Avançar para o conteúdo principal

Do Poeta JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO


SAUDADE


Há tanto que não ouço a voz da fonte,
Naquele canto triste e prolongado,
Ecoar pelas ravinas do valado,
Perder-se nas distâncias do horizonte ! …


Há quanto já não vejo aquele monte,
Donde a minha infância, descuidado,
Via espalhar-se o Sol, em tom doirado,
Nas águas do ribeiro, além da ponte ! …


Veste de luto a minha mocidade
A roxa e melancólica saudade
Desse ditoso tempo em que vivia …


Ai, tão distante que me sinto agora
De tudo que sinto e vi outrora,
Quando era alegre e a vida me sorria …



  • José Maria Lopes de Araujo
  • Comentários

    1. Amiga,
      Estive sem conseguir entrar nos comentários nos últimos dias, por problemas do meu próprio pc, mas já está tudo funcionando novamente e cá estou para deixar-te muitos beijos e sorrisos!

      ResponderEliminar
    2. Poeta que adoro!
      e que talvez nunca tivesse conhecido sem ti!
      obrigado e beijos daqui!

      ResponderEliminar
    3. Belo poema, fantástico poeta.
      Ah, a saudade! Essa continua a fazer doer a alma de cada vez que nos visita.
      Um beijo e voarei de novo por aqui.

      ResponderEliminar
    4. Revejo-me em cada palavra de saudade, proferida pelo autor.
      Mas como este mundo não se compadece de saudades...
      Tudo de bom.
      Desejo um óptimo Domingo.
      Bufagato

      ResponderEliminar
    5. A saudade sempre inspira sonetos e este adorei! Belo Poeta!
      Aproveito para informar-te que foi aqui que daqui que partiu a ideia da minha inscrição na Gazeta do Blogueiro e tive uma boa notícia hoje. Gostei de te ver por lá e agora faço-te companhia. Beijinhos

      ResponderEliminar
    6. Rectificação ao comentário anterior que deve ler-se:
      "Foi daqui que partiu a ideia da minha inscrição" em vez do texto que por lapso deixei.

      ResponderEliminar
    7. Passei para deixar-te beijos e sorriso e desejar-te um lindo inicio de semana!

      ResponderEliminar
    8. olá. Andando por vários blogs pude perceber que as pessoas andam nostálgicas( muitas delas falando sobre saudade)....Lindo poema!!!! quanto sentimento!!!Adorei!

      beijos

      P.S.:vou te linkar também.Obrigada pelo link....

      ResponderEliminar
    9. Levou-me até à infância... de novo!

      Bjinho

      ResponderEliminar
    10. Oi querida!
      passando pra te desejar uma linda sexta com um final de semana cheio de muitas energias positivas, paz, e muitas alegrias.
      Lindo esse texto saudade, eu viajei quando lia.

      Bjs no coração!

      ResponderEliminar
    11. Saudade. Quem já não a sentiu... Um bonito poema

      ResponderEliminar

    Enviar um comentário

    Mensagens populares deste blogue

    Filha de Um Amor Proibido - Isabel Valente

    Os jovens de hoje não sabem que, na minha geração, haviam crianças nascidas fora do casamento, e em cujo registo pessoal constava o nome da Mãe, tendo por pai, um “ Pai Incógnito”. Estas crianças, eram estigmatizados como, os filhos do pecado, da vergonha, os filhos da outra. Eram os filhos fora do casamento, os bastardos. É que o registo obrigatório com nome de pai é recente, e eu já sou "Cota". Para a nova geração onde todos à nascença são registados com o nome de mãe e de um pai, verdadeiro ou não, não lhes é fácil entender o que é viver com o facto diário de ser filha de” pai incógnito”. Tendo eu passado por essa experiência, não me é difícil explicar o que é ser filha de Pai Incógnito. Hoje na maioria das Repartições Públicas todas achamos uma grande maçada, ter de preencher formulários, para mim, passou a ser, uma bênção. Em alguns desses formulários tinha de mencionar o nome de Mãe e de Pai, então lá vinha o tormento ---Pai Incógnito --- . Ist...

    AMÉRICO " Liberdade de Sentir "

    LIBERDADE... de sentir Gostei dessa voz que é a tua voz... de menina Gostei deste mar que brilha na noite silenciosa Gostei deste som que corre os nossos sentidos Mexe na nossa pele,vagueia na nossa mente Que é tambem um pouco do teu mundo Um pouco dos teus sonhos adormecidos Um pouco das tuas esperanças inquietas Um pouco de ti presa nas nuvens da ilusão Gostei desta ilha escura,adormecida Destas gaivotas sulcando o céu suavemente... Do luar escondido nas nuvens a bater na água E a deixa-la prateada...reluzente..misteriosa... Gostei desta música viva e profunda Deste tom estridente e surdo... Desta imagem exótica que nos traz Mistério,ilusão,energia,paixão,sonho...VIDA Gostei de calar a noite com este poema De acordar a madrugada com estas palavras De esperar o sol com meus sonhos De correr na vida atrás do destino.... Junho 2004 Americo.

    "PERDIDAMENTE" Florbela Espanca

    Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Áquem e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!