Avançar para o conteúdo principal

SIDÓNIO BETTENCOURT do livro " Deserto de Todas as Chuvas "

DESPEDIDA

Fria a tarde e distante da beira praia num soluço de olhar fugidio entre o mar, céu e a nudez a fervilhar.
Fria tarde esta, que não te sente os lábios e o fogo do teu corpo, quando te deixo sem regresso.
Fria solidão, quando os teus braços se soltam do murmúrio.
Fria e triste monotonia, e o Outono sem o brilho dos teus olhos, nos cabelos revoltos e revoltados, destes dedos que acendo.
Ventre de dança, no corpo que animas e onde revejo os lugares escondidos do desejo.
Quando agora partir, só tu me deixas ficar, e na boca cair uma lágrima de sede a cantar Bethânia, rolando no eco da minha voz, desafinada e rouca " Onde Estará o Meu Amor?"
O amor.
Sim, o amor.
Quem o conforta, quem o aquece, quem o derrete?
Fria tarde de tristeza funda.



Sidónio Bettencourt
"Deserto de Todas as Chuvas "

Comentários

  1. Dizem que á a possibilidade de chover salgado, passei para desejar bom fim de semana, gostei do post, um abraço...

    osaldanossapele.blogs.sapo.pt

    ResponderEliminar
  2. Olá!
    Novamente, desapareci durante uns dias, mas se tiveres oportunidade de ler o artigo que tenciono publicar amanhã, vais entender o porquê.
    De qualquer forma, estive a ler todos os textos que escreveste desde que cá estive pela última vez, como sempre!
    Gostei de todos eles! Parabéns pela selecção e por partilhares connosco trechos de textos tão interessantes!
    Bom fim-de-semana!
    Cumprimentos.

    ResponderEliminar
  3. Gostei muito do post! Obrigada por me ter linkado. Também vou "levar" o seu cantinho para o meu blog. Beijinhos com sabor a Natal e bom fim-de-semana. *****

    ResponderEliminar
  4. Muito foerte e bem interessante o texto, gostei, ele exala a solidão a tristeza da falta.
    Abraços

    ResponderEliminar
  5. "...Onde Estará o Meu Amor?"
    O amor.
    Sim, o amor.
    Quem o conforta, quem o aquece, quem o derrete?
    Fria tarde de tristeza funda."

    O Amor, disperso em mil sentimentos...

    Um abraço e FELIZ NATAL ;)

    ResponderEliminar
  6. Grata pelas palavras no meu blog e, que o espírito do verdadeiro Natal te acompanhe.

    Um abraço carinhoso e, FELIZ NATAL ;)

    ResponderEliminar
  7. "Paz na Terra aos homens de boa vontade" Feliz Natal com muita Paz e Amor e que o Novo Ano traga muitas alegrias. Um beijo de Amizade e um enorme e natalicio xi coração.

    ResponderEliminar
  8. Onde estará o meu amor?!..
    Um Natal Feliz pra ti e os que te são queridos!
    beijinhos

    ResponderEliminar
  9. Muito bom teu blog...Sensibilidade é algo especial, encontra-se nas pessoas que têm na alma o sonho dos poetas. Adoro escrever, amei passar aqui.


    Tua ausência

    Sinto-me tão sozinha
    Num labirinto de dor,
    Que as lágrimas que derramo,
    Já nem sei se são de amor.

    Como as ondas beijam a areia,
    Teus lábios beijam meus sonhos,
    E na lua refletida
    A tua imagem tão querida,
    É quarida para minha dor.

    São longas as madrugadas,
    O amanhecer tão tristonho,
    Cada dia, cada hora, já nem sei se as lamento,
    Pois o pranto que derramo,
    Não servem de acalanto.

    Os sons que me chegam,
    São tua voz a perturbar,
    A ânsia de ouvir um dia,
    De AMOR tu me chamar.

    Vera Regina de Azevedo Rodrigues
    24/10/05
    estrelaeluz2004@yahoo.com.br
    FELIZ NATAL, UM ANO PLENO DE LUZ!

    Meu carinho

    ResponderEliminar
  10. é sempre tão agradável vir aqui...

    ResponderEliminar
  11. caro poeta.

    Lendoo seu poema DESPEDIDA , compreendi mais profundamente o significado da frase que tanto repito: Ser poeta é preciso , isto é tão fantástico quanto quanto compreender que poesia é para quem dela precisa. Como viver sem poesia?? Se, é nela que reside a essencia da vida. Luaparamar (Laura)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Filha de Um Amor Proibido - Isabel Valente

Os jovens de hoje não sabem que, na minha geração, haviam crianças nascidas fora do casamento, e em cujo registo pessoal constava o nome da Mãe, tendo por pai, um “ Pai Incógnito”. Estas crianças, eram estigmatizados como, os filhos do pecado, da vergonha, os filhos da outra. Eram os filhos fora do casamento, os bastardos. É que o registo obrigatório com nome de pai é recente, e eu já sou "Cota". Para a nova geração onde todos à nascença são registados com o nome de mãe e de um pai, verdadeiro ou não, não lhes é fácil entender o que é viver com o facto diário de ser filha de” pai incógnito”. Tendo eu passado por essa experiência, não me é difícil explicar o que é ser filha de Pai Incógnito. Hoje na maioria das Repartições Públicas todas achamos uma grande maçada, ter de preencher formulários, para mim, passou a ser, uma bênção. Em alguns desses formulários tinha de mencionar o nome de Mãe e de Pai, então lá vinha o tormento ---Pai Incógnito --- . Ist...

AMÉRICO " Liberdade de Sentir "

LIBERDADE... de sentir Gostei dessa voz que é a tua voz... de menina Gostei deste mar que brilha na noite silenciosa Gostei deste som que corre os nossos sentidos Mexe na nossa pele,vagueia na nossa mente Que é tambem um pouco do teu mundo Um pouco dos teus sonhos adormecidos Um pouco das tuas esperanças inquietas Um pouco de ti presa nas nuvens da ilusão Gostei desta ilha escura,adormecida Destas gaivotas sulcando o céu suavemente... Do luar escondido nas nuvens a bater na água E a deixa-la prateada...reluzente..misteriosa... Gostei desta música viva e profunda Deste tom estridente e surdo... Desta imagem exótica que nos traz Mistério,ilusão,energia,paixão,sonho...VIDA Gostei de calar a noite com este poema De acordar a madrugada com estas palavras De esperar o sol com meus sonhos De correr na vida atrás do destino.... Junho 2004 Americo.

"PERDIDAMENTE" Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Áquem e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!