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Beijo...poema de João de Deus

B eijo na face, Pede-se e dá-se: Dá? Que custa um beijo? Não tenha pejo: Vá ! Um beijo é culpa, Que se desculpa: Dá? A borboleta Beija a violeta: Vá ! Um beijo é graça, Que a mais não passa: Dá? Teme que a tente? É inocente... Vá ! Guardo segredo, Não tenha medo: Vê? Dê-me um beijinho, Dê de mansinho, Dê !    (BEIJO...) Talvez te leve O vento em breve, Flor ! A vida foge, A vida é hoje, Amor ! Guardo segredo, Não tenhas medo Pois ! Um mais na face, E a mais não passe ! Dois... Oh ! dois? piedade ! Coisas tão boas... Vês ? Quantas pessoas Tem a Trindade? Três ! Três é a conta Certinha e justa... Vês? E que te custa? Não sejas tonta ! Três ! Três, sim: não cuides Que te desgraças: Vês? Três são as Graças, Três as Virtudes; Três. As folhas santas Que o lírio fecham, Vês? E não o deixam Manchar, são... quantas? Três  ! João de Deus 1830-1896
Estudar é muito importante, mas pode-se estudar de várias maneiras… Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros. Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas. É também aprender a ser livres, sem ideias tolas. Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente. Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente. É preciso aprender a escrever, mas também a viver, mas também a sonhar. É preciso aprender a crescer, aprender a estudar. Aprender a crescer quer dizer: aprender a estudar, a conhecer os outros, a ajudar os outros, a viver com os outros. E quem aprende a viver com os outros aprende sempre a viver bem consigo próprio. Não merecer um castigo é estudar. Estar contente consigo é estudar. Aprender a terra, aprender o trigo e ter um amigo também é estudar. Estudar também é repartir, também é saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar. Estudar é escrever um ditado sem ninguém nos ditar; e se um erro nos for apontado é sa...

Amei Demais ....Joaquim Pessoa

Amei Demais Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais  todas as coisas que na vida eu emprenhei.  Vejo-as agora grávidas. Redondas. Coisas tais,  como as tais coisas nas quais nunca pensei.  Demais foram as sombras. Mais e mais.  Cada vez mais ardentes as sombras que tirei  do imenso mar de sol, sem praia ou cais,  de onde parti sem saber por que embarquei.  Amei demais. Sempre demais. E o que dei  está espalhado pelos sítios onde vais  e pelos anos longos, longos, que passei  à procura de ti. De mim. De ninguém mais.  E os milhares de versos que rasguei  antes de ti, eram perfeitos. Mas banais.  Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'  

Poema de Afonso Lopes Vieira

Se um inglês ao passar me olhar com desdém, num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem! se tens agora o mar e a tua esquadra ingente, fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente. Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa, fui eu que t'as cedi num dote de princesa. e para te ensinar a ser correcto já, coloquei-te na mão a xícara de chá... E se for um francês que me olhar com desdém, num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem! Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa de ter sido cigarra antes da Provença. Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei Antes de Montgolfier, um século! Voei E do teu Imperador as águias vitoriosas fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas o Encoberto as levou, enxotando-as no ar, por essa Espanha acima, até casa a coxear E se um Yankee for que me olhar com desdém, Num sorriso de dó eu pensarei: ? Pois bem! Quando um dia arribei á orla da floresta, Wilson estava nu e de penas na testa. Olhava pa...

O Conhecido pelo Desconhecido .....Osho

Quando você explora mares desconhecidos, como Colombo fez, o medo existe, um medo imenso, porque ninguém sabe o que vai acontecer. Você está deixando a praia da segurança. Você está perfeitamente bem, em certo sentido; só uma coisa está faltando — aventura. Enfrentar o desconhecido dá a você certa excitação. O coração começa a pulsar novamente; volta a se sentir vivo, totalmente vivo. Cada fibra do seu ser está vibrando porque você aceitou o desafio do desconhecido. Aceitar o desafio do desconhecido, apesar de todo o medo, é coragem. Os medos estão ali, mas se você aceita o desafio várias vezes seguidas, devagarinho os medos desaparecem. A experiência de alegria que o desconhecido traz, o grande êxtase que começa a acontecer com o desconhecido, torna você forte o bastante, lhe dá uma certa integridade, aguça sua inteligência. Pela primeira vez, você começa a sentir que a vida não é só tédio, mas uma aventura. Então devagar os medos desaparecem; e você não para mais de ir a...

Não Direi...poema de José Saramago

Não direi : Que o silêncio me sufoca e amordaça.  Calado estou, calado ficarei,  Pois que a língua que falo é de outra raça.  Palavras consumidas se acumulam,  Se represam, cisterna de águas mortas,  Ácidas mágoas em limos transformadas,  Vaza de fundo em que há raízes tortas.  Não direi:  Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,  Palavras que não digam quanto sei  Neste retiro em que me não conhecem.  Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,  Nem só animais bóiam, mortos, medos,  Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam  No negro poço de onde sobem dedos.  Só direi,  Crispadamente recolhido e mudo,  Que quem se cala quando me calei  Não poderá morrer sem dizer tudo. José Saramago

Poema " MÃE " do Poeta José Maria Lopes de Araújo

M Ã E Minha mãe, minha mãe, quanta saudade Me ronda, nesta hora de tristeza, Na gelidez da minha soledade, Tão cheia de amargura e de incerteza! Há tantos anos já que tu partiste … Hoje, é um velho o teu bebé de outrora. Já nada é do que deixaste e viste Pois sempre que te lembra, sofre e chora. Hoje, que o tempo marca aquele dia Que só lembrá-lo ainda me angustia Me fere e me atormenta de cansaço, Ai, minha mãe talvez em breve, esteja Junto de ti, e queira Deus que seja Para adormecer de novo no teu regaço ! … José Maria Lopes de Araújo do livro " Horas Contadas "