25 de janeiro de 2006

Desejo de Você poema de Isabel C.

Quero ver de novo,
No brilho de seus olhos,
Toda a intensidade do desejo
Que seu olhar contém.
Quero sentir,
Num toque de seda,
Suas quentes e doces mãos
Em busca do meu ser, trazendo a sede
Que saciará
A fome desse amor.
Quero seus dedos percorrendo meu corpo .
Quero meus seios colados em você.
Quero sentir seu corpo tremendo de desejo,
Quero sentir de novo seu beijo,
Sua boca molhada, fremente colada
Quero ter você junto a mim.
Quero sua língua brincando na minha,
Num beijo melado e molhado
Que me faz desejar e sonhar com você.
Quero urgência, aqui e agora,
Nesta noite fria,
Com você se enroscando
Em meu corpo ardente, sedento de suas mãos,
Sua língua percorrendo meu corpo nu
Desejoso de receber a seiva desse amor.
Te desejo como nunca,
Vem...
Vamo-nos amar.
Como o sol, ama a lua,
Como a areia ama o mar,
Como a noite ama o brilho das estrelas,
E eu....amo você.
Num amor que é eterno,
O meu amor,
O teu amor
O nosso amor.

Eu quero você....

Amor!


Isabel C.

Mário de Sá Carneiro " Quase"

QUASE

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
............................................................
............................................................

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...



Mário de Sá Carneiro



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Não sendo habitual, vou fazer uma excepção , com este poema e esta música, para dedicar ás pessoas que me são muito especiais, e cujas datas próximas, as fazem estar ainda mais presentes no meu pensamento.

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25 Janeiro - A alguém que já não se encontra entre nós,sendo este o dia do seu aniversário . O POETA " José Maria Lopes de Araújo " poeta que viveu na minha ilha e que admiro a obra deixada.


  • JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
  • 21 de janeiro de 2006

    AMÉRICO * Terás de Vir à Minha Cabana *


    Se queres ouvir a fogueira a arder
    o vento a soprar na rua
    a chuva a bater no telhado

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA


    Se queres ouvir uma canção no ouvido
    sentir um beijo na nuca
    uma carícia nos seios erectos

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres ver o vento a mexer as folhas
    o silencio no escuro profundo da noite
    sentir a voz do tempo que passou

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres acordar com o sol no olhar
    olhar pela janela o orvalho da lua
    nas pétalas molhadas das flores abertas

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres libertar a alma e deixa-la voar
    libertar o corpo e deixa-lo sentir
    soltar a mente e deixa-la sonhar

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres sentir o universo num momento
    o vulcão que acorda, a lava que corre
    na cama que te espera...

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    Se queres ouvir cada palavra que te escrevo
    em cada gota de agua que te molha
    em cada sorriso quente que soltas

    ...TERÁS DE VIR À MINHA CABANA



    AMÉRICO

    16 de janeiro de 2006

    Camilo Castelo Branco " OS AMIGOS "

    Amigos, cento e dez, ou talvez mais,
    Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
    Supus que sobre a terra não havia
    Mais ditoso mortal entre os mortais!

    Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
    Tão zelosos das leis da cortesia
    Que, já farto de os ver, me escapulia
    Às suas curvaturas vertebrais.

    Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
    Dos cento e dez houve um somente
    Que não desfez os laços quasi rotos.

    Que vamos nós (diziam) lá fazer?
    Se ele está cego não nos pode ver.
    - Que cento e nove impávidos marotos!



    Camilo Castelo Branco

    13 de janeiro de 2006

    António de Medeiros Pereira

    Ser pobre é possuir
    Riquezas e não as dar!
    É ter peito e não sentir
    Um coração a palpitar!

    É ter boca e não sorrir;
    Ter olhos e não olhar.
    É ter força e não agir;
    É ter mando e não mandar ...

    É ter fome e não comer;
    É ter sede e não beber,
    Na ânsia de não gastar ...

    É ter vida e não viver;
    É ter seiva e fenecer;
    É ter alma e não amar! ...



    António de Medeiros PereiraStª. Maria - Açores


    3 de janeiro de 2006

    Florbela Espanca " Poetas "

    Ai as almas dos poetas
    Não as entende ninguém;
    São almas de violetas
    Que são poetas também.

    Andam perdidas na vida,
    Como as estrelas no ar;
    Sentem o vento gemer
    Ouvem as rosas chorar!

    Só quem embala no peito
    Dores amargas e secretas
    É que em noites de luar
    Pode entender os poetas

    E eu que arrasto amarguras
    Que nunca arrastou ninguém
    Tenho alma pra sentir
    A dos poetas também!



    Florbela Espanca

    - in Trocando Olhares