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Mensagens

As Escadas de São Bento.... poema de Manuela Bulcão

Rugas na cara Cigarro esvoaçante ar cansado Minissaia apertada de feridas Corpo de traste Sorriso desfeito pela pancada e felatio Mulher objecto Arranhada pela sede de sexo dos homens Criança perdida Lupanário ao ar livre sobre o céu do Porto Vitima ou criminosa? Acaso ou simples fome para matar? Vicio ou escravidão? Perguntas e mais perguntas… Vejo aí nas escadarias de São Bento Passo e olho Fico presa no hábito mundano de ignorar E sigo atrasada nos meus afazeres e papeis Bastava uma palavra para a salvar? Manuela Bulcão

Poesia da Felicidade........FERNANDO PESSOA

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se o achar, segure-o!   FERNANDO PESSOA

Preguiça.... poema de Manuela Bulcão

Olho para o céu nocturno A escuridão lembra a tua pele Chocolate de leite Vislumbra a camada de nuvens Os fios de cabelo grisalho Rasgam o castanho da minha íris Saboreio o sal do mar Emersa na escuridão do teu olhar Coisa estranha e rara E, Rendo-me à preguiça da imaginação Presa na lentidão matinal de esperar pela tua chamada Continuo assim enrolada, Nos lençóis… Manuela Bulcão

Obessão do Mar Oceano...poema de MÁRIO QUINTANA

Vou andando feliz pelas ruas sem nome... Que vento bom sopra do Mar Oceano! Meu amor eu nem sei como se chama, Nem sei se é muito longe o Mar Oceano... Mas há vasos cobertos de conchinhas Sobre as mesas... e moças na janelas Com brincos e pulseiras de coral... Búzios calçando portas... caravelas Sonhando imóveis sobre velhos pianos... Nisto, Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous, E eu me lembrei do pobre imperador Adriano, De su'alma perdida e vaga na neblina... Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano! Se eu morresse amanhã, só deixaria, só, Uma caixa de música Uma bússola Um mapa figurado Uns poemas cheios de beleza única De estarem inconclusos... Mas como sopra o vento nestas ruas de outono! E eu nem sei, eu nem sei como te chamas... Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano, Quando eu também já não tiver mais nome. Mário Quintana

Ilhas Encantadas---- poema de MANUELA BULCÃO

(Fotografia de Ana Loura) Açores paisagem única, visão imaculada Fontes da vida, Águas puras inócuas Água translúcida, pura fonte da vida Vegetação única da natureza, intocável terra orvalhada Arquipélago Ilhas encantadas, meus olhos brotam lágrimas perpétuas A saudade, do cheiro a maresia é escrava do meu lamento Jardins à beira mar plantados, pérolas do oceano. Açores minhas ilhas meus amores Sou filha do nada Filha encantada, filha rejeitada, filha mal amada Sou tudo, sou nada, serei idolatrada Amante insular Um dia serei amada, PRINCESA ENCANTADA Manuela Bulcão (Poetisa Açoreana)

Adeus/Não-Adeus ...poema de MANUELA BULCÃO

Qual o significado desta pequena palavra? Entrada na inexistência pura da saudade Tanto a proferi nesta existência Somos companheiros do pesar Amantes furiosos das ondas de uma mera tempestade Não me queria despedir de ti eternamente Sinto-me frágil na tua presença distante Do outro lado do oceano estás Num quarto sonolento estou prostrada Nunca te direi ADEUS, meu amor ! Tatuaste-me e acariciaste esta fera Agora mergulho o meu corpo cansado na escuridão Sempre a pensar na tua essência que desconheço… Um NÃO-ADEUS para ti! Manuela Bulcão (Poetisa Açoreana)

Serradura......poema de Mário Sá Carneiro

(Pintura de Margarida Cepêda ) A minha vida sentou-se E não há quem a levante, Que desde o Poente ao Levante A minha vida fartou-se. E ei-la, a mona, lá está, Estendida, a perna traçada, No indindável sofá Da minha Alma estofada. Pois é assim: a minha Alma Outrora a sonhar de Rússias, Espapaçou-se de calma, E hoje sonha só pelúcias. Vai aos Cafés, pede um bock, Lê o "matin" de castigo, E não há nenhum remoque Que a regresse ao Oiro antigo: Dentro de mim é um fardo Que não pesa, mas que maça: O zumbido dum moscardo, Ou comichão que não passa. Folhetim da "capital"; Pelo nosso Júlio Dantas --- Ou qualquer coisa entre tantas Duma antipatia igual... O raio já bebe vinho, Coisa que nunca fazia, E fuma o seu cigarrinho Em plena burocracia!... Qualquer dia, pela certa, Quando eu mal me precate, É capaz dum disparate, Se encontra a porta aberta... Isto assim não pode ser... Mas como achar um remédio? ...