezes, é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar nem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio, paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar." A companhia certa é aquela que sabe aquecer-nos a alma antes de sequer tocar-nos no corpo. Autor: Margarida Rebelo Pinto