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AÇORES..... poema de VITOR CINTRA

Nove ilhas de beleza deslumbrante, Surgidas do profundo mar imenso, Que o mundo conheceu porque o Infante Tornou o nevoeiro menos denso. Encostas de mosaicos verdejantes Elevam-se, rumando ao infinito. Hortênsias, feitas sebes, são constantes, Tornando o colorido mais bonito. Ali, onde gigantes residiram, Os cumes das montanhas que explodiram, Tornados em lagoas de beleza, Relembram, aos herdeiros dos atlantes, Que até já os primeiros navegantes Sabiam respeitar a natureza. VITOR CINTRA do livro " Entre o Longe e o Distante "

NO MEIO DO MAR poema de " JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO "

Nasci nas ondas que beijam As encostas dum vulcão… E quando à noite adormeço A minha terra é o berço Que embala o meu coração! Por tecto só tenho nuvens Meu horizonte é o mar … Se tivesse asas, um dia, Certamente que partia Para nunca mais voltar. ……………………………. Querer partir e não ter Um chão para caminhar! JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

Sim, Sei Bem ....poema de FERNANDO PESSOA

Sim, sei bem Que nunca serei alguém. Sei de sobra Que nunca terei uma obra. Sei, enfim, Que nunca saberei de mim. Sim, mas agora, Enquanto dura esta hora, Este luar, estes ramos, Esta paz em que estamos, Deixem-me crer O que nunca poderei ser. FERNANDO PESSOA

O Sonho...poema de....SEBASTIÃO DA GAMA

Pelo sonho é que vamos, Comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não frutos, Pelo Sonho é que vamos. Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo Que talvez não teremos. Basta que a alma demos, Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? -Partimos. Vamos. Somos. SEBASTIÃO DA GAMA

URGENTEMENTE.....poema de....EUGÉNIO DE ANDRADE

É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, Ódio, solidão e crueldade, Alguns lamentos, Muitas espadas. É urgente inventar a alegria, Multiplicar as searas, É urgente descobrir rosas e rios E manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz Impura, até doer. É urgente o amor, é urgente Permanecer. EUGENIO DE ANDRADE

No Meio o Mundo....poema de ...VITORINO NEMÉSIO

Com medo de o perder nomeio o mundo Seus quantos e qualidades, seus objectos E assim durmo sonoro no profundo Poço de astros anónimos e quietos Nomeei as coisas e fiquei contente Prendi a frase ao texto do universo Quem escuta ao meu peito ainda lá sente Em cada pausa e pulsação, um verso.  VITORINO NEMÉSIO

Um Poema.....de MIGUEL TORGA

Não tenhas medo, ouve: É um poema Um misto de oração e de feitiço... Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente, De coração lavado. Poderás decorá-lo E rezá-lo Ao deitar Ao levantar, Ou nas restantes horas de tristeza. Na segura certeza De que mal não te faz. E pode acontecer que te dê paz... MIGUEL TORGA