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Mensagens

Doce Tormento

Se eu fosse colibri, voando de flor em flor deixaria na tua boca, o néctar do meu amor. Sei que cheiro a jasmim e danço como uma flor quando o vento me embala, nos braços do teu amor Tenho na boca o riso, da papoila rubra em flor Que te murmuro ao ouvido, sonetos do meu amor Imaria

Dança do Vento de Afonso Lopes Vieira

O vento é bom bailador,  Baila, baila e assobia.  Baila, baila e rodopia  E tudo baila em redor.  E diz às flores, bailando:  - Bailai comigo, bailai!  E elas, curvadas, arfando,  Começam, débeis, bailando.  E suas folhas, tombando,  Uma se esfolha, outra cai.  E o vento as deixa, abalando,  - E lá vai!...  O vento é bom bailador,  Baila, baila e assobia,  Baila, baila e rodopia,  E tudo baila em redor.  E diz às altas ramadas:  Bailai comigo, bailai!  E elas sentem-se agarradas  Bailam no ar desgrenhadas,  Bailam com ele assustadas,  Já cansadas, suspirando;  E o vento as deixa, abalando,  E lá vai!...  O vento é bom bailador,  Baila, baila e assobia  Baila, baila e rodopia,  E tudo baila em redor!  E diz às folhas caídas:  Bailai comigo, bailai!  No quieto chão remexidas,  As folhas, por ele erguidas,  Pobres...
Dorme Enquanto Eu Velo... Dorme enquanto eu velo...  Deixa-me sonhar...  Nada em mim é risonho.  Quero-te para sonho,  Não para te amar.  A tua carne calma  É fria em meu querer.  Os meus desejos são cansaços.  Nem quero ter nos braços  Meu sonho do teu ser.  Dorme, dorme, dorme,  Vaga em teu sorrir...  Sonho-te tão atento  Que o sonho é encantamento  E eu sonho sem sentir.  Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"  

Como é por dentro outra pessoa.......Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo Como que não há comunicação possível, Com que não há verdadeiro entendimento. Nada sabemos da alma Senão da nossa; As dos outros são olhares, São gestos, são palavras, Com a suposição de qualquer semelhança No fundo. Fernando Pessoa

Eu Quero, Eu Quero.... Sylvia Plath

De boca aberta, o deus recém-nascido imenso, calvo, embora com cabeça de criança, gritou pela teta da mãe. Os vulcões secos calaram e cuspiram, a areia esfolou o lábio sem leite. Gritou então pelo sangue paterno que agitou a vesta, o tubarão e o lobo e veio engendrar o bico do ganso. De olhosa secos, o inveterado patriarca ergueu seus homens de pele e osso: farpas sobre a coroa de fio dourado, espinhos nas hastes sangrentas da rosa. Silvya Plath ( 1932-1963) Tradução de Maria de Lourdes Guimarães Livro "A Rosa do Mundo"

Porque o Fim de Um Caminho... José Bento

Porque o fim de um caminho sempre me entregou o limiar de outro caminho, o verde de um campo ou de um corpo adolescente, espero que regresse à minha voz a luz que no primeiro dia a fecundou e a terra que é o contorno dessa luz. Porque espero ver crescer minhas mãos dessa terra e de minhas mãos a água necessária à minha sede, ergo de mim a noite residual do que vivi e canto, canto provocando a madrugada. Porque outros entoarão meu requiem e outros cerrarão minhas pálpebras para defender meus olhos de suas lágrimas, deixo essa glória aos outros - e exalto o meu nascimento e cada dia em que renasço e procuro a boca ou o fruto onde se reflitam os meus lábios. Porque, harmonizando-se no sangue o fogo e a água, eu sou o fogo e a água: por mim os cadáveres e quanto é feito da matéria dos cadáveres libertar-se-ão em chamas, serão claridade e chegarão a pão pela dádiva das cinzas, a última dádiva, a total. José Bento- 1932

Cartas ... Imaria 2014

Pois é, amor... De nada adianta dizer para mim mesma, que te vou esquecer, se o meu coração continua, teimosamente a pertencer-te. É complicado querer gerir a cabeça, que vacila entre a lógica e o romance, se as tuas lembranças teimosamente me acompanham. Uma vez disseste que não me pertencias, porque socialmente não me pertences. Como sempre, consegues ver as coisas com lógica e realidade. Infelizmente, apaixonei-me por ti, fui irresponsável, eu sei, deveria ter pensado em tudo, principalmente nas consequências de querer viver um amor tardio. No inicio, pensei que conseguiria manter a situação sob controle, que nada mais entre nós se passaria para além de alguns beijos e troca de doces palavras, afagos para os nossos pardos egos, sedentos de amor e atenção, ausentes nos nossos longos e debilitados casamentos. Quase um ano depois de nos conhecermos, na altura em que sofreste o AVC, e eu correr pelos hospitais como uma louca a fim de te encontrar, havíamos de viver essa paixã...