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Américo poema " Palavras Para Quê? "

PALAVRAS PARA QUÊ? Palavras para quê, se os olhos as dizem fechados? Palavras para quê, se os lábios as dizem calados..? Palavras para quê, se as mãos as dizem quietas....? Num encontro gostoso, sem pensar demasiado, Numa loucura expontânea, que surge inesperada, Como uma chama que alastra na erva ressequida, Na roupa que cai no chão, no corpo que fica a ver-se. Num momento...num gesto, um abraço...um beijo de pé, Uma cama que espera,um abraço mais forte....um suspiro, Dois corpos que se juntam.... eterno ritual de prazer e paixão Num gemido suave... mais outro e muitos mais... Na procura do que somos, de onde viemos, para onde vamos Nos olhos abertos, nos lábios a falar,no toque das mãos... Num obrigado na voz, no brilho silencioso dos olhos incrédulos Num espaço solitário,no tempo que acabou sem começar Nma viagem fascinante, numa miragem exótica... Da vida,do agora,do tempo que passou e se esfumou Do amanhã que queremos viver hoje,enquanto sentimos No cal...

Cecci ** Anjo **

Tarde, bem tarde, noite bem alta E eu estou ainda pensando em você... Dorme meu anjinho, dorme assim tão linda Que o dia não tarde a chegar. Durma que eu estou perto, Mesmo estando longe O meu coração e minha alma também Sempre ao seu lado estão....Meu bem... Cecci

Primeiro Encontro

“ A vida é de facto feita de momentos, que a marcam e a definem que a temperam e agitam, que lhe dão cor e direcção” . Esperava, de pé, na calçada do passeio, na beira da marginal, duma cidade à beira mar. Nas suas costas o oceano, na sua frente um estádio de futebol. Esperava por alguém que havia conhecido na net... Um encontro igual a muitos outros milhões que diáriamente acontecem por esse mundo, das mais variadas formas, envolvendo pessoas tão diferentes e tão diversas que jamais aconteceriam duma forma convencional. Era alta, esbelta, cabelo curto alourado de menina de colégio dos anos 60...ou 70, camisola de gola alta branca, com um casaco de cabedal por cima...calças de lycra azuis. Foi ali que os nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Atravessou decidida a estrada ao meu encontro. Trazia nos olhos um brilhozinho estranho, no rosto um sorriso aberto e trocista a que a covinha na face dava relevo. Na voz clara e bem timbrada, um nervosismo dissimulado na sau...

Antoine de Saint Exupéry

Cada um que passa em nossa vida passa sózinho... Porque cada pessoa é única para nós, e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida passa sózinho, mas não vai só... Levam um pouco de nós mesmos e nos deixam um pouco de si mesmos. Há os que levam muito, mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito, mas não há os que não deixam nada. Esta é a mais bela realidade da vida... A prova tremenda de que cada um é importante e que ninguém se aproxima do outro por acaso... Saint Exupery

Fernando Pessoa " Liberdade "

Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O sol doira Sem literatura. O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quando há bruma, Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca. O mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca... Fernando Pessoa

Florbela Espanca " O Meu Desejo "

O MEU DESEJO Vejo-te só a ti no azul dos céus, Olhando a nuvem de oiro que flutua... Ó minha perfeição que criou Deus E que num dia lindo me fez sua! Nos vultos que diviso pela rua, Que cruzam os seus passos com os meus... Minha boca tem fome só da tua! Meus olhos têm sede só dos teus! Sombra da tua sombra, doce e calma, Sou a grande quimera da tua alma E, sem viver, ando a viver contigo... Deixa-me andar assim no teu caminho Por toda a vida, amor, devagarinho, Até a Morte me levar consigo.

AMÉRICO " O Homem Idoso " Relato duma vivência

Estava sentado em frente da casa, nos degraus de madeira da escada antiga. Era idoso,entre os 70 e 80 anos , e tinha o olhar fixo num ponto qualquer da rua em frente, com árvores enormes, rigorosamente alinhadas de ambos os lados. Já caiam algumas folhas amareladas pelo frio da noite que, as começara a arrancar do verde abundante , que ainda tingia as que resistiam aos ares frios que a noite trazia, já anunciando o Inverno. Era Setembro,o outono chegara. O sol descia devagar, embora quente, já não tinha a intensidade das semanas anteriores. Não havia carros na rua , e o olhar triste do homem idoso lá continuava parado,absorto nos seus pensamentos,nas suas recordacões , decerto do tempo que passara tão depressa,nas mudanças que aconteciam tão inesperadas e imprevistas. A boina não cobria totalmente os cabelos brancos e curtos , nem a face magra marcada pela vida óbviamente de camponês. Mãos calejadas e braços secos do duro trabalho do campo. O seu aspecto, embora sombrio er...